sábado, 21 de setembro de 2013

Para os adeptos do Repleplé. A invalidade do misticismo.


Fundo histórico do misticismo

A palavra misticismo é derivada da palavra grega mustikos, que significa alguém iniciado nos mistérios. Posteriormente, foi usada em círculos cristãos como parte da teologia que acredita na comunhão direta da alma com Deus.


No contexto panteísta, geralmente o indivíduo místico é alguém que busca por meio de contemplação e entrega ser absorvido pelo Supremo; na filosofia, refere-se com frequência a alguém que acredita que o conhecimento intuitivo e imediato da realidade última é possível.

Tipos de misticismo.

O misticismo pode ser classificado de várias maneiras. Em temos de cosmovisão, teísta e não-teísta. Há também formas de misticismo na maioria das religiões mundiais. Algumas, tais como o Zen-budismo, são místicas em si. O objetivo aqui é se o misticismo tem algum valor apologético. Isto é, a experiência mística ajuda a estabelecer a verdade do sistema de crença da pessoa que a vive?

A natureza da experiência mística.

Experiências religiosas são notoriamente difíceis de definir. Friedrich Schleiermacher disse que a religião é o sentimento de dependência absoluta do Todo. Paul Tillich definiu religião com o compromisso absoluto. Nossa análise conclui que é a percepção de alguma forma de outro transcendente.

Uma experiência religiosa particular. Experiências religiosas são de dois tipos básicos: gerais e específicas. A primeira está disponível a todas as pessoas, e a segunda, apenas para algumas pessoas. A primeira é pública e a segunda é particular. Experiências místicas são particulares por natureza. Isso não significa que os outros não possam ter experiências semelhantes. Só significa que a experiência é singular para quem a teve. E o público não tem tais experiências a qualquer hora.

Uma experiência religiosa focalizada.

Algumas formas de percepção são gerais e outras, específicas. Por exemplo, a percepção de estar casado é uma experiência geral que a pessoa tem o tempo todo. Mas a percepção de se casar é um experiência especial que a pessoa só tem durante a cerimônia. A experiência mística é mais que isso. É a percepção focalizada e intensificada do Supremo, ao passo que a experiência religiosa geral é como a percepção contínua e geral de Schleiermacher de ser dependente do Supremo.

Uma experiência intuitiva

Experiências místicas de Deus não são cognitivas. Não são mediadas por conceitos ou idéias. Pelo contrário, são imediatas e intuitivas. São contatos diretos com Deus. Como tal, não são discursivas. Não envolvem processos de raciocínio.

Uma experiência inefável.

Apesar de muitos místicos tentarem descrever sua experiência, a maioria logo diz que palavras são inadequadas para expressá-la. Muitos admitem que só podem dizer o que ela não é. Todas as tentativas positivas são puramente metafóricas, alegóricas ou simbólicas. Ela pode ser vivida, mas não descrita.

O valor apologético das experiências místicas

O misticismo tem valor. Como William James observou, indica um estado além do puramente empírico e racional. Na realidade, formas cristãs de misticismo, tais como a de Meister Eckhart, foram aceitas por muitos cristãos ortodoxos.

No entanto, nossa preocupação aqui é com a reivindicação dos místicos quanto à veracidade inerente de suas experiências místicas. Eles insistem em que elas são tão básicas quanto percepções sensoriais, sendo um tipo de percepção espiritual. Outros desafiam essa argumentação e oferecem várias razões para rejeitar qualquer valor que tenham tais experiências.

Experiências místicas não autenticam a si mesmas.

Embora não seja necessário negar que há estados mentais transcognitivos, geralmente os místicos afirmam que tais experiências autenticam a si próprias. Isso parece ser uma confusão de duas coisas. As experiências podem ser autenticadoras para a pessoa que a tem, mas não autenticam a si mesmas. Só autentica a si mesmo, como nos primeiros princípios auto-evidentes, o que pode sr conhecido pela investigação dos termos da proposição. Por exemplo: "Todos os triângulos são figuras de três lados" é auto-evidente porque o predicado diz exatamente o que o sujeito diz. Mas não há tal semelhança numa experiência mística com Deus.

A experiência mística não é objetiva.

Os próprios místicos admitem que as experiências que têm não são públicas, mas particulares. Então, são subjetivas, e não objetivas. Experiências subjetivas, no entanto, têm validade apenas para o sujeito que as vive. Como William James mencionou em sua obra clássica Variedades de Experiência Religiosa, experiências místicas não têm autoridade sobre as pessoas que não as vivem.

Experiências místicas não são verificáveis

Já que experiências místicas não têm uma base objetiva, também não podem ser testadas. Sendo subjetivas por natureza, não há teste objetivo para elas. Logo, estão totalmente relacionadas aos indivíduos que as têm. Por isso, não há maneira de aplicar validamente a outros o que o sujeito experimenta.

Experiências místicas se anulam

Quando uma experiência mística é usada para apoiar a reivindicação da verdade do sistema de crença de quem a vive, isso não tem valor pela simples razão de que pessoas com sistemas de crença diferentes têm experiências místicas. Mas se o mesmo tipo de evidência é usado para apoiar crenças opostas, ela anula a si mesma. A evidência deve ser singular para uma pessoa em contrate com outras, de modo a validar uma, e não a outra.

Experiências místicas podem ser mal-interpretadas

Não há aqui nenhuma tentativa de negar que algumas pessoas têm experiências místicas. E não negamos que elas possam achar que tais experiências são autênticas. Nem desafiamos o fato de que possa lhes parecer que elas têm explicação.

Apenas argumenta-se que não há evidência disso. Experiências semelhantes de pessoas de cosmovisões diferentes parecem vindicar as próprias cosmovisões ou sistemas religiosos. Todavia, esse fato demonstra que não há autenticação, já que opostos não podem ser verdadeiros. Em resumo, tais experiências não se auto-identificam e, portanto, podem ser erroneamente identificas por aqueles que as têm.
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Fonte: [ Enciclopédia de Apologética Norman Geisler ]
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