segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Santo Inácio: Sou trigo de Deus...


Deparamos nesta carta, com a fé ardente, doação completa e amor singular a Cristo, do Mártir Inácio, que desde a infância conviveu com a primeira geração dos cristãos. Como bispo foi muito amado em Antioquia e no Oriente todo, pois sua santidade brilhava, tanto que o prenderam devido a sua liderança na religião cristã, durante o Império Le Frazano, por volta do ano 107. Chamado: Teóforo – portador de Deus – Inácio, ao ser transportado para Roma, sabia que cristãos de influência na corte imperial poderiam impedi-lo de alcançar Cristo pelo martírio, por isso, dentre tantas cartas que enviara para as comunidades cristãs, a fim de edificar, escreveu em especial à Igreja em Roma:
Tenho escrito a todas as Igrejas e asseguro a todas elas que estou disposto a morrer de bom grado por Deus, se vós não o impedirdes. Peço-vos que não manifesteis por mim uma benevolência inoportuna. Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus. Sou trigo de Deus e devo ser moído pelos dentes das feras, para me transformar em pão limpo de Cristo. Orai por mim a Cristo, para que, por meio desses instrumentos, eu seja sacrifício para Deus. 
Para nada me serviriam os prazeres do mundo ou os reinos deste século. Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar sobre todos os confins da terra. Procuro Aquele que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa. Estou prestes a nascer. Tende piedade de mim, irmãos. Não me impeçais de viver, não queirais que eu morra. Não me entregueis ao mundo, a mim que desejo ser de Deus, nem penseis seduzir-me com coisas terrenas. Deixai me alcançar a luz pura. Quando lá chegar serei verdadeiramente um homem. Deixai me ser imitador da paixão do meu Deus. Se alguém O possuir, compreenderá o que quero e terá compaixão de mim, por conhecer a ânsia que me atormenta. 

O príncipe deste mundo quer arrebatar-me e corromper a disposição da minha vontade para com Deus. Nenhum de vós o ajude; tornai-vos antes partidários meus, isto é, de Deus. Não queirais ter ao mesmo tempo o nome de Jesus Cristo na boca e desejos mundanos no coração. Não me queirais mal. Mesmo que eu vô-lo pedisse na vossa presença, não me devíeis acreditar. Acreditai antes nisto que vos escrevo. Estou a escrever-vos enquanto ainda vivo, mas desejando morrer. O meu Amor está crucificado e não há em mim fogo que se alimente da matéria. Mas há uma água viva que murmura dentro de mim e me diz interiormente: «Vem para o Pai». Não me satisfazem os alimentos corruptíveis nem os prazeres deste mundo. Quero o pão de Deus, que é a Carne de Jesus Cristo, nascido da linhagem de Davi, e por bebida quero o seu Sangue que é a caridade incorruptível.

Já não quero viver mais segundo os homens; e isto acontecerá, se vós quiserdes. Peço-vos que o queirais, para que também vós alcanceis benevolência. Peço-vos em poucas palavras: acreditai-me. Jesus Cristo vos fará compreender que digo a verdade. Ele é a boca da verdade, no qual o Pai falou verdadeiramente. Pedi por mim para que o consiga. Não vos escrevi segundo a carne, mas segundo o espírito de Deus. Se for martirizado, vós me quisestes bem; se rejeitado, vós me odiastes.
Da Carta de Santo Inácio, bispo e mártir, aos Romanos
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Espelho dos Mártires 01 [05/07]

A quinta perseguição...
"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." Mateus 5:10-12
Parte 05/07


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Os apóstolos modernos e suas distorções teológicas.


Acredita-se que no mundo existam cerca de 10 mil “apóstolos”. Na verdade, nunca se viu tantos apóstolos como neste inicio de século. Em cada canto, em cada esquina, em cada birosca encontramos alguém reivindicando o direito de ser chamado de apóstolo.

De acordo com a coalizão internacional de apóstolos presidida por Peter Wagner, a segunda idade apostólica começou em 2001. Para Wagner, o movimento apostólico é o movimento mais importante da igreja mundial após a reforma protestante.

O movimento de restauração e o movimento apostólico:

O chamado movimento de restauração defende a tese de que Deus está restaurando a igreja. Para estes, após a morte dos primeiros apóstolos, a igreja de Cristo paulatinamente experimentou um processo de declínio espiritual culminando com a apostasia vivenciada pelos seus adeptos no período da idade média.

Com o advento da Reforma Protestante, os defensores desta teologia afirmam que Deus começou a restaurar a saúde da igreja. Segundo estes Lutero foi responsável pela redescoberta da salvação pela graça, Finney pelo vigor do avivamento, Azuza, pelo ressurgimento do batismo com Espírito Santo com evidência em falar em línguas estranhas, e agora em pleno século XXI, estamos vivendo a restauração do ministério apostólico. Os teólogos desta linha de pensamento afirmam que a restauração dos apóstolos é uma das últimas coisas a serem feitas pelo Senhor antes de sua vinda. Segundo estes, os apóstolos de hoje possuirão em alguns casos maior autoridade do que os apóstolos do primeiro século, até porque, para os defensores desta corrente de pensamento a glória da segunda casa será maior do que a primeira.

Pois é, para estes o ministério apostólico não morreu. Na verdade, tais teólogos advogam que o ministério apostólico é perpétuo e que o livro de Atos ainda continua a ser escrito por santos homens de Deus que mediante a sua autoridade apostólica agem em nome do Senhor.

Ora, inevitavelmente isto me faz lembrar os mórmons e a Igreja dos Santos dos Últimos Dias que ensinam que o corpo de escritos inspirados por Deus não se fechou, e que Deus tem muita coisa nova para dizer e para revelar aos seus santos através de seus apóstolos.

Infelizmente, assim como os mórmons, os adeptos do movimento apostólico consideram a Bíblia uma fonte importante, embora não única de fé. Para os apostólicos deste tempo, Deus através de seus profetas pode revelar coisas novas, ainda que isso se contraponha a sua Palavra. Basta olharmos para as doutrinas hodiernas que chegaremos à conclusão que os apóstolos do século XXI, acreditam entrelinhas que suas revelações são absolutamente diretivas e inquestionáveis.

Algumas doutrinas heréticas dos apóstolos modernos:

A instituição dos atos proféticos.
A ressurreição do maniqueísmo.
A instituição de novas unções.
O aparecimento de novas doutrinas espirituais relacionadas a batalha espiritual.
O surgimento de novas e inéditas revelações.
A consolidação da teologia do medo. (ungido do Senhor)
A instituição da doutrina da cobertura espiritual.
A corenelização da fé.

Existem apóstolos nos dias de hoje? Segundo a bíblia quais deveriam ser as credenciais de um apóstolo?

1. O apóstolo teria que ser testemunha do Senhor ressurreto.

Em Atos vemos os apóstolos reunidos no cenáculo conversando sobre quem substituiria a Judas. No cap. 1:21-22 lemos: “É necessário pois, que, dos homens que nos acompanham todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós , começando no batismo de João, até ao dia em que dentre vós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição”. Paulo diz que viu Jesus ressurreto: “Não sou, porventura livre? Não sou apóstolo? Não vi a Jesus, Nosso Senhor?” (I Co 9:1).

2. O apóstolo tinha de ter um chamado especial da parte de Cristo para exercer este ministério. 3. O apóstolo era alguém a quem foi dada autoridade para operar milagres.

Isso fica bem claro em II Co 12:12 - “Pois as credenciais do meu apostolado foram manifestados no meio de vós com toda a persistência, por sinais prodígios e poderes miraculosos”. Era como se ele dissesse: “Como vocês podem questionar meu ofício de apóstolo se as minhas credenciais foram apresentadas claramente entre vós”. Sinais, milagres e prodígios maravilhosos.

4. O apóstolo tinha autoridade para ensinar e definir a doutrina firmando as pessoas na verdade.

5. Os apóstolos tiveram autoridade para estabelecer a ordem nas igrejas.

Nomeavam os presbíteros, decidiam questões disciplinares e questões doutrinárias, e falavam com autoridade do próprio Jesus: “... mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”(Jô 14:26).

A luz destas afirmações para, pense e responda sinceramente: Será que diante destas prerrogativas os famosos apóstolos brasileiros podem de fato reivindicar o título de apóstolo de Cristo?

Por acaso algum deles viu o Senhor ressurreto? Foram eles comissionados por Cristo a exercerem o ministério apostólico? Quantos dos apóstolos brasileiros ressuscitaram mortos? E suas doutrinas? Possuem elas autoridade para se contraporem aos ensinamentos bíblicos?

