quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Inspiração Orgânica da Escritura


Há muitos que tropeçam diante do fato que a Escritura foi dada por meio de homens. Porque isso é assim, eles pensam que existe um elemento humano na Escritura e não podem crer que a verdade da Escritura é plena e completamente a Palavra de Deus, sem erro – que não existem contradições, imperfeições, erros ou qualquer outra coisa na Escritura que possa ser atribuída à falha humana. Não negamos que a Escritura foi dada por meio de homens. Mas isso é tão sem importância, que em doze dos sessenta e seis livros da Bíblia, nem mesmo sabemos quem foi o escritor humano. Mesmo onde sabemos o autor, contudo, a verdade da inspiração orgânica permanece. 

Inspiração orgânica significa que a inspiração de um livro da Bíblia começou muito antes de qualquer livro ser escrito. Tomando o livro de Eclesiastes como um exemplo, inspiração orgânica significa que Deus começou a obra de inspirar esse livro, não movendo Salomão a escrevê-lo (2Pe. 1:21), mas preparando todas as circunstâncias sob as quais Salomão escreveria, e preparando o próprio Salomão como seu escritor. Deus começou a inspiração de Eclesiastes quando centenas e mesmo milhares de anos antes, ele arranjou as circunstâncias da história de forma que todas as coisas em Israel e entre as nações fossem exatamente como Salomão as encontrou quando escreveu o livro. 

Deus começou a inspiração de Eclesiastes quando centenas de anos antes, ele estabeleceu a nação judaica e as doze tribos, uma das quais era a tribo de Judá, a qual mais tarde incluiria a família de Jessé. Deus estava preparando aquele livro quando Davi se tornou rei e estabeleceu sua dinastia, de forma que Salomão se tornasse rei após ele. Deus estava preparando aquele livro mesmo quando Davi viu Bate-Seba tomando banho, cometeu adultério com ela e conspirou o assassinato do seu marido, para se casar com a mesma. 

Deus arranjou todas as circunstâncias da vida do próprio Salomão, de uma forma que ele fosse não somente o mais sábio de todos os homens vivos, excetuando-se Cristo, mas também um que caiu em terríveis pecados. Isso aconteceu de tal modo que o livro de Eclesiastes, quando escrito, foi o registro do arrependimento de Salomão e um testemunho da vaidade da vida sem Deus. 

No final, sem dúvida, a doutrina da inspiração orgânica nos leva de volta aos conselhos da eternidade e ao fato que não há nada que aconteça, ou tenha acontecido neste amplo mundo, que não tenha sido soberanamente predeterminado por Deus e trazido à existência por seu poder soberano e irresistível. Assim como não podemos alegar, traçando nossa salvação ao decreto eterno de Deus, sermos os autores da nossa salvação, mesmo quando nos arrependemos, cremos e obedecemos, assim também Salomão não poderia alegar ser o autor real de Eclesiastes, embora tenha escrito as palavras e tenha escrito-as com base em sua experiência. É o eternamente soberano e decretador Deus e o seu Espírito que, através da Palavra viva, são os autores da nossa salvação e dos livros pelos quais a salvação é feita conhecida a nós.

Que Deus grande! Que livro maravilhoso! 
_________________
Fonte (original): Doctrine according to Godliness, 
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing 
Association, p. 18-19. 
Fonte Monergismo
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