quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Monergismo [03/03]


Monergismo (regeneração monergística) é uma bênção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai Lhe deu (1 Pedro 1:3; João 6:37,39). Ela comunica aquele poder na alma caída pelo qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (João 1:13, Atos 13:48). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedido a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo (João 6:44, 1 João 5:1). Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele.

A Confissão de Westminster, usando o mesmo tipo de linguagem, observa que a fé é tanto um requerimento do pacto como algo pelo qual Deus capacita o homem a cumprir, concedendo-lhe novas capacidades e afeições espirituais:
Sob os termos do pacto da graça, Deus “livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle para que sejam salvos; e prometendo dar a todos os que estão ordenados para a vida o seu Santo Espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer”. - Confissão de Fé de Westiminister, Capítulo VII — DO PACTO DE DEUS COM O HOMEM (ênfase minha).
Em outras palavras, o que Deus requer de nós (fé, arrependimento, amar a Ele supremamente), Ele nos concede em Cristo (2 Timóteo 2:25; Efésios 2:5,8). Isto significa que embora haja muitas promessas preciosas nos declaradas no evangelho (Romanos 10:4), todavia, o Senhor entende que a carta externa, mesmo que pregada vigorosamente, não capacita espiritualmente por si mesma os pecadores para receberem a Jesus para justiça e salvação. Um mandamento e uma promessa é estabelecida no evangelho de que todo aqueles que recebem Jesus será aceito e justificado. Todavia nenhum de nós, de nossos desejos autônomos, é inclinado a receber o evangelho, devido ao nosso amor natural pelas trevas (João 3:19). Portanto, em Sua grande misericórdia, Jesus envia Seu Espírito Santo para nos despertar (João 6:63; João 1:13, 3:6) para uma fé viva que apreende a Cristo e aos Seus benefícios. Aos mortos em pecado é concedida vida (João 5:25) pelo Espírito que opera em nós tudo o que é requerido para nos fazer participantes de Sua justiça, para que possamos ser reconciliados com Deus. Quando o Espírito ilumina e regenera a alma, a fé e obediência perfeita de Cristo são nos computadas pela graça de Deus, e por causa dEle somos aceitos como justos diante dEle. O que nós pecadores somos incapazes devido ao orgulho e inclinações más, Cristo comprou para nós e o Espírito nos une a Ele em Sua vida, morte e ressurreição. É assim que a justiça da lei pode ser encontrada em nós. É assim que a graça que inclui nossa regeneração, justificação e santificação e todo o poder e justiça que Cristo obteve para nós e do qual Ele nos fez participantes, é adquirida.

De fato, todos os benefícios de nossa salvação podem ser traçados até Cristo e Sua obra consumada sobre a cruz. A regeneração, um desses benefícios da redenção (1 Pedro 1:3), é concedida àqueles sobre quem Deus colocou Sua afeição antes dos tempos eternos (Efésios 1:5), para que eles possam se apropriar dessas bênçãos. Portanto, é importante não confundir os conceitos de regeneração e justificação. Regeneração é o que produz a fé em Cristo, a qual se apropria da bênção da justificação. Todas essas são bênçãos que Cristo adquiriu para nós ao cumprir o nosso lado no pacto em perfeita obediência tanto passiva como ativa às demandas da lei de Deus. Ele viveu a vida que deveríamos ter vivido e morreu a morte que merecíamos. Ao pecador, que era deliberadamente cego para com a amabilidade de Deus e assim, impossibilitado de ter afeição por Deus ou compreender as coisas espirituais (1 Coríntios 2:14), é agora concedido o Espírito Santo, que circuncida o seu coração (Ezequiel 36:26, Colossenses 2:11), cura a sua cegueira, lhe dá novas afeições por Deus para que ele possa apreender a beleza de Deus e Sua excelência sem igual, e ilumina a sua mente para entender o conhecimento de Cristo nas Escrituras (João 6:45; 1 João 5:20). Pelo Espírito somente podemos apreender a beleza e a inigualável excelência de Deus que produz novas afeições por Ele, infalivelmente conduzindo a uma fé viva em Cristo. Para vir a Cristo devemos entender e desejá-Lo e tais desejos e entendimentos santos requerem uma obra sobrenatural da graça de Deus. Aparte da obra do Espírito Santo, não temos nenhum conhecimento espiritual e assim, nosso orgulho e nossa bem-enraizada afeição pelo pecado nos impede de crer no evangelho.
“...se alguém faz a assistência da graça depender da humildade ou obediência do homem e não concorda que é um próprio dom da graça que sejamos obedientes e humildes, contradiz o Apóstolo que diz, “E que tens tu que não tenhas recebido?” (1 Coríntios 4:7), e, “Pela graça de Deus sou o que sou ” (1 Coríntios 15:10) — Concílio de Orange, 529 D.C.
Por que isto é tão vitalmente importante? Simplesmente porque exalta a glória de Jesus Cristo. A Escritura ensina que tudo relacionado ao evangelho é designado a glorificar Cristo e humilhar o homem. Assim, segue-se que tudo quanto diminua a glória de Cristo é inconsistente com o verdadeiro evangelho. Portanto, aqueles que ensinam que a  dos homens naturais é o que lhes faz diferentes dos outros, e não a graça de Deus que causa a fé neles, estão indevidamente exaltando o papel do homem na salvação.

