quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

As Confissões Reformadas [12/18]


O CATECISMO DE EMDEN E A CONFISSÃO DE FRANKFURT (1554)

O início da década de 1550 viu o surgimento de uma das últimas confissões zuinglianas, a Confissão Rética (1552). Esse documento, escrito por Saluz Gallicius, foi aprovado em um sínodo reformado reunido nos Alpes Réticos, no norte da Suíça (Graubünden/Grisons). Seu objetivo foi estabelecer um sistema uniforme de doutrina em lugar do caos teológico então existente na região. Ele 1553, a confissão foi apresentada a João H. Bullinger, que lhe deu cordial aprovação. Mesmo após o surgimento da influente Segunda Confissão Helvética (1562), a Confissão Rética continuou a ser aceita como a padrão oficial dessa região por vários séculos. Seu principal interesse está na apresentação do conceito zuingliano sobre os sacramentos.

Outras confissões significativas dessa época estão relacionadas com o reformador calvinista Jan Laski (1499-1560). Ele era membro de uma aristocrática família polonesa e estava destinado a uma promissora carreira eclesiástica. Após estudar em Bolonha, esteve em Basiléia, onde viveu por um ano na casa de Erasmo de Roterdã (1525). Converteu-se ao protestantismo na Bélgica em 1540. Dois anos depois, deixou a Polônia e seguiu para Emden, no norte da Alemanha, onde foi nomeado superintendente das igrejas da Frísia Oriental. Nesse cargo, revelou notável talento organizador e atraiu a atenção de vários reformadores. Forçado a deixar a Alemanha, foi para a Inglaterra no reinado de Eduardo VI (1548), sendo nomeado pastor da igreja de refugiados holandeses e franceses em Londres (1550). Através de sua amizade com o arcebispo Thomas Cranmer, tentou exercer uma influência reformada na Igreja Anglicana. No reinado de Maria I, regressou a Emden e a seguir trabalhou por breve tempo em Frankfurt, retornando em 1556 ao seu país, onde passou os seus últimos anos.

O seu Catecismo de Emden (1554), baseado no Catecismo de Genebra, foi por sua vez usado pelos autores do Catecismo de Heidelberg. Substituiu outros catecismos usados em Emden, como a Confissão da Frísia Oriental (1528) e se tornou a norma doutrinária oficial dessa região, em cujo dialeto foi escrito. Suas 94 perguntas abordam de modo simples e conciso os Dez Mandamentos, a Oração do Senhor, o plano de salvação, a diferença entre lei e evangelho, o Credo Apostólico, os sacramentos, a igreja e a oração. A pergunta inicial é a seguinte: “Por que foste criado como ser humano? – Para que eu seja uma imagem de Deus e possa conhecer, amar e servir o meu Deus”.

Confissão da Igreja dos Estrangeiros em Frankfurt, do mesmo ano, também está associada a Laski. Essa igreja era composta em parte dos refugiados holandeses que haviam ido para Londres no reinado de Eduardo, mas tiveram de fugir sob Maria I. A confissão foi incluída em um manual eclesiástico, “Liturgia Sacra”, sendo a revisão de um documento anterior, “Compêndio de Doutrina”, do pastor holandês Maarten Micronius. Seu objetivo foi defender a igreja de estrangeiros de Frankfurt da acusação de serem “sacramentários”, isto é, aqueles que diziam que o corpo e o sangue de Cristo estavam presentes na Ceia do Senhor apenas simbolicamente (sacramentalmente). Após um prefácio, a 1ª seção trata de Deus, seus atributos, sua obra e sua paternidade (criação e eleição); a 2ª seção trata de Jesus Cristo; a 3ª seção, do Espírito Santo; a 4ª seção, da igreja, concluindo com uma rejeição do papa e de erros católicos. As pessoas deviam assinar essa confissão como condição para se tornarem membros da igreja ou participarem dos sacramentos.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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