quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Plano de Deus para a salvação do seu povo [08/11]

8. A Doutrina da Regeneração | Parte 2


PR. RUPERT TEIXEIRA 
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Redenção Específica


O FILHO DE DEUS DEU SUA VIDA PARA REDIMIR AQUELES QUE LHE FORAM DADOS PELO PAI, NO PACTO DA GRAÇA.

(Ef 5.25-27; Tt 2.14; Jo 10.11; Ap 1.5,6; At 20.28; Hb 10.14; Is 53.5,11).

As Escrituras ensinam que o Filho de Deus, ao vir ao mundo para dar a Sua própria vida, tinha em vista a salvação de um povo peculiar: "...o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles" (Mt 1.21); "O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (Jo 10.11); "Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa..." (Ef 5.25-27).

As Escrituras também ensinam que a expectativa do Redentor será plenamente realizada, e que nenhum de todos quantos o Pai Lhe deu deixará de ser salvo: "Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito" (Is 53.11); "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora"; "E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6.37,39); "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste" (Jo 17.24). E, finalmente, quando todos estiverem congregados no céu, Ele dirá: "Eis aqui estou eu, e os filhos que Deus me deu" (Hb 2.13). O Salvador terá a plena recompensa por Sua obediência até a morte, quando apresentar ao Pai todos os que lhe tinham sido dados no pacto da graça, para que fossem redimidos dentre todos os povos, reinos, línguas e nações da terra.

A redenção não será universal em sua consumação, pois os redimidos sairão dentre todos os povos, línguas e nações. Portanto, em qualquer dessas divisões da humanidade, nem todos estão incluídos. E a redenção também não pode ter sido universal em seu propósito; do contrário, o propósito falharia em sua consumação, pois nem todos, pelos quais a obra da redenção foi empreendida, seriam afetados e se salvariam.

Além da vontade de propósito, vimos que Deus tem uma vontade de preceito. De acordo com esta última, Deus ordena que todos em toda parte se arrependam; Ele requer de todos que creiam em Jesus Cristo, e é Sua vontade que todos honrem o Filho. A todos quantos obedecem à Sua vontade nestes particulares, Ele dá a promessa da vida eterna. O preceito e a promessa, estão ambos incluídos na vontade revelada de Deus. A vontade revelada de Deus é que o evangelho seja pregado a toda a criatura, e todos quantos o ouvem creiam, e todos os que crêem recebam a vida eterna. A vontade revelada de Deus é a regra de nossa fé, dever e esperança. Os que pregam e os que ouvem o evangelho estão autorizados e ordenados a regulamentar cada pensamento e ação pela vontade revelada de Deus. De acordo com essa vontade revelada, Cristo é apresentado como o Salvador do mundo (Jo 4.42); e os pecadores, sem exceção, são convidados e ordenados, a crer em Cristo.

Assim como o evangelho é pregado a todos os homens sem distinção, e todos são chamados a vir a Cristo para a vida, e nada senão a rejeição do evangelho impede a extensão das bênçãos do evangelho sobre todos os que o ouvem, segue que, a Palavra revelada de Deus fala dos ofícios e da obra de Cristo de acordo com as obrigações dos homens referentes a esses ofícios. Deve ser lembrado, entretanto, que o evangelho promete bênçãos somente àqueles que obedecem o evangelho. E, visto que a promessa, e não o preceito, é que serve de medida apropriada aos benefícios advindos do evangelho, os seus benefícios estão circunscritos a pessoas em particular, mesmo quando tal limitação, quanto à sua extensão, não parece figurar na linguagem bíblica. Por exemplo, Cristo é chamado de "o Salvador do mundo" (Jo 4.42) e de "a propiciação" pelos pecados do mundo inteiro (1 Jo 2.2). Por meio dEle veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida (Rm 5.18). Estas e outras expressões semelhantes nas Escrituras, representam os fatos como eles seriam, na suposição de que todos os homens cumprissem com o seu dever de crer no evangelho. Não obstante estas expressões de cunho geral, a vontade revelada de Deus assegura bênçãos somente aos obedientes.

