sábado, 21 de abril de 2018

Religião Autêntica

 
“Prata rejeitada…” (Jr 6:30)
“…nada senão folhas…” (Mc 11:13)
“Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.” (1 Jo 3:18)
“… Tu que tens nome de que vives, e estás morto.” (Ap 3:1)
Se nós professamos ter qualquer coisa de cristão, sejamos cuidadosos para que isso seja autêntico. Eu digo enfaticamente e repito o dito: Sejamos cuidados quanto à autenticidade de nosso cristianismo. O que eu quero dizer quando uso a palavra autêntico? Quero dizer que é genuíno, sincero, honesto e inteiro. Quero dizer que não é inferior, raso, formal, falso, uma imitação, enganoso e nominal. “Autêntico” cristianismo não é mero show e pretensão, sentimento à flor da pele, profissão de fé temporária e obras somente externas. É algo interior, sólido, substancial, intrínseco, vivo e durável. Sabemos a diferença entre dinheiro autêntico e falso – entre sólido de ouro e lentejoula – entre metal banhado e prata – entre pedra autêntica e imitação de gesso. Vamos pensar sobre essas coisas à medida que consideramos o assunto desse artigo. Qual o caráter de nossa religião É autêntica? Pode ser fraca, débil e misturada com muitos defeitos. Esta não é a questão diante de nós hoje. Nossa religião é autêntica? É verdadeira?

Quanto da religião entre Independentes1 consiste de “nada além de discordância”?! Eles se orgulham de não ter nada a ver com igreja de denominação formal. Eles alegram-se em não ter ritual, nem formas, nem bispos. Eles se gloriam no exercício de seu julgamento privado e na ausência de tudo cerimonial na adoração pública deles, mas todo esse tempo eles não tem nem graça, nem fé, nem arrependimento, nem santidade, nem espiritualidade de conduta ou conversação. A piedade experimental e prática dos velhos Separatistas2 é uma coisa de que eles estão completamente destituídos. O cristianismo deles é sem seiva e sem fruto como uma árvore morta e tão seca e sem medula como um velho osso. O cristianismo dessas pessoas é autêntico? Não é nada do gênero. É imitação barata. Não é cristianismo dos Reformadores do passado. Em nada mais é “Não-conformismo”.

Quanto da religião Ritualística é completamente falsa! Você vai, às vezes, ver homens com zelo fervoroso com expressões externas de adoração tal como músicas da igreja e ordem do culto, enquanto seus corações estão manifestamente no mundo. Da obra interior do Espírito Santo, da fé viva no senhor Jesus, do deleite na Bíblia e conversas religiosas, da separação da tolice mundana e entretenimento, do zelo pela conversão de almas pra Cristo, de todas essas coisas, eles estão profundamente ignorantes. É esse o tipo de cristianismo autêntico? Não é nada do gênero. É um mero nome.

Quanto da religião evangélica3 é completamente pretensiosa? Às vezes você vai ver homens professando grande afeição pelo puro “Evangelho”, enquanto eles estão, literalmente falando, praticando sobre ele a maior das injúrias. Eles vão falar alto de solidez na fé e ter um nariz agudo por heresias. Eles correrão avidamente atrás de pregadores populares e aplaudir oradores evangélicos em reuniões públicas. Eles estão familiarizados com todas as frases da religião evangélica e podem conversar fluentemente sobre suas principais doutrinas. Por ver suas faces em reuniões públicas ou na igreja, você pensaria que eles são eminentemente piedosos. Por ouvi-los falar, você suporia que suas vidas foram atreladas a todo tipo de atividade religiosa. Ainda assim, essas pessoas em secreto vão, às vezes, fazer coisas que mesmo pagãos ficariam envergonhados. Eles não são nem verdadeiros, nem sinceros, nem honestos, nem justos, nem equilibrados, nem altruístas, nem misericordiosos, nem humildes, nem amáveis! Tal cristianismo é autêntico? Não é. É uma imitação inútil, um miserável engano e uma farsa.