Monergismo é a doutrina bíblica de que a regeneração (o novo nascimento) tanto precede como produz a fé em Cristo naqueles que o Espírito Santo determina soberanamente dispensar Sua graça (João 1:13; 6:63-65; Atos 16:14b; 1 João 5:1). Quando pregada no poder do Espírito Santo, o evangelho (Tiago 1:18, 1 Pedro 1:23, 25) tem o poder de abrir os olhos cegos e os ouvidos surdos. Paulo, quando falando aos eleitos da igreja dos Tessalonicenses disse, “porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em plena convicção” (1 Tessalonicenses 1:5). Em outras palavras, a palavra de Deus não opera “ex opere operato” (automaticamente), pelo contrário, ela é a obra do Espírito Santo soberanamente dispensando graça (João 3:8), despertando o coração através da palavra para trazer vida. Assim, a palavra escrita não é o material do novo nascimento espiritual, mas antes é o seu meio ou intermédio. “A palavra não é o princípio gerador em si mesma, mas somente aquele pelo qual ele opera: o veículo do mistério germinando poder” [Alford]. É porque o Espírito de Deus a acompanha que a palavra carrega nela o germe de vida. A vida está em Deus, todavia ela é nos comunicada através da palavra.

O evangelho declara que arrependimento e fé (mandamentos de Deus) são eles mesmos Deus operando em nós o desejo tanto para querer como para fazer (2 Timóteo 2:25; Efésios 2:5,8) e não algo que o próprio pecador contribua para o prêmio de sua salvação. Arrependimento e fé podem somente ser exercidos por uma alma após, e em conseqüência imediata de, sua regeneração pelo Espírito Santo (1 João 5:1,10; Atos 16:14b; Atos 13:48; João 10:24-26; Ezequiel 36:26-27; João 6:37; João 1:13; 1 Coríntios 4:7; 1 Coríntios 15:10; Tiago 1:17; João 3:27; 1 Pedro 1:3). Deus regenera, e nós, no exercício da nova capacidade graciosa dada, nos arrependemos. Deus desarma a oposição do coração humano, subjuga a hostilidade da mente carnal, e com irresistível poder (João 6:37;63-65), traz Seus escolhidos a Cristo. O evangelho confessa “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro”. Enquanto que antes não tínhamos nenhum desejo por Deus, agora a graça regeneradora de Deus nos deu o desejo, a disposição e o deleite em Sua pessoa e nos Seus mandamentos, que infalivelmente se originam da fé. Fé e obras são ambas evidências do novo nascimento, não a causa dele.