Pois é, infelizmente os "apóstolos" tupiniquins não possuem respostas a estas perguntas, o que corrobora com o posicionamento da ortodoxia evangélica que acredita que o ministério apostólico cessou com a morte dos apóstolos no primeiro século. Sem a menor sombra de dúvidas considero a utilização do título "apóstolo" por parte dos pastores brasileiros como uma apropriação indevida de um ministério que não existe mais.
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Por Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]
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Heresias neopentecostais - (Parte 3)

Uma angeologia esquizofrênica 

Fico impressionado como alguns dos evangélicos "vêem" anjos. É anjo subindo, é anjo descendo, é anjo com a bandeja na mão, anjo alto, anjo baixo, anjo de todo tipo e jeito. Em alguns cultos basta alguém afirmar que viu um destes que o som de aleluias é quase que ensurdecedor. Na minha caminhada cristã já ouvi inúmeras vezes pessoas relatando que viram anjos portando espadas de fogo, trazendo bênçãos e arrepiando fiéis.

Ultimamente a ênfase dada por parte da igreja evangélica aos seres angelicais chega ao extremo da sandice. O Pastor Davi Silva, do Ministério Casa de Davi, afirma que anjos tocam bateria, além de cutucar os pregadores fazendo-os gargalhar impedindo-os de conduzir o culto com racionalidade. Há poucos meses a IURD promoveu a campanha da troca do anjo da guarda; já o pastor Marcos Feliciano ensinou que o Consolador do crente é um anjo exclusivo vindo da parte de Deus; o apóstolo José Miranda do herético Ministério Crescendo em Graça, ensina que os anjos são espíritos não encarnados e que nós somos anjos encarnados.

Se não bastasse isso já ouvi relatos de pessoas que viram anjos trazendo em suas mãos pudins, doces e guloseimas, contudo, o que me chama atenção é que o contato com estes seres angelicais não contribuiu em nada para a mudança de comportamento daqueles que tiveram tais experiências.

Caro leitor os anjos são criados por Deus e não devem ser reverenciados muito menos cultuados. Somente a Deus devemos adoração. Satanás tentou a Cristo pedindo-lhe adoração e Jesus lhe respondeu: “arreda-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” Lc 4.8. Paulo alertou aos crentes de Colossos que não aceitasse esta heresia dos falsos mestres.“Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão” Cl 2.18.

Confesso que ao ver pastores tendo convulsões alucinógenas em virtude de anjos que o desconcentram na exposição da Palavra de Deus, sou levado a crer que estamos caminhando a largos passos para a apostasia profetizada pelo apóstolo Paulo.

Diante das loucuras que nos cercam, das confusões doutrinárias evangélicas, do pluralismo religioso, além da relativização de valores cristãos, precisamos URGENTEMENTE regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim firmados na Palavra imutável do Criador sobrepujaremos as batalhas desta lida.


Que Deus tenha misericórdia do seu povo!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]
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Heresias neopentecostais - (Parte 2)

O ministério apostólico

O chamado movimento de restauração defende a tese de que Deus está restaurando a igreja. Para estes, após a morte dos primeiros apóstolos, a igreja de Cristo, paulatinamente experimentou um processo de declínio espiritual culminando com a apostasia vivenciada pelos seus adeptos no período da idade média.
Com o advento da Reforma Protestante, os defensores desta teologia afirmam que Deus começou a restaurar a saúde da igreja. Segundo estes, Lutero foi responsável pela redescoberta da salvação pela graça, Finney pelo vigor do avivamento, Azuza, pelo ressurgimento do batismo com Espírito Santo com evidência em falar em línguas estranhas, e agora em pleno século XXI, estamos vivendo a restauração do ministério apostólico. Os teólogos desta linha de pensamento afirmam que a restauração dos apóstolos é uma das últimas coisas a serem feitas pelo Senhor antes de sua vinda. Segundo estes, os apóstolos de hoje possuirão em alguns casos maior autoridade do que os apóstolos do primeiro século, até porque, para os defensores desta corrente de pensamento a glória da segunda casa será maior do que a primeira.

O escritor Peter Wagner acredita que a igreja no terceiro milênio está entrando na segunda era apostólica, semelhante à primeira era apostólica dos dias do Novo Testamento. Ele diz: “Somos testemunhas de uma mudança transcendental na estrutura da Igreja. Particularmente, eu gosto de chamá-la Nova era apostólica”. Isto porque “atualmente, um crescente número de líderes cristãos reconhece e afirma tanto o dom, como a função de apóstolo. Os apóstolos ressurgiram!” Miguel Ângelo fundador da igreja Cristo Vive, em entrevista a revista enfoque gospel disse: “assim como foi necessário ungir no passado apóstolos e profetas, Deus o faz de novo por uma urgente necessidade de expansão do Reino, trazendo revelações às nações, porque os tempos do fim se aproximam” (Edição 62 - SET / 2006).

Há pouco, um destes "apóstolos", em um emissora de televisão afirmou que se um dia pudesse encontrar com o apóstolo Pedro lhe diria o seguinte: "- Pedro, cá entre nós, de apóstolo para apóstolo, acho que você errou em escrever isso aqui."

Pois é, estes loucos acreditam que possuem a mesma autoridade apostólica dos apóstolos do primeiro século. Para estes o ministério apostólico não morreu. Na verdade, os pastores em questão advogam que o ministério apostólico é perpétuo e que o livro de Atos ainda continua a ser escrito por santos homens de Deus que mediante a sua autoridade apostólica agem em nome do Senhor.

Ora, inevitavelmente isto me faz lembrar os mórmons e a Igreja dos Santos dos Últimos Dias que ensinam que o corpo de escritos inspirados por Deus não se fechou, e que Deus tem muita coisa nova para dizer e para revelar aos seus santos através de seus apóstolos.

Infelizmente, assim como os mórmons, os adeptos do movimento apostólico consideram a Bíblia uma fonte importante, embora não única de fé. Para os apóstolos deste tempo, Deus através de seus profetas pode revelar coisas novas, ainda que isso se contraponha a sua Palavra. Basta olharmos para os decretos espirituais que chegaremos à conclusão que os apóstolos do século XXI, acreditam entrelinhas que suas revelações são absolutamente diretivas e inquestionáveis.

Caro leitor, tenho pleno convicção de que o ministério apostólico cessou com a morte de João e que absolutamente ninguém possui condições de tomar para si o titulo em questão, visto que nenhum homem na face da terra possui as credenciais bíblicas para ser um apóstolo.

As Escrituras Sagradas são claras em afirmar que algumas marcas deveriam caracterizar efetivamente o ministério apostólico, senão vejamos:

1. O apóstolo teria que ser testemunha do Senhor ressurreto.

Em Atos vemos os apóstolos reunidos no cenáculo conversando sobre quem substituiria a Judas. No cap. 1:21-22 lemos: “É necessário pois, que, dos homens que nos acompanham todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós , começando no batismo de João, até ao dia em que dentre vós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição”. Paulo diz que viu Jesus ressurreto: “Não sou, porventura livre? Não sou apóstolo? Não vi a Jesus, Nosso Senhor?” (I Co 9:1).

2. O apóstolo tinha de ter um chamado especial da parte de Cristo para exercer este ministério.

3. O apóstolo era alguém a quem foi dada autoridade para operar milagres. Isso fica bem claro em II Co 12:12 - “Pois as credenciais do meu apostolado foram manifestados no meio de vós com toda a persistência, por sinais prodígios e poderes miraculosos”. Era como se ele dissesse: “Como vocês podem questionar meu ofício de apóstolo se as minhas credenciais foram apresentadas claramente entre vós”. Sinais, milagres e prodígios maravilhosos.

4. O apóstolo tinha autoridade para ensinar e definir a doutrina firmando as pessoas na verdade.

5. Os apóstolos tiveram autoridade para estabelecer a ordem nas igrejas. Nomeavam os presbíteros, decidiam questões disciplinares e questões doutrinárias, e falavam com autoridade do próprio Jesus: “... mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”(Jô 14:26).
Caro leitor, a luz destas afirmações para, pense e responda sinceramente: Será que diante destas prerrogativas os famosos apóstolos brasileiros podem de fato reivindicar o título de apóstolo de Cristo? Por acaso algum deles viu o Senhor ressurreto? Foram eles comissionados por Cristo a exercerem o ministério apostólico? Quantos dos apóstolos brasileiros ressuscitaram mortos? E suas doutrinas? Possuem elas autoridade para se contraporem aos ensinamentos bíblicos?

Isto posto, sem a menor sombra de dúvidas considero a utilização do título "apóstolo" por parte dos pastores brasileiros como uma apropriação indevida de um ministério que não existe mais.


Pense nisso!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]
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Heresias neopentecostais - (Parte 1)

Atos Proféticos

Apesar de alguns evangélicos afirmarem que o Brasil experimenta um grande avivamento, vivemos dias extremamente complicados. Infelizmente a cada dia que passa, eis que surgem 
retumbante nesta terra tupiniquim devastadoras heresias.

Em Curitiba, um grupo de irmãos, liderado pelo pastor da igreja, entendeu que deveria demarcar seu território com urina, como fazem os leões e lobos. Após beberem muita água para encher bem a bexiga, seguiram para pontos estratégicos da cidade e passaram a URINAR decretando a vitória do Senhor.

