sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Série: Doutrinas da Graça [ 7/15 ]


HERDEIROS DE ADÃO 



Estamos todos juntos com Adão e Eva, pois herdamos deles o veneno do pecado. Ele corre no nosso sangue. É isso o que os teólogos chamam de pecado original. Adão incluiu a todos na sua decisão, e esta decisão foi fatal para a raça. A escolha de Adão atingiu a todos, porém, num sentido, não podemos dizer que cada um de nós é considerado pessoalmente responsável pelo que Adão fez, como se cada um de nós tivesse pecado o pecado de Adão. O fato é que Adão agiu como nosso representante e, por essa razão, a sua escolha nos atinge. Nesta questão não temos liberdade de escolha. Uma ilustração útil para entender isso é a da Independência do Brasil. Quando Dom Pedro proclamou a independência, nós estávamos incluídos nela. Nenhum de nós bradou “independência ou morte”, mas todos nós usufruímos os efeitos desse brado. Do mesmo modo, Adão foi o nosso representante diante de Deus; ele falou por nós, e, portanto, a queda dele foi a nossa queda. Seu grito de independência jogou a todos nós na morte. Nenhum dos efeitos da queda, como pecado, dor, sofrimentos ou tragédias podem ser atribuídos a Deus. Deus criou o mundo perfeito; foi a escolha deliberada do homem que trouxe o caos; portanto, a humanidade é absolutamente responsável por tudo o que acontece de mau neste mundo. E continuamos a destruir a terra com o processo de exploração desenfreada. A ironia é que nós poluímos o mundo e colocamos a culpa em Deus quando ocorrem cataclismas da natureza (Isso evidentemente não exclui o fato de que tudo segue a vontade soberana de Deus).

Não somos pecadores apenas por escolha, mas por natureza. Não nascemos como se fôssemos uma tábua rasa, ou uma folha em branco, nem numa zona neutra, mas como inimigos de Deus, sendo “por natureza, filhos da ira” (Ef 2.3). Nós não fazemos o mal meramente, nós somos maus. Não somente caímos, somos decaídos. Não somente nos perdemos, estamos perdidos. Pecamos porque a nossa natureza é pecar, somos escravos, pois o Senhor disse: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). Não conseguimos abandonar o pecado quando queremos. Na verdade, nem queremos. Podemos até controlar algumas atitudes pecaminosas, mas não podemos deixar de ser pecadores.
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Por Leandro Antonio de Lima. Livro: Razão da esperança, Cultura Cristã, p. 204-5.

Para um aprofundamento no assunto, aconselhamos o excelente artigo de A. W. Pink, que pode ser lido gratuitamente neste link, no monergismo.com.

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