Suporte Bíblico

Fora os dois lugares onde a palavra regeneração é realmente usada no texto da Bíblia (Tito 3:5; Mateus 19:26), a mesma noção doutrinal é elaborada em muitos lugares sob várias terminologias tais como (1) ressurreição espiritual (João 5:21; Romanos 6:13; Efésios 1:19-20; 2:5; Colossenses 2:13; 1 João 3:14) e nossa (2) re-criação em Cristo (2 Coríntios 5:17; Gálatas 6:15; Efésios 2:10; 4:24 ). O apóstolo João, aparte do famoso discurso de Jesus sobre o novo nascimento em João 3, refere-se a ser nascido de Deus onze vezes. Interessantemente, embora o ser nascido de novo seja necessário para a salvação, ele nunca é falado no modo imperativo, como se o ouvinte pudesse independentemente produzi-lo. Antes, ele é sempre falado como uma obra de Deus somente. Por exemplo, João 1:13 (como se para enfatizar este ponto) diz que nós “não nascemos do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Enquanto que João 1:12 ensina que  é a pré-condição crucial da justificação, o verso 13 ensina que a regeneração é uma pré-condição necessária e eficaz da fé em Jesus Cristo. O verso 13, portanto, qualifica o verso 12, deixando claro que a regeneração causalmente e imediatamente precede a fé.

Particularmente, note o apóstolo João falar da nossa ressurreição espiritual (João 5:21; Efésios 2:5). O texto (João 5:21) mostra o próprio Jesus claramente exercendo soberanamente sobre aqueles a quem Ele deseja conceder a ressurreição espiritual: “Pois, assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer”. Efésios 2:5, da mesma forma, diz que estávamos mortos em pecados até que Deus, que é rico em misericórdia, “nos vivificou juntamente com Cristo”. As palavras de Paulo para “nos vivificou” ou “despertou” é o termo grego que Paulo usa para a regeneração com Cristo. Em ambos os exemplos devemos concluir que a obra regeneradora do Espírito Santo causalmente precede e possibilita a resposta do homem de uma fé salvadora ao chamado de Deus.

Outro texto crítico que devemos olhar mais de perto é 1 João 5:1,10:
“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus...Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho [de Deus]”.
Antes de qualquer coisa, quero que você observe o claro aspecto seqüencial de causa e efeito da regeneração e fé nesta passagem. Importante para nós notar é que João fala das nossas ações que acontecem como o resultado da regeneração por diversas vezes nesta epístola (1 João 2:29, 1 João 3:9, 1 João 4:7, 1 João 5:1, 1 João 5:18 ). Por exemplo, em 1 João 3:9 ele diz, “Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus”. Aqui encontramos um relacionamento de causa e efeito entre a causa do novo nascimento e o efeito que o cristão não continua numa vida de pecado. 1 João 5:18 nos dá um padrão similar de discurso. Ambos mostram que a causa da regeneração traz o efeito de uma vida que não continua pecando. Assim, não somente o tempo do verso de 1 João 5:1 mostra a fé sendo realizada como o resultado da regeneração, mas isto é também uma continuação de um padrão de fala que João usa durante toda a epístola. Portanto, é extremamente improvável que o Apóstolo queria dizer algo além disto: que a fé é o resultado do nosso nascimento espiritual...que a obra regeneradora do Espírito Santo é a causa dos desejos que se originam da fé. O verso 10 ainda demonstra a realidade disto quando ele diz que “quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho [de Deus]”. Considere se é ao menos possível para um homem não regenerado, que não tem o testemunho de Deus em si mesmo, realmente entender ou crer no evangelho. Não é possível. Pelo contrário, uma pessoa deve primeiro ter o testemunho de Deus nela, se ela há de crer. Em outras palavras, devemos ser ensinados por Deus, iluminados na mente, recebermos um novo entendimento...e uma vez que tenhamos aprendido e entendido, chegaremos infalivelmente à fé em Cristo. Note que 1 João 5:20 nos dá a seguinte segurança:
“Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.
Jesus deu ao Seu povo entendimento para que eles pudessem conhecê-Lo. Em outras palavras, o verdadeiro entendimento espiritual e o conhecimento de Deus (salvação), que é único para os santos, estão inextricavelmente ligados. Um ocasiona o outro e, portanto, todos aqueles a quem este conhecimento é dado, virão infalivelmente a conhecê-Lo. “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2 Coríntios 4:6). Destas e de passagens similares há, portanto, uma certeza de que este mesmo tipo de entendimento nunca será dado aos não-eleitos. Antes, o entendimento das coisas espirituais concedido por Deus somente, infalivelmente trará aqueles que foram iluminados por ele a uma fé viva em Cristo. Uma demonstração real disto está registrado no livro de Atos, quando Paulo está pregando e uma mulher chamada Lídia , “...estava ouvindo; e o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos 16:14). Isto deveria remover todas as dúvidas com respeito a natureza bíblica desta doutrina.

