domingo, 15 de dezembro de 2013

A Autoridade da Escritura


Porque a Escritura é a Palavra de Deus inspirada e infalível, ela tem suprema autoridade. Não existe nenhuma autoridade humana que seja maior, nem regra de homens capaz de suplantar seus preceitos, e nenhum ensino que possa contradizer algo que ela ensine. 

Ela tem autoridade em todas as questões de doutrina. Isso está implícito em 1 Timóteo 3:16, onde a doutrina é mencionada em primeiro lugar. Nessa passagem a autoridade da Escritura não é o que está sendo enfatizado, mas sim os seus benefícios. Devemos entender, contudo, que a Escritura é de proveito porque tem autoridade: seu ensino é sempre a “última palavra” em qualquer assunto, especialmente nas questões de doutrina. 

Ela tem a mesma autoridade em todas as questões de prática e vida cristã. O fato de ela ter sido escrita há milhares de anos, em diferentes culturas e povos, não faz diferença alguma. Porque ela é a Palavra do próprio Deus, que sabe o fim desde o princípio e que não muda, as circunstâncias mutáveis da vida neste mundo não destroem a autoridade de nada do que a Escritura diz. 

Porque Paulo escreveu sobre o lugar da mulher no lar e na igreja numa cultura diferente da nossa, não torna o que ele disse inválido. Não é Paulo quem diz isso, mas Deus mesmo. De fato, essa é uma razão de espanto para aqueles que crêem na inspiração da Escritura; vemos quão freqüentemente a Escritura, como a Palavra do Deus eterno, antecipa os falsos ensinos e práticas dos nossos dias. Um bom exemplo disso é encontrado em 2 Pedro 3:1-7, onde a teoria da evolução é questionada e destruída pelo repúdio que a Escritura faz do uniformitarianismo, a suposição que todas as coisas continuam a mesma desde o princípio do tempo. 

A autoridade da Escritura é suprema mesmo em questões de história, geografia, ciência ou qualquer outra disciplina acadêmica, sempre quando ela tem algo a dizer sobre essas questões. Ela não tem autoridade somente sobre a área da teologia e vida cristã. Tão grande é a sua autoridade que o crente deve aceitar o que ela diz, mesmo em face de oposição por parte da ciência. Devemos entender que a autoridade da Escritura é a autoridade de Deus mesmo. Dizer que a Escritura é a Palavra de Deus é dizer que ela tem toda autoridade. Negar isso é negar a Deus; contradizer isso é contradizer o próprio Deus. 

Ninguém pode dizer que ele aceita a autoridade da Escritura num ponto e rejeita-a noutro. Ele não pode dizer que aceita o que ela diz sobre Jesus, mas não o que diz sobre a criação. Toda ela é a Palavra de Deus, e toda ela está revestida da autoridade de Deus. Deus e a palavra de Deus não podem ser aceitos ou rejeitados à vontade. Sua Palavra não pode ser anulada (João 10:35). 

Uma coisa é confessar a autoridade da Escritura; contudo, é totalmente outra reverenciá-la. Em cada ponto em nossa vida cristã, nossa submissão à Escritura é testada. Nem é fácil submeter-se aos mandamentos da Escritura quando estes contradizem nossa vontade, ou quando o ensino da Escritura toma o caminho oposto de toda inclinação terrena, como geralmente acontece. 

Somente pela graça obedecemos. Deus, que deu a Escritura, também nos dá a graça necessária. Dizemos com Agostinho: “Concede-me o que me ordenas, e ordenas o que quiseres.”[2]
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[2]Confissões, X Livro (São Paulo: Editora Paulus), p. 122. 
Fonte (original): Doctrine according to Godliness, 
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing 
Association, p. 20-21. 
Fonte Monergismo
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