Numa cidade do norte do Estado do Rio de Janeiro, um pastor resolveu confrontar o “padroeiro” do município. Para tal, ele vestiu-se de branco, colocou uma coroa na cabeça, montou em um cavalo também branco, escreveu na sua coxa rei dos reis e adentrou as portas da cidade dizendo que a partir daquele instante o padroeiro daquele lugar não era mais são Jorge e sim Jesus Cristo.

Ministério apostólico Libertador de Israel nos mostra outros tipos de atos proféticos:

- Cortar fios ou fitas, simbolizando a destruição de redes de tráfico e crime organizado.
- Quebrar botija, simbolizando a quebra de sistemas mundanos.
- Jogar flechas
- Sentar em torno de uma mesa, simbolizando a restauração familiar.
- Arrancar e plantar árvores, simbolizando retirada dos maus frutos e começo dos bons.
- Enterrar e desenterrar dinheiro, simbolizando arrancar os tesouros escondidos.
- Orar em frente a grandes bancos, ordenando a liberação financeira.
- Ungir em frente a locais de idolatria.
- Fincar estacas demarcando limites para conquista
- Dar sete voltas em torno de locais a serem conquistados.
- Rasgar papéis que simbolizam contratos espirituais.
- Marchas proféticas delimitando territórios.
Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Esse povo ensandeceu! Eu não consigo imaginar Paulo e Pedro agindo desta maneira. Sinceramente eu não sei de onde esses caras tiram essas idéias! Ora, isso está mais para macumba do que para Cristianismo. Prezado amigo o evangelho de Cristo é simples (2 Co 11.3,4). Nossa missão é orar e jejuar, amar e estudar a Palavra de Deus, além de anunciar com intrepidez a mensagem da cruz ao mundo perdido (1 Co 1.18,22,23; 2.1-5). Nada além disso!

Sem a menor sombra de dúvidas as praticas litúrgicas dos neopentecostais fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, onde o misticismo, a “mercantilização” da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar. Ao ler aberrações como as narradas acima, sinto-me profundamente inquieto com os rumos da igreja brasileira.

Isto posto, faço minhas as palavras do reformador alemão Martinho Lutero:

"Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo oque preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir".
O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.

Em tempos difíceis como o nosso precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim conseguiremos corrigir as distorções evangélicas que tanto nos tem feito ruborizar.


Pense nisso!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]
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domingo, 29 de setembro de 2013

A Bíblia e as decisões pessoais


Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3.16-17, NVI) [...]

… problemas ocorrem quando cristãos negam que a Bíblia é suficiente para fornecer instrução e orientação abrangente. Alguns deles se queixam que a Bíblia carece da informação específica que eles precisam para fazer decisões pessoais. Contudo, à luz das palavras de Paulo — isto é, visto que Deus afirma por meio do seu apóstolo que a Bíblia é suficiente — a deficiência deve estar nesses indivíduos, e não na Bíblia.

Eles carecem da informação que precisam por causa de sua imaturidade e ignorância. A Bíblia é de fato suficiente para guiá-los, mas eles negligenciam estudá-la. Alguns deles também exibem forte rebelião, de forma que embora a Bíblia aborde claramente suas situações, eles recusam obedecer aos seus mandamentos e instruções. Ou, antes de tudo, eles recusam aceitar os próprios métodos de receber orientação a partir da Escritura, mas insistem que Deus deve guiá-los, pelo menos ocasionalmente, por meio de visões, sonhos e profecias, embora ele já tenha deixado registrado o que eles precisam saber na Bíblia.

Quando Deus não concede a demanda deles por orientação extrabíblica, alguns deles até mesmo decidem buscar informação por meio de métodos proibidos, tais como astrologia, adivinhação e outras práticas ocultas. A rebelião deles é tal que se Deus não fornece a informação desejada da forma que eles preferem, ou se ele não concorda com os desejos deles, então eles estão determinados a conseguir o que desejam do diabo.

O conhecimento da vontade de Deus vem de um entendimento intelectual e aplicação da Escritura.[1] Paulo escreve:

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12.2-3)

A teologia cristã deve afirmar a suficiência da Escritura, que ela é uma fonte abrangente de informação, instrução e orientação. A Bíblia contém toda a vontade de Deus, incluindo a informação que uma pessoa precisa para salvação, desenvolvimento espiritual e orientação pessoal. Ela contém informação suficiente de forma que, se alguém fosse obedecê-la completamente, cumpriria a vontade de Deus em cada detalhe da vida, e pecaria na extensão em que a desobedecesse. Embora não atingiremos obediência perfeita nesta vida, permanece o fato que a Bíblia contém toda a informação necessária para vivermos uma vida cristã perfeita. [2]

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Notas: 
[1] Veja Vincent Cheung, Piedade com Contentamento, “Orientação bíblica e tomada de decisão” (Editora Monergismo).
[2] Para mais sobre a suficiência da Escritura, veja Vincent Cheung, O Ministério da Palavra (Editora Monergismo).

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – setembro/2012
Por Vicent Cheung
Fonte:  Systematic Theology
Via: Monergismo
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Não, Caio Fábio, Jesus não é sua chave hermenêutica!


Nas primeiras vezes que eu li o texto da Grande Comissão e vi Cristo dizendo que deveríamos ensinar os discípulos a obedecer tudo o que Ele ordenou, eu fiquei me perguntando onde o resto do Novo Testamento entrava nisto. Não bastaria ficarmos com aquilo que Cristo falou, e só? Se temos os ensinos do próprio Deus-Filho registrados, para que mais palavras de homens mortais? Com pouco tempo de fé, pude encontrar boas respostas para meus questionamentos infantis. Porém, muitas pessoas ainda estão confundidas com este assunto. Um exemplo de promotor deste tipo de confusão é Caio Fábio, que hoje tem arrebanhado para sua religião muitos seguidores e fiéis:

Eu estou em Jesus, eu não estou na Bíblia. [...] O cara que quiser que Jesus e a Bíblia toda deem certo tá danado. [...] Pela Bíblia é melhor a gente acabar esse programa porque está todo mundo danado. [...] eu não ando [conforme o texto bíblico], tanto quanto Jesus [...]. Quem quer andar com Jesus, é assim. Quem quer base bíblica, vira fariseu, joga pedra.[1]

Em outro lugar, Caio Fábio diz que aquilo na Escritura que não está afirmando ou que 1. Jesus é Deus, ou que 2. somos pecadores, não passa de capricho ignorando pelo Cristo:

É estranho como Jesus e os apóstolos não usaram a Bíblia como argumento de fé [...] Afinal, a Bíblia jamais seria a apologia de Jesus; posto que Jesus fosse o Verbo vivo e falando o que a Bíblia nem poderia sonhar em falar, revelar e dizer… Cristãos que vivem para defender a Bíblia ainda não conheceram Jesus mesmo! [...] Da Bíblia o que se pode dizer é que ela é fiel como Palavra apenas porque afirma que Jesus é Deus e eu sou dos pecadores o principal! O mais é um diletantismo ao qual Jesus jamais teria tempo e animo para se dar… Depois que o Evangelho entrou em mim a Bíblia passou a ser apenas um Testemunho, mas não o Testemunho! Sim, pois em mim o Testemunho é o do Espírito! [2]

Em outro momento, concordando que o Jesus dos evangelhos não se parece nada com o Jesus que Paulo apresenta em Romanos 9-11, chamando esta posição de “simples, sábia e sensata”, Caio Fábio diz que estes capítulos são “um apêndice de um surto paulino” que não se parece com nenhum outro escrito ou com a prática de Paulo. “Na minha opinião, Romanos 9, 10 e 11 são totalmente dispensáveis. Sabe porque? A descrição de Paulo, tentando explicar o inexplicável, criou uma bananosa filosófica”. Ele ainda diz que as palavras negativas do texto, como “odiou”, não cabem, pois “não parecem com o todo de Jesus”“Eu prefiro ficar com Jesus, que não sendo Paulo”, pregou coisas diferentes. “Isso é o poder dessa chave hermenêutica”, diz ele. ”Meu amigo Paulo, eu lamento muito que você tenha tentado fazer essa viagem. Você não tinha nem linguagem. Você não tinha adequação”. ”É uma conversa que tem a ver com a dimensão de um homem judeu, psicologicamente maltratado, frustrado, perseguido, magoado”. Ele diz que vê, neste texto, “o surto do Paulo judeu”. Ele chama ainda, esta atitude de Paulo de uma “gafe” que empobreceu e enfeiou Deus. “quando Paulo coincide com Jesus, Paulo tá com tudo, quando Paulo fala como Paulo, eu olho um homem, um tempo, uma relatividade, uma circunstância”. Ele, literalmente, lança várias repreensões e conselhos ao apóstolo Paulo em vários momentos do vídeo [3].