Quanto da religião Reavivalista4 nos dias de hoje é completamente falsa! Você vai encontrar uma multidão de falsos crentes desconsiderando a obra de Deus onde quer que o Espírito Santo é derramado. Quantas pessoas hoje professarão ser de repente convencidas do pecado para encontrar paz em Jesus, para ser coberto com alegrias e êxtase de alma, enquanto na autenticidade da religião eles não tem nada da graça. Como os ouvintes do solo de pedra, eles permaneceram, mas por certo tempo. “No tempo da provação eles desapareceram” (Lc 8:13). Tão breve quanto o primeiro entusiasmo passou, eles retornam para suas velhas maneiras e retomam seus primeiros pecados. A religião deles é como a planta de Jonas que surgiu em uma noite e pereceu em uma noite. Eles não tem nem raiz nem vitalidade; eles somente ofendem a causa de Deus e dão ocasião aos inimigos de Deus blasfemar. Um cristianismo como esse é autêntico? Não é nada do gênero. É uma barata imitação da mente do diabo e é sem valor aos olhos de Deus.

Eu escrevo essas coisas com tristeza. Não tenho desejo de trazer qualquer parte da Igreja de Cristo com desprezo. Não tenho desejo de lançar qualquer ofensa a qualquer movimento que comece com o Espírito Santo, mas o tempo demanda muito clareza ao falar de alguns pontos do cristianismo prevalecente de nossos dias e um ponto que estou muito certo que demanda atenção é a abundante falta de autenticidade que é visto por todos os lados.

Em abordar essa parte de meu tópico, eu peço a cada leitor desse artigo para lhe dar fielmente, honestamente e sensatamente com sua alma. Tire da sua mente a ideia comum de que certamente tudo está certo se você vai à igreja. Rejeite essa vã noção pra sempre; você deve olhar mais longe, mais alto, mais profundo do que isso, se você descobriu a verdade. Escute-me e eu te darei algumas dicas. Acredite, não é um leve assunto… É sua vida!

1. Se você quer saber se sua religião é autêntica, examine-a pelo “o lugar que ela ocupa” em seu interior.

Não é o bastante que esteja em sua cabeça. Você pode saber a verdade, consentir com a verdade e crer na verdade, mas estar errado aos olhos de Deus. Não é o bastante que esteja em seus lábios. Você pode dizer “Amem” para oração pública na igreja e, ainda assim, não ter nada mais que uma religião aparente. Não basta que esteja em seus “sentimentos”. Você pode chorar numa pregação um dia e ser levado ao terceiro céu pelo entusiasmo jubiloso num outro dia e, ainda assim, estar morto pra Deus. Sua religião, se é autêntica e dada pelo Espírito Santo, deve estar em seu coração; deve estar no comando; deve influenciar os sentimentos; deve conduzir a vontade; deve dirigir os gostos; deve influenciar as escolhas e decisões; deve preencher o mais profundo, mais baixo e mais íntimo lugar em sua alma. Essa é sua religião? Se não, você pode ter boas razões para duvidar se é “autêntica” e verdadeira. (At 8:21; Rm 10:10).

2. Se você quer saber se sua religião é autêntica, examine-a pelos “sentimentos quanto ao pecado”.

O cristianismo que é do Espírito Santo sempre terá uma profunda visão da pecaminosidade do pecado. Não vai meramente considerar o pecado como uma mancha e um infortúnio que faz homens e mulheres objetos de compaixão. O cristianismo verá no pecado a abominável coisa que Deus odeia, aquilo que faz homens culpados e perdidos aos olhos do Seu Criador, aquilo que merece a ira de Deus e a condenação. Ele contemplará o pecado como a causa de aflição e infelicidade, de conflito e guerras, de disputa e contenda, de doença e morte; a maldição que amaldiçoou a bela criação de Deus, que fez a terra inteira gemer e contorcer-se em dor. Sobretudo, ele verá pecado aquilo que nos arruinará eternamente, a menos que possamos encontrar um resgate; leva-nos cativo, a não ser que suas cadeias sejam quebradas, e destrói nossa felicidade aqui e futuramente, exceto se lutarmos contra até a morte. Essa é sua religião? Esses são seus sentimentos sobre o pecado? Se não, você deveria duvidar se sua religião é “autêntica.”

3. Se você quer saber se sua religião é autêntica, examine-a pelos “sentimentos quanto a Cristo” que ela produz.

A religião nominal pode crer que tal pessoal como Cristo existiu e foi um grande ajudador da humanidade, pode mostrá-lO respeito aparente, participar da celebração da Ceia do Senhor e curvar a cabeça em Seu nome, mas não vai mais longe que isso. A religião autêntica fará um homem gloriar-se em Cristo, como o Redentor, o Libertador, o Sacerdote, o Amigo sem o qual ele não teria esperança nenhuma. Ela produzirá confiança nEle, amor por Ele, conforto nEle, como mediador, a comida, a luz, a vida, a paz da alma. Essa é sua religião? Você conhece algum desses sentimentos por Cristo? Se não, você deve ter toda razão de duvidar se sua religião é autêntica.

