sábado, 30 de novembro de 2013

O Pentecostalismo e seus Danos à Igreja de Deus

Os Três Perigos

Ao longo de sua história, a igreja cristã tem enfrentado três graves perigos: o paganismo, o papismo e o pentecostalismo.
paganismo ameaçou a igreja logo nos primeiros anos de sua existência, especialmente por meio de um misto de religiões, filosofias e fábulas que mais tarde ficou conhecido como gnosticismo. Esse modelo exercia forte atração sobre os cristãos menos preparados porque, além de oferecer experiências místicas, como visões e coisas do tipo (Cl 2.18), também impunha aos seus seguidores normas de conduta que pareciam piedosas — regrinhas como "não pode isso", "não pode aquilo" (Cl 2.20-23). O maior atrativo do gnosticismo, porém, estava na alegação de que seus adeptos formavam uma elite espiritual detentora de um grau de espiritualidade e conhecimento (gnosis) que outras pessoas eram incapazes de ter.
papismo, por sua vez, desenvolveu-se em decorrência de processos muito mais longos e complexos, iniciados já no século 2, e que culminaram no surgimento de uma espécie de príncipe eclesiástico com autoridade universal, supostamente dotado de infinitos poderes temporais e espirituais — uma espécie de deus, reconhecido, aliás, como infalível!
Por causa do papismo, a igreja medieval ficou muitas vezes nas mãos de homens inescrupulosos, imorais e corruptos que, em nome de Cristo e em benefício próprio, cometeram atrocidades como as guerras das Cruzadas, os crimes da Inquisição e a exploração impiedosa do povo por meio da venda de relíquias e de indulgências. O caos e a vergonha a que o papismo lançou a igreja deram ensejo à Reforma Protestante do século 16.
O terceiro perigo, o pentecostalismo, é de todos o mais recente e também o mais danoso, posto que abriga elementos dos dois primeiros e, conforme será demonstrado, trouxe prejuízos para o cristianismo que nem mesmo os piores inimigos da fé foram capazes de causar nesses 2 mil anos de história eclesiástica.
O surgimento do movimento pentecostal geralmente é datado de 1906, ano em que William Joseph Seymour, um pregador afro-americano, iniciou reuniões num barracão na Rua Azuza, número 312, em Los Angeles, EUA. Nessas reuniões, a ênfase era a busca do batismo com o Espírito Santo, o que Seymour cria ser uma experiência mística pós-conversão, acompanhada pelo falar em línguas.
Ora, a Bíblia ensina que o batismo do Espírito Santo é dado a todos os crentes, sem que eles precisem se esforçar para obtê-lo (1Co 12.13; Gl 3.2). Também ensina que isso ocorre no momento da conversão (Ef 1.13), sem nenhuma necessidade de ser evidenciado pelo dom de línguas, já que, na Igreja Primitiva, esse dom era dado somente a alguns (1Co 12.30).
Contudo, os seguidores de Seymour criam que o batismo do Espírito Santo era uma espécie de segunda bênção (a primeira bênção seria a conversão) dada por Deus somente a quem a buscasse com orações, jejuns, clamores, lágrimas e vigílias. Por isso, testemunhas oculares relataram que, na Rua Azuza, as pessoas passavam dias e noites gritando, chorando, gemendo, uivando, pulando, girando e se contorcendo, enquanto clamavam pela "bênção". Já os que eram "batizados" balbuciavam o que criam ser línguas estranhas e, em êxtase, caíam no chão onde ficavam rolando ou se sacudindo, numa manifestação frenética de loucura total. Outros, ainda, desmaiavam e ficavam deitados por horas a fio, inertes como se estivessem mortos.
Tudo isso, pensavam, era necessário e valia a pena, pois o batismo do Espírito Santo, uma vez recebido, elevaria o crente a um novo e mais rico patamar espiritual, tornando-o participante de uma elite de homens santos e fazendo-o desfrutar de uma vida repleta de experiências poderosas e arrebatadoras com Deus.
Foi dito aqui que o primeiro grande perigo que ameaçou a igreja de Cristo foi o paganismo manifesto em doutrinas gnósticas. Pois bem... O pentecostalismo demonstrou ser um dos maiores danos que já sobrevieram à igreja porque, com sua ênfase numa doutrina jamais ensinada nas Escrituras, trouxe de volta para o cristianismo precisamente aquelas velhas noções pagãs, apegando-se ao êxtase, ao frenesi espiritual e, especialmente, ao principal conceito gnóstico da existência de uma elite espiritual que se situa acima dos crentes comuns.
Então, como ocorreu com o gnosticismo nos séculos 1 e 2, a possibilidade de provar emoções novas e de fazer parte de uma elite espiritual fez com que o pentecostalismo atraísse uma imensa massa de pessoas ignorantes, ávidas por experiências místicas e sedentas por conquistar o reconhecimento e a admiração dos seus correligionários.
Conforme dito anteriormente, a segunda maior ameaça sofrida pela igreja ao longo dos séculos foi o papismo. Ora, o pentecostalismo também não deixou de fora os principais elementos desse mal. Com efeito, além de trazer novamente para a igreja de Cristo o velho paganismo combatido pelos pais apostólicos do século 2, o movimento pentecostal trouxe também para a igreja evangélica o velho papismo combatido pelos reformadores do século 16. A diferença é que o papismo pentecostal é um papismo piorado.
De fato, se no romanismo foi acolhida a figura de um papa apenas, no movimento pentecostal ocorreu a diabólica proliferação de um exército de pequenos papas locais, todos reivindicando autoridade divina e infalibilidade absoluta sob os títulos de bispo, apóstolo, profeta ou patriarca.
Com incrível ousadia, todas essas figuras alegam que Deus lhes fala diretamente e, à semelhança dos pontífices medievais, não aceitam que suas opiniões ou condutas sejam questionadas por ninguém e em nenhum grau. Também à semelhança dos papas renascentistas, esses facínoras exploram a boa-fé do povo e juntam tesouros para si, vendendo quinquilharias que dizem ser santas e dotadas de poder. Na verdade, isso acontece hoje numa escala tão grande que é fácil concluir que os papas medievais, em termos de engano e estelionato, teriam muito que aprender com os pequenos papas da atualidade que reinam soberanos nas igrejas pentecostais.

