quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Versões da Bíblia


Tem havido uma tamanha proliferação de versões da Bíblia, especialmente nos tempos recentes, que dificilmente alguém reconhece a Palavra de Deus quando esta é lida. Essa produção constante de novas versões não é sem importância. Se a Escritura é de fato a Palavra toda suficiente e inspirada de Deus, é muito importante que usemos uma boa versão da Bíblia.

Antes de recomendar uma versão particular, deixe-nos observar que a proliferação de versões modernas é uma das formas nas quais a Bíblia tem sido eficazmente retirada do povo de Deus. Porque tantas versões diferentes estão em uso, uma passagem pode não mais soar familiar quando é citada ou pregada. Nem as crianças aprendem e memorizam facilmente a Escritura, visto que estão sendo ensinadas a partir de muitas versões diferentes. Elas ouvem uma versão em casa, outra na escola, e ainda outra na igreja, e mais outras nas confraternizações e estudos bíblicos, e acabam não se lembrando de nenhuma.

É também impressionante que as muitas e variadas versões apareceram numa era de modernismo, apostasia e dúvida, não durante um tempo quando a igreja era forte e fiel à Palavra de Deus. Isso, em si mesmo, é uma boa razão para suspeitar dessas versões. Muitas delas, na verdade, não são verdadeiras traduções de forma alguma, mas paráfrases, tais como a The Living Bible, ou uma mistura de traduções e paráfrases, tal como a NIV. 

Nesse momento, é provavelmente óbvio para muitos que recomendaríamos apenas a King James Version (KJV),[2] que é chamada a Versão Autorizada na Grã-Bretanha. Recomendaríamos tal versão por muitas razões, sendo a mais importante que ela é uma tradução acurada e fiel das Escrituras hebraica e grega. Isso é tão verdade que o inglês da KJV de 1611 não é na verdade o inglês dos anos 1600, como é algumas vezes acusado, mas o “inglês bíblico”, o resultado dos esforços dos tradutores para serem fiéis tanto quanto possível ao original grego e hebraico. Um exemplo de tradução acurada na KJV é sua prática de colocar em itálicos todas as palavras que não são encontradas no original grego ou hebraico. 

Em defesa da KJV, não é verdade que as versões modernas são baseadas em manuscritos melhores desconhecidos pelos tradutores da KJV. Eles conheciam outros manuscritos, embora não tivessem todos aqueles que foram descobertos desde então. Esses outros manuscritos, embora alguns deles fossem bem antigos, eram muito corrompidos também, tendo neles milhares de mudanças e omissões importantes. A maioria dos manuscritos (80-90%), contudo, apóia o que é algumas vezes chamado de “Texto Recebido”, o texto sobre o qual a KJV é baseado. 

A necessidade de uma boa, fiel e acurada tradução como a KJV é expressa nas palavras de seus tradutores: “Tradução é aquilo que abre a janela, para deixar a luz entrar; que quebra a concha, para que possamos comer o núcleo; que puxa a cortina, para que possamos entrar no lugar santo; que remove a tampa do poço, para que possamos obter água”.[3] Sejamos, então, fiéis à Palavra de Deus como ele em sua providência e graça no-la deu, e que não fiquemos satisfeitos com nada menos que a Palavra de Deus. 
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[2] A versão em português mais próxima da KJV é a Almeida Corrigida Fiel (ACF), publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. [http://www.biblias.com.br/leiturabiblica.php] (N. do T.) 
[3] Da seção “Translation Necessary” [Tradução Necessária], originalmente no prefácio à King James (Authorized) Version of the Bible, 1611. Citado aqui do livreto com a grafia moderna “The Translators to the Reader” [Os Tradutores ao Leitor] (London: Trinitary Bible Society, 1998), 12. 

Fonte (original): Doctrine according to Godliness, 
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing 
Association, p. 26-27. 
Fonte Monergismo
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