segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

História do Movimento Reformado [19/25]


O PRESBITERIANISMO NORTE-AMERICANO (I)

O principal grupo formador da igreja presbiteriana nos Estados Unidos foram os escoceses-irlandeses, ou seja, os descendentes de escoceses que haviam se fixado no norte da Irlanda e posteriormente emigraram para a América. Durante o século 18, pelo menos 300 mil cruzaram o Atlântico, indo radicar-se principalmente nas colônias centrais: Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia, Carolina do Norte e Carolina do Sul. No oeste da Pensilvânia, eles fundaram a cidade de Pittsburgh, por muitos anos considerada a cidade mais presbiteriana dos Estados Unidos.

Já no século 17 haviam surgido diversas igrejas locais presbiterianas, que viviam isoladas umas das outras. No início do século seguinte elas começaram a unir-se em concílios, uma das principais características do presbiterianismo. O principal líder dessa iniciativa foi o Rev. Francis Makemie (1658-1708), o “pai do presbiterianismo americano”. Ordenado na Irlanda em 1683, ele foi logo em seguida para a América do Norte. Fundou diversas igrejas em Maryland e outras regiões, e viajou extensamente incentivando os presbiterianos. Como a Igreja Anglicana era a igreja oficial em várias colônias, ele sofreu perseguições; chegou mesmo a ser preso em Nova York em 1706.

Sob a liderança de Makemie, foi organizado em 1706 o Presbitério de Filadélfia, o primeiro do país, com a presença de sete pastores e alguns presbíteros. Em 1717, a existência de três presbitérios permitiu a criação do Sínodo de Filadélfia. Nessa época, a denominação tinha apenas 19 pastores, 40 igrejas e cerca de três mil membros. Em 1729 foi aprovado o Ato de Adoção, que aprovou a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como os padrões doutrinários do Sínodo. Outro líder destacado dessa época foi o Rev. Gilbert Tennent (1703-1764), um dos precursores do Primeiro Grande Despertamento, que estudou no Log College (Colégio de Toras), a primeira escola para preparação de pastores.

Entre 1741 e 1758, devido a diferenças acerca do avivamento e da educação teológica, os presbiterianos se dividiram em dois grupos: Ala Velha (Sínodo de Filadélfia) e Ala Nova (Sínodo de Nova York). Nesse período de divisão, vários evangelistas notáveis como Samuel Davies, Alexander Craighead e Hugh McAden trabalharam com grande êxito no sul do país, especialmente na Virgínia e nas Carolinas. Durante a Revolução Americana os presbiterianos tiveram uma atuação destacada, muitos deles tendo lutado na guerra de independência. O Rev. John Witherspoon (1723-1794), um escocês que foi presidente do Colégio de Nova Jersey (a futura Universidade de Princeton), fundado em 1746, foi o único pastor que assinou a Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776.

Em 1788, o Sínodo de Nova York e Filadélfia dividiu-se em quatro (Nova York e Nova Jersey, Filadélfia, Virgínia e Carolinas) e no dia 21 de maio de 1789 reuniu-se pela primeira vez a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América. Na época, a Igreja Presbiteriana era a denominação mais influente da nova nação. Em 1800, contava com cerca de 180 pastores, 430 igrejas e 20 mil membros. Ao longo do século 18, surgiram outros dois grupos presbiterianos nos Estados Unidos: a Igreja Presbiteriana Reformada e a Igreja Presbiteriana Associada, que se uniram em 1781.

Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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