A prerrogativa que ele e seus discípulos usam para tal posição é que eles possuem Jesus como chave-hermenêutica. Para eles, isso significa que só deve ser aceito como verdade Bíblica aquilo que for semelhante à imagem que eles possuem de Cristo. Se qualquer outro trecho da Escritura ensinar algo que, porventura, não pareça pertencer ao Cristo, então deve ser considerado anátema.

O que Caio Fábio e seus pupilos não conseguem perceber é que ter Jesus como nossa chave hermenêutica significa que nós vamos ler toda a Escritura procurando como cada ensino, cada doutrina e cada livro se relaciona com o Plano maior de Deus na redenção de Cristo, e não que vamos solapar tudo aquilo que não gostamos na Escritura com a desculpa de que “Jesus não pregaria isso”. Assim, uma constatação torna-se inegável: praticamente todos que advogam ter Jesus como chave hermenêutica são ímpios que leem a Escritura desconsiderando tudo aquilo que suas mentes carnais odeiam. Você encontra esta loucura nos blogs e comentários de tais homens. Ter Cristo como chave hermenêutica deveria nos motivar a encontrar como a história do Evangelho está prefigurada, confirmada, anunciada, ilustrada ou ensinada em cada página da Bíblia, e não nos fazer arrancar da Escritura tudo aquilo que a gente acha que Jesus não diria. Aqueles que dizem que as palavras de Jesus são mais importantes que as de Paulo, não entenderam as palavras de Jesus.

Eu, sinceramente, não entendo como uma pessoa inteligente pode cair em erro tão crasso. A igreja está fundamentada na doutrina dos Apóstolos (Ef 2:20). Nós não vimos Jesus pessoalmente, eles sim. Por isso que Pedro e João podiam falar sobre “as coisas que vimos e ouvimos”, pois eles estavam lá, e atestaram com sangue o que pregaram. Assim, como alguém comentou no meu Facebook certa vez, só pode ser um louco aquele que cisma em separar o ensino Bíblico do ensino de Jesus, a autoridade bíblica da autoridade de Jesus e a visão bíblica da visão de Jesus. Os discípulos precisam de toda a Escritura, e não de parte dela. É um verdadeiro insulto a Jesus dizer que nada, a não ser parte do que foi registrado de Sua Revelação ao longo da história bíblica – a encarnação – vale a pena considerar como Palavra do Senhor. É como se dissessem que amam tanto suas esposas que não se importa com as mães, amigos, família, conversa ou qualquer coisa que não seja ela própria. Estes caem na condenação de Jesus, através de Paulo, quando condena aqueles que, dizendo ser apenas de Cristo, se recusavam a ouvir o que diziam os apóstolos (ver 1 Co 1:10-17).

Cristo prometeu aos seus apóstolos não apenas que o Espírito Santo os faria“lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14:26), mas também que o Espírito Santo “vos ensinará todas as coisas” (Jo 14:26) e “vos guiará a toda a verdade” (Jo 16:13). Os apóstolos receberam de Cristo, através do Espírito, mais daquilo que o Senhor desejou que soubéssemos. O próprio Jesus deixou claro que ensinaria mais aos Apóstolos mesmo após Sua morte e ascensão. Paulo deixa isso claro aos Gálatas: “Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Não o recebi de pessoa alguma nem me foi ele ensinado; pelo contrário, eu o recebi de Jesus Cristo por revelação” (Gl 1:11-12). É por isso que o apóstolo Pedro podia dizer que “o mandamento do Senhor e Salvador” foi“ensinado pelos vossos apóstolos” (2 Pe 3:2), além de dizer que os escritos de Paulo estavam equiparados com todo o Antigo Testamento, chamando-os de“Escritura” (2 Pe 3:16). Paulo podia dizer: “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo” (1 Co 14.37). O apóstolo agradecia a Deus sem cessar pelos Tessalonicenses: “ao receberem de nossa parte a palavra de Deus, vocês a aceitaram não como palavra de homens, mas segundo verdadeiramente é, como palavra de Deus” (1 Ts 2:13). Paulo ensinava “não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito” (1 Co 2:13). Paulo não poderia ser mais claro: “Cristo fala por meu intermédio” (2 Co 13:3).

Outros livros também entram neste escopo. O próprio Paulo, em 1 Timóteo 5:17,18 diz fazer uma citação da “Escritura”, e segue fazendo duas referências: uma a Deuteronômio 25:4 e outra a Lucas 10:7 (usando até o mesmo fraseado grego)! Para o apóstolo, os escritos neotestamentários dos evangelhos também eram Palavra de Deus. Tanto os Evangelhos como as Epístolas no Novo Testamento vêm a nós com a autoridade de Jesus, e Ele quer que nós ensinemos essas coisas aos discípulos.

“Somos seguidores de Cristo ou de Paulo?”, podem perguntar alguns. “Como podemos seguir o ensino de outros homens além de Jesus?”, já me foi questionado. Respondo, com sinceridade, que Cristo é meu único Senhor. No entanto, tudo o que sabemos sobre Cristo vem de Paulo e dos outros discípulos de Cristo. Se não acreditarmos nestes, não nos sobra nada dAquele. Como alguém pode dizer que só segue Jesus, e não os apóstolos, se todos os registros que possuímos sobre Jesus provêm dos apóstolos e de seus companheiros? Cristo nunca escreveu sobre si. Tudo o que temos sobre Ele passou pela mão de seus discípulos primitivos.

Crer em Jesus está definitivamente ligado a crer nos Apóstolos e em seus companheiros. Se você não acredita na doutrina de Paulo, de Tiago, de Pedro, de Lucas, de Marcos, de Mateus, de João e de Judas, como você pode acreditar nos registros que alguns deles fizeram do Messias? Se Paulo disse algo em Romanos ou aos Coríntios que foi fruto de seus preconceitos ou de sua criação judaica, por que ele não poderia ter feito o mesmo ao instruir Lucas em seu registro do Evangelho? Se Pedro não é digno de toda a nossa confiança, ou se sua doutrina é inferior ou secundária, como podemos dar tanta atenção àquilo que Marcos aprendeu dele e registrou no Evangelho? Se Tiago poderia errar, por que não Mateus? Se João se enganou em suas epístolas ou no Apocalipse, por que acreditamos em seu registro da vida do Logos? A verdade que muitos tolos ignoram é que, ou você aceita o Novo Testamento por completo, até a última letra, ou você não tem Jesus, não tem cristianismo, não tem Bíblia, não tem fé e não tem salvação. Ou temos o Novo Testamento por completo ou não temos Testamento nenhum.

Deve-se admitir, então, que se vamos ter uma religião não doutrinária, ou uma religião doutrinária fundamentada meramente em verdades gerais, isso significa que não somente temos que nos livrar de Paulo, da igreja primitiva de Jerusalém, mas também de Jesus:

Infelizmente, ainda há, em pleno século XXI, quem tente opor Jesus aos outros escritores bíblicos. Como disse Gresham Machen, tem-se a impressão que o liberal substitui a autoridade da Bíblia pela autoridade de Cristo. Tal homem diz que não pode aceitar o que ele considera um ensino imoral do Antigo Testamento ou um argumento sofisticado de Paulo, em oposição os simples e morais ensinos de Jesus. Assim, ele se considera o mais puro verdadeiro cristão, uma vez que, rejeitando todo o restante da Bíblia, ele só depende de Cristo[4].

Paulo deixa claro que as suas epístolas também são coisas que Jesus agora nos ordena, de tal modo que “aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus” (1 Ts 4:8). Você entendeu bem o que acabou de ler? Você nega a Deus se ignora todo o escopo do Novo Testamento! Como comenta Thomas Edwards: “Quem se recusa a ouvir os apóstolos de Cristo recusa-se a ouvir o próprio Cristo e atrai sobre si seu descontentamento”[5]. Homens como Caio Fábio e sua corja, que tratam o que é revelado após Jesus como contaminado com o machismo, judaísmo ou o diabo que for de Paulo estão, na verdade, negando a Deus. O destino dos que tal coisa fazem é certo e inequívoco, a menos que se arrependam de sua blasfêmia. Parafraseando o que o Dr. Jay E. Adams diz sobre Paul Tillich, durante uma das suas preleções na Conferência Fiel para Pastores e Líderes, em 1989: “Ler ou ouvir um sermão de Caio Fábio é ouvir o que o inimigo tem a dizer”[6].

Notas:
[1] FÁBIO, Caio. Pra eles, sou um herege, pois eles estão na bíblia, e eu estou em Jesus! Disponível em: <http://youtu.be/GuCjSuACYMc>. Acesso em: 3 jun. 2013.
[2] FÁBIO, Caio. A Bíblia serve a Jesus, não Jesus à Bíblia! Disponível em: <http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=05222>. Acesso em 5 jun. 2013.
[3] FÁBIO, Caio. Caio, esse trecho da carta de Paulo não parece com Jesus. Por isso odeio a Jesus! Disponível em: <http://vimeo.com/75018092>. Acesso em 28 set. 2013.
[4] MACHEN, Gresham. Cristianismo e Liberalismo. São Paulo, SP: Sheed Publicações, 2012, p. 43,68.
[5] EDWARDS, Thomas. A commentary on the first epistle to the Corinthians. London: Hodder & Stoughton, 1903, p. 384.
[6] Referência muito bem lembrada por Alan Rennê Alexandrino Lima, no Facebook.

