sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sinais e Maravilhas: Antes e Agora [03/03]

Sinais e Maravilhas até que Jesus Venha

Na seção anterior, eu argumentei que "sinais e maravilhas" no Novo Testamento não eram privilégios somente dos apóstolos. Os "setenta" os realizaram (Lucas 10:9, 17), diáconos os realizaram (Atos 6:8, 8:6), gálatas cristãos os realizaram (Gálatas 3:5), coríntios cristãos os realizaram (1 Coríntios 12:9-10). Já que sinais e maravilhas não eram privilégios dos apóstolos, não há garantia no Novo Testamento para se deduzir que esses milagres cessariam depois da era apostólica.
De fato, nessa seção quero discutir que o Novo Testamento ensina que os dons espirituais (incluindo aqueles mais óbvios, sobrenaturais ou reveladores como profecia e línguas) continuarão até que Jesus venha. O uso de tais dons (milagres, fé, curas, profecia, etc) dá origem ao que, algumas vezes, pode ser chamado de "sinais e maravilhas." Portanto, sinais e maravilhas são parte da bênção que devemos buscar em oração hoje.
Não há nenhum texto no Novo Testamento que ensine a cessação desses dons. Mas mais importante do que esse silêncio, é o texto que explicitamente ensina a continuidade deles até que Jesus venha, a saber, 1 Coríntios 13:8-12.
O ponto principal dessa passagem é que o amor é superior aos dons espirituais como "profecias" e "línguas" e "conhecimento". O argumento base para a superioridade do amor é que ele dura para sempre, enquanto esses dons não. Eles cessam "quando vier o que é perfeito," mas o amor continua para sempre. O motivo dado por que esses dons cessam é que eles são "imperfeitos". Mas quando o "perfeito" vier, o imperfeito desaparecerá. Assim a questão chave é: Quando é que o "perfeito" vem, que marca o fim dos dons imperfeitos como o da profecia?
A resposta está clara no texto se seguirmos a linha de raciocínio de Paulo. Versículo 8 diz, "O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá" (ARC). Por que esses dons são temporários? A resposta é dada no verso 9: "Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos." Assim, a razão pela qual esses dons espirituais são temporários é sua incompletude ou imperfeição.
Quanto tempo então, eles vão durar? O versículo 10 dá a resposta: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado." Mas quando será isso? Quando o perfeito virá? A resposta é dada no verso 12: "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." O "agora" da incompletude e imperfeição se contrasta com o "então" de se ver face a face, e conhecer assim como somos conhecidos.
Desse modo, a reposta à questão de quando o perfeito virá e quando os imperfeitos dons espirituais desaparecerão é o "então" do verso 12, a saber, o tempo de ver "face a face" e "conhecer como somos conhecidos." Quando isso acontecerá?
Ambas estas frases ("ver face a face" e "conhecer como somos conhecidos") são esticadas além do ponto de ruptura se dissermos que elas se referem ao fechamento do cânone do Novo Testamento ou o fechamento da era apostólica. Ao invés disso, elas se referem à nossa experiência na segunda vinda de Jesus. Aí então, "assim como é o veremos" (1 João 3:2). A frase "face a face" no Velho Testamento Grego se refere a ver Deus pessoalmente (Gênesis 32:30; Juízes 6:22). O comentário centenário de Thomas Edwards está certo ao dizer que "Quando o perfeito vier no advento de Cristo, então o cristão conhecerá Deus intuitivamente e diretamente, ainda que ele já fosse conhecido de Deus" (First Epistle to the Corinthians, pg, 353, itálicos adicionados - "Primeira Epístola aos Coríntios", ainda sem tradução em português).
Isso significa que o verso 10 pode ser parafraseado: "Quando Cristo voltar, o imperfeito desaparecerá." E como "o imperfeito" se refere aos dons espirituais, como profecia e conhecimento e línguas, podemos parafrasear mais além: "Quando Cristo voltar, então profecia, e conhecimento, e línguas desaparecerão."