Conclusão


Para sumarizar, aqueles mortos em pecado (Efésios 2:1,5,8), não têm nenhuma parte em seu novo nascimento (Romanos 3:11,12; 8:7) e são tão passivos no ato regenerador como um bebê recém-nascido fisicamente. Contudo, uma vez restaurados com um novo senso e entendimento espiritual através da Palavra e do Espírito, a nova disposição da alma imediatamente executa um papel ativo na conversão (arrependimento e fé). Assim, o homem não coopera em sua regeneração mas, pelo contrário, ele responde infalivelmente em fé ao evangelho quando o Espírito Santo muda a disposição do seu coração (João 3:6-8; 19-21). A fé não é, portanto, algo produzido por nossa natureza humana não regenerada. O pecador caído não tem a capacidade ou inclinação moral para crer antes do novo nascimento. Pelo contrário, o Espírito Santo deve abrir os ouvidos da pessoa à pregação do evangelho para que ela possa atender à mensagem (veja o caso de Lídia em Atos 16:14). Embora não haja seqüência temporal, a regeneração causa todos os outros aspectos da nossa salvação. Todos eles ocorrem simultaneamente como o ligar de uma luz. Regeneração, portanto, é a causa direta da fé, justificação, santificação e das santas afeições. Em outras palavras, a fé e os outros benefícios que recebemos da redenção de Cristo, brota da nova capacidade nos dada por Deus.


Dicionário Secular

Monergismo: “Na teologia, A doutrina de que o Espírito Santo é o único agente eficaz na regeneração - que a vontade humana não possui inclinação para a santidade até ser regenerada e, portanto, não pode cooperar na regeneração”.

Abaixo, alguns Cristãos na história da Igreja que defenderam a doutrina bíblica do monergismo:

Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, Martinho Lutero (que considerava esta doutrina o coração da Reforma), João Calvino, John Knox, John Owen, os Puritanos do século XVII, John Bunyan, Agostinho, George Whitefield, John Gill, Arthur W. Pink e alguns pastores e teólogos contemporâneos tais como Martyn Lloyd-Jones, John Piper, Wayne Grudem, R.C. Sproul, Michael Horton, J.I. Packer, James Montgomery Boice, Johyn MacArthur, etc.

O oposto:

Sinergismo: "...a doutrina de que há dois agentes eficazes na regeneração, a saber, a vontade humana e o Espírito divino, os quais, no sentido estrito do termo, cooperam. Esta teoria conseqüentemente sustenta que a alma não perdeu na queda toda inclinação para a santidade, nem todo o poder de buscá-la sob a influência de motivos ordinários". Esta visão anti-escriturística é a maior ameaça ao verdadeiro entendimento da salvação na Igreja hoje.
O quadro abaixo destaca alguns dos maiores pontes de diferença nestes sistemas:

Sinergismo
Monergismo

Causa da Regeneração
A fé é a causa da regeneração.A regeneração é a causa da fé.
A fé e as afeições por Deus são produzidas pela velha natureza.
A fé não é produzida por nossa natureza humana não regenerada. Ela é o produto imediato e inevitável da nova natureza.
Deus e o homem trabalham juntos para produzir o novo nascimento. A graça de Deus nos leva até uma parte do caminho da salvação, a vontade não regenerada do homem deverá determinar o resultado final.
Deus, o Espírito Santo, sozinho produz a regeneração, sem nenhuma contribuição do pecador. (Uma obra de Deus)
Deus está esperando avidamente pela vontade do pecador.
Deus eficazmente capacita a vontade do pecador.
As pessoas da Trindade têm objetivos conflitantes na realização e aplicação da redenção: O Pai elege uma pessoa em particular; o Filho morre pelas pessoasem geral e o Espírito Santo aplica a expiação condicionalmente naqueles que exercem o seu livre-arbítrio autônomo.
As pessoas da Trindade trabalham em harmonia - O Pai elege uma pessoa em particular, Cristo morre por aqueles que o Pai Lhe deu e o Espírito Santo semelhantemente aplica os benefícios da expiação aos mesmos.
A restauração das faculdades espirituais vem após o pecador exercer fé com suas capacidades naturais (inatas). Ele tem a capacidade para ver a verdade espiritual mesmo antes de ser curado (veja 1 Coríntios 2:14). Tem a capacidade espiritual para receber a verdade, antes de uma concessão de Deus de qualquer capacidade espiritual.
A "luz" em si mesma não é suficiente para que um cego veja, sua visão deve primeiro ser restaurada. (João 3:3,6). Necessariamente a capacidade espiritual para receber a verdade antecede ao recebê-la.