Uma fábrica de seis males
Se o pentecostalismo abriga elementos do paganismo e do papismo, há também outras razões muito mais perceptíveis que comprovam que essa vertente dita evangélica é um risco terrível para a causa cristã. Para expor essas razões, basta descrever o pentecostalismo como uma fábrica de seis males: heresia, superstição, falsos irmãos, hipocrisia, desordem e desilusão. Neste artigo serão expostos somente os dois primeiros males. Os demais serão abordados na parte 3 desta série.
Por que podemos afirmar seguros que o pentecostalismo é uma fábrica de heresias? A resposta é simples e lógica: Crendo que Deus fala diretamente aos seus apóstolos e profetas, bem como àqueles que foram agraciados com a “segunda bênção”, os pentecostais não valorizam o estudo teológico, a exegese ou mesmo as lições mais elementares da hermenêutica bíblica. Para que — dizem eles — se afadigar na análise do texto bíblico, no aprendizado das línguas originais ou na leitura de obras de profundidade doutrinária se Deus nos fala diretamente? Aliás, no afã de ressaltar essa fábula, alguns pastores mais criativos deixam uma cadeira vazia ao seu lado no púlpito, afirmando que aquele lugar é ocupado por um anjo ou pelo próprio Espírito Santo que, pondo-se ao seu lado, sussurra as coisas que ele deve dizer à multidão.
Agravando essa situação, grande parte dos líderes pentecostais se opõe ferozmente ao estudo da teologia, dizendo que “a letra mata” (2Co 3.6). Ora, o fácil contexto dessa citação é suficiente para mostrar que Paulo fala ali da Lei Mosaica (a letra) e seu impacto mortal sobre aqueles que tentam ser justificados através da sua observância. Para os pentecostais, porém, nesse texto, Paulo, justamente o apóstolo mais estudioso do Novo Testamento (At 26.24), reprovava o dedicado estudo da Palavra de Deus!
O resultado dessas proezas é que o pentecostalismo acaba sendo um prato cheio para os que se deleitam na preguiça intelectual e dá ensejo para que homens sem preparo, seguindo as imaginações de seu próprio coração e chamando tudo o que lhes vêm à mente de “revelação”, ensinem aos seus seguidores absurdos que vão desde as tolices mais chocantes até as heresias mais deploráveis e destruidoras. Na verdade, esse fato é tão notável e evidente que qualquer crente com conhecimento teológico básico sabe que é mais fácil encontrar um dente na boca de um torcedor corintiano do que uma frase de alto valor doutrinário na boca de um pastor pentecostal.
De fato, poucas vezes na história do pensamento cristão existiu uma fábrica de heresias tão produtiva como o pentecostalismo. Há algum tempo eu adquiri o grau de mestre (Th.M) em teologia histórica e posso afirmar depois de muitos anos de estudo que nem Márcion, o arqui-herege do século 2, nem os montanistas, nem os defensores da cristologia heterodoxa que ameaçou a igreja nos séculos 4 e 5, nem os cátaros, nem o catolicismo medieval, nem os radicais da época da Reforma, nem as seitas pseudocristãs da atualidade superaram o pentecostalismo na produção de doutrinas blasfemas, desvios teológicos, erros de interpretação, ensinos destruidores, lições vergonhosas e propostas antibíblicas.
Quem duvida, deve estudar esses movimentos e compará-los com as aberrações que dia após dia brotam dos púlpitos pentecostais. Sem dúvida, o crente sincero se sentiria mais à vontade numa missa dirigida pelo Papa Inocêncio III do que num “culto de libertação” realizado por pentecostais. Se bem que, na verdade, o melhor mesmo seria não comparecer em nenhuma das duas reuniões.
O segundo mal que a máquina pentecostal produz incansavelmente é a superstição. Mais uma vez, a noção de que Deus fala diretamente a seus profetas, revelando coisas novas a cada dia, fez com que o pentecostalismo abrisse as portas para o misticismo religioso, repleto de crendices toscas inventadas por pessoas que diziam ter recebido uma “revelação” qualquer.
Os reformadores do século 16 afirmavam que a superstição é filha da ignorância. Assim, sem conhecer a doutrina bíblica e fiando-se nas ilusões de inúmeros sonhadores, os pentecostais passaram a acreditar em frases mágicas (“eu determino”, “tá amarrado”; “eu tomo posse”, “eu não aceito...”), em rituais de quebra de maldição, na força maior de orações feitas de madrugada, no poder de objetos ungidos com óleo de cozinha e até em água milagrosa obtida por meio de um copo deixado sobre o aparelho de TV durante a transmissão de um programa evangélico qualquer.
Percebendo a facilidade com que as massas criam nessas fábulas, homens perversos e impostores foram atraídos para o meio pentecostal onde conquistaram facilmente postos de liderança (para se destacar no meio pentecostal basta gritar, sapatear e rodopiar bastante). Então, movidos pela ganância, esses homens inventaram ainda mais superstições, criaram um amplo comércio de relíquias muito semelhante ao que a igreja católica explorou na Idade Média e enriqueceram vendendo cacarecos ungidos para o povo iludido, prometendo saúde e prosperidade por meio dessas coisas (2Pe 2.1-3).
A massa desesperada seguiu esses golpistas, acreditando que sua vida ia melhorar e, então, os salões pentecostais ficaram lotados. Foi assim que o pentecostalismo fez com que a igreja do Senhor recebesse a fama de um covil de ladrões e a maravilhosa fé cristã, exposta e defendida por gigantes e santos do passado, ficasse com a pecha de uma religião de feiticeiros, muito semelhante à macumba, ao candomblé, ao baixo catolicismo e ao fetichismo de tribos primitivas. Com efeito, nenhuma outra estratégia do diabo foi capaz de emporcalhar tanto o santo nome da igreja de Deus.
O terceiro mal que o pentecostalismo fabrica incessantemente são os falsos irmãos. Infelizmente, ao contrário do que muitos pensam, um número enorme de pentecostais jamais conheceu a salvação anunciada no verdadeiro evangelho. Isso acontece especialmente porque quem se filia a esse movimento geralmente o faz em busca dos milagres de Cristo e não do seu perdão. Porém, outra causa para o grande número de incrédulos dentro dessa vertente evangélica está no fato de que os pentecostais acreditam piamente na heresia arminiana da perda da salvação.
Consequentemente, ainda que afirmem em teoria que a salvação é somente pela fé em Cristo, na prática, os pentecostais vivem tentando se manter salvos por meio da religiosidade aparente, das práticas rituais e da observância de regrinhas inventadas pela igreja. Por incrível que pareça, muitos deles chegam a acreditar que preservam a salvação porque não deixam a barba crescer ou porque nunca vestiram uma bermuda!
Tudo isso mostra que muitos pentecostais jamais entenderam as Boas Novas de Cristo, sendo apenas incrédulos cheios de medo tentando melhorar de vida ou buscando ser salvos pelo esforço próprio.
Obviamente, essa presença enorme de falsos crentes no meio evangélico, produzida especialmente pelo movimento pentecostal, é uma das principais causas do descrédito a que foi lançado o cristianismo nos tempos modernos.
hipocrisia é o quarto mal que a máquina pentecostal fabrica. A ênfase numa espiritualidade marcantemente exterior, com gritos, pulos e quedas no chão, deu espaço para constantes representações teatrais. Com efeito, simulando o que chamam de “transbordar do Espírito”, muitos pentecostais sapateiam, rodopiam e se contorcem como loucos, tudo para convencer os outros de que são fervorosos espiritualmente. Também a altíssima valorização do falar em línguas impeliu esse povo ao fingimento, levando-os a repetir, por conta própria, três ou quatro sílabas desconexas a fim de dar a impressão de que foram agraciados com o maravilhoso dom descrito em Atos 2 (muitos deles, depois de “falar em línguas de anjos” no domingo, falam a língua dos demônios durante a semana na forma de palavrões!). Buscando aindastatus dentro da igreja, muitos pentecostais fingem profetizar, quando, na verdade, somente dizem qualquer coisa que lhes venha à mente e que possa estar relacionada à vida alheia. Naturalmente, todo esse teatro é facilmente percebido por qualquer pessoa normal, o que transforma a fé cristã em motivo de piadas aos olhos dos incrédulos.
O quadro descrito acima desemboca facilmente no quinto mal produzido pelas igrejas pentecostais: a desordem. Nem num hospício, nem num desfile de carnaval, nem na Câmara dos Deputados em Brasília é possível ver e ouvir as loucuras e sandices que se veem e ouvem num culto pentecostal. Ali uns riem, outros uivam; uns correm de lá para cá, outros rolam no chão; uns dançam, outros oram aos gritos... No final, dizem que tudo isso é fervor ou ação do Espírito Santo. Pra piorar, os pentecostais ainda afirmam que a igreja ordeira, centrada no estudo da Palavra, marcada por decência, reverência e santo temor é, na verdade, fria e precisa aprender muito com eles se quiser amadurecer na vida cristã!
Finalmente, o sexto mal que se origina no pentecostalismo é a desilusão. Ouvindo profecias vazias e revelações inventadas, muitas pessoas criam esperanças que jamais se cumprem e que as lançam, enfim, num poço de frustração. Quando isso acontece, para agravar a situação, mestres impostores as atormentam ainda mais, dizendo que as ditas profecias não se cumpriram por causa da falta de fé. Então, além de frustradas, essas pessoas passam a se sentir também culpadas, vivendo infelizes pelo resto da vida.
Outros, seguindo orientações que lhes disseram ter sido reveladas por Deus, tomam decisões ou praticam coisas que acabam por destruir sua família, seu casamento, sua juventude, seu futuro, sua saúde, sua carreira e seu patrimônio. Quando, enfim, despertam para isso, percebem muitas vezes que é tarde demais.
Há ainda aqueles que, numa busca escravizadora pelo que acreditam ser o batismo do Espírito Santo, entregam-se a um rigorismo cruel que os priva do lazer (cinema é pecado!), do conforto (mulher de calça comprida? Nem pensar!), do alegre convívio com os filhos pequenos (ir à praia com eles seria pura carnalidade!) e até dos prazeres do leito conjugal. No fim de tudo, ao descobrirem que nada disso teve qualquer proveito, passam a se lamentar frustrados, percebendo que foram enganados, que a vida passou e que aquilo que perderam não pode mais ser recuperado.
Veem-se, assim, quão horríveis são os males causados pelo pentecostalismo. Como evitá-los? Como fugir deles? Esse será o tema do último artigo desta série.

