sábado, 16 de novembro de 2013

O JEJUM [02/08]


Neste contexto, lembro-me de tudo isso porque, particularmente para os evangélicos, toda essa questão do jejum quase desapareceu de nossa prática diária, e até mesmo do campo das nossas considerações. Com que freqüência e com que extensão temos pensado a respeito disso? Que lugar o jejum ocupa em toda a nossa perspectiva da vida cristã e da disciplina nela envolvida? Sugiro que a verdade provável é que apenas mui raramente temos meditado sobre isso. Porventura já jejuamos alguma vez? Porventura já nos ocorreu pensar demoradamente sobre a questão de jejum? O fato é que toda essa questão parece haver sido inteiramente excluída de nossas vidas, e até mesmo de nosso pensamento cristão, não é verdade? Não encontramos dificuldade alguma para descobrir a causa disso. 

Trata-se de uma óbvia reação contra o ensino do catolicismo romano, assim chamado, em todas as suas variegadas formas. O ensino católico, quer da Igreja Anglicana, quer da Igreja Católica Romana, quer de outra variedade qualquer, sempre deu grande preeminência a essa questão do jejum. E a posição dos evangélicos não é algo que sobreviva por si só; pelo contrário, em adição a isso, será sempre uma reação contra as doutrinas do catolicismo. A tendência dessa reação sempre será ir longe demais. Nesta instância, por causa da falsa ênfase católica sobre o jejum, que com toda razão é repelida pelos evangélicos, tendemos por cair no extremo oposto, deixando inteiramente de lado o jejum, em nossas considerações e em nossa prática diária. 

Não seria esse o motivo por que a vasta maioria dos evangélicos nunca nem sequer considerou com seriedade essa questão do jejum? Tenho observado certas indicações que mostram que esse é um assunto que gradualmente começa a ser outra vez considerado entre os evangélicos. Numa época como a nossa, em que homens e mulheres estão começando a considerar com uma nova seriedade a época e o dia em que estamos vivendo, e quando muitos estão começando a aguardar o reavivamento e o despertamento espirituais, essa questão do jejum se tem tornado mais e mais importante. Mui provavelmente, você descobrirá que, gradativamente, a questão do jejum irá sendo colocada em maior evidência, e, por essa razão, é recomendável que estudemos juntos a questão. 

Inteiramente à parte desse fato, entretanto, esse tema figura no Sermão do Monte; e não nos assiste qualquer direito de escolher o que queremos e o que não queremos aceitar nas Escrituras Sagradas. É imprescindível que aceitemos o Sermão do Monte tal e qual ele é, e nesta passagem a questão do jejum se impõe diante de nós. Por conseguinte, cumpre-nos considerá-la. Nesta altura de Seu sermão, nosso Senhor estava primariamente interessado por um único aspecto desse tema do jejum, a saber, a tendência de nos ocuparmos dessas diversas práticas religiosas com o único objetivo de sermos vistos pelos homens. Ele se preocupava com essa nossa tendência para o exibicionismo, e, por conseguinte, isso é algo que temos de levar em conta. Porém, sinto que, em face da negligência a que esse tema tem sido relegado, também nos é justo e proveitoso considerá-lo de maneira mais geral, antes de atingirmos o ponto particularmente enfatizado por nosso Senhor. 

Abordaremos a questão da maneira que se segue. Na realidade, qual é o papel do jejum na vida do crente? Onde cabe essa prática, dentro do ensinamento bíblico? De modo geral, a resposta é a seguinte: trata-se de uma prática ensinada no Antigo Testamento. De acordo com a lei de Moisés, os filhos de Israel tinham recebido a ordem de jejuar uma vez por ano, o que era um estatuto obrigatório para aquela nação e para aquele povo, para sempre. Mais adiante, aprendemos que, devido a certas divergências nacionais, o próprio povo judeu acrescentou certos jejuns adicionais. Contudo, o único jejum diretamente ordenado por Deus foi aquele grande jejum anual. Ao chegarmos aos dias do Novo Testamento, descobrimos que os fariseus costumavam jejuar duas vezes por semana. Jamais Deus determinara tal prática, mas eles assim faziam, e pensavam que isso fosse uma porção vital de sua vida religiosa. A tendência de certas pessoas religiosas sempre será ir além daquilo que está escrito na Bíblia; e essa era a posição dos fariseus.
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Por Dr. David Martyn Lloyd-Jones
Fonte Monergismo
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