sábado, 9 de novembro de 2013

As Confissões Reformadas [03/18]

AS DEZ CONCLUSÕES DE BERNA (1528)

As primeiras confissões reformadas foram escritas na Suíça, o berço do movimento. Várias delas foram elaboradas no contexto de importantes debates teológicos que levaram à aceitação do protestantismo em diversas cidades daquela confederação. Inicialmente, a única cidade importante que aceitou a Reforma foi Zurique, sob a influência de Ulrico Zuínglio. Os governantes civis de Berna seguiram o exemplo de Zurique e convocaram um debate sobre as questões religiosas da época, que ocorreu nos dias 6 a 26 de janeiro de 1528. Entre as cidades representadas no debate estavam Zurique, Basiléia, Constança, Estrasburgo, Augsburgo e Ulm; entre os participantes, além dos redatores das teses, estavam Zuínglio, Martin Bucer (Estrasburgo) e Ecolampádio (Basiléia). O debate reuniu 350 religiosos, além de muitos homens públicos e cidadãos. Foi o maior e mais espetacular de todos os debates públicos realizados nas cidades suíças.

Para esse debate, o reformador local Berchtold Haller (1492-1536) e seu colega Franz Kolb elaboraram as Dez Conclusões de Berna ou Teses de Berna, que foram revisadas por Zuínglio. Este as verteu para o latim e Guilherme Farel para o francês. O debate começou quando Kolb leu a primeira tese: “A santa igreja cristã, cujo único cabeça é Cristo, nasce da Palavra de Deus e permanece na mesma, e não ouve a voz de um estranho”. Colocou, assim, o fundamento da igreja em Cristo e na Escritura. As teses seguintes abordaram os seguintes temas: a Escritura está acima das tradições humanas (2); Cristo é o único meio de salvação e satisfação pelo pecado (3); Cristo não está presente na Eucaristia de forma corpórea (4); a missa é contrária às Escrituras e uma blasfêmia contra o sacrifício de Cristo (5); Cristo é o único mediador e advogado dos seres humanos, à exclusão de todos os demais (6); não existe purgatório, sendo vãs todas as cerimônias pelos mortos (7); as imagens são condenáveis como objetos de culto (8); a Escritura não proíbe o matrimônio a ninguém; o celibato clerical é pernicioso porque conduz à impureza (9-10).

As teses foram aprovadas “como cristãs” pela grande maioria dos delegados e aceitas “para sempre”, devendo ser observadas mesmo “ao custo da vida e da propriedade”. Elas se tornaram um documento respeitado em uma vasta região da Suíça e mesmo além das suas fronteiras, sendo a primeira definição do tipo suíço de fé reformada a ter ampla aceitação. Os resultados mais importantes do Debate de Berna foram a introdução definitiva da Reforma nessa importante cidade e a estabilização do protestantismo suíço. A partir de 1531, Berna enviou missionários evangélicos aos territórios de língua francesa do oeste da Suíça. O mais conhecido desses pregadores foi Guilherme Farel (1489-1565), que em 1536 levou Genebra a abraçar a Reforma e no mesmo ano convenceu o jovem João Calvino a ajudá-lo naquela cidade que seria tão decisiva para a consolidação e difusão do movimento reformado.

Talvez a mais fundamental das Teses de Berna seja a terceira, que afirma: “Cristo é a única sabedoria, justiça, redenção e satisfação pelos pecados do mundo inteiro. Por isso confessar qualquer outro meio de salvação ou satisfação pelo pecado é uma negação de Cristo”. Documentos como esse ajudaram a dar uma clara identidade doutrinária e confessional às igrejas reformadas, contribuindo ao mesmo tempo para a trajetória do protestantismo como um todo.

As 10 Teses de Berna

São nos entregues as seguintes conclusões de Franciscus Kolb e Berchtoldus Haller, ambos sendo pastores da Igreja de Berna, ao lado de outros professores ortodoxos, e por esta única razão os recebemos a partir dos escritos bíblicos, tanto dos livros do Antigo como do Novo Testamento, neste dia designado, sendo o próximo domingo após o dia da circuncisão, no ano de 1528.

I. A santa Igreja Cristã, sobre quem somente Cristo é a Cabeça, é nascida da Palavra de Deus, e se conforma na mesma, e não ouve a voz de estranho.

II. A Igreja de Cristo não pode fazer nenhuma lei ou mandamento aparte da Palavra de Deus. Deste modo, as tradições humanas não devem ser-nos exigidas se elas não estiverem fundamentadas na Palavra de Deus.

III. Cristo é a nossa única sabedoria, justiça, redenção e satisfação pelos pecados de todo o mundo. Assim sendo, nega a obra de Cristo, quando se confessa que há outro fundamento de salvação e satisfação.

IV. Que o corpo e sangue de Cristo é recebido, essencialmente e corporeamente, no pão da Eucaristia é impossível de se provar a partir da Escritura Sagrada.

V. A missa como atualmente é usada, na qual Cristo é oferecido a Deus o Pai, pelos pecados dos vivos e mortos, é contrária à sagrada Escritura, é blasfêmia contra o mais santo sacrifício, paixão e morte de Cristo e, por esta razão, considerado um abuso e uma abominação diante de Deus.

VI. Assim, somente Cristo morreu por nós, assim, ele deve ser adorado como o único Mediador e Advogado entre Deus o Pai e os crentes. Sendo assim, é contrário à Palavra de Deus propor e invocar outros mediadores.

VII. A Escritura nada revela acerca de um purgatório após esta vida. Assim, todas as homenagens aos mortos, como vigílias, missas pelos mortos, ritos fúnebres de sétimo dia, lâmpadas, candelabros, e coisas deste tipo, são inúteis.

VIII. A adoração de imagens é uma prática contrária à Escritura, tanto nos livros do Antigo como no Novo Testamento. Deste modo, como as imagens desonram a si mesmas, e são um perigo, deveriam ser abolidas como objetos de adoração.

IX. O matrimônio não é proibido na Escritura para nenhuma ordem ou homem em qualquer condição, pelo contrário, é ordenado e permitido a todos que se casem como um meio de impedir a fornicação e a impureza.

X. Assim, de acordo com a Escritura, um assumido fornicador precisa ser excomungado, porque ele está vivendo uma vida de solteiro luxuriosa e impura, que é tão pernicioso para qualquer pessoa e, muito mais para o sacerdote.

Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...