Ressalvas e Opções
Muitas pessoas vão dizer que nesta série de artigos eu faço confusão entre pentecostalismo e neopentecostalismo. Dirão que, na verdade, é somente o neopentecostalismo que realiza os abusos que tenho enumerado, estando o pentecostalismo “clássico” livre disso tudo.
Esse parecer resulta de certas distinções que foram feitas no passado entre o chamado pentecostalismo de “primeira onda” (com ênfase no batismo do Espírito acompanhado de línguas estranhas), o pentecostalismo de “segunda onda” (com ênfase em curas e milagres) e o da “terceira onda” (que adota a teologia da prosperidade). Sem dúvida, essa distinção tem certo valor como forma de classificação que auxilia a análise histórica do movimento. Contudo, a observação do cenário atual mostra que, na prática, a referida diferenciação tornou-se obsoleta, não fazendo mais qualquer sentido.
Com efeito, como acontece em qualquer praia em que uma “onda” logo se mistura com a outra, o mesmo ocorreu com o pentecostalismo. Por isso, hoje é possível perceber que a “primeira”, a “segunda” e a “terceira onda” se mesclaram, viraram uma vaga só, espumando heresias, confusões, fraudes, escândalos e hipocrisias. Assim, a diferença entre pentecostalismo e neopentecostalismo, se houver, poderá talvez ser encontrada na eventual ênfase que cada igreja em particular dá a um erro específico. Na base, porém, todo o movimento se iguala, pois as comunidades que o compõem adotam os mesmos pressupostos, praticam e pregam basicamente as mesmas coisas, afirmando a crença na “segunda bênção”, nas revelações e nos portentos supostamente concedidos por Deus aos seus falsos apóstolos e profetas ilusórios.
Feita essa ressalva, importa agora voltar a atenção para os crentes em Cristo que se encontram nas igrejas pentecostais. Sim, há cristãos de verdade nessas comunidades. Eu conheço muitos deles. Trata-se de irmãos em Cristo que percebem que algo está errado, que sentem a falta de alimento sólido, que observam inconformados aquelas manifestações fingidas de arrebatamento espiritual, que sofrem percebendo a ação de espertalhões e a santidade hipócrita de quem louva a Deus com gritos mas tem a vida suja (Is 29.13).
São irmãos que, à vezes, se sentem culpados, pensando: “Será que o errado sou eu? Será que não tenho fervor? Será que Deus está realmente agindo aqui e só eu não estou vibrando? Por que não sinto vontade de gritar e pular? Por que não consigo falar em línguas? E quanto a essas profecias, curas e orações barulhentas? Será que só eu percebo que são forçadas?”.
Tive contato com muitos irmãos amados que enfrentaram esses dilemas no meio pentecostal e que hoje estão num aprisco bíblico. Outros, porém, geralmente por causa de vínculos sociais e afetivos, ainda vivem nesse meio, mesmo se sentindo incomodados e pouco à vontade. Para esse crentes de verdade, creio haver quatro opções:
1. Permanência com influência: Nessa primeira opção, o crente permanece na igreja em que está, tentando mudar as coisas. Trata-se de uma decisão nobre, mas a experiência mostra que tem poucos resultados. Ademais, essa opção tem se mostrado perigosa, pois, geralmente, com o passar do tempo, os crentes que a adotam ficam indiferentes diante do erro. Aos poucos, sem que percebam, tornam-se menos rígidos em seus julgamentos. A constante e tácita convivência com a mentira faz com que, para eles, o mal se torne normal (e até engraçado). O resultado final é que, sem alimento espiritual e com as faculdades amortecidas, seu testemunho entra em colapso, seu casamento começa e enfrentar crises e seus filhos, quando crescem, correm para o mundo, dizendo que tudo na igreja não passa de representação barata.
2. Ecclesiola in ecclesia: Essa expressão significa “pequena igreja dentro da igreja” e foi usada especialmente pelos puritanos da Inglaterra para se referir a pequenos grupos de crentes verdadeiros que se reuniam para cultuar a Deus de maneira correta, sem, contudo, se desligar da igreja maior, cheia de erros, à qual pertenciam. Essa opção pode ser útil, especialmente porque uma ecclesiola seria um bom lugar para levar o visitante, sem passar vergonha. Além disso, talvez seja uma forma de obter alimento verdadeiro. Porém, essa alternativa é perigosa porque pode gerar orgulho espiritual ou até mesmo uma forma de elitização. Ademais, a liderança da igreja maior se indisporá com grupos assim e os problemas serão inevitáveis.
3. Formação de uma nova igreja por um grupo: A vantagem dessa opção é o surgimento quase imediato de uma igreja séria. Porém, os perigos dessa medida a tornam desaconselhável. Isso porque a nova igreja nascerá com a fama de dissidente, enfrentando a forte oposição da igreja de origem. Esta, em regra, não poupará esforços para caluniá-la, enfraquecê-la e até destruí-la. Ainda que possa sobreviver a tudo isso, o sofrimento decorrente dessas investidas deixará marcas que poderiam ser evitadas caso fosse adotado um modo de agir diferente.
4. Saída individual pacífica: De todas as alternativas, essa é a melhor. Nessa opção, o crente simplesmente se desliga da comunidade maculada em que se encontra e se filia a uma igreja séria, onde poderá nutrir comunhão com seus irmãos e cultuar a Deus longe de escândalos, encenações e badernas. Na igreja que pastoreio tenho várias ovelhas que, pertencendo a comunidades pentecostais no passado, tomaram essa iniciativa e hoje fazem parte do nosso rol de membros. O senso de terem achado finalmente o seu lar, a alegria de aprender a Palavra de Deus a partir da hermenêutica sadia e o alívio de terem se livrado de um ambiente eclesiástico nocivo, repleto de excessos e de maluquices, fazem desses irmãos os mais gratos e vibrantes crentes que há no nosso meio.
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Por Pr. Marcos Granconato
Fonte IBR
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A plenitude do Espírito Santo

Como ficar cheio do Espírito Santo?

Apesar da importância do assunto, existem muitas dúvidas quanto ao que é ser cheio do Espírito Santo, como ficar cheio dele e quais são os efeitos resultados desta plenitude. Nesta exposição de Efésios 5:18, "enchei-vos do Espírito" procuro abordar estes pontos e outros. Bom proveito!



Por Augustus Nicodemus Lopes
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A Reforma e o Protestantismo de Hoje


Calvino escreveu: “Cristo ordenou sua Igreja de tal forma, que se [a pregação pura do evangelho] for removida, o edifício inteiro deve cair” (Institutas 4.1.2). Àqueles que imploravam por tolerância de erros doutrinários em nome da Igreja Mãe, Calvino replicou: 
Há algo ilusório em nome da moderação, e a tolerância é uma qualidade que tem uma bela aparência, e parece digna de louvor; mas a regra que devemos observar a todo preço é, nunca suportar pacientemente que o nome santo de Deus seja assaltado com blasfema ímpia – que sua verdade eterna seja suprimida pelas mentiras do diabo – que Cristo seja insultado, seus santos mistérios poluídos, almas infelizes cruelmente assassinadas, nem deixar a Igreja padecer em extremo sob o efeito de uma ferida mortal. Isso não seria mansidão, mas indiferença sobre coisas que deveriam vir em primeiro lugar (A Necessidade de Reformar a Igreja).
O povo protestante, tolerando a falsa doutrina e aderindo a instituições apóstatas, não entende que seus ancestrais abriram mão de tudo – por doutrina. Não entendem que homens de carne e sangue como eles uma vez desafiaram tudo e arriscaram transformar o mundo num tumulto – por doutrina. Eles não entendem mais as palavras do poderoso hino de Lutero: “Se temos de perder, famílias, bens, poder. Embora a vida vá” – por doutrina. 

A gravidade dessa indiferença para com a verdade está no fato de ser uma indiferença para com a glória de Deus. Deus é glorificado na verdade do evangelho; e é desonrado quando homens transformam sua verdade em mentira. A Igreja da Reforma incendiou-se com desejo pela glória de Deus. Onde isso será achado no Protestantismo de hoje? Deus julga esse desprezo pela sua glória no evangelho, punindo até aqueles que não o glorificam como Deus quando ele é revelado na criação (Rm. 1:18ss.). Por falta de amor à verdade, homens e mulheres são punidos nesses últimos dias com um forte delírio, da parte de Deus mesmo, para que creiam na mentira, “para que sejam julgados todos os que não creram a verdade…” (2Ts. 2:10-12). 