4. Se você quer saber se sua religião é autêntica, examine-a pelo “fruto que produz em seu coração e vida”.

O cristianismo que é de cima sempre será conhecido por seus frutos. Ele produzirá no homem arrependimento, fé, esperança, amor, humildade, espiritualidade, amabilidade, auto-negação, altruísmo, espírito de perdão, moderação, veracidade, hospitalidade e paciência. O grau em que essas várias graças aparecem podem variar em diferentes crentes. O embrião e as sementes delas serão encontradas em todo aquele que é filho de Deus. Por seus frutos o conhecerão. Essa é sua religião? Se não, você deveria duvidar se ela é “autêntica”.

O tempo está próximo, em que nada, exceto a autenticidade suportará o fogo. Autêntico arrependido diante de Deus, autêntica fé por nosso Senhor Jesus Cristo, autêntica santidade de coração e vida, isso é o que permanecerá no julgamento do último dia. É um sério dito de nosso Senhor Jesus Cristo: ‘Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’ (Mt 7:22-23)”…

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Nota:
1.Independentes: Cristãos que desejavam se separar da Igreja da Inglaterra e formar igrejas locais independentes.
2. Separatistas: o mesmo que independentes.
3. Evangelicalismo: Referindo-se ao movimento cristão que começou no século XVIII com o surgimento de uma série de reavivamentos.
4. Religião Reavivalista: Inicialmente, no sec. XVIII descrevia um novo fenômeno em que igrejas experimentavam um inesperado despertamento, porém no século XIX se tornou um instrumento de provocar conversões.

J. C. RylePractical Religion, (Autentic Religion – capítulo III, p.38) | Afeições do Evangelho | Tradução – Diego de Andrade
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sábado, 14 de abril de 2018

Que diferença faz se Deus existe?


O filósofo e apologista cristão William Lane Craig e o professor da Universidade de São Paulo e membro da Pontifícia Academia Pro Vita – Vaticano Dalton Luiz de Paula Ramos falam sobre o tema “Que diferença faz se Deus existe”. O evento ocorreu no dia 4 de abril de 2018 no Teatro TUCA – Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tradução e interpretação: Jonathan Silveira. Realização: Pastoral Universitária da PUC-SP e Aliança Bíblica Universitária (ABU).
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Deus não quer seu ministério


Deus não quer os quarenta cinco minutos do seu estudo bíblico na igreja, nem tampouco as infinitas horas que você passou estudando o texto no original e os tantos comentários para prepará-lo. 
Deus não quer as ovelhinhas que você montou para ensinar as crianças sobre o Bom Pastor, nem tampouco as madrugadas em que você se sacrificou para fazê-las, estudando o texto e descobrindo uma forma que fizesse os pequeninos compreenderem a essência do que você falou. 
Deus não quer o suor das tardes em que você renunciou seu sono para visitar aquele rebelde irmão, nem tampouco a dor de cabeça que você sabe que virá por ter saído de casa. 
Deus não quer os calos que se formaram em suas mãos por limpar a igreja, nem tampouco por voltar para casa em meio ao cansaço e às feridas que as sandálias fizeram nos seus pés e ainda evangelizar os perdidos de porta em porta. 
Deus não quer a renúncia do seu conforto e de sua família para abrigar os mendigos que você ajudou na esquina de casa, nem tampouco a fome que você se submete para dividir com eles aquilo que nem você mesmo tem. 
Deus não quer o seu autosacrifício em um país perseguido no Oriente Médio, nem tampouco a santa revolta no seu coração de ver a igreja odiando os muçulmanos ao invés de amá-los. 
Deus não quer seu ministério. 

