domingo, 1 de dezembro de 2013

O JEJUM [07/08]


Infelizmente, porém, esse não é o único aspecto da questão. O outro aspecto é que necessariamente não expressa uma verdade o dito que “a roupa faz o monge”. A maneira de trajar-se revela quem a pessoa é, mas somente até certo ponto, e não completamente. Os fariseus vestiam roupas de talho particular — “pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas” (Mateus 23:5) — mas isso em nada garantia a verdadeira retidão pessoal. Na realidade, a Bíblia ensina que, em última análise, não é assim que o crente se diferencia do incrédulo. Parece-me que é aquilo que eu sou que demonstra essa diferença. Se eu mesmo sou correto, em meu homem interior, tudo o mais seguir-se-á naturalmente. Portanto, não convém que eu proclame que sou crente vestindo-me de maneira diferente, e, sim, demonstrando aquilo que sou. Contudo, ponderemos. 

Temos aqui uma questão assaz, fascinante e atrativa. Penso que o mais provável é que ambas essas afirmações exibem facetas da verdade. Por sermos crentes, todos deveríamos desejar ser diferentes das pessoas mundanas, mas, ao mesmo tempo, jamais deveríamos descer àquela posição que assevera que as vestes é que revelam o que realmente somos. Aí, pois, está a maneira errada de se observar essa questão do vestuário; e o galardão, para essa maneira errada, continua sendo o mesmo que já fora visto no caso de todos aqueles outros falsos métodos: “Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mateus 6:2). Há indivíduos que imaginam que aqueles que jejuam ostensivamente são profundamente espirituais, são excepcionalmente santos. Esses recebem seu louvor da parte dos homens, mas isso constitui toda a sua recompensa, pois Deus vê os segredos dos corações. Ele vê o coração do homem e sabe que “aquilo que é elevado entre homens, é abominação diante de Deus” (Lucas16:15).

Qual, pois, é a maneira correta do crente jejuar? Comecemos respondendo a isso negativamente. A primeira coisa é que o jejum não envolva um esforço distorcido, conforme faziam os fariseus. Por ter nosso Senhor dito: “Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto; com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e, sim, ao teu Pai em secreto”, muitos pensam que não somente não deveríamos desfigurar o rosto, mas igualmente deveríamos fazer todo o possível para ocultar que estamos jejuando, e até mesmo para darmos a impressão contrária.[2] Tal opinião, entretanto, envolve um total mal-entendido. Nada havia de excepcional em se lavar o rosto ou em ungir os cabelos. Essa era a maneira usual e normal de se proceder. O que nosso senhor quis dizer, pois, é o seguinte: “Quando você jejuar, faça-o de maneira natural”.

[2] É o que acontece infelizmente entre os evangélicos no Brasil, principalmente dentro do movimento pentecostal e neo-pentecostal. E nesses movimentos alguns vão ainda mais longe em seu delírio, afirmando que o jejum é anulado quando outra pessoa toma conhecimento do mesmo. (Nota do Monergismo.com)
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Por Dr. David Martyn Lloyd-Jones
Fonte Monergismo
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