Tudo isso – abandono do evangelho da graça, adoção do outro evangelho (das obras e do livre-arbítrio) e indiferença à verdade – pode ser resumido como uma rejeição da Palavra de Deus. Esse era o pecado da Igreja pré-Reforma: ela rejeitou a Palavra negando a autoridade única da Escritura, e rejeitou a Palavra repudiando a mensagem da Escritura – salvação pela graça somente. Todas as coisas erradas naquela Igreja poderiam ser traçadas até esse mal. E esse é o mal do Protestantismo de hoje. 

Fonte: Excerto do panfleto The Church Today and the 
Reformation Church: A Comparison. 
Por David J. Engelsma
Fonte Monergismo
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Os ofícios de Cristo na pregação da cruz

1 Coríntios 2.1 e 2 

É preciso lembrar que temos de pregar a cruz a partir de um coração que está repleto desta mensagem – a cruz de Cristo. Não há dúvida de que uma das razões pelas quais muitos abandonaram a pregação da cruz é que as pessoas pensam que já estão “formadas” neste assunto. E mais, acham que já passaram para algo melhor, algo mais glorioso, mais satisfatório. Mas, na verdade, estas pessoas se tornaram pobres espiritualmente, porque não há como ir para algo maior do que a cruz de Cristo. Paulo devia saber disso muito bem e por isso diz no v.2 que ele “decidiu nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”. É assim que deveria acontecer com cada um que for chamado a pregar. Isto não é algo de que alguém possa lhe convencer, mas é algo que o próprio Deus terá que revelar-lhe.

À medida que você estuda e pesquisa a velha rude cruz, precisa chegar àquele ponto em sua vida em que agora tem a convicção (e não interessa o que está à sua volta, mesmo que todos os seus amigos tenham abandonado esta mensagem da cruz), que o leva a sentir um senso de contentamento de permanecer na pregação da cruz de Cristo. E a razão para isso é que você vê tanto na cruz, que uma vida inteira não é tempo suficiente para esgotar a riqueza que nela há. 

Precisamos sentir que ao lidar com pecadores as cruz é suficiente. Enquanto lidamos com os santos, a cruz também é suficiente. Precisamos estar contentes ao lidar com a mensagem da cruz até a nossa morte. Com certeza é isto que Paulo está dizendo neste texto. Ele está refletindo a respeito do seu próprio ministério quando ele está em Corinto. A igreja estava sofrendo com divisões, pois as pessoas estavam seguindo uma personalidade ou outra. E Paulo diz que não lançou aquele tipo de semente (divisão) na igreja de Corinto. Ele está dizendo que desde que chegou ali não pregou a si mesmo, mas estava tratando apenas de um assunto em toda sua largura e espessura, sua altura e profundidade: a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo diz estar completamente surpreso do que vê e ouve naquele lugar. 

Por que Paulo teria visto tanto valor na cruz? É que ele conseguiu enxergar que tudo o que Cristo veio fazer neste mundo tinha ligação com Sua morte. Aliás, o ministério que Jesus continua efetuando no céu nasce na cruz. Quando se lê o Antigo Testamento parece que tudo aponta para a cruz. Nós, portanto, deveríamos aprender a Bíblia de tal forma que estivéssemos sempre contemplando a cruz. Por exemplo, nós já ouvimos falar e aprendemos dos vários ofícios de Jesus. Que Jesus, no seu ofício de Salvador, opera como Profeta, Sacerdote e Rei. Mas pergunto: em quantas mentes estes três ofícios aparecem cristalinos na cruz? Para muitas pessoas, Jesus só é visto como Profeta durante o período em que passou aqui na Terra quando ensinava e pregava. E que Ele é Sacerdote quando se oferece a Si mesmo na cruz do Calvário. Quando chegamos aos Seu ofício de Rei nós o enxergamos quando agora está assentado à direita de Deus Pai.

Precisamos dizer algo a este respeito. Se nos limitarmos a esta visão estaremos roubando a nós mesmos do contentamento que podemos Ter em Cristo e este crucificado. Estamos ficando mais pobres porque não conseguimos enxergar Jesus em Seus três ofícios enquanto pendurado naquela rude cruz. Tenho a certeza de que não poderemos fazer a colocação apostólica a menos que possamos ver Cristo em Seus três ofícios quando pendurado no madeiro.

O Profeta na Cruz 

Enquanto Jesus esteve na cruz, estava nos ensinando. Estava operando como Aquele que é a própria verdade. Não há dúvida de que aprendemos que Jesus veio ao mundo como Profeta nos ensinando acerca de Deus, mas pergunto: onde aprendemos acerca das maiores alturas da justiça de Deus? Sim, podemos ir ao jardim do Éden e ouvirmos Deus dizendo a Adão e Eva para que eles que sairiam daquele lugar porque pecaram. Podemos ir aos dias de Noé onde Deus reduz toda a humanidade numa enorme sepultura por causa do pecado. Isso pode nos fazer tremer. Nós vemos que este Deus que pode destruir a humanidade toda tem de ser um Deus que odeia o pecado. Podemos olhar para Sodoma e Gomorra quando Deus faz chover fogo dos céus e consumir duas cidades até as cinzas. Mas quero dizer que tudo isso que vimos até aqui não é nada quando compararmos ao Filho de Deus pendurado naquela cruz. 

Quero ir mais longe dizendo que nem mesmo a visão do próprio inferno pode comparar-se à cruz, porque o que se tem no inferno são apenas criaturas, mas aquele que está pendurado no madeiro é o próprio Criador, e o próprio fato de que o Filho de Deus é identificado com nosso pecado faz com que Deus derrame a Sua ira sobre Ele. Isso seria suficiente para convencer qualquer pessoa a mudar de pensamento ao pensar que Deus pode fazer “vista grossa” ao pecado. Deus nunca fará isso! Deus odeia o pecado; Ele tem que punir o pecado, pois nós vemos isso acontecendo no próprio Filho de Deus ao pagar o preço pelo pecado.

Onde nós aprendemos a respeito das grandes alturas da sabedoria de Deus? Nós aprendemos muito dessa sabedoria no mundo criado. Sem sombra de dúvida o Universo é uma demonstração viva da sabedoria de Deus. Mas Cristo é a sabedoria de Deus. Pense por um momento no tipo de problema que foi resolvido na cruz. De um lado temos o Deus santo e justo, aquele que se opõe ao pecado e quem o pratica (Deus tem demonstrado isso vez após vez), inclusive as muitas almas que já se encontram no inferno e a humanidade que é escrava do pecado, que odeia a Deus, que está morta nos seus pecados. Será que existe esperança? Que solução poderíamos encontrar? É somente quando a cruz é compreendida à luz das Escrituras que podemos ficar perplexos com tudo aquilo que Deus fez. As maiores mentes continuam achando um preenchimento pessoal nesta verdade. Até os anjos do céu ficam admirados com esta verdade. O Senhor Jesus Cristo sobre a cruz nos diz que existe sabedoria na mente do nosso Criador. Ele é um Deus sábio. Poderíamos falar sobre os vários aspectos da divindade. Mas temos que falar sobre o amor de Deus.

Quando tudo parece só trevas, quando o chão parece sair debaixo de seus pés, quando as circunstâncias à sua volta parecem estar falando contra Deus, para onde você olha? Para onde você volta seus olhos? Tem de ser para a cruz! Porque ali vemos aquelas palavras preciosas, palavras duradouras: “porque Deus amou o mundo”; a um mundo cheio de pecado Ele deu Seu Filho unigênito. Quem pode pensar em uma demonstração maior de Deus quanto ao seu amor em todo o Universo? Então, deve ser óbvio que a cruz é aquele lugar, entre muitos, onde continuamos a aprender a respeito de Deus. Jesus dependurado naquela cruz cruel está nos ensinando isso de tal forma que nenhuma outra coisa poderá nos fazer duvidar. Paulo deve Ter sabido disso e pôde dizer os coríntios: quando cheguei entre vós, decidi centralizar o meu ensinamento ao redor da cruz porque a cruz é a revelação poderosa da natureza de Deus.

