segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Inspiração Plenária da Escritura

Como temos observado,[2] a palavra plenária significa “plena”. Falamos de inspiração plenária, portanto, para enfatizar o fato que a Escritura é plenamente inspirada. 

Essa é uma verdade que precisa de muita ênfase hoje, pois há aqueles que, embora alegando crer na inspiração da Escritura, negam que tudo da Escritura seja inspirado. Talvez eles não aceitem a história da criação de Gênesis 1-3, ou o que Paulo diz sobre o lugar da mulher na igreja, ou o testemunho de Romanos 9 concernente à predestinação dupla e soberana. Talvez eles aleguem que a Escritura é acurada em questões de doutrina e salvação, mas não nas questões de geografia, biologia, ciência e história. Eles não crêem que tudo da Escritura foi dado por inspiração. 

Contra todas essas alegações, cremos na inspiração plenária, o que significa várias coisas: 

Primeiro, inspiração plenária significa que todos os livros da Escritura (e nenhum outro) são inspirados por Deus. Não há nenhum deles que tenha qualquer autoridade ou necessidade menor que outro. 

Segundo, significa que a Escritura é inspirada nos diferentes tipos de literatura que apresenta. História, poesia, cartas, profecias: tudo foi “dado por inspiração de Deus, e [é]… proveitos[o]” (2Tm. 3:16).

 Terceiro, inspiração plenária significa que a Escritura é inspirada também em todas as questões de ciência, biologia, história e geografia. De fato, existem alguns exemplos notáveis disso. A Escritura sempre ensinou, por exemplo, que a Terra é circular, mesmo quando os homens não acreditavam nisso (Is. 40:22). Ela ensinava o ciclo hidrológico antes desse ser entendido pela ciência (Sl. 104:5-13). A crença que Deus é o inspirador da Escritura e o grande Criador exclui qualquer possibilidade da Escritura ser incorreta, mesmo nos seus mínimos e mais insignificantes detalhes.

Quarto, significa que a Escritura é plenamente inspirada em todas as questões que pertencem às nossas vidas. Não existem mandamentos ou requerimentos da Escritura que sejam antiquados ou culturalmente condicionados. Embora registrada por homens, tudo o que a Escritura diz procede do Deus eterno e não pode ser descartado como não tendo aplicação para nós. Quinto, inspiração plenária significa que mesmo a gramática, vocabulário e sintaxe da Bíblia são inspirados. Faz diferença que Deus tenha dito descendência, e não descendências em Gênesis 17:7[3](veja também Gl. 3:16[4]). 

Faz toda a diferença do mundo o fato de sermos justificados pela fé ou mediante a fé, mas não por causa da fé. Cada letra, palavra e sentença são importantes e devem, portanto, ser cuidadosamente traduzidas. Por causa da inspiração plenária, não aceitamos paráfrases da Escritura, e nem mesmo versões da Bíblia que seja uma mistura de tradução acurada e paráfrase, tal como a New Internacional Version (NIV). 

Nossa fé na inspiração plenária é testada por se damos a esse ensino um mero serviço labial, ou se recebemos a Escritura como a inspirada e infalível Palavra de Deus em todas as coisas, não duvidando, não colocando de lado nenhuma parte, mas submetendo-nos, obedecendo e crendo em tudo o que Deus disse, e fazendo isso embora o mundo todo esteja contra nós. 

Fonte (original): Doctrine according to Godliness, 
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing 
Association, p. 15-16. 

[2] http://www.monergismo.com/textos/bibliologia/inspiracao-escritura_hanko.pdf
[3]E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. 
[4]Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.
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