quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

História do Movimento Reformado [14/25]

St. Giles' Cathedral tem sido local de culto cristão por mais de 900 anos, sendo considerada a Igreja Matriz do Presbiterianismo.

O PRESBITERIANISMO NA ESCÓCIA (2ª PARTE)

Quando o rei Carlos I (1625-1649) e William Laud, o arcebispo de Cantuária, tentaram impor à Igreja da Escócia a forma de governo e a liturgia da Igreja Anglicana, os escoceses se uniram em um Pacto Nacional, comprometendo-se a defender até a morte o presbiterianismo. Carlos moveu guerra contra os escoceses. Precisando de recursos, convocou eleições parlamentares, que resultaram em um parlamento puritano na Inglaterra. Esse parlamento convocou a Assembléia de Westminster (1643-1649), que teve a participação de uma pequena, mas influente delegação de teólogos escoceses (Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford). Concluídos os textos, a Igreja da Escócia os adotou oficialmente, deixando de lado os seus antigos documentos da época de John Knox. Através dos escoceses, os Padrões de Westminster foram levados para outras partes do mundo.

Carlos II (1660-1685) se esforçou ainda mais que seu pai para sujeitar a Igreja da Escócia ao sistema episcopal. Os presbiterianos outra vez se coligaram em um Pacto Nacional, ficando conhecidos como “covenanters” (pactuantes), e foram submetidos a horríveis perseguições. Milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos por causa da sua fé. Em 1689, no reinado de Guilherme e Maria, foi aprovado um decreto de tolerância que propiciou grande liberdade religiosa. Desde a união parlamentar das duas nações em 1707, os monarcas ingleses têm jurado manter o presbiterianismo na Escócia.

Um novo problema surgiu em 1712, quando o Parlamento aprovou a Lei do Patronato Leigo, pela qual os grandes proprietários receberam o direito de nomear os pastores das igrejas locais (essa lei só seria revogada em 1874). Foi um golpe no governo presbiteriano representativo e causou muitas controvérsias e divisões nos 130 anos seguintes. Em 1843, Thomas Chalmers e outros 472 pastores (mais de um terço de todos os ministros) saíram da Igreja da Escócia e criaram a Igreja Livre da Escócia. Esse evento ficou conhecido como a Grande Ruptura. A Igreja Livre tornou-se grande, com quase meio milhão de membros, e produziu maior número de pastores capazes e piedosos do que os outros ramos. Em 1847, alguns grupos pequenos formaram a Igreja Presbiteriana Unida. Em 1900, a Igreja Livre e a Igreja Unida se fundiram, criando a Igreja Livre Unida da Escócia. Finalmente, em 1929 esta se uniu à igreja majoritária, mantendo-se o nome Igreja da Escócia (“Kirk”). Essa igreja congregou a grande maioria dos presbiterianos escoceses (1,25 milhão), sendo que somente 50 mil permaneceram nos outros grupos. Ela tem 12 sínodos, 64 presbitérios e 4 faculdades de teologia ligadas às antigas universidades escocesas. Inclui maior proporção da população do que qualquer outra igreja protestante no mundo de língua inglesa.

Associando educação e piedade, a Igreja da Escócia exerceu grande influência sobre o cristianismo mundial, bem como sobre a comunidade reformada. Suas universidades têm sido uma fonte de erudição sólida e eficaz. Imigrantes e missionários escoceses difundiram o presbiterianismo em muitos lugares do mundo. A Igreja da Escócia é mãe das Igrejas Presbiterianas da Irlanda, Canadá, Austrália e África do Sul, bem como de vários ramos do presbiterianismo americano e de igrejas em campos missionários (nos anos 1970, havia trabalho em 21 campos no exterior). Ela produziu maior número de grandes pregadores, eruditos e escritores que qualquer outro grupo presbiteriano no mundo. Hoje essa grande e histórica igreja passa por dolorosa crise, enfraquecida pelo secularismo e pelo liberalismo teológico.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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