O Sacerdote na Cruz

Mas não é apenas isso. Sabemos de Jesus como sacerdote sobre a cruz, à medida que Ele se oferece a Si mesmo por nós. Temo que em muitas mentes haja uma vaga noção a respeito de Cristo como sacerdote naquela cruz. Na nossa mente é como se estivéssemos falando sobre um tal Jesus que de alguma forma veio ao mundo, morreu numa cruz e através de tal morte nós acabamos sendo perdoados. Por uma razão ou outra nós nos satisfazemos com esta compreensão da cruz. Não é à toa que nós, depois de “batermos de frente” com este tipo de concepção da cruz, acabamos mergulhando nos nossos próprios debates e em nossa própria mente. O que nós precisamos aprender? Assim como o Antigo Testamento nos ensina a respeito do sacerdote e como ele era central para a vida do povo de Deus, assim tudo isso repousa sobre aquele momento da história quando o Filho de Deus morreu.

Aquele que abandona o Antigo Testamento se priva de uma verdadeira apreciação da cruz. Temos de enxergar a cruz quando os filhos de Israel, tremendo do lado de fora do tabernáculo, à medida que no altar onde milhares daqueles animais eram sacrificados, esperavam ouvir a palavra do Sumo Sacerdote dizer para eles: “Filhos de Israel, agora vocês podem voltar para casa na paz de Deus.” Podemos dizer que, se não conhecermos o Velho Testamento ainda não conhecemos a cruz. Ainda não estaremos sentindo a solidez debaixo dos nossos pés. Poderemos até cantar as belas palavras dos cânticos a esse respeito, mas não sentiremos o calor da cruz no nosso coração. 

Os judeus do Antigo Testamento criam que o Deus eterno é um Deus santo. É um Deus justo. Você jamais poderia Ter a mais vaga esperança de ser aceito por esse Deus enquanto permanecesse no seu pecado. A culpa significava morte. A pergunta sempre será: Como um homem pode ser justificado aos olhos de Deus? A cruz responde a esta pergunta. Aqueles animais não passavam de figuras, mas agora o Filho de Deus morreu, Ele pagou o preço, derramou Seu sangue. A ira de Deus que pairava sobre nossas cabeças agora foi apaziguada na morte de outro, de uma vítima; nossos pecados foram postos sobre Ele, carregando sobre Si a conseqüência completa desses pecados. 

Nós olhamos para a cruz e podemos dizer: ali estaria eu, não fosse a graça de Deus. A cruz foi Deus agindo em nosso lugar. Nela devemos encontrar nosso descanso. Eu tinha uma dívida que não podia pagar, mas Cristo pagou completamente por mim. Da forma como o judeu voltava para casa depois do sacrifício, cantando louvores a Deus, nós podemos fazer isso mil vezes mais, porque ali na cruz vemos aquele que morreu por nós. 

Novamente eu questiono: Será que alguém pode ficar cansado deste tema? Se alguém não tem alma para ser salva vai ficar logo cansado deste assunto; o mesmo acontece se você tem um Deus que você mesmo formulou com sua própria mente. Mas aquele que foi ensinado pelo Espírito de Deus a respeito do Deus verdadeiro que está ali e percebe como está cheia de trevas a sua ficha diante de Deus, como seu coração está sujo diante do Senhor, esta pessoa nunca ficará cansada de falar dessa cruz. Quanto mais viver, mais gloriosa a cruz será para ela. Ela pode dizer que não precisa de outro argumento, que não precisa de nenhum outro pleito, mas é suficiente a morte de Cristo e o fato de Ter morrido por mim. 

Você é alguém que fica maravilhado de pensar que a ira de Deus o pressionaria para além da sepultura foi totalmente depositada no Filho de Deus?

O Rei na Cruz 

Enquanto Jesus permaneceu dependurado naquela cruz Ele estava nos ensinando a respeito de Deus, Ele estava nos redimindo do pecado, mas também estava, como Rei, nos libertando. É importante vermos a cruz sobe este prisma. Muitas vezes somos levados tanto pela emoção, que nos esquecemos que Jesus na cruz também era Rei. Em Hebreus 2.14-15, lemos: “...para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse a todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida”. Na cruz, o Senhor Jesus estava confrontando aquele que mantinha as pessoas nas suas algemas e Ele o destruiu. Jesus destruiu o poder de Satanás; abriu os portais e livrou Seu povo do domínio do maligno. Isso não era apenas uma possibilidade, mas Ele de fato o fez. Ou, como é colocado em Colossenses 2.15: “despojando os principados e as potestades publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Jesus triunfou deles através da cruz. 

Há pessoas que imaginam que, de alguma forma quando Jesus morreu, no reino das trevas houve grande regozijo, que houve uma espécie de festa promovida entre o diabo e seus demônios. As pessoas dizem que essa festa durou uns três dias, até que Jesus começou a ressuscitar da morte para a vida. Isto não é ensinamento bíblico; o diabo foi derrotado na cruz. Jesus por sua morte destruiu o poder daquele que tinha o poder da morte; Jesus na cruz triunfou sobre os inimigos do povo de Deus. Conseqüentemente a nossa conversão, a nossa santificação, a nossa glorificação é certa, é uma questão de tempo, vai acontecer. Porque a batalha já foi ganha no Calvário. Jesus, o Filho de Deus, já atou o valente, entrou no seu domínio e começou sua vitória. 

Novamente eu pergunto: esta é a sua visão do Calvário? Você enxerga nessa cruz todos esses vários aspectos da obra do Filho de Deus? Se você não enxerga, então eu entendo porque é tão fácil abandonar a pregação da cruz no seu ministério. É porque, na sua visão, Cristo de alguma forma morreu e as pessoas serão de alguma maneira salvas. Mas Paulo disse: Eu decidi, eu assumi um compromisso no início do meu ministério em Corinto, que eu nada faria saber a não ser a Cristo e este crucificado. Não foi porque Paulo tivesse muito pouco a dizer com relação a essa cruz que tão freqüentemente ele ficava tomado de perplexidade pela cruz. Mas porque havia muito nela. Será que as pessoas podem dizer isso com relação ao nosso ministério? Que a cruz não pode ser exaurida quando tocamos nesse assunto? Que o nosso próprio ministério é na verdade a cruz de Cristo Jesus? 

Eu temo, como já foi dito anteriormente, que embora muitas pessoas reivindiquem ser pregadoras do evangelho, a cruz é freqüentemente ou dificilmente explicada às pessoas hoje em dia. Ela é apenas como uma espécie de pedra no caminho sobre a qual nós passamos rapidamente para ir a alguma coisa que parece mais importante. Mas será que não dá para concluir dessa pequena explanação, por que na mente de Paulo este é o tesouro que não poderia ser exaurido, que ele não poderia chegar ao fim? Não há como terminá-lo, não há como esgotá-lo no período de uma vida, é impossível. Nós estamos lidando com o Deus eterno Todo-Poderoso, nós estamos lidando com verdades eternas imensas. Todas elas estão brilhando em nosso rumo a partir daquele ponto da história. É mais fácil esvaziar o oceano Atlântico com um balde do que tirarmos da cruz de Cristo o seu valor. É mais fácil extinguirmos o sol, do que pararmos de falar na cruz. Então, quando alguém chega para mim e diz que foi além do “ABC” da cruz, ele não está me dizendo nada a respeito da cruz. Ele está me falando, sim, a respeito de sua própria ignorância, da sua falta de espiritualidade. E eu choro por essa pessoa. Eu choro por aqueles que anelam ouvir essa pessoa falar semana após semana da cruz, mas não falam; é homem cego levando outros tantos cegos para um buraco. E se nós nos encontramos nessa situação, estamos abandonando a cruz. Nós a mencionamos aqui e ali, mas na verdade queremos ir em frente para falarmos daquilo que consideramos mais importante. 

Que Deus fale aos nossos corações por amor daqueles que nos ouvem. Que faça com que o nosso coração se derreta diante daquele maior e mais importante evento da história. Que nós possamos voltar e estudar a cruz. Que nós possamos mergulhar no significado da cruz, para que possamos nos fechar no ambiente daquela rude cruz. Até podermos dizer como o escritor do hino: Quando eu olho para aquela rude cruz, sobre a qual o Príncipe da glória morreu, o meu maior ganho eu conto como perda, e coloco o meu orgulho de lado porque ele não vale nada; onde todo o ambiente da natureza existe, toda essa natureza seria uma oferenda pequena demais; o tão maravilhoso e tão divino exige a minha alma, todo o meu amor, todo o meu ser”. 

