sábado, 30 de novembro de 2013

História do Movimento Reformado [08/25]

TEMPLE DU SAINT ESPRIT

A IGREJA REFORMADA DA FRANÇA (2ª PARTE)

A partir de 1562, a França foi abalada por uma série de guerras entre católicos e protestantes. A primeira delas teve início com o “massacre de Vassy”, em 1º de março, quando soldados do duque Francisco de Guise atacaram um grupo de huguenotes que realizavam um culto em um celeiro, matando cerca de 60 pessoas. Seguiram-se outras duas guerras entre 1567 e 1570.

No meio desse sofrimento, as igrejas reformadas continuavam crescendo em muitas regiões do país, mas esse crescimento gerava intensa preocupação em alguns círculos políticos e religiosos, produzindo novos confrontos. Nos conflitos, geralmente, ocorria o seguinte padrão: os huguenotes costumavam atacar edifícios católicos e destruir objetos sagrados; os católicos reagiam atacando e matando pessoas.

O episódio mais brutal dessas hostilidades foi o massacre do dia de São Bartolomeu. Em 18 de agosto de 1572, realizou-se em Paris o casamento do príncipe protestante Henrique de Navarra com a princesa Margarete de Valois, filha de Catarina de Médicis e irmã do rei Carlos IX. Toda a elite dos huguenotes foi à capital a fim de participar das festividades. No dia 22, o almirante Gaspard de Coligny sofreu um atentado, mas sobreviveu. Os huguenotes ficaram indignados e exigiram providências por parte do governo. Esse evento foi o estopim do massacre. No dia seguinte, o rei, seu irmão Henrique (duque de Anjou), Catarina e seus conselheiros concluíram que os líderes huguenotes deviam ser eliminados.

Na madrugada do domingo 24 de agosto de 1572, sob o comando de Henrique, duque de Guise, as tropas reais assassinaram o almirante Coligny e outros líderes. Estimulados por isso, milicianos e extremistas começaram uma prolongada orgia de saques e matanças, trucidando indiscriminadamente homens, mulheres e crianças. Logo os massacres se estenderam a outras cidades. Uma estimativa conservadora calcula que houve 3000 vítimas em Paris e outras 8000 no interior do França. O papa Gregório XIII exultou, lançando uma medalha especial e contratando a produção de vários afrescos para comemorar o evento.

Muitos protestantes conseguiram escapar. Alguns se refugiaram nas fortalezas de Sancerre e La Rochelle e milhares fugiram para Genebra, Basiléia, Estrasburgo ou Londres. Infelizmente, muitos outros abjuraram a sua fé. Teodoro Beza observou: “O número de apóstatas é quase impossível de contar”. O massacre do dia de São Bartolomeu deu início a mais uma guerra, a quarta, que só terminou com uma trégua em 1574. Nesse ano, subiu ao trono Henrique III (1574-1589), em cujo reinado houve outras três guerras.

Em 1589, tornou-se rei da França o príncipe protestante Henrique de Navarra, com o título de Henrique IV (1589-1610). Era filho da piedosa calvinista Jeanne D’Albret. Quatro anos depois, Henrique, que era famoso pelas suas vacilações religiosas, converteu-se ao catolicismo para assegurar a posse do trono. Segundo consta, ele teria dito: “Paris vale uma missa”.

Finalmente, em 1598, Henrique resolveu por um fim às guerras de religião e beneficiou os seus antigos correligionários com o Tratado de Nantes, que concedeu liberdade civil e religiosa aos huguenotes, exceto em algumas cidades. Os huguenotes voltaram a prosperar e a crescer até que o Edito de Nantes foi revogado pelo rei Luís XIV, em 1685. Iniciou-se novo período de intensas provações para os reformados franceses – a “igreja no deserto”. Milhares deixaram o seu país e emigraram para a Holanda, Prússia, Inglaterra e Estados Unidos, beneficiando grandemente essas nações.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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