quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

História do Movimento Reformado [17/25]

Catedral de São Patrício, Dublin.

O PRESBITERIANISMO NA IRLANDA

Durante muito tempo os irlandeses abraçaram o cristianismo celta, independente de Roma, cujo primeiro grande líder foi Patrício, no quarto século. A partir de 1172, sob a influência da Inglaterra, o país tornou-se fortemente católico romano. No século 16, quando o rei Henrique VIII criou a Igreja Anglicana, separada de Roma, os irlandeses recusaram-se a aceitá-la. Seguiu-se um longo período de guerras em que o norte da ilha ficou praticamente despovoado. Foi então que o rei Tiago I resolveu colonizar essa região através de imigrantes escoceses e ingleses, criando em 1606 a Colônia de Ulster. Esses imigrantes eram calvinistas e muitos deles presbiterianos. Após uma rebelião em que os católicos massacraram grande número de presbiterianos (1641), o parlamento inglês enviou dez mil soldados à região, quase todos escoceses. Os capelães das tropas organizaram igrejas e promoveram a eleição de oficiais. Finalmente, no dia 10 de junho de 1642, em Carrickfergus, perto de Belfast, foi organizado o primeiro presbitério da Irlanda. Em 1659 já havia cinco presbitérios.

Durante quase todo o século 17 e início do século 18, os “escoceses-irlandeses” sofreram com as ações repressivas de diversos monarcas ingleses, nos aspectos político, econômico e religioso. Além disso, experimentaram calamidades naturais como secas rigorosas e a fome e pobreza resultantes. Com isso, muitos deles resolveram migrar para a América do Norte, principalmente a partir de 1717. Segundo uma estimativa conservadora, até 1776 pelo menos 250.000 cruzaram o Atlântico para o Novo Mundo (algumas estatísticas falam em 500.000). Em 1706, sob a liderança de Francis Makemie, um pastor emigrado da Irlanda, havia sido organizado o primeiro concílio presbiteriano dos Estados Unidos, o Presbitério de Filadélfia. Os escoceses-irlandeses radicados em Nova Jersey, Pensilvânia, Virgínia e nas Carolinas do Norte e do Sul foram os principais responsáveis pela formação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América (PCUSA). Eles também foram o principal grupo que lutou pela independência da nova nação.

No século 18, as divisões ocorridas na Igreja da Escócia afetaram o presbiterianismo irlandês. Por cerca de um século existiram lado a lado o histórico Sínodo de Ulster e o Sínodo da Secessão, que voltaram a se unir em 1840, formando a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana da Irlanda. A Irlanda do Norte separou-se do restante do país em 1921, ficando ligada ao Reino Unido. Em 1970, a Igreja Presbiteriana tinha uma comunidade total de 400.000 aderentes, das quais 140.000 eram membros comungantes. Contava com 567 igrejas locais, 537 pastores e 5.917 presbíteros. A cidade de Belfast, com meio milhão de habitantes, é o principal centro presbiteriano. Existem duas escolas de teologia, uma em Belfast e outra em Londonderry. Dois fatores prejudicaram o crescimento dessa igreja no passado: a emigração de milhares de membros para outras terras e as divisões e discórdias causadas por questões doutrinárias e litúrgicas. Apesar desses reveses, talvez até por causa dos mesmos, a Igreja Presbiteriana da Irlanda é hoje uma igreja forte, unida e conservadora.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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