As observações que têm sido feitas até aqui já são suficientes para mostrar que a redenção não é universal. Ela é específica em sua consumação e em seu propósito, sendo igualmente específica na revelação do propósito, revelação essa feita no evangelho. Os termos gerais "todos os homens", "o mundo inteiro" etc, que as Escrituras empregam para falar da extensão da redenção, não podem ser entendidos como se assegurassem os benefícios da redenção aos impenitentes e incrédulos. De acordo com a vontade secreta de Deus (ou vontade de propósito), a redenção está assegurada pela morte de Cristo, para todos os eleitos. De acordo com a vontade revelada de Deus, ela é assegurada somente para aqueles que crêem.

Na visão de algumas pessoas, o fato de a morte de Cristo servir como base para os apelos universais do evangelho, também é um argumento para a redenção universal. Mas de ninguém se pode dizer com propriedade que é redimido, se não obtém a libertação do pecado e nem jamais obterá. Já outras pessoas que admitem a doutrina da redenção específica, fazem distinção entre redenção e expiação, e, por causa da morte de Cristo permitir que o evangelho seja pregado a todos os homens consideram-na uma expiação pelos pecados de todos, ou então, uma expiação pelo pecado apenas em teoria. Contudo, o vocábulo neotestamentário empregado é, no grego, reconciliação (conforme Rm 11.15 e 2 Co 5.18,19). A reconciliação não é entre Deus e o pecado, em um sentido teórico, porque tal reconciliação é impossível. É, na verdade, uma reconciliação entre as pessoas, e uma reconciliação tão real que assegura salvação eterna: "Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm 5.10). Na visão de Paulo, serão salvos todos aqueles por quem a morte de Cristo fez a reconciliação ou expiação. E, portanto, a expiação não pode ser universal, a menos que a salvação seja universal. É possível empregar a palavra "expiação" em um sentido em que a sua abrangência seja uma mera questão de definição, mas é sempre melhor usar termos bíblicos no sentido em que são empregados nas escrituras.

Uma dificuldade surge quando se tem de harmonizar o caráter vicário da morte de Cristo e o convite universal do evangelho, a qual dificuldade pode ser formulada assim: Um convite irrestrito para todos os que ouvem o evangelho virem a Cristo para a vida, parece implicar que nEle foi feita uma provisão universal para todos os homens; e, para que assim fosse, parece necessário que Cristo tenha levado sobre si os pecados de todos.

Porém, a suposição de que Ele levou os pecados de toda a raça humana traz consigo muitas dificuldades. Antes de Cristo ter vindo ao mundo,multidões já tinham morrido em impenitência e estavam no outro mundo, sofrendo pelos seus pecados, enquanto Cristo padecia na cruz. Como poderia Ele ser um substituto e sofrer penalidade pelos pecados dessas pessoas, se elas estavam sofrendo por si mesmas a pena do pecado? E, se Ele levou sobre si a penalidade dos pecados de todos quantos já haviam morrido e ainda morreriam na impenitência, como é possível que os tais sejam requeridos uma segunda vez a satisfazer a justiça divina, sofrendo pelos próprios pecados?

Como solução para esta dificuldade (com a qual muitos têm ficado perplexos), existe a suposição de que o montante de sofrimento necessário para fazer um sacrifício de expiação é independente de quanto pecado tenha de ser expiado, poucos ou muitos. A hipótese merece ser respeitada, não apenas porque traz alívio à mente, mas também pelo fato de ter sido geralmente aceita por homens eruditos e piedosos. Entretanto, assim como qualquer hipótese inventada para remover uma dificuldade, esta suposição não deve ser transformada em artigo de fé, até que tenha sido provada.

Para suportar esta hipótese, tem-se argumentado que, visto que o salário do pecado é a morte, Cristo deve ter morrido por causa de um único pecado; e só era preciso que morresse para que fizesse a expiação dos pecados do mundo inteiro.