Visão da Humanidade
O pecador caído tem a capacidade e a inclinação potencial para crer mesmo antes do novo nascimento.
O pecador caído não tem a capacidade e a inclinação para crer antes do novo nascimento.
Há um bem remanescente no homem caído suficiente para voltar suas afeições para Cristo.
O homem caído tem uma mente em inimizade com Deus; ama as trevas, odeia a luz e não tem o Espírito Santo. "Não há quem busque a Deus" (Romanos 3:11); o pecador nunca se voltará para Deus sem uma divina capacitação e sem novas afeições infundidas nele.
O pecador necessita de ajuda, é espiritualmente limitado.
O pecador espiritualmente morto necessita de uma nova natureza (mente, coração, vontade), regeneração.
O homem natural está doente e incapacitado como um homem se afogando, de forma que Deus seria insensível se não o ajudasse arremessando uma corda.
O homem natural é espiritualmente impotente e moralmente culpado tanto pelo pecado original como pelos seus próprios pecados cometidos. Nossa inabilidade não é como a de um obstáculo físico ou a de um homem se afogando, porque dessa forma não seríamos culpados, mas, antes, é como a de um homem que não pode reembolsar um gasto financeiro, uma dívida. A incapacidade de reembolsar, portanto, não nos isenta da responsabilidade moral de assim fazer.
Necessita de salvação por causa das conseqüências do pecado - infelicidade, inferno, sofrimento psicológico.
Necessita de salvação para remover a ofensa que temos feito contra um Deus santo e nos livrar do poder e da escravidão ao pecado.
O homem natural é soberano sobre sua escolha para aceitar ou rejeitar Cristo - Deus condicionalmente responde à nossa decisão.
O homem natural não pode contribuir com nada para sua salvação. A fé é uma reação certa produzida pela obra eficaz do Espírito Santo. Nós respondemos à decisão incondicional de Deus (Atos 13:48).
Alguns homens caídos tanto criam um pensamento reto, geram uma afeição correta como também originam uma volição certa que levam a sua salvação, enquanto outros homens caídos não têm os recursos naturais necessários para chegar à fé que Deus requer deles para obterem a salvação. Portanto, a salvação é dependente de algumas virtudes ou capacidades que Deus vê em certos homens.
Nenhum homem caído criará um pensamento reto, gerará uma afeição correta ou originará uma volição certa que o levará à sua salvação. Nunca poderemos crer, a menos que o Espírito Santo venha e desarme nossa hostilidade a Deus. Portanto, a salvação é dependente do beneplácito de Deus somente (Efésios 1:4,5,11), não de algo que Ele veja em nós.
A natureza e afeições do homem não determinam ou causam suas escolhas. Ele ainda pode fazer uma decisão salvadora antes do novo nascimento, embora ainda esteja em seu estado não regenerado. Neste esquema Deus dá graça suficiente para colocar o homem numa posição neutra que pode pender tanto para ou contra Jesus. (Um ato de sorte?)
A natureza do homem determina seus desejos/afeições e causa as escolhas que ele faz. "Nenhuma árvore boa dá frutos ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom" (Lucas 6:43). Somente Cristo pode "fazer uma árvore boa e seus frutos serem bons" (Veja também 8:34 , 42-44; 2 Pedro 2:19).