Meus irmãos o nosso mundo seria um lugar melhor se nós pudéssemos viver e pregar aquilo que reivindicamos. Nós nos chamamos de soldados da cruz, mas será que estamos pregando esta cruz, será que eles podem nos ouvir e podem entender a cruz a partir da nossa mensagem? As trevas que rondam o nosso país, elas na verdade rondam o nosso país porque a verdade da cruz não está sendo ouvida. Nós estamos nos tornando mais “sábios” do que Deus e quando chegarmos ao final dos tempos será para nossa própria vergonha. Nós estamos semeando pedras preciosas no chão e nada cresce disso. Nós temos de pregar a cruz e a Cristo crucificado; temos que semear esta semente no coração daqueles que nos ouvem. E novamente eu digo, por amor daqueles que nos ouvem, voltemos à pregação da cruz. Vamos resolver como fez o apóstolo Paulo, que enquanto Deus nos permitir respirar, será a cruz, a cruz, a cruz, a cruz que será pregada até Ele nos chamar para estarmos com Ele. E quando lá chegarmos nós perceberemos que esta foi a decisão sábia na medida que contemplarmos Aquele que morreu por nós com aparência de um cordeiro que foi morto. Amém!
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Por Conrad Mbewe 
Fonte Monergismo
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História do Movimento Reformado [08/25]

TEMPLE DU SAINT ESPRIT

A IGREJA REFORMADA DA FRANÇA (2ª PARTE)

A partir de 1562, a França foi abalada por uma série de guerras entre católicos e protestantes. A primeira delas teve início com o “massacre de Vassy”, em 1º de março, quando soldados do duque Francisco de Guise atacaram um grupo de huguenotes que realizavam um culto em um celeiro, matando cerca de 60 pessoas. Seguiram-se outras duas guerras entre 1567 e 1570.

No meio desse sofrimento, as igrejas reformadas continuavam crescendo em muitas regiões do país, mas esse crescimento gerava intensa preocupação em alguns círculos políticos e religiosos, produzindo novos confrontos. Nos conflitos, geralmente, ocorria o seguinte padrão: os huguenotes costumavam atacar edifícios católicos e destruir objetos sagrados; os católicos reagiam atacando e matando pessoas.

O episódio mais brutal dessas hostilidades foi o massacre do dia de São Bartolomeu. Em 18 de agosto de 1572, realizou-se em Paris o casamento do príncipe protestante Henrique de Navarra com a princesa Margarete de Valois, filha de Catarina de Médicis e irmã do rei Carlos IX. Toda a elite dos huguenotes foi à capital a fim de participar das festividades. No dia 22, o almirante Gaspard de Coligny sofreu um atentado, mas sobreviveu. Os huguenotes ficaram indignados e exigiram providências por parte do governo. Esse evento foi o estopim do massacre. No dia seguinte, o rei, seu irmão Henrique (duque de Anjou), Catarina e seus conselheiros concluíram que os líderes huguenotes deviam ser eliminados.

Na madrugada do domingo 24 de agosto de 1572, sob o comando de Henrique, duque de Guise, as tropas reais assassinaram o almirante Coligny e outros líderes. Estimulados por isso, milicianos e extremistas começaram uma prolongada orgia de saques e matanças, trucidando indiscriminadamente homens, mulheres e crianças. Logo os massacres se estenderam a outras cidades. Uma estimativa conservadora calcula que houve 3000 vítimas em Paris e outras 8000 no interior do França. O papa Gregório XIII exultou, lançando uma medalha especial e contratando a produção de vários afrescos para comemorar o evento.

Muitos protestantes conseguiram escapar. Alguns se refugiaram nas fortalezas de Sancerre e La Rochelle e milhares fugiram para Genebra, Basiléia, Estrasburgo ou Londres. Infelizmente, muitos outros abjuraram a sua fé. Teodoro Beza observou: “O número de apóstatas é quase impossível de contar”. O massacre do dia de São Bartolomeu deu início a mais uma guerra, a quarta, que só terminou com uma trégua em 1574. Nesse ano, subiu ao trono Henrique III (1574-1589), em cujo reinado houve outras três guerras.

Em 1589, tornou-se rei da França o príncipe protestante Henrique de Navarra, com o título de Henrique IV (1589-1610). Era filho da piedosa calvinista Jeanne D’Albret. Quatro anos depois, Henrique, que era famoso pelas suas vacilações religiosas, converteu-se ao catolicismo para assegurar a posse do trono. Segundo consta, ele teria dito: “Paris vale uma missa”.

Finalmente, em 1598, Henrique resolveu por um fim às guerras de religião e beneficiou os seus antigos correligionários com o Tratado de Nantes, que concedeu liberdade civil e religiosa aos huguenotes, exceto em algumas cidades. Os huguenotes voltaram a prosperar e a crescer até que o Edito de Nantes foi revogado pelo rei Luís XIV, em 1685. Iniciou-se novo período de intensas provações para os reformados franceses – a “igreja no deserto”. Milhares deixaram o seu país e emigraram para a Holanda, Prússia, Inglaterra e Estados Unidos, beneficiando grandemente essas nações.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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Teólogos&Teologias do Séc.XX- 1/8

Conferência Teológica "Batalhando Pela Fé" VII
24 a 27 de Outubro 2013.
Local: Igreja Batista de Parquelândia


Por Marcos Granconato
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

As Confissões Reformadas [08/18]

A CONFISSÃO DE GENEBRA (1536)

Poucos meses após a redação da Primeira Confissão Helvética, em Basiléia, aconteceu um fato marcante em Genebra, no extremo oeste da Suíça – a aceitação da Reforma Protestante por influência da cidade de Berna e sob a liderança do reformador Guilherme Farel (1489-1565). Pouco depois, em notável manifestação da providência divina, passou por Genebra um jovem francês, João Calvino, que havia despontado recentemente no cenário religioso europeu através da publicação da sua obra Instituição da Religião Cristã. Farel convenceu Calvino a permanecer em Genebra e auxiliá-lo na consolidação da fé reformada naquela cidade.

O surgimento de Calvino marcou um novo estágio no desenvolvimento da Reforma e na produção confessional reformada. No mesmo ano de 1536, Calvino participou ao lado de Farel do Debate de Lausanne, cidade próxima de Genebra na Suíça francesa. A base desse debate foram os Artigos de Lausanne, escritos por Farel. Em Genebra, Calvino compôs um pequeno catecismo para instruir os moradores, principalmente crianças e jovens, e criar maior unidade na fé reformada. Cinco anos mais tarde, após retornar da sua estada em Estrasburgo, o reformador iria reescrever e ampliar esse documento. O catecismo dividia-se em cinco partes: a primeira, referente à fé, explicava o Credo dos Apóstolos; a segunda, sobre a lei, abordava os Dez Mandamentos; a terceira, a respeito da oração, expunha a Oração do Senhor; as duas últimas tratavam da Palavra de Deus e dos sacramentos. A partir desse texto, foi elaborada a primeira Confissão de Genebra, que todos os cidadãos deviam subscrever mediante juramento.

Essa breve confissão, com 21 parágrafos, foi apresentada às autoridades civis no dia 10 de novembro de 1536. Não se sabe se foi escrita por Calvino, Farel ou ambos. De qualquer modo, o documento reflete os temas centrais do pensamento do reformador francês: dependência das Escrituras, ênfase na pecaminosidade humana e na necessidade da graça, e destaque à obra de Cristo. Os temas tratados são os seguintes: as Escrituras (seção 1); o único Deus e a sua lei (2-3); o homem natural (4-5); salvação, justificação e regeneração em Cristo (6-8); dependência contínua da graça de Deus, por meio da fé (9-11); a oração (12-13); os sacramentos (14-16); as tradições humanas (17); a Igreja, a disciplina e os ministros da Palavra (18-20); os magistrados civis (21).