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Por Yago Martins
Fonte: Yago Martins
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sábado, 28 de setembro de 2013

Motivo para Santidade


“A santidade é algo útil. Se você for santificado, o povo será atraído às suas reuniões, e conseguirá melhores resultados. Deus não pode usar um ‘vaso impuro’. Portanto, deixe que Ele examine e purifique sua vida. Você colherá como benefícios a paz de coração e maior sucesso no trabalho de Cristo. Talvez você possa até começar um avivamento...”
Provavelmente ninguém lhe fez declarações como estas, assim tão abruptamente, porém muitos costumam fazê-las de maneira indireta. Em alguns aspectos, este argumento nos lembra a afirmação de Dale Carnegie: “Aprenda a ser bondoso. Isto é algo útil. Você ganhará amigos, influenciará as pessoas e obterá sucesso na vida!”
No entanto, o erro deste argumento está em seu apelo a motivos egoístas, sendo exatamente neste aspecto que ele e as palavras de Dale Carnegie são muito semelhantes à atitude moderna para com a santidade de vida.
Alguns nos dizem: “Seja santo e você será mais útil”. Mas Deus nos aconselha apenas: “Seja santo, porque Eu sou santo”. Pureza de coração não é a moeda com a qual negociamos com Ele, em troca de bênçãos.
Infelizmente, muitos de nós pensamos ou agimos como se isto fosse verdade. Alguns de nós, conservando-nos corajosamente ao lado da brilhante multidão cristã, perdemos secretamente toda esperança de ser usados por Deus. Lutamos arduamente contra o pecado, a fim de viver uma vida cristã mais eficiente. Vivendo em uma era de pragmáticos e rodeados por livros que versam principalmente sobre o assunto de como viver a vida cristã, fomos ensinados a adorar os resultados mais do que o Doador dos resultados. Procuramos a pureza como um meio para alcançar um fim, e não como um fim em si mesmo.
Isto, por sua vez, nos fez crescer no legalismo, como se estivéssemos sendo caçados por motivos condenadores. Temos barateado a santidade (vendo-a como algo que podemos usar e não como um atributo de Deus) e, assim, perdemos a alegria e a maravilha de recebê-la gratuita e livremente, em Cristo.
Se a santidade se torna uma moeda para negociarmos com Deus, o respeito próprio exige que, em certo sentido, obtenhamos essa moeda. Você não pode negociar com Deus para obter aquilo que lhe foi dado gratuitamente. Mas, inconscientemente (quer seja por esforço pessoal, quer seja por um “se Deus quiser”), você procura estabelecer crédito com Deus. E, quanto mais você se esforça, mais a verdadeira santidade foge de você. Em sua luta inútil, tanto pela santidade como pelo “sucesso” cristão, tragicamente você não consegue nada, vendo-se sobrecarregado com sentimentos de culpa e derrota.
A situação se torna mais complexa quando você pergunta a si mesmo o que significa ser “usado”. Significa que seus livros serão bem vendidos? Que seu movimento cristão ou que o rol de membros de sua igreja aumentará? Que as pessoas dirão o quanto foram edificadas e abençoadas por suas mensagens? Que sua agenda estará cheia de compromissos? Até pessoas incrédulas poderiam reivindicar tudo isso e muito mais. Aquilo ao que por vezes nos referimos como “o selo da benção divina” pode não ser nada mais do que um tributo às técnicas de marketing ou às nossas próprias capacidades.
Não é totalmente correto dizer que você será “abençoado” ou “usado” de conformidade com o grau de sua santidade. Considere Jacó, por exemplo. Deus havia decretado que Jacó seria abençoado. Ele ganharia ascendência sobre Esaú e lavaria adiante a linhagem escolhida. O fato de Jacó haver mentido e enganado, para “ganhar” as promessas, não o fez perdê-las, visto que Deus, já havia determinado que ele as possuiria. Jacó não herdou as promessas por ser mais merecedor. Seu pecado não interrompeu o plano divino, assim como a sua obediência não serviu de um auxílio para este plano. O que Jacó perdeu foi a comunhão pessoal com Deus, além de sofrer, desnecessariamente, ansiedade e tensão por muitos anos de sua vida.
Outro dia, alguém me disse: “Você não pode estar certo a respeito de Fulano! Se Deus o está usando para ganhar almas, ele não pode estar vivendo em pecado”. Entretanto, aquela pessoa estava enganada. Não quero apresentar ilustrações extraídas da vida moderna, pois corremos o risco de fazer com que sujeiras se espalhem. Todavia, a verdade é que pecadores podem ser ganhos para Cristo — às vezes, em grande número — por um homem que mais tarde é descoberto como alguém que estava “vivendo em pecado” ou sonegando impostos. (A maior parte dos obreiros cristãos pode testemunhar isso.)
Estas afirmações nos perturbam. Nossa tendência é pensar que tal homem nunca foi usado de maneira alguma e que todo o seu trabalho foi uma ilusão. No entanto, não podemos resolver este assunto assim tão facilmente. Parece que um trabalho espiritual genuíno foi realizado. Podemos apenas dizer (sentindo-nos insatisfeitos com isso): “Bem, Deus é soberano!”
Parte de nossa dificuldade surge de uma atitude errônea quanto ao assunto de ser “usado” por Deus. Raramente não sentimos em nosso íntimo certa lisonja, quando Deus nos usa. Ser “abençoado” e “usado” é uma espécie de recompensa. Traz consigo apreciação e distinção, embora, naturalmente, tenhamos de permanecer “humildes”. Visto que nosso mundo está repleto de pessoas famosas e celebridades, cria- mos também um mundo cristão repleto de celebridades evangélicas, que ganharam esse lugar entre nós por causa de uma dedicação mais profunda ou porque “andaram mais perto de Deus”. Portanto, em nossa lógica achamos que, se um homem não “merece” ser usado, é injusto que ele seja distinguido por Deus. Vemos tudo do ponto de vista de nossa cultura cristã de celebridades, e não do ponto de vista da glória e do plano de Deus.
No entanto, existe uma objeção ainda mais profunda. Será que Deus não está comprometendo sua própria santidade, quando “usa” e “abençoa” uma pessoa pecaminosa? De modo nenhum! A atitude divina para com o pecado permanece implacavelmente hostil. Deus odiava o pecado de Jacó, mas continuou a lidar com ele, até fazendo-o prosperar. Ele odeia o pecado, embora, em sua graça, possa abençoar o pecador e, para sua glória, continuar usando-o.
É neste ponto que se encontra o verdadeiro perigo desta crença errônea. Você pode imaginar que Deus o está usando e permanecer tranqüilo, pensando que em sua vida não existe nada “elevado” que Deus rejeita. Esta é uma hipótese ilógica. Em certa ocasião, um jovem missionário testemunhou da grande bênção espiritual que outro missionário havia sido para ele. Dois meses mais tarde, o missionário que era uma “grande bênção” foi descoberto como alguém que tinha roubado sistematicamente os re- cursos financeiros da missão, durante vários meses. Talvez você não esteja roubando ou cometendo adultério. Mas, quão éticas são as suas relações com os outros? Você pode imaginar que a comparação é irrealista. Se você roubou, sua própria consciência lhe fará passar por um tempo difícil. Provavelmente isso já está acontecendo. O fato admirável sobre o missionário que era uma “grande bênção” é que ele se mostrou incapaz de ver seu próprio erro. Não sei o que se passava no íntimo dele. No entanto, ele conseguiu justificar-se a seus próprios olhos. Talvez você não seria tão bem-sucedido como ele em justificar-se, se tivesse de roubar. Mas é provável que você esteja fazendo um “bom serviço”, mesmo encobrindo outro erro moral. Deus o está usando, portanto...
Por outro lado, você pode estar se sentindo infeliz, porque Deus não o está usando mais, e se atormentando, até descobrir uma mancha escondida. E, depois da descoberta, ficará desconcertado, quando não for grandemente “usado”. Sua utilidade é um termômetro falível de sua condição espiritual.