Aqui está uma afirmação definida sobre o tempo da cessação dos dons espirituais, e esse tempo é a segunda vinda de Cristo. Richard Gaffin não faz justiça ao próprio texto do verso 10 quando ele diz, "O tempo da cessação da profecia e línguas é uma questão aberta até aqui, no que diz respeito a esta passagem" (Perspectives on Pentecost, pg. 111 - "Perspectivas sobre o Pentecostes", publicado em português pela editora Os Puritanos). Não é uma questão aberta. Paulo diz, "Quando o perfeito vier [naquele tempo, não antes ou depois], o imperfeito [dons como profecia e línguas, etc.] desaparecerão."
Portanto, 1 Coríntios 13:8-12 ensina que tais dons espirituais continuarão até a segunda vinda de Jesus. Não há motivo para excluir dessa conclusão os outros dons "imperfeitos" mencionados em 1 Coríntios 12:8-10. Como esses incluem milagres, fé, curas, etc., com o que nós associamos "sinais e maravilhas", há uma prova clara no Novo Testamento para esperar que os "sinais e maravilhas" vão continuar até Jesus voltar.
Agora some a essa conclusão a franca ordem em 1 Coríntios 14:1, e você verá porque alguns de nós não estão somente abertos, mas também buscando essa grande plenitude do poder de Deus hoje. Essa ordem diz, "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar." E isso é repetido duas vezes: "Procurai com zelo os melhores dons" (12:31); "Procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas" (14:39).
Eu imagino quantos de nós disseram, por anos, que estamos abertos para o mover de Deus nos dons espirituais, mas desobedecemos a essa ordem de procurá-los com zelo, especialmente o de profecia? Eu perguntaria a todos nós: Estamos tão certos do nosso proceder hermenêutico para diminuir os dons, que correríamos o risco de andar em desobediência a uma clara ordem das Escrituras? "Procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar."
Cheguei ao ponto de ver que o risco toma outro rumo. Seria um risco não buscar os dons espirituais para mim mesmo e para minha igreja. Seria um risco não orar com a igreja primitiva, "Concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus." Desobediência é sempre um risco maior do que obediência.
Muito da minha experiência me indispõe a "procurar com zelo os dons espirituais", especialmente o dom da profecia. Entretanto, eu não baseio minha oração por tal fortalecimento espiritual em experiência, mas na Bíblia. As Escrituras são suficientes em todas as circunstâncias, nos ensinando os meios de graça para serem usados em todas as circunstâncias. E eu concordo com Martyn Lloyd-Jones que um dos meios de graça necessário em nossos dias é a extraordinária demonstração de poder através de sinais e maravilhas. Aqui está o que ele disse:
O que é necessário é alguma demonstração poderosa do poder de Deus, alguma realização do Todo-Poderoso, que irá forçar as pessoas a prestar atenção, e olhar, e escutar. . . . Quando Deus age, ele pode fazer mais em um minuto, do que um homem com sua organização pode fazer em cinquenta anos. (Revival, pg. 121-122 - "Avivamento" - publicado em português pela editora PES)
Lloyd-Jones chama essa poderosa demonstração de poder de "um novo batismo no Espírito Santo" e ele relaciona isso diretamente com os dons espirituais.
O propósito especial . . . do batismo com o Espírito Santos é nos capacitar para testificar, para dar testemunho, e uma das formas em que isso acontece é através da concessão de dons espirituais. (The Sovereign Spirit, pg. 120)
Através da prática desses dons, ele vê a possibilidade de "forçar as pessoas a prestar atenção" em seu rápido caminho para a destruição. Através disso, o evangelho poderia receber uma nova autenticação em nossos dias como nos dias dos apóstolos.
Está perfeitamente claro que na época do Novo Testamento, o evangelho era autenticado dessa forma por sinais, maravilhas e milagres de várias personagens e descrições. . . . Isso estava destinado a ser realidade somente para a igreja primitiva? As Escrituras nunca, em lugar algum, dizem que essas coisas eram apenas temporárias – nunca! Não há tal afirmação em nenhum lugar. (The Sovereign Spirit, pg. 31-32)
Mas agora podemos dizer ainda mais. Em 1 Coríntios 13:8-12, há um claro ensinamento que essas coisas não eram somente passageiras, mas elas foram feitas para durar até que Jesus venha.

Por John Piper. © Desiring God. Site em inglês: desiringGod.org | Português: satisfacaoemDeus.org |
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