Em sua estrutura, esse documento segue a Confissão de Augsburgo (luterana), pois inicialmente apresenta as convicções mais estritamente teológicas e a seguir dá ênfase a temas em disputa com os católicos. Distingue-se de documentos suíços anteriores por sua argumentação mais precisa e perspectiva teológica mais consistente. Difere da confissão luterana especialmente por sua seção sobre os sacramentos, na qual se diz que o batismo e a Santa Ceia “representam” realidade espirituais ao invés de comunicá-las diretamente. A concisão e senso de autoridade da confissão a assinalam como uma declaração de fé característica da segunda geração de protestantes.

Confissão de Genebra não teve o impacto do catecismo bem mais extenso de Calvino, publicado em muitas edições a partir de 1541. Todavia, forneceu aos primeiros tempos da Reforma em Genebra uma declaração sucinta e vigorosa das convicções cristãs às quais o grande reformador dedicou a sua vida.

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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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Teologia do Pacto


Este artigo se propõe a estudar os elementos básicos da doutrina do pacto.

Autor(a): Mauro Fernando Meister

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O Batismo com o Espírito Santo (Parte 1)


Curso de Teologia - Espírito Santo (Pneumatologia)
Fonte: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro

Por: Rev. Augustus Nicodemus
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Nascido de novo mediante a viva e permanente Palavra de Deus


1 Pedro 1:13–25
Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; 15 pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, 16 porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. 17 Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, 18 sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, 19 mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, 20 conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós 21 que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus. 22 Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, 23 pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. 24 Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; 25 a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada.

Morto, Culpado e Incapaz de Controlar o Novo Nascimento

Uma das coisas que nos deixa nervosos a respeito do novo nascimento, o qual Jesus disse que todos devemos experimentar a fim de ver o reino de Deus (João 3:3), é que nós não o controlamos. Não decidimos fazer o nascimento acontecer mais do que um bebê decide fazer o seu nascimento acontecer. Ou mais precisamente: não decidimos fazer o nascimento acontecer mais do que um homem morto decide dar vida a si mesmo. A razão pela qual precisamos nascer de novo é que estamos mortos em nossos delitos e pecados. É por isso que precisamos do novo nascimento, e esse é o motivo pelo qual não conseguimos fazer isto acontecer.
Nossa condição perante o novo nascimento é que nós amamos o pecado e a auto exaltação tão intensamente que não entesouramos Cristo supremamente. Em outras palavras, somos tão rebeldes na raiz da nossa natureza humana decaída que não conseguimos achar a humildade para ver e saborear Jesus Cristo acima de tudo. E somos culpados por isso. Esse é um mal real em nós. Somos dignos de culpa por essa dureza espiritual e esse estado de morte. Nossas consciências não nos escusam de que somos tão resistentes a Cristo que não podemos vê-lo como atraente acima de tudo.

Quando Há Fogo, Há Calor

Algo tem que acontecer conosco. Jesus disse que temos de nascer de novo (João 3:3). O Espírito Santo tem que fazer um milagre em nossos corações e nos dar nova vida espiritual. Estamos mortos e precisamos ser feitos vivos. Precisamos de ouvidos que podem ouvir a verdade como supremamente desejável, e precisamos de olhos que vejam Cristo e seu caminho de salvação como supremamente belos. Precisamos de corações que sejam tenros e receptivos a Palavra de Deus. Em resumo, precisamos de nova vida. Precisamos nascer de novo.
O modo como isso acontece (como nós temos visto nas primeiras seis mensagens nesta série) é que o Espírito de Deus sobrenaturalmente nos dá vida espiritual por meio da conexão com Jesus Cristo mediante a fé. A nova vida espiritual que recebemos no novo nascimento não é separada da união com Jesus, e não é separada da fé. Quando Deus, nas riquezas da sua misericórdia, na grandeza do seu amor e na soberania da sua graça, escolhe nos regenerar, ele nos dá nova vida por meio da nossa união com Cristo. "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho." (1 João 5:11). Nossa primeira experiência disso é a fé em Jesus que essa vida traz. Não há separação de tempo aqui. Nós nascemos de novo, nós acreditamos. E quando acreditamos, nós nascemos de novo. Quando há fogo, há calor. Quando há novo nascimento, existe fé.

Como Nós Nascemos De Novo?

Então nós investimos seis mensagens nessas duas questões: o que é o novo nascimento? e Por que precisamos nascer de novo? Agora estamos caminhando para a terceira questão: Como nós nascemos de novo? Ou qual é o modo pelo qual nascemos de novo? Aqui eu estou perguntando da parte de Deus e da parte do homem. De que modo Deus o faz? De que modo nós fazemos isso? Como Deus nos regenera? Como tomamos parte nisso?

A Parte De Deus no Novo Nascimento - E a Nossa

Talvez você pensou que eu iria dizer que não tomamos parte nisto, porque estamos espiritualmente mortos. Mas o morto tem parte na sua ressurreição. Aqui está um exemplo do que eu quero dizer. Quando Jesus esteve perante o túmulo de Lázaro, que estava morto a quatro dias, Lázaro não teve parte em receber a nova vida. Ele estava morto. Jesus, não Lázaro, criou a nova vida. Em João 11:43, Jesus diz ao morto Lázaro: "E, tendo dito isto, clamou em alta voz: "Lázaro, vem para fora!". Então, Lázaro toma parte nessa ressurreição. Ele apareceu. Cristo causou isso. Lázaro fez isso. Cristo fez a ressurreição acontecer. No instante em que Cristo manda Lázaro se levantar, Lázaro faz o movimento. No instante que Deus dá nova vida. nós fazemos o movimento.
Logo, é por isso que estou fazendo duas perguntas e não apenas uma quando pergunto: Como nós nascemos de novo? Ou, de que modo nascemos de novo? Eu quero dizer: o que Deus faz no nosso novo nascimento? Qual a parte de Deus em nos fazer nascer de novo? E eu quero dizer: o que nós fazemos no nosso novo nascimento? Qual a nossa parte em nascermos de novo? E essa é a primeira questão que estou perguntando hoje: De que forma nascemos de novo da parte de Deus? Qual é o modo com que Deus nos regenera?

Como Deus Nos Regenera?

A resposta é dada em pelo menos três modos em 1 Pedro 1:3-25:
  • Primeiro, verso 3 diz que Deus causou nosso novo nascimento "mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos".
  • Segundo, verso 23 diz que Deus causou nosso novo nascimento "mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente". Ou, como o verso 15 coloca isto, Deus nos chamou.
  • E terceiro, verso 18 diz que Deus nos resgatou do fútil procedimento que nossos pais nos legaram.

Herança Imperecível

Antes de olharmos para isto com mais detalhes, note primeiro o que faz esses três eventos se encaixarem como o modo de Deus causar o novo nascimento. Em todas essas três obras de Deus, existe uma referência a imperecibilidade. Versos 3-4: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros". Então, o ponto é que pelo novo nascimento, Deus projeta para nós não apenas vida nova, mas vida eterna. Verso 3: "nos regenerou para uma viva esperança". Assim, a ênfase cai na esperança da nossa nova vida. Ela vive — e não vai morrer. É uma herança imperecível. Essa é a ênfase. Nossa nova vida no novo nascimento é para sempre. Nós nunca morreremos.

Valor Imperecível

Então, note a mesma ênfase nos versos 18-19: "sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,". O sangue de Cristo (verso 19) é o preço de resgate pago por nossas vidas, e este sangue é contrastado com prata e ouro, menos valiosos, que poderiam ter sido pagos. E a razão pela qual prata e ouro são menos valiosos é que eles são "perecíveis". Verso 18: "não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro,".
Então, de novo, o ponto é que a nova vida que Jesus resgata com o seu sangue não está em perigo de voltar ao cativeiro porque o preço que ele pagou pela nossa vida (nosso novo nascimento) não é perecível. O sangue de Cristo é de valor infinito, e portanto seu valor nunca acaba. É um valor incorruptível. É desse modo que somos resgatados. Esse é o preço da nova vida que recebemos no novo nascimento. E Jesus o pagou por nós.

Semente Imperecível

Então, em terceiro lugar, note a mesma ênfase na corruptibilidade no verso 23: "pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente." Então ele cita Isaías 40:6-8 nos versos 24-25: " Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada." Dessa maneira, o ponto é o mesmo que a ressurreição no verso 3 e o resgate no verso 18: a semente que vem por meio do ouvir da Palavra é imperecível, e portanto a vida que isto gera e sustenta é imperecível.

