terça-feira, 12 de novembro de 2013

As Confissões Reformadas [04/18]

A CONFISSÃO TETRAPOLITANA (1530)

O desenvolvimento das antigas confissões reformadas – dos séculos XVI e XVII – se deu em seis fases: inicialmente, as confissões suíças de língua alemã (influenciadas acima de tudo por Zuínglio); em seguida as tradições confessionais de Genebra, da Europa ocidental e oriental, da Alemanha, do Sínodo de Dort e do puritanismo inglês. Na primeira fase se incluem, além dos Sessenta e Sete Artigos de Zuínglio (1523) e das Teses de Berna (1528), alguns outros escritos do fundador da tradição reformada, como a Breve Introdução (1523), ligada ao Segundo Debate de Zurique, aFidei Ratio ou Razão da Fé, apresentada ao imperador Carlos V na Dieta de Augsburgo (1530) e a Exposição da Fé (1531), escrita por Zuínglio três meses antes da sua morte (foi o seu “canto do cisne”, segundo Bullinger) e dirigida ao rei Francisco I da França. Outros dois documentos zuinglianos desse período inicial foram a Confissão da Frísia Oriental (1528) e a Confissão Tetrapolitana.

A nascente Igreja Reformada Alemã havia nutrido a esperança de unir-se com os luteranos para enfrentar os adversários católicos. Com esse objetivo, Zuínglio e Bucer encontraram-se com Lutero e Melanchton no Colóquio de Marburg, em 1529. Os participantes concordaram em todos os pontos debatidos, exceto quanto à presença de Cristo na Ceia. Lutero defendia a presença física de Cristo e os zuinglianos tinham uma concepção espiritual, simbólica ou memorial. Não podendo concordar com a doutrina da Ceia exposta na Confissão de Augsburgo, de Filipe Melanchton, os reformados do sul da Alemanha foram excluídos das discussões entre os luteranos e os católicos na decisiva Dieta de Augsburgo (1530). Nessas circunstâncias, foi preparada apressadamente a Confissão Tetrapolitana, também conhecida como Confissão de Estrasburgo ou Confissão Suábia. Foi escrita por Martin Bucer e Wolfgang Capito, sendo apresentada ao imperador Carlos V, na referida Dieta, pelas cidades de Estrasburgo, Contança, Memmingen e Lindau, como a sua alternativa à confissão luterana.

Confissão das Quatro Cidades é a mais antiga confissão de fé da Igreja Reformada Alemã. Representa uma posição mediadora entre os suíços e os luteranos. Possui 23 capítulos e tem o mesmo espírito de moderação que a sua congênere luterana, mas é mais distintamente protestante. O primeiro capítulo afirma a centralidade da Escritura Sagrada na vida da Igreja; os capítulos 3 e 4 apresentam a doutrina da justificação, não por obras humanas, mas pela graça de Deus e os méritos de Cristo, mediante a fé que atua pelo amor. O capítulo mais importante (18) dizia na versão inicial que Cristo está verdadeiramente presente na Ceia e dá o seu verdadeiro corpo para ser comido e o seu sangue para ser bebido, “mas especialmente ao espírito, por meio da fé”. Esse artigo foi modificado para aproximar-se da posição luterana, mas manteve a essência do entendimento reformado, ou seja, que Cristo oferece aos seus seguidores o seu próprio corpo e sangue como alimento e bebida espiritual, pelos quais as suas almas são nutridas para a vida eterna.

Forçadas pelas circunstâncias, cerca de um ano mais tarde as cidades do sul da Alemanha se aliaram aos luteranos na Liga de Smalcalda, subscrevendo a Confissão de Augsburgo. Finalmente, em 1536 Lutero e Bucer assinaram a Concórdia de Wittenberg. A partir de então, a Alemanha e a Suíça seguiram caminhos distintos no desenvolvimento da Reforma. Em pouco tempo, a Confissão Tetrapolitana foi substituída pelas confissões mais claras e lógicas do tipo calvinista. Mas o próprio Bucer permaneceu fiel à sua fórmula de união e a reafirmou em seu testamento e em seu leito de morte.

Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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