Não me compreenda mal. Ao invés de afirmar que o pecado não tem importância, estou dizendo que ele é mais importante do que procuramos admitir. O pecado não é simplesmente algo que impede o homem de progredir em sua “carreira cristã”; é uma ofensa contra Deus, um insulto ao seu nome. O pecado faz com que os anjos chorem e os demônios exultem. Tampouco é verdade dizer que o pecado não tem qualquer efeito em sua vida cristã. Você ainda pode ser usado, embora também exista a tendência de que não o seja. Você não terá comunhão com Deus, nem será “vitorioso”. Você não pode brincar com o pecado e, ao mesmo tempo, vencê-lo, ainda que às vezes seja esperto e camufle a derrota.
“Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar?” 
A tragédia é que desenvolvemos um senso distorcido de valores, de modo que, em nosso coração, estamos mais preocupados em ser “usado” ou “ter um testemunho eficiente” do que em ser santificado e ter comunhão com Deus.
Muitos de nós se importam mais em ter uma vida cristã bem-sucedida do que em subir ao monte do Senhor. Embora odiemos admitir tal coisa, pensamos realmente que a comunhão com Deus é valiosa para nos tornar “mais eficazes” em nosso trabalho cristão. Não procuramos a comunhão com Ele porque O amamos, e sim porque desejamos ser vasos mais eficazes.
No entanto, em nosso íntimo continuamos insatisfeitos. Nosso coração se recusa a ser enganado. Algo não está de acordo com o serviço cristão, para o qual fizemos tão grande depósito. Constatamos que somos usados para mostrar o Salvador a alguma pessoa, mas esta experiência parece superficial. Já não desfrutamos daquela felicidade intensa que nos fazia dizer: “Não há alegria maior do que levar alguém ao Senhor”. Embora naquela época não o compreendêssemos, tal felicidade surgiu, em parte, como resultado da intimidade com o Senhor, que era tudo para nós, e, em parte, como resultado de nossa empenho em levar alguém diante do Senhor. O que nos falta é esta intimidade com Ele, ou seja, a verdadeira santidade. Perdemos a Deus no meio do serviço cristão.
Ele ainda está perto de nós, se O quisermos. Não desfrutamos dEle, porque não O procuramos e porque O procuramos apenas como um suplemento para nosso serviço cristão. Nós encontraremos a Ele e a verdadeira santidade, quando O buscarmos de todo o nosso coração.
Enquanto isso, tenhamos cuidado para que, em nossa preocupação com “eficiência”, não vendamos nosso direito de primogenitura por um “prato de lentilhas” (Gn 25.31-34).
________________________AutorJohn White
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Tremendo Diante da Cruz


O professor John Mürray escreveu, em certa ocasião, que o temor de Deus é o âmago da piedade; e com certeza ele estava correto. Embora seja freqüentemente olvidado, o temor de Deus é um dos conceitos centrais da Bíblia. O povo de Deus O teme, porque O conhece da maneira como Ele se revelou nas Escrituras. Thomas Manton disse: “Este sentimento deve ser aquilo que identifica os servos de Deus, por ser o grande princípio que tanto nos guarda do pecado quanto nos impulsiona a cumprir nossos deveres. O temor de Deus é uma das fundamentais e essenciais virtudes que o crente possui” (Works [Obras], 6:409).
Manton aludiu às duas principais características do temor de Deus, quando disse que este sentimento “tanto nos guarda do pecado quanto nos impulsiona a cumprir nossos deveres”. Por um lado, no temor de Deus existe um senso de terror em permanecer na presença dEle. Isaías, em sua grande visão do Senhor assentado no templo, sentiu-se despedaçado quando seu pecado foi revelado diante da gloriosa santidade de Deus. Embora Isaías fosse membro do povo de Deus, ele conhecia o potencial da ira de Deus quando manifestada contra o pecado. Isaías experimentou aquilo que foi expresso pelo escritor da epístola aos Hebreus, o qual nos lembra que é algo terrível cair nas mãos do Deus vivo. Por outro lado, o temor de Deus se evidencia em um profundo amor e reverência à pessoa de Deus, que, para aqueles que O seguem, é atraente. Seu povo deseja estar com Ele e anela pelo senso de sua presença e majestade. Eles se regozijam em prostrar-se diante dEle e adorar sua gloriosa soberania. Para eles, a sua maior felicidade está em exaltar seu Senhor.
Muitas ilustrações podem ser apresentadas em referência a este duplo significado do temor de Deus. Consideremos uma destas ilustrações: a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.
Se não for por intermédio dos olhos da fé, tudo o que podemos contemplar na cruz é aquilo que Isaías descreveu: “Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is 53.2-3). No entanto, o crente contempla mais profundamente e diz: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades  o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.4-6).
A cruz do Calvário ilustra bem a dupla natureza do temor de Deus. Ela demonstra o furor da ira de Deus. Quando pensamos na cólera derramada sobre o Filho de Deus — santo, imaculado, puro e amado — morrendo em indescritível agonia, podemos obter um vislumbre da terrível ira de Deus. Quem é este Deus, capaz de fazer uma coisa tão admirável como esta? Se castigou o pecado desta maneira, Ele tem de ser temido por nós.
A cruz também demonstra o amor de Deus. Quando pensamos na atitude do Pai ao enviar seu Filho, para suportar o castigo do pecado de seu povo, e meditamos no Filho aceitando a ira de seu amado Pai, temos um vislumbre da compaixão e do amor de Deus. Que Deus é este, que realizou algo tão impressionante por mim? Se Ele puniu os meus pecados daquela maneira, preciso temê-Lo com todo o meu coração. O antigo hino expressou isto corretamente:
Onde Tu estavas
quando crucificaram meu Senhor?
Onde Tu estavas
quando crucificaram meu Senhor?
Onde Tu estavas
quando crucificaram meu Senhor?
Às vezes, isto me faz tremer, tremer, tremer:
Onde Tu estavas
quando crucificaram meu Senhor?
__________________
Autor 
James M. RenihanFonte: Ministério Fiel

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Mortificando o pecado pelo Espírito Santo


“Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Romanos 8.12-13).
A santificação é um processo em que o próprio homem desempenha uma parte. Nessa parte, o homem é chamado a fazer algo “pelo Espírito”, que está nele. Consideraremos agora o que exatamente o homem tem de fazer. A exortação é esta: “Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo”. O crente é chamado a mortificar os feitos do corpo.
Temos, primeiramente, de abordar a palavra corpo, que se refere ao nosso corpo físico, nossa estrutura física, conforme vemos também no versículo 10. A palavra não significa “carne”. Até o grande Dr. John Owen se enganou neste ponto e trata a palavra como uma alusão à “carne” e não ao “corpo”. Mas o apóstolo, que antes falara tanto a respeito de “carne”, agora fala sobre o “corpo”. Ele fez isso no versículos 10 e 11, assim como o fizera no versículo 12 do capítulo 6. Paulo se referia a este corpo físico em que o pecado ainda permanece e que um dia será ressuscitado em “incorruptibilidade” e glorificado, para tornar-se semelhante ao corpo glorificado de nosso bendito Senhor e Salvador.
Enfatizo novamente que temos de ser claros neste assunto, porque está sujeito a ser mal entendido. O ensino não é que o corpo humano ou a matéria são inerentemente pecaminosos. Já houve heréticos que ensinaram esse erro conhecido como dualismo. Ao contrário disso, o Novo Testamento ensina que o homem foi criado bom tanto em corpo, alma e espírito. Não ensina que a matéria é sempre má e que, por essa razão, o corpo é sempre mau. Houve um tempo em que o corpo era... totalmente livre do pecado. Mas, quando o homem caiu e pecou, todo o seu ser caiu, e ele se tornou pecaminoso no corpo, mente e espírito.
Temos visto que pelo novo nascimento o espírito do homem é liberto. Ele recebe vida nova — “O espírito é vida, por causa da justiça” (Rm 8.10). Mas o corpo ainda “está morto por causa do pecado”. Esse é o ensino do Novo Testamento! Em outras palavras, embora o crente seja regenerado, ainda permanece em um corpo mortal. Por isso enfrentamos problemas para viver a vida cristã, visto que temos de lutar contra o pecado enquanto estivermos neste mundo, pois o corpo é fonte e instrumento de pecado e corrupção. Nossos corpos ainda não foram redimidos. Eles o serão, mas agora o pecado ainda permanece neles.
Conforme vimos, o apóstolo deixa isso bem claro. Em 1 Coríntios 9.27, ele disse: “Esmurro o meu corpo” (1 Coríntios 9.27), porque o corpo nos impele a obras más. Isso não significa que os instintos do corpo são em si mesmos pecaminosos. Os instintos são naturais e normais, não sendo, inerentemente, pecaminosos. Mas o pecado que permanece em nós está sempre tentando levar os instintos naturais a direções erradas. O pecado tenta levá-los a “afeições imoderadas”, a exagerá-los; tenta fazer-nos comer demais, satisfazer em excesso todos os nossos instintos, de modo que se tornem “imoderados”. Vendo esse assunto de outro ângulo, esse princípio pecaminoso tenta impedir-nos de dar atenção ao processo de disciplina e autocontrole ao qual somos constantemente chamados nas páginas das Escrituras. O pecado remanescente no corpo tende a agir dessa maneira. Por isso, o apóstolo fala sobre os “feitos do corpo”. O pecado tenta tornar o natural e normal em algo pecaminoso e mau.
O termo “mortificar” explica-se a si mesmo. “Mortificar” significa matar, trazer à morte... logo, a exortação diz que temos de matar, por um fim nos “feitos do corpo”. De uma perspectiva prática, esta é a grande exortação do Novo Testamento em conexão com a santificação e se dirige a todos os crentes.
Como devemos fazer isso?... O apóstolo esclarece: “Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo” — pelo Espírito! É claro que o Espírito é mencionado particularmente porque a sua presença e sua obra são características peculiares do verdadeiro cristianismo. Isto é o que diferencia o cristianismo da moralidade, do “legalismo” e do falso puritanismo — “pelo Espírito”. O Espírito Santo, conforme já vimos, está em nós crentes. Você não pode ser um crente sem o Espírito Santo. Se você é um crente, o Espírito Santo de Deus está em você, agindo em você. Ele nos capacita, nos dá forças e poder. Ele nos traz a grande salvação que o Senhor Jesus Cristo realizou, capacitando-nos a desenvolvê-la. Portanto, o crente nunca deve se queixar de falta de capacidade e poder. Se o crente diz: “Eu não posso fazer isso”, está negando as Escrituras. Aquele que é habitado pelo Espírito Santo nunca deve proferir tais palavras; fazê-lo significa negar a verdade a respeito dele mesmo.
Conforme disse o apóstolo João, o crente é alguém que pode dizer: “Temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça” (Jo 1.16). No capítulo 15 de seu evangelho, João descreve os cristãos como ramos da Videira Verdadeira. Por isso, nunca devemos afirmar que não temos poder. Certamente, o Diabo está ativo no mundo e tem grande poder; contudo, “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4.4). Ou considere novamente aquela importante declaração feita em 1 João 5.18-19: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado”. A expressão “não vive em pecado” expressa uma ação contínua no presente, e o sentido é este: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando”. Por que não? Porque “Aquele que nasceu de Deus” — ou seja, o Senhor Jesus Cristo — “o guarda, e o Maligno não lhe toca”.
João afirmou que isso é verdade em relação a todos os crentes. O crente não vive no pecado porque Cristo está vivendo nele, e o Maligno não pode tocar-lhe. Isso significa não somente que o Maligno não exerce controle sobre o crente, mas também que o Maligno não pode nem mesmo tocar-lhe. O crente não está sobre o poder do Maligno. E, para incutir isso no crente, João afirmou em seguida: “Sabemos que somos de Deus”; e quanto ao mundo: “O mundo inteiro jaz no Maligno” (1 Jo 5.19). O mundo está nos braços e domínio do Maligno, que o controla... O Diabo tem completamente em suas mãos e controle o mundo e os homens que pertencem ao mundo, os quais são suas vítimas indefesas. Não há sentido em dizer a tais pessoas que mortifiquem “os feitos do corpo”; elas não podem fazer isso, porque estão sob o poder do Diabo. Mas a situação do crente é outra; ele pertence a Deus e o Maligno não lhe pode tocar. O Diabo pode rugir para o crente e amedrontá-lo ocasionalmente, mas não pode tocar-lhe e, muito menos, controlá-lo.
Essas são afirmações típicas que o Novo Testamento faz a respeito do crente. E, quando compreendemos que o Espírito está em nós, experimentamos o seu poder. Somos chamados a usar e exercitar o poder que está em nós pela habitação do Espírito Santo. “Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito” — que habita em vós —, “mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.” A exortação diz que devemos exercitaro poder que está em nós “pelo Espírito”. O Espírito é poder e está habitando em nós. Por isso, somos instados a exercer o poder que está em nós.
Mas, como isso se realiza na prática?... Para começar, temos de entender nossa posição espiritual, pois muitos de nossos problemas se devem ao fato de que não compreendemos e não recordamos quem e o que somos como crentes. Muitos se queixam de que não têm poder e de que não sabem fazer isto ou aquilo. O que precisamos dizer-lhes não é que eles são absolutamente incapazes e que devem desistir. Pelo contrário, todos os crentes precisam ouvir estas palavras de 2 Pedro 1.2-4: “Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade”. Tudo que “conduz à vida e piedade” nos foi dado por meio do “conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude”. E, outra vez: “Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas [por meio dessas mui grandes e preciosas promessas] vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”.
Apesar disso, há crentes que lamentam e se queixam de não terem forças. A respostas para esses crentes é esta: “Todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade lhes foram dadas. Parem de lamentar, murmurar e queixar-se. Levantem-se e usem o que está em vocês. Se vocês são crentes, o poder está em vocês pelo Espírito Santo. Você não estão desamparados”. Todavia, o apóstolo Pedro não parou ali. Ele disse também: “Aquele a quem estas coisas não estão presentes” — em outras palavras, o homem que não faz as coisas sobre as quais foi exortado — “é cego, vendo só o que está perto” (2 Pe 1.9). Ele tem uma visão curta, havendo “esquecido da purificação dos seus pecados de outrora”. Não possui uma visão verdadeira da vida cristã. Está falando e vivendo como se fosse uma pessoa não-regenerada. Ele diz: “Não posso continuar sendo cristão; é demais para mim”. Pedro exorta esse homem a compreender a verdade a respeito de si mesmo. Precisa ser despertado, ter seus olhos abertos e sua memória refrescada. Ele precisa se animar e fazer, em vez de lamentar as suas imperfeições.
Além disso, temos de compreender que, se somos culpado de pecado, entristecemos o Espírito Santo de Deus, que está em nós. Pecamos a todo momento. O fato deveras grave não é o de que pecamos e nos tornamos infelizes, e sim o de que entristecemos o Espírito de Deus que habita em nosso corpo. Quão frequentemente pensamos nisso? Acho que, ao falarem comigo a respeito desse assunto, as pessoas sempre falam sobre si mesmas — “meu erro”. “Estou sempre caindo nesse pecado.” “Este pecado está me desanimando.” Falam completamente a respeito de si mesmas. Não falam sobre o seu relacionamento com o Espírito Santo. E, por essa razão: o homem que compreende que o maior problema de sua vida pecaminosa é o fato de que está entristecendo o Espírito Santo, esse homem para de fazer isso imediatamente. No momento que o crente percebe que esse é o seu verdadeiro problema, ele lida com esse problema. Não se preocupa mais com seus próprios sentimos. Quando o crente compreende que está entristecendo o Espírito Santo de Deus, ele age imediatamente.
Outra consideração importante sobre este tema geral é o fato de que temos sempre de fixar-nos no alvo crucial. Pedro enfatizou isso no mesmo capítulo da sua epístola: “Procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.10-11). Se vocês fizerem o que exorto-os a fazer, ele disse, a morte, quando lhes chegar, será algo maravilhoso. Você não somente entrarão no reino de Deus; antes, terão uma entrada ampla. Haverá um desfile triunfante; os portões do céu serão abertos, e haverá grande regozijo. Pedro não estava se referindo à nossa salvação presente, e sim à nossa glorificação final, à nossa entrada nos “tabernáculos eternos” (Lc 16.9).