A Vida Imperecível do Novo Nascimento

Então, agora temos um resumo da visão da ênfase de Pedro no novo nascimento. A ênfase é que nós nascemos de novo para uma viva esperança. Em outras palavras, a vida que Deus cria no novo nascimento é vida eterna, imperecível. A nova natureza que vem no ser do novo nascimento não pode morrer. Dura para sempre. Isto é o que Pedro está enfatizando sobre novo nascimento. O que vem a existir no novo nascimento não vai morrer. Eu penso que Pedro está enfatizando isto porque o contexto geral de sua carta é o sofrimento. Não seja intimidado pelo seu sofrimento. Mesmo se eles tirarem a sua vida física, eles não podem tirar a vida que você tem pelo novo nascimento. Ela é imperecível.
Agora vamos olhar para essas três obras de Deus uma vez mais para ver como cada uma delas é um modo de trazer o novo nascimento. Vamos pegar uma de cada vez e colocá-las na ordem em que aconteceram: 1) Deus nos resgatou pelo sangue de Jesus; 2) Deus levantou Jesus dentre os mortos; 3) Deus nos chamou.
1) Deus nos resgatou pelo sangue de Cristo.
Verso 18-19: "sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo." O ponto aqui, em relação ao novo nascimento, é que a nova vida eterna não é possível para pecadores escravizados sem o pagamento de um resgate. Esse texto implica que nós estamos todos em prisão ou cativeiro a modos de pensar, sentir e agir que teriam nos destruído. Estávamos sob a ira de Deus que nos tirou desses procedimentos fúteis (Romanos 1:21, 24. 26. 28). A escravidão a esses modos pecaminosos teria nos destruído se nós não pudéssemos ser resgatados da escravidão. Deus pagou esse resgate por meio do envio de Jesus para receber sua própria ira. (Romanos 8:3, Gálatas 3:13).
Essa é a fundação sólida como rocha do nosso novo nascimento. Como uma base sólida para Deus nos unir a Cristo, criar fé e nos dar nova vida, tiveram que existir alguns eventos históricos objetivos na vida de Jesus Cristo, filho de Deus. Jesus disse em Marcos 10:45: "Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos." É por isso que o evento histórico da incarnação aconteceu. O Filho do Homem veio "dar a sua vida em resgate por muitos". Isto teve de acontecer como a base de qualquer novo nascimento. E uma vez que o novo nascimento é o dom da vida eterna, não apenas vida nova, o preço de resgate teve de ser imperecível — não como prata ou ouro. O sangue de Jesus é infinitamente valioso e, portanto, nunca pode perder seu poder de resgate. A vida que ele obtêm é eterna. Então, o modo pelo qual Deus realiza o novo nascimento é por meio do pagamento de um resgate para a vida eterna que é possibilitada.
2) Deus Levantou Jesus Dentre Os Mortos.
O segundo evento objetivo histórico que teve de acontecer para nascermos de novo com vida eterna foi a ressurreição de Jesus dentre os mortos. 1 Pedro 1:3-4: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros." "Regenerou...mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos". Então, o segundo modo pelo qual Deus realiza o novo nascimento é levantando Jesus dentre os mortos.
O novo nascimento é algo que acontece em nós quando o Espírito Santo toma nossos corações mortos e nos une a Cristo pela fé de modo que sua vida se torna nossa vida. Assim, faz sentido que Jesus deva ser levantado dentre os mortos se nós vamos ter vida nova em união com ele. Novo nascimento acontece, lembre-se, em união com o Cristo encarnado, não simplesmente o Filho de Deus espírito. A nova vida que ganhamos no novo nascimento é a vida do Jesus histórico. Portanto, se ele não se levantasse dentre os mortos, não existiria nova vida disponível. Então, o segundo modo pelo qual Deus realiza o novo nascimento é levantando Jesus dentre os mortos.
3) Deus Nos Chamou.
Agora o terceiro modo pelo qual Deus causa nosso novo nascimento é que ele nos chama. Verso 14-15: "Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento." Paulo está nos dizendo para vivermos diferentemente agora por causa de algo que aconteceu no passado. Verso 15: "[Assim como] é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, "
Entender o que aconteceu conosco quando Deus nos chamou desse modo (se somos nascidos de novo), ajuda a distinguir do chamado geral que se direciona a todos quando o evangelho é pregado. Olhe para os versos 23-25: "pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada." Então, o evangelho é pregado a todos. Mas nem todos nascem de novo. O chamado genérico — a palavra de Deus pregada, o evangelho — entra nos ouvidos de todos os mortos. Mas nem todos vivem. Por que alguns vivem e tem fé? Por que alguns cegos vêem e alguns mortos ouvem?

Evangelho Pregado a Todos; Semente Plantada em Alguns

A resposta está declarada de maneiras muitos diferentes no Novo Testamento. Uma está aqui no verso 23: Alguns são "regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente." O evangelho é pregado a todos, e a semente divina é implantada em alguns. É uma forma de ver isto. Outra é dizer que alguns são chamados. E esse chamado não é o chamado geral que todos recebem externamente na pregação do evangelho. É o chamado interno efetiva do palavra triunfante de Deus de criação. É o chamado de Jesus no túmulo de Lázaro. Ele diz ao homem morto: "Lázaro, vem para fora!"(João 11:43). E o chamado cria o que ele ordena.
Essa é a diferença entre o chamado externo, geral, que todos ouvem quando o evangelho é pregado e o chamado interno, efetivo. O chamado interno é a voz criativa soberana inevitável. Ele cria o que ordena. Deus fala não apenas ao ouvido e a mente, mas ele fala ao coração. Seu chamado interno ao coração abre os olhos do coração cego, abre os ouvidos do coração surdo, e faz Cristo aparecer como pessoa supremamente valiosa, o que realmente ele é. Então, o coração livre e ardentemente abraça Cristo como o tesouro que ele é. É isso que Deus faz quando ele nos chama no evangelho (veja 1 Pedro 2:9 e 5:10).

Vendo Cristo por Quem Ele É

Talvez o texto mais claro de todos sobre o poder único do chamado efetivo, interno de Deus está em 1 Coríntios 1:22-24: "Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus." Todos ouvem o evangelho — judeus e gregos. Mas alguns judeus e alguns gregos experimentam algo no evangelho: eles param de ver Cristo como um equívoco obstrutivo e como loucura. Em vez disso, eles o vêem como "o poder de Deus e a sabedoria de Deus". O que aconteceu? "para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus." O chamado criativo e soberano de Deus abriu seus olhos e eles viram Cristo pelo poder e pela sabedoria que ele é.
Este é o terceiro modo pelo qual Deus causa o novo nascimento. 1) Ele nos resgatou do pecado e da ira pelo sangue de Cristo e pagou o débito para que os pecadores tenham vida eterna. 2) Ele levantou Jesus dentre os mortos de modo que a união com Jesus dá a vida eterna que nunca se corrompe. 3) E Ele nos chamou da escuridão para a luz e da morte para a vida por meio do evangelho e nos deu olhos para ver e ouvidos para ouvir. Ele fez a luz da glória de Deus na face de Cristo brilhar nos nossos corações por meio do evangelho. E nós cremos. Nós abraçamos Cristo pelo tesouro que ele é.

Todas as Coisas Para o Bem Daqueles que Nasceram de Novo

Oh que todos crentes conhecessem a glória do que aconteceu com vocês! Vocês sabe o que Deus fez por vocês e em vocês? Vocês foram resgatados com o sangue imperecível de Cristo. Vocês foram levantados com Cristo dentre os mortos para uma esperança que vive eternamente. Vocês foram chamados da morte como Lázaro, e vocês viram Cristo como o tesouro que ele é. Vocês nasceram de novo. E vocês O receberam e foram salvos. Talvez na próxima vez que você aplicar Romanos 8:28 a uma dificuldade na sua vida, isto terá novo poder por causa do que nós temos visto: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Se você foi chamado — se você nasceu de novo — todas as coisas cooperam para o seu bem. Todas as coisas. E se você ainda não nasceu de novo, ouça o chamado! Ouça o chamado de Deus nesse evangelho de Cristo e creia. Se você receber Cristo pelo que ele é, você será salvo. Amém.
Por John Piper. © Desiring God. Site em inglês: desiringGod.org | Português: satisfacaoemDeus.org |
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