Ele quer seu coração. 
Ele não quer nenhum destes atos, se eles permitirem que você e seu ministério tomem o lugar e a glória que pertencem somente a Ele. Ele não quer que a legitimidade de cada ato descrito acima lhe cegue da possibilidade real de você fazê-los com um coração distante Dele, mas próximo de uma idolatria de si mesmo. 
Existe uma linha muito tênue entre atos de amor genuíno e atos de amor próprio, e apenas nossas intenções a revelarão. Não haverá diferença nenhuma entre nós e aqueles a quem dizemos quererem salvar-se por obras, se queremos justificar a nós mesmos diante de Deus com nossos atos de renúncia. Deus não quer atos provenientes de uma renúncia que não denuncia o próprio orgulho.  
Deus não quer o seu ministério em detrimento do seu coração, pois Ele não se apraz com sacrifícios humanos, mas com corações quebrantados (Sl 51.17), e por isso não existe nenhum sofrimento que nos sirva de vanglória e nenhum ministério que nos enalteça! Não tente ofuscar o sofrimento de Cristo com a sua autocomiseração, nem busque superioridade na sua pequenez! Nossa única glória está em conhecê-lO (Jr 9.24)! 
Deus não quer que o seu ministério seja um fruto de plástico criado por uma bondade e misericórdia própria que encobrem um coração orgulhoso e autosuficiente, mas um ministério frutificado por um coração enraizado no conhecimento vivo e íntimo da pessoa de Deus, e na certeza de que sem Ele nada podemos fazer (Jo 15.5), já que por nós mesmos não somos capazes nem de pensar alguma coisa (II Co 3.5), nem teremos nada se do céu não recebermos (Jo 3.27). 
A única coisa requerida por Deus de seus despenseiros é que cada um seja encontrado fiel (I Co 4.2), e no capítulo 3 de I Coríntios, Paulo nos alerta à verdade de que nossas obras serão manifestadas, provadas e reveladas pelo fogo divino no Dia final, e a fidelidade requerida por Deus não será testada em nossas ações, mas nas intenções que as promoveram. Deus não quer um ministério bem sucedido, Ele quer um coração fiel! 
Não caminhe para a eternidade carregando pesos para serem queimados, glória em ministérios que podem ser mudados ou encerrados pela vontade de Deus, ou suficiência em corpos que podem se degenerar, caminhe para a eternidade com um coração que pela comunhão com Deus, tem sobre si o peso do temor que faz frutificar glória para o único merecedor de todo louvor. 
O mesmo Deus que usou Jonathan Edwards (Caridade e seus frutos, 2015, p. 80) para nos relembrar sobre como devemos oferecer dádivas a Deus: 

 “A dádiva é uma oferenda àquele a quem o coração do doador se devota e a quem ele designa. É o alvo do coração que faz a realidade da dádiva; e se o alvo sincero do coração não for Deus, então na realidade nada lhe é dado, não importa o que é realizado ou sofrido. De modo que seria um grande absurdo presumir que algo que pode ser oferecido ou dado a Deus pode compensar-lhe a ausência de amor no coração, pois sem isto nada é realmente dado, e a dádiva aparente não passa de zombaria contra o Altíssimo. 
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sábado, 14 de outubro de 2017

John Wycliff, A Estrela da Manhã (Filme)

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Dias difíceis


VIVEMOS NUMA ÉPOCA em que querem que os padres se casem e que os casados se divorciem.
Querem que os héteros tenham relacionamentos líquidos sem compromisso, mas que os gays se casem na Igreja.
Que as mulheres tenham corpos masculinizados, vistam-se como homens e assumam papéis masculinos; querem que os homens se tornem “frágeis” e delicados (com trejeitos afetados, melhor ainda) como se fossem mulheres.
Uma criança de apenas cinco ou seis anos de vida já tem o direito de decidir se será homem ou mulher pelo resto da vida, mas um menor de dezoito anos, não pode responder pelos seus crimes.
Não há vagas para os doentes nos hospitais, mas há o incentivo e o patrocínio do SUS para quem quiser fazer "mudança de sexo" ou (ainda que não assumidamente) um aborto.
Há acompanhamento psicológico gratuito para quem deseja deixar a heterossexualidade e viver a homossexualidade, mas não existe nenhum apoio deste mesmo SUS para quem deseja sair da homossexualidade e viver a sua heterossexualidade. Aliás, se algum doutor o tentar fazer, é crime.
Ser à favor da família e da religião é "ditadura", mas urinar em cima de crucifixos é "liberdade de expressão".
Se isso não for o fim dos tempos, deve ser o ensaio.
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• O texto acima circula nas redes sociais, ora com autoria atribuída ao Teólogo e Psicanalista Almir Favarin, ora ao padre Gabriel Vila Verde. Por fim, importam mais que a autoria, em muitos sentidos, as verdades que o texto contém.
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