Portanto, temos de manter os olhos fixos nesse alvo. Nosso maior problema é que sempre estamos olhando para nós mesmos e para o mundo. Se pensarmos mais e mais sobre nós mesmos como peregrinos da eternidade (o que, de fato, somos), todo o nosso viver será transformado. Paulo afirmou isso no versículo 11 deste capítulo. Mantenham seus olhos nisso, eles disse em outras palavras; mantenham seus olhos no alvo. João disse a mesma coisa: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 Jo 3.2-3). A causa de muitos de nossos problemas, como crentes, é que vivemos demais para este mundo. Persistimos em esquecer que somos apenas “peregrinos e forasteiros” neste mundo. Pertencemos ao céu; nossa pátria está no céu (Fp 3.20), e estamos indo para lá. Se apenas mantivéssemos isso diante de nossa mente, o problema de nossa luta contra o pecado assumiria um aspecto diferente...
Devemos nos mover agora do geral para o específico, relembrando-nos de que tudo é feito “pelo Espírito”, com uma mente iluminada por Ele. O que temos de fazer especificamente? O ensino do apóstolo pode ser considerado sob dois aspectos: direto e negativo, indireto e positivo.
No aspecto direto ou negativo, a primeira coisa que o crente tem de fazer é abster-se do pecado. É bem simples e direto! Pedro disse: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pe 2.11). Esse é um ensino bastante claro. Aqui não há qualquer sugestão de que somos incapazes, temos de desistir da luta e entregar tudo ao Senhor ressuscitado. Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes...” — parem de fazer isso, parem imediatamente, não o façam mais! Vocês precisam se abster totalmente desses pecados, essas “paixões carnais, que fazem guerra contra a alma”. Vocês não têm o direito de dizer: “Sou fraco, não posso; as tentações são poderosas”.
A resposta do Novo Testamento é: “Parem de fazer isso”. Vocês não precisam de hospital e de um tratamento médico; precisam recompor-se e compreender que são “peregrinos e forasteiros”. “Exorto-vos... a vos absterdes.” Vocês não têm qualquer negócio com essas coisas. Lembrem outra vez o ensino de Efésios 4: “Aquele que furtava não furte mais... Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe”. Não haja em vocês nenhuma dessas conversas ou gracejos tolos! Não façam isso! Abstenham-se! É tão simples e claro como estas palavras: parem de fazer isso!
Em segundo lugar, de modo específico, citando outra vez as palavras do apóstolo em Efésios: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (Ef 5.11-12). Observe o que ele disse: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas”. Vocês não devem apenas abster-se dessas coisas, mas também não ter comunhão com pessoas que fazem essas coisas ou têm esse modo de vida. “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.” O princípio governante de sua deve ser o não associar-se com pessoas desse tipo. Fazer isso é ruim para você e lhe será prejudicial... Não devemos ter qualquer comunhão com o mal; antes, precisamos fugir dele e manter-nos tão distantes quanto pudermos.
Outro termo é “esmurrar” (1 Co 9.27). “Esmurro o meu corpo”, disse o apóstolo. “Todo atleta” — ou seja, aquele que compete nas corridas — em tudo se domina”. As pessoas que passam por treinos visando as grandes competições atléticas são bastante cuidadosas quanto à sua dieta; param de fumar e ingerem bebidas alcoólicas. Quão cuidadosos eles são! E fazem tudo isso porque desejam ganhar o prêmio! Se eles faziam isso, disse Paulo, por causa de coisas corruptíveis, quanto mais devemos disciplinar-nos a nós mesmos... O corpo tem de ser “esmurrado”. Nas palavras de nosso Senhor registradas em Lucas 21.34, há uma sugestão a respeito de como isso deve ser feito. Ele disse: “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente”. Não coma bem beba demais; não se preocupe excessivamente com as coisas deste mundo. Coma o suficiente e o alimento correto; mas não se torne culpado de “excesso”. Se uma pessoas satisfaz em demasia seu corpo, com alimento, bebida ou outra coisa, ele achará mais difícil viver uma vida cristã santificada e mortificar os feitos do corpo. Portanto, evite todos esses obstáculos, pois, do contrário, seu corpo se tornará indolente, pesado, moroso e lânguido. Há uma intimidade tão grande entre o corpo, a mente e o espírito, que achará grande problema em seu conflito espiritual. “Esmurre o corpo.”
Outra máxima usada pelo apóstolo, na Epístola aos Romanos, se acha no capítulo 13: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (v. 14). Se querem mortificar os feitos do corpo, “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. O que isso significa? Em Salmos 1, achamos um discernimento claro quanto ao significado dessas palavras do apóstolo. Eis a prescrição: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores” (Sl 1.1). Se vocês querem viver esta vida piedosa e mortificar os feitos do corpo, não gastem tempo permanecendo nas esquinas das ruas, porque, se fizerem isso, provavelmente cairão em pecado. Se permanecerem no lugar por onde o pecado talvez passará, não se surpreendam se voltarem para casa em tristeza e infelicidade, porque caíram no pecado. Não se detenham no “caminho dos pecadores”. E, menos ainda, devem vocês assentar-se “na roda dos escarnecedores”. Se permanecerem em tais lugares, não haverá surpresa em caírem no pecado. Se vocês sabem que certas pessoas lhes são má influencia, evitem-nas, fujam delas. Talvez vocês digam: “Eu me ajunto com elas para ajudá-las, mas percebo que, todas as vezes, elas me levam ao pecado”. Se isso é verdade, não estão em condições de ajudá-las...
No livro de Jó, o homem sábio disse: “Fiz aliança com meus olhos” (Jó 31.1). Era como se dissesse: “Olhem diretamente, não olhem para a direita ou para a direita. Cuidem de seus olhos propensos a vaguear, esses olhos que se movem quase automaticamente e veem coisas que iludem e induzem ao pecado”. “Faça uma aliança com os seus olhos”, declara esse homem. Concorde em não olhar para coisas que tendem a levá-lo ao pecado. Se isso era importante naqueles dias, é muito mais importante em nossos dias, quando temos jornais, cinemas, outdoors, televisão e assim por diante! Se há uma época em que os homens precisam fazer aliança com seus olhos, esta época é agora. Tenham cuidado com o que leem. Certos jornais, livros e diários, se os lerem, eles lhes serão prejudiciais. Vocês devem evitar tudo que lhes prejudica e diminui sua resistência. Não olhem na direção dessas coisas; não queira nada com elas... Na Palavra de Deus, vocês são instruídos a mortificar “os feitos do corpo” e não satisfazer “a carne no tocante às suas concupiscências”. Agradeça a Deus pelo evangelho poderoso. Agradeça a Deus pelo evangelho que nos diz que agora somos seres responsáveis em Cristo e que nos exorta a agir de um modo que glorifica o Salvador. Portanto, “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”.
Meu próximo assunto é sobremodo importante: enfrentem as primeiras movimentações e impulsos do pecado em vocês; combatam-nos logo que aparecerem. Se não fizerem isso, estão arruinados. Vocês cairão, conforme somos ensinados na epístola de Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. O primeira moção do pecado é um encantamento, um leve incitação de cobiça e sedução. Esse é o momento em que temos de lidar com o pecado. Se deixarem de enfrentar o pecado nesse estágio, ele os vencerá. Cortem o mal pela raiz. Ataquem-no de imediato. Nunca lhes permitam qualquer avanço. Não o aceitem de maneia alguma. Talvez sintam-se inclinados a dizer: “Bem, não farei tal coisa”; mas, se aceitam a ideia em sua mente e começam a afagá-la e entretê-la em sua imaginação, vocês já estão derrotados. De acordo com o Senhor, vocês já pecaram. Não precisam realmente cometer o ato; nutri-lo no coração já é o suficiente. Permitir isso no coração significa pecar aos olhos de Deus, que conhece tudo a respeito de nós e vê até o que acontece na imaginação e no coração. Portanto, destruam o mal pela raiz, não tenham qualquer relação com ele, parem-no imediatamente, ao primeiro movimento, antes que comece a acontecer esse processo ímpio descrito por Tiago.
No entanto, lembrem-se de que isto — que será nosso próximo assunto — não significa repressão. Se vocês apenas reprimirem uma tentação ou esse primeiro movimento do pecado, ele provavelmente surgirá novamente com mais vigor. Nesse sentido, concordo com a psicologia moderna. A repressão é sempre má. “Então, o que devo fazer?”, alguém pergunta. Eu respondo: quando sentir aquele primeiro movimento do pecado, erga-se e diga: “Isto é mau; isto é vileza; é aquilo que expulsou do Paraíso os nossos primeiros pais”. Rejeite-o, enfrente-o, denuncie-o, odeie-o pelo que é. Assim, terá lidado realmente com o pecado. Você não deve apenas fazê-lo recuar, com um espírito de temor e de maneira tímida. Traga-o à luz, exponha-o, analise-o e, denuncie-o pelo que ele é, até que o odeie.
Meu último assunto neste tema é que, se você cair no pecado (e quem não cai?), não restaurem a si mesmos de modo superficial e apressado. Leiam 2 Coríntios 7 e considerem o que Paulo disse sobre a “a tristeza segundo Deus” que produz arrependimento. Outra vez, tragam à luz aquilo que fizeram, contemplem-no, analisem-no, exponham-no, denunciem-no, odeiem-no e denunciem a si mesmos. Mas não façam isso de um modo que os atire nas profundezas da depressão e desânimo! Sempre tendemos a ir aos extremos; ou somos muito superficiais ou muito profundos. Não devemos curar superficialmente a ferida (cf. Jr 6.14), mas tampouco devemos lançar-nos no desespero e melancolia, dizendo que tudo está perdido, que não podemos ser crentes, e retornar ao estado de condenação. Isso é igualmente errado. Temos de evitar ambos os extremos. Façam uma avaliação honesta de si mesmos e do que fizeram, condenando totalmente a si mesmos e seu ato; porém compreendam que, confessando-o a Deus, sem qualquer desculpa, “ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9). Se vocês fizerem essa obra de maneira superficial, cairão novamente no pecado. E, se vocês se lançarem em um abismo de depressão, hão de sentir-se tão desesperados que cairão em mais e mais pecado. Uma atmosfera de melancolia e fracasso leva a mais fracasso. Não caiam em nenhum desses erros, mas respondam à obra da maneira como o Espírito sempre nos instrui a fazê-la.
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Extraído de Romans: Na Exposition of Chapter 8:15-17, The Sons of God, p. 132-144, publicado pela Banner of Truth Trust.
Tradução: Pr. Wellington Ferreira
D. Martyn Lloyd Jones (1899 – 1981), teólogo protestante, possivelmente um dos maiores pregadores da história da Igreja, ocupou o púlpito...
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