Visão do Evangelho
O Evangelho é um convite.
O Evangelho não é meramente um convite, mas uma ordem (1 João 3:23).
Cristo morreu por todos os pecados, exceto a incredulidade.
Cristo morreu por todos os pecados, incluindo a incredulidade.
Os pecadores têm a chave em suas mãos. A vontade do homem determina se a morte de Cristo será ou não eficaz.
Deus tem a chave em Suas mãos. O conselho eterno de Deus determina a quem os benefícios da expiação serão aplicados.
Seria injustiça de Deus não dar a cada um uma chance igual.
Se Deus exercesse Sua justiça, então, nenhum de nós permaneceria, visto que cada um de nós tem se rebelado contra um Deus infinitamente santo. Ele não nos deve nada e não está sob obrigação de salvar ninguém. Regeneração é, portanto, um ato de misericórdia pura e imerecida, porque a justiça que merecíamos, Ele derramou sobre Seu Filho (através disso a Sua ira se apartou de nós).
Depois de Deus transformar o coração de pedra de alguém num coração de carne, o chamado do Espírito Santo à salvação ainda pode ser resistida.
Depois de Deus transformar o coração de pedra de alguém num coração de carne, nenhuma pessoa desejará resistir. Por definição nossos desejos, inclinações e afeições terão mudado de forma que desejosa e alegremente nos voltaremos em fé para com Cristo.
Salvação é dada aos pecadores caídos (não regenerados) que escolhem e desejam a Cristo por seu próprio livre-arbítrio.
Aparte da graça, não há pecador caído (não regenerado) que satisfaça esta descrição. Um desejo por Deus não faz parte da velha natureza.
A graça de Deus é conferida como um resultado da oração humana.
É a própria graça que nos faz orar a Deus (Romanos 10:20; Isaías 65:1).
Deus tem misericórdia de nós quando cremos, queremos, desejamos, aspiramos, labutamos, oramos, esperamos, estudamos, buscamos, pedimos ou batemos, aparte de sua graça regenerativa.

Desejar e buscara Deus antes do novo nascimento é uma suposição impossível (Romanos 3:11; 1 Coríntios 2:14). É pela infusão e vivificação do Espírito Santo dentro de nós que temos até a fé ou força de querer, desejar, aspirar, labutar, orar, esperar, estudar, buscar, pedir ou bater e crer na obra consumada de Cristo.
A ordem de arrepender e crer no evangelho implica na capacidade do pecador de assim o fazer.
A ordem para que os pecadores se arrependam e creiam não implica capacidade. A intenção divina é revelar nossa impotência moral parte da graça (Romanos 3:20; 5:20; Gálatas 3:19,24). A Lei não foi designada para nos conferir qualquer poder, mas para nos esvaziar do nosso próprio.
Deus ajuda aqueles que se ajudam.
Deus ajuda somente aqueles que não podem se ajudar. (João 9:41).
O homem não regenerado contribui com sua pequena parte.
Nada trago em minhas mãos, simplesmente a Tua cruz me apego.
Arrependimento é considerado uma obra do homem.
Arrependimento é um dom de Deus. (2 Timóteo 2:25)
Um dos maiores dons que Deus dá aos homens é nunca interferir no seu livre-arbítrio.
O maior julgamento que Deus pode infligir sobre um homem é deixá-lo nas mãos de seu próprio livre-arbítrio. Se a salvação fosse deixada nas mãos de pecadores não regenerados, deveras deveríamos nos desesperar e perder toda a esperança de que alguém fosse salvo. É um ato de misericórdia, portanto, que Deus desperte à vida o morto em pecado, visto que sem o Espírito não podemos entender as coisas de Deus. (1 Coríntios 2:14 )
Com a vontade do homem a salvação é possível.
Com a vontade do homem a salvação é impossível, mas com Deus todas as coisas são possíveis (Mateus 19:26; Romanos 9:16; João 6:64,65). "O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3:6).

Nota: Deus age de forma unilateral, tomando a iniciativa única num livre ato de graça soberana para com o pecador - graça que é inteiramente anterior a, e eficazmente produz, a fé justificadora. A resposta de fé do pecador é penúltima visto que ela permanece próxima à graça soberana final de Deus no monergismo. Como o primeiro ato de um bebê recém-nascido é respirar assim, o ato de fé é o primeiro ato do pecado regenerado, em seu novo nascimento em Cristo.

Por John Hendryx
Fonte Monergismo
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