sexta-feira, 22 de novembro de 2013

As Confissões Reformadas [07/18]

Henrique Bullinger

PRIMEIRA CONFISSÃO HELVÉTICA (1536)

Esse importante documento, também conhecido como Segunda Confissão de Basiléia, foi motivado por duas circunstâncias: a convocação, pelo papa Paulo III, de um concílio geral a reunir-se em 1537 em Mântua, no norte da Itália, e as atitudes conciliatórias dos reformadores de Estrasburgo, Martin Bucer e Wolfgang Capito, que desejavam ardentemente unir zuinglianos e luteranos. Representando oficialmente as principais cidades reformadas suíças, vários teólogos se reuniram em Basiléia nos dias 1º a 4 de fevereiro de 1536. Eram eles Henrique Bullinger e Leo Jud, de Zurique; Osvaldo Micônio e João Grineus, de Basiléia; Gaspar Megander, de Berna, bem como os alemães Bucer e Capito, que compareceram como convidados. A confissão redigida nessa ocasião pelos teólogos suíços foi assinada por todos os delegados no último dia da conferência, e  publicada em latim. Leo Jud preparou o texto em alemão, também aceito oficialmente. Em 27 de março, os delegados dos conselhos municipais aprovaram formalmente o documento.

Na Primeira Confissão Helvética, todas as cidades suíças de língua alemã que abraçaram a Reforma (Zurique, Basiléia, Berna, Schaffenhausen, St. Gall, Muhlhausen e Biel) apresentaram a sua fé comum. Assim, ela tornou-se a primeira confissão geral suíça e a primeira confissão reformada com autoridade nacional, sendo considerada o ápice do desenvolvimento confessional do zuinglianismo. Martinho Lutero recebeu uma cópia da confissão através de Bucer e expressou apreciação pela mesma, mas exigiu que os suíços assinassem a Concordata de Wittemberg, proposta por Bucer em maio de 1536, o que não veio a ocorrer. Embora não tenha sido apresentada em Mântua (o concílio convocado pelo papa só veio a reunir-se em Trento em 1545), nem tenha unido reformados e luteranos, essa confissão continuou por muitos anos a ser uma eloqüente expressão da fé dos reformadores suíços. Trinta anos depois, foi substituída pela Segunda Confissão Helvética, preparada por João Bullinger e Pedro Mártir Vermigli em 1561 e publicada em 1566.

A versão latina contém 28 breves parágrafos (27 no texto alemão mais pleno e vigoroso, que une os artigos 13 e 14). Os temas tratados são os seguintes – Arts. 1-5: as Escrituras, sua interpretação e propósito (pela primeira vez a questão da autoridade doutrinária é respondida com o princípio formal da Escritura); Art. 6: o Deus triúno; Arts. 7-10: o ser humano, o pecado, o livre arbítrio e a salvação; Arts. 11-12: Jesus Cristo e “o que nós temos através dele”; Arts. 13-14: a fé na graça de Deus como o meio de salvação; Arts. 15-20: a igreja, o ministério, a autoridade eclesiástica, a eleição dos ministros, os verdadeiros pastores (tendo a Cristo como modelo supremo) e o ofício do ministério; Arts. 21-23: abordagem moderada e conciliatória de um tema crucial – os sacramentos; não são meros sinais vazios, mas símbolos da graça divina que oferecem as realidades espirituais para as quais apontam; Arts. 24-28: o culto e as cerimônias públicas, coisas indiferentes, heresia e cisma, magistrados civis e casamento. Segundo consta, Bullinger e Jud tentaram sem êxito incluir uma cláusula advertindo contra a autoridade normativa dessa ou de qualquer confissão que pudesse usurpar o lugar da Escritura, o único vínculo verdadeiro e suficiente da união evangélica.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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