Mas tal argumento não sustenta a hipótese sugerida, a menos que se assuma que a morte é sempre a mesma, em qualquer caso imaginável. No entanto, a morte pode ser uma fácil e feliz transição deste mundo para um mundo de bem-aventurança. Não foi assim a morte de Cristo. Como salário do pecado, a morte envolve mais do que a mera dissolução do corpo; e Cristo, morrendo pelo pecado, levou sobre Si uma soma de aflições que não eram necessárias para a simples morte natural. Nesses sofrimentos, principalmente, consiste a eficácia de Sua morte expiatória, e não ousamos assumir que o montante de sofrimento deve ser o mesmo em qualquer caso que se possa supor. Os sofrimentos de Cristo derivam valor infinito na natureza divina do Filho de Deus; porém, tendo sido suportados pela Sua natureza humana, o montante final não poderia ter sido infinito. Assim, podemos supor que o total de sofrimentos possa ter sido diferente em diferentes circunstâncias. Por exemplo, os habitantes de Sodoma e Gomorra serão, no dia do juízo, sentenciados à segunda morte, como também os ainda mais culpados habitantes de Corazim e Betsaida; mas os horrores serão mais intoleráveis em um caso do que noutro. Uma analogia requer que Cristo, ao padecer pelos pecados do mundo inteiro, teria sofrido mais do que se tivesse sofrido por causa de apenas um único pecado.

Os defensores da hipótese anteriormente mencionada insistem que a expiação é moral, e não comercial. Para eles a noção de que tanto mais pecado tanto maior o sofrimento, faz com que a expiação se degrade, parecendo mera transação comercial. De acordo com uma ilustração dada anteriormente, se vinte homens têm uma dívida têm uma dívida de cem dólares, a justiça comercial será satisfeita se cada homem pagar cinco dólares. Porém, quando vinte homens conspiram para cometer um assassinato, a justiça moral, ou melhor, a justiça distributiva (pois a justiça comercial também é moral), tem por culpados cada um dos vinte homens, e merecedores da punição capital como se tivessem cometido o crime, cada um individualmente. Com base no mesmo princípio, dizem, a justiça moral não divide em partes a morte de Cristo, de acordo com a gravidade de cada ofensa. Antes, considera-a igualmente suficiente, seja para uma ou para muitas ofensas; e igualmente suficiente para os pecados do mundo inteiro, como para os pecados dos eleitos.

O argumento não é conclusivo. Não é verdade que o princípio de justiça distributiva repele a noção de que o sofrimento é proporcional ao pecado cometido. A balança da justiça opera no governo, tanto quanto no comércio; e uma parte essencial na administração da justiça consiste na de penalidades aos crimes. O roubo de plantas no jardim de um vizinho e o assassinato de um pai de família não são considerados crimes de igual magnitude, e nem tampouco recebem iguais penalidades. A justiça de Deus tem uma penalidade mais severa para Corazim e Betsaida do que para Sodoma e Gomorra. De tudo quanto temos conhecimento na administração da divina justiça, vemos que a noção do sofrimento ser correspondente `gravidade e ao montante de pecado tende a ser estabelecida, e não desacreditada.

A objeção de ficar a expiação reduzida a mera transação não é bem fundada. Embora se possa fazer distinção entre justiça autoritativa e justiça comercial, não se segue necessariamente que tudo quanto se possa afirmar a respeito de uma deva ser negado a respeito da outra. A justiça distributiva não se ocupa propriamente com questões de interesses e vantagens;entretanto, não exclui toda consideração para com magnitudes e proporções. Na linguagem das Escrituras, pecados são dívidas (Mt 6.12); o sangue de Cristo é um preço e o povo de Deus é comprado (1 Co 6.20; 1 Pe 1.18). Esta linguagem é, sem dúvida, figurativa, mas não seria apropriada se a justiça comercial (a que pertence os termos dívida, preço e comprado) não tivessem alguma analogia para com a justiça distributiva, que requereu o sacrifício de Cristo.

No caso que apresentamos como ilustração, cada cúmplice no assassinato é tido como culpado, porquanto cada um tinha a plena intenção do crime. A justiça, olhando o crime pela intenção, considera cada um deles culpado e requer que a penalidade seja infligida sobre todos. Não se admite que apenas um dos cúmplices receba a punição que cabe a todos; a justiça pesa para cada um a penalidade que lhe é devida e o montante da penalidade de acordo com o montante do crime.

Examinado desta maneira, vemos não ser conclusivo o argumento que diz ficar reduzida a expiação a mera transação comercial, caso prevaleça a noção de que o total de sofrimentos de Cristo corresponde ao total dos pecados expiados. Se o sacrifício de Cristo exclui qualquer consideração para com o montante de pecados a serem expiados, esta exclusão não advém de princípios abstratos da justiça distributiva, como diferenciados dos princípios da justiça comercial, mas de algo peculiar a esta grande transação que foi a morte de Cristo. Jamais ocorreu outra transação com a qual pudesse ser comparada. Foram a sabedoria e a justiça de Deus que decidiram este caso, e a decisão foi correta e justa. Cristo realmente suportou tanto sofrimento quanto necessário para expiar os pecados que sobre Ele foram lançados. Até onde sabemos, no tribunal celeste jamais se estabeleceu uma conclusão para a questão de quanto sofrimento seria necessário, se Cristo tivesse morrido para expiar apenas um pecado. Se nós presunçosamente decidimos a questão por nós mesmos, estamos em perigo de nos imiscuirmos naquelas coisas que não pertencem a nós, mas a Deus. Se as Sagradas Escrituras nada nos ensinam a respeito do assunto, não deveríamos procurar ser mais sábios do que aquilo que está escrito.

As Escrituras, até onde sei, não contém nenhuma prova para essa hipótese, isto é, que a quantidade de sofrimento necessária para fazer um sacrifício de expiação, não é aumentada nem diminuída pela quantidade de pecado a ser expiada. O melhor argumento a seu favor é tirado de Hebreus 9 e 10, onde é ensinado que, se os sacrifícios da antiga dispensação tivessem sido eficazes, não haveria necessidade de terem sido repetidos. Isto parece dar a entender o princípio de que um sacrifício pelo pecado, uma vez consumado, será suficiente para todo o pecado, não importa quanto pecado possa ser multiplica por eras e eras. Este princípio, uma vez estabelecido, confirmará a hipótese aduzida. Porém, a cláusula "não teriam cessado de ser oferecidos" pode tomada sem o ponto de interrogação que aparece no final do versículo (Hb 10.2), e assim o argumento do escritor sagrado passa a ser outro, isto é, que os sacrifícios da dispensação do Velho Testamento, se eficazes, teriam continuado a ser oferecidos de ano a ano, fazendo a expiação de cada ano que passava; e não teriam sido suplantados por uma nova aliança, conforme o Senhor tinha predito mediante o profeta. Interpretado dessa maneira, o argumento deste versículo ao invés de dar comprovação definitiva à hipótese já mencionada, subverte-a. Porém, se a causa for lida incluindo-se o ponto de interrogação, ainda assim, pode ser entendida como referindo-se à recordação, de ano em ano, continuamente, dos mesmos pecados que já uma vez tinham sido expiados. Ora, se os pecados de um ano tinham sido expiados, por que deveriam exatamente os mesmos pecados serem trazidos à lembrança no segundo, terceiro e quarto anos, e por que a oferenda por esses pecados teria de ser repetida, se já o primeiro sacrifício tinha sido eficaz Examinando por este ângulo, vemos que o argumento do escritor sagrado não serve de comprovação para o princípio envolvido na hipótese levantada.

Se depois de examinarmos cuidadosamente essa hipótese, somos levados a abandoná-la ao invés de fazer dela um artigo de fé; e se a dificuldade que ela se propunha a resolver continua a nos deixar perplexos, podemos obter alívio, como somos compelidos a fazer em outros casos, recebendo a totalidade da verdade de Deus com base na autoridade de Deus, mesmo que a harmonia das partes da revelação não seja aparente ao nosso fraco entendimento. Recebidas desta maneira, as dificuldades teológicas fornecem uma oportunidade para o exercício de confiança na veracidade divina; e o nosso estado mental nunca está melhor ou mais seguro do que quando, em simples fé, aceitamos sem discussão aquilo que Deus nos diz.

Até onde podemos julgar, o sofrimento de Cristo, quando visto à parte do propósito de Deus, eram em si mesmos tão bem adaptados para cobrir os pecados de Judas quanto os de Pedro. Porém, não podemos afirmar a mesma coisa de cada ato que Jesus realizou em Seu ministério como sacerdote. Sua intercessão por Pedro foi específica e eficaz, e como parte do Seu ofício sacerdotal pode ser incluída juntamente com Seus sofrimentos, como que formando uma perfeita e aceitável oferenda, que Ele, o grande Sumo Sacerdote, faz pelo Seu povo. A expiação ou reconciliação daí resultante, deve ser tão particular quanto as intercessões mediante as quais essa expiação foi solicitada.

Alguns afirmam que, se a expiação não é universal, nenhum pecador pode estar sob obrigação de crer em Cristo até que tenha certeza de ser um dos eleitos. Isto implica que nenhum pecador tem obrigação de crer no que Deus diz, a menos que saiba que Deus planeja salvá-lo. Mas Deus declara que não há salvação, senão através de Jesus Cristo, e todo pecador está na obrigação moral de crer nessa verdade. Se fosse revelado dos céus que, dentre toda a raça decaída, apenas um pecador seria salvo por Cristo, a obrigação de crer que não existe salvação fora de Cristo continuaria a mesma. Cada pecador a quem essa revelação fosse feita estaria obrigado a olhar para Cristo, como sua única possível esperança e a entregar a si mesmo àquela misericórdia soberana, pela qual alguém da raça justamente condenada seria salvo. Contudo, a abundante misericórdia de nosso Deus não ficará confinada à salvação de apenas um pecador; ela irá trazer muitos filhos à glória, mediante os sofrimentos de Jesus, o Autor da nossa salvação. Ainda assim, todo o pecador que confia em Cristo para a salvação tem a obrigação de entregar-se, sem reservas, à soberana misericórdia de Deus. Se ele exige alguma garantia prévia de estar incluído no número dos eleitos, não está se rendendo completamente a Deus, como um pecador culpado deve fazer. O evangelho leva cada pecador a se prostrar aos pés do grande Soberano, esperando encontrar da parte dEle misericórdia, à maneira que Ele bem entender. O evangelho é pervertido quando estes termos são rebaixados. Os ofensores são chamados a virem a Deus em rendição absoluta e incondicional, e este chamamento universal se harmoniza precisamente com a doutrina da redenção específica.

Extraído do livro "Manual de Teologia", Editora Fiel, p.p. 258-264 (com permissão).
Por John L. Dagg
Fonte: Monergismo
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Questões Sóbrias para Aqueles que Crêem numa Redenção Universal ou Expiação Ilimitada


Estas questões não têm como objetivo gerar disputas entre o povo de Deus, mas são, pelo contrário, uma tentativa de fazer com que estas mesmas pessoas pensem sobre suas posições teológicas. Estas não são questões loucas para serem evitadas (Tito 3:9). Elas dizem respeito ao fato mais momentoso e glorioso de todos...que Cristo morreu pelos nossos pecados (1 Coríntios 15:3). Muitos dos evangélicos e fundamentalistas sustentam a doutrina da redenção geral, isto é, que Cristo morreu somente com a intenção de salvar Seus eleitos e, assim, Ele morreu pelos pecados de Faraó, de Judas e de qualquer outro homem que esteja agora no inferno.

Nenhuma das questões possui “pegadinhas” ou “falsificações”, de forma alguma. A tentativa é mostrar a inerente fraqueza da visão não-calvinista. Creio que estas questões são sólidas e não podem ser usadas logicamente ou revertidas para lançar alguma sombra de dúvida sobre a posição calvinista.

QUESTÕES SÓBRIAS

1) Você crê que Cristo morreu pelos pecados dos anjos caídos, que estão reservados na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia (Judas 6), quando serão lançados como malditos no fogo eterno (Mateus 25:41), para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre(Apocalipse 20:10)? OU você crê que a expiação foi limitada a um grupo particular de pecadores?

2) Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?

3) Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará SATISFEITO? (Isaías 53:11) Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? (Marcos 14:21).

4) Você relaciona a morte de Cristo - certamente o assunto mais importante sempre - com versos como Isaías 14:24/14:27/46:10/Salmos 115:3/Provérbios 19:21 etc., os quais ensinam que os propósitos de Deus são certos e não podem ser frustrados?

5) Você crê que Cristo morreu por aqueles que já estavam no inferno, isto é, Caim, Faraó, etc., quando Ele veio ao mundo? Ele morreu de bom grado por eles, suportando todos os seus pecados, mesmo embora Ele soubesse que nem um milímetro de Seus sofrimentos jamais os beneficiaria?

6) Cristo realmente suportou os pecados daqueles que já estavam ou agora estão ou irão estar no inferno quando Ele morreu por eles? O resultado disto é o mesmo do crente, isto é, o esquecimento de Deus dos seus pecados (Hebreus 10:17)? Se sim, por que eles estão sendo relembrados agora? Se não, até que ponto é a diferença que você está introduzindo?

7) Se Cristo sofreu e morreu por aqueles que estão agora sofrendo no inferno e agonizante pelos seus pecados...não estaria Deus exigindo castigoduas vezes pelos mesmos pecados? Isto é justo?

8) Cristo morreu pelo pecado da incredulidade? Se sim, porque este pecado impede o pecador, mais do que qualquer outro pecado pelos quais Cristo morreu?

9) Você crê que na Bíblia, palavras como "todos" e "mundo" e "todo homem" sempre significa cada pessoa ou coisa individualmente, a menos que seja limitada especificamente (por exemplo, 1 João 3:3) OU você reconhece que algumas vezes na Bíblia, palavras como "todos" significa "todos tipos de" (1 Timóteo 6:10) e "mundo" significa os gentios em oposição aos judeus somente (João 12:19-20) e "todo homem" significa "todos tipos de homem" (Atos 4:35/1 Coríntios 7:2), sem qualquer menção específica de uma limitação?

10) Você reconhece a distinta vantagem de se crer na redenção particular - que ela realmente realizará aquilo para o qual foi designada, isto é, a certa e infalível salvação daqueles por quem ela foi pretendida? Você reconhece a distinta desvantagem de se crer numa redenção geral que reside no tipo de imprecisão e o não poder reivindicar 100% de sucesso?

11) Você vê a redenção particular como estando em desvantagem quando se trata da livre oferta do evangelho? Tanto calvinistas como não calvinistas crêem que o precioso sacrifício do Filho de Deus é suficiente para salvar o mundo, tanto os eleitos como os não eleitos - isto não remova qualquer senso de desvantagem?

12) Você reconhece que alguns dos maiores evangelistas que já viveram, criam e pregavam a redenção particular - por exemplo, George Whitefield eC.H. Spurgeon - sem serem prejudicados na extensão de seus ministérios de ganhar almas?

13) Aparte da possibilidade de um ocasional hiper calvinista - uma espécie em extinção - você já ouviu um calvinista declarar que ele não necessita evangelizar, visto que o sacrifício de Cristo garante a salvação dos eleitos, quer ele evangelize, quer não?

14) Você se refreia de crer na redenção particular por qualquer outra razão além do temor do homem? Se o temor do homem é a única razão, você não reconhece que isto no fim provará ser uma armadilha? Você não pode conversar sobre e através das diferenças com aqueles que você teme, apontado o sucesso da pregação calvinista na história da igreja? (Provérbios 29:25).

Por Pr. Colin Maxwell
Fonte: Monergismo
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O Amor de Deus é pleno de Graça [07/07]

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“7.  O amor de Deus é pleno de graça. 

O amor e o favor de Deus são inseparáveis. Esta verdade é exposta claramente em Romanos 8:32-39. O que é esse amor, do qual,nada nos pode -separar, percebe-se facilmente pelo propósito e alcance do contexto imediato: é aquela boa vontade ou beneplácito e graça de Deus que O determinou a dar Seu Filho pelos pecadores. Esse amor foi o poder impulsivo da encarnação de Cristo: “… Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16). Cristo morreu, não para fazer com que Deus nos amasse, mas porque Ele amava o Seu povo. O Calvário é a suprema demonstração do amor divino. Leitor cristão, sempre que você for tentado a duvidar do amor de Deus, volte ao Calvário.

Há aqui, pois, farta causa para confiança e paciência sob a aflição debaixo da mão de Deus. Cristo era amado pelo Pai, porém Ele não foi eximido de pobreza, humilhação e perseguição. Cristo teve fome e sede. Assim, quando Cristo permitiu que os homens cuspissem nEle e O golpeassem, isso não foi incompatível com o amor de Deus por Ele. Portanto, que nenhum cristão questione o amor de Deus quando passar por aflições e provações. Deus não enriqueceu a Cristo na terra com prosperidade temporal, pois Ele não tinha “… onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Mas Deus Lhe deu o Espírito sem medida {João 3:34). Aprenda o cristão, pois, que as bênçãos espirituais são os principais dons do amor divino. Que bênção saber que, ao passo que o mundo nos odeia, Deus nos ama!”
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A. W. Pink, Atributos de Deus, cap XV, (Ed. PES)
Fonte: Gloriam Christi
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Senhorio de Cristo

(Dezembro, 1932. Estudos nas Escrituras – “Examinais as Escrituras” João 5:39)
Nosso presente tema coloca diante de nós um mui diferente aspecto da Verdade a partir do que chamou a nossa atenção no último artigo: um mais grandioso contraste poderia ser raramente imaginado – Cristo o Servo, Cristo o Soberano; sujeito da vontade de Outro, exercitando o Seu próprio prazer imperial; e isto, ao mesmo tempo! Verdadeiramente, “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne” (1 Timóteo 3:16). De passagem, deixe ser sinalizado que o aparente conflito entre a Justiça Divina e a Misericórdia Divina, entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana, entre os Cristãos estando “debaixo da graça” (Romanos 6:14) e ainda “debaixo da lei” (1 Coríntios 9:21), entre a salvação em si sendo tanto um “dom” (Efésios 2:8) e uma “galardão” (Colossenses 3:24), não apresentam maior paradoxo do que o acima. Nosso inegável dever é acreditar em ambos os lados do paradoxo como eles são revelados nas Escrituras, indo tão longe quanto vá as Escrituras, e deixando com Deus a perfeita consistência entre eles.
A palavra Grega para “senhor” significa alguém tendo o direito pessoal de reger, como é exercitado no direcionamento e governo da família; mais apropriadamente isto significa um mestre ou governador sobre os servos, que são obrigados a obedecê-lo. Tal um Governador e Regente é Cristo, se nós consideramos o Seu título a este domínio ou o exercício disto. Ele tem o título de universal Senhor pela criação (João 1:3) – tendo feito todas as coisas. Ele tem o direito de dispor delas; pela sustentação (Colossenses 1:16) – como o Preservador, Ele tem o direito de reger todas as coisas; pela indicação Divina (João 3:35) – todas as coisas tem sido dadas a Ele; por adequação pessoal (Colossenses 1:19).
Há um duplo “Senhorio” pertencente a Cristo: um que é natural, absoluto, inato, pertencendo-O por Ele ser simplesmente considerado como a segunda Pessoa da Trindade, a quem todas as dignidades e realezas da Divina natureza pertencem, igualmente ao Pai e ao Espírito Santo; cujo Senhorio em todos Três é encontrado sobre Sua resolução comum em fazer todas as coisas e também no governo delas. Mas há também outro “Senhorio” pertencente a Cristo, nomeadamente, um derivado e dispensatório, que é estabelecido pelos conselhos de Deus para a realização de todas as Suas obras, tanto para e a Ele; cujo Senhorio é apