quarta-feira, 27 de novembro de 2013

História do Movimento Reformado [07/25]

Jacques Lefèvre d'Etaples

A IGREJA REFORMADA DA FRANÇA

Uma das características do movimento reformado ou calvinista do século XVI foi a sua rápida e ampla difusão em muitas partes da Europa. Um dos primeiros países atingidos foi a França, a pátria de João Calvino e vizinha da Suíça, o berço do movimento. O precursor da Reforma Protestante na França foi o humanista Jacques Lefèvre D’Étaples (c. 1455-1536), que deu ênfase à autoridade das Escrituras e a outros conceitos abraçados pelos protestantes. O movimento reformado francês surgiu na década de 1530, mas as primeiras congregações foram dispersas pela repressão religiosa. O rei Francisco I (1515-1547) e seu filho Henrique II (1547-1559) perseguiram duramente os reformados. Como já foi visto, ao publicar as Institutas em 1536, Calvino incluiu um prefácio em que apelava a Francisco I por tolerância para com os evangélicos.

Em 1555, foi organizada em Paris a primeira igreja reformada e nos anos seguintes muitas outras surgiram no interior do país. Isso possibilitou que, em 1559, se reunisse nas proximidades da capital francesa o primeiro sínodo nacional da Igreja Reformada da França, representando centenas de comunidades. Essa foi a primeira vez em que uma igreja reformada ou presbiteriana organizou-se em âmbito nacional. Esse sínodo aprovou uma importante declaração de fé, a Confissão Galicana, cujo texto básico foi redigido pelo próprio Calvino. No mesmo ano, esse reformador fundou a Academia de Genebra, cujo principal objetivo era formar pastores para as igrejas da França.


Gaspar II de Coligny, líder huguenote.

As igrejas calvinistas francesas eram compostas de artesãos, comerciantes e até mesmo de algumas famílias nobres, como os Bourbon e os Montmorency. Os reformados franceses, conhecidos como huguenotes, estavam concentrados principalmente no oeste e no sudoeste do país, e recebiam o valioso apoio de Genebra. O crescimento do movimento reformado levou ao surgimento de duas facções político-religiosas: de um lado os huguenotes, tendo como líderes o almirante Gaspard de Coligny, Luís de Condé e Henrique de Navarra; do outro lado, o partido radical católico, concentrado no norte e no leste do país, e liderado pela poderosa família Guise-Lorraine.

Em 1559, o rei Henrique II morreu em uma competição esportiva, sendo sucedido no trono por seus três filhos, que receberam forte influência da mãe, a italiana Catarina de Médicis. Durante o breve reinado de Francisco II (1559-1560), os Guise controlaram o governo. Em 1560, foi descoberta uma conspiração dos Bourbon contra eles e os rebeldes foram barbaramente executados. Quando Carlos IX (1560-1574) tornou-se rei, sendo ainda menor, Catarina assumiu a regência, mostrando-se inicialmente amistosa para com os huguenotes.

Em setembro de 1561, tentando apaziguar os ânimos entre os dois grupos, a Rainha Regente convocou as lideranças católicas e reformadas para um encontro que ficou conhecido como Colóquio de Poissy. A delegação huguenote foi chefiada por Teodoro Beza, pastor auxiliar de Calvino. O objetivo era a busca de um entendimento na área teológica, o que levaria à pacificação no âmbito político. O fracasso desse encontro abriu caminho para as guerras religiosas que atormentaram a França durante várias décadas (1562-1598), dando início a um longo período de provações para as igrejas huguenotes.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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