segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

As Confissões Reformadas [09/18]


INSTRUÇÃO NA FÉ (1537)

No início da sua estada em Genebra, João Calvino produziu dois importantes documentos para a cidade, uma confissão de fé a ser subscrita pelos residentes e um catecismo para a instrução religiosa das crianças. Esses dois textos tinham grande afinidade entre si e com a obra que o reformador havia publicado alguns meses antes, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas. Os catecismos protestantes representaram um novo gênero de literatura cristã. A palavra “catecismo” vem do grego katechein, que significa “instruir” (1 Co 14.19). O método da catequese foi amplamente utilizado na igreja antiga como preparação para o batismo (catecumenato), conforme descrito na obra Tradição Apostólica (c. 215), de Hipólito. O primeiro texto desse gênero no contexto da Reforma foi o Pequeno Catecismo de Lutero (1529). Entre os reformados, os primeiros a escreverem catecismos foram Leo Jud (Zurique) bem como Wolfgang Capito e Martin Bucer (Estrasburgo). Todos esses documentos foram eclipsados pelo catecismo de Calvino, também conhecido como “catecismo anterior” ou Catecismo de Genebra.

No dia 16 de janeiro de 1537, Calvino e seu colega Guilherme Farel apresentaram ao conselho municipal os “Artigos concernentes à organização da igreja e do culto em Genebra”. Esses artigos propunham a celebração freqüente da Ceia do Senhor, a disciplina da excomunhão e também normas sobre o cântico de salmos e sobre a educação cristã. O resultado foi o catecismo conhecido como Instrução na Fé, cujo título mais completo era Instrução e Confissão de Fé que são utilizados na Igreja de Genebra, descrito como “um sumário breve e simples da fé cristã, a ser ensinado a todas as crianças”. Esse texto é um testemunho da importância que o reformador francês atribuía ao ensino ou educação na fé cristã, mediante o qual as crianças e adolescentes pudessem alcançar maturidade em sua vida moral e espiritual. O documento também é valioso por representar uma síntese da teologia inicial de Calvino conforme refletida na primeira edição das Institutas. Embora tecnicamente distintos das confissões de fé, os catecismos também foram documentos através dos quais os reformados declararam e confessaram a sua fé.

Embora a estrutura temática do catecismo seja um tanto obscura, o conteúdo dos seus 33 capítulos é cristalinamente claro. Após uma seção introdutória (1-7) que aborda o propósito da vida humana (“conhecer a Deus”), o ser humano, o livre arbítrio e a salvação do pecado e da morte, Calvino prossegue com uma exposição do Decálogo e do significado da lei de Deus (8-11). Essa exposição é seguida por uma seção sobre a fé, na qual o reformador trata de temas como eleição, justificação, santificação, arrependimento e regeneração, seguindo-se uma explanação do Credo dos Apóstolos (12-21). Uma seção final aborda a oração (em especial a Oração do Senhor), os sacramentos, o ministério pastoral e o magistrado civil (22-33). Embora a obra aborde todos os temas calvinistas típicos, é improvável que fosse estudada diretamente pelas crianças e jovens. Calvino claramente pretendia que esse material fosse transmitido às crianças por intermédio dos pastores. Insatisfeito com o formato utilizado em Instrução na Fé, o reformador o substituiu em 1542 por um catecismo mais elaborado, apresentando a forma didática de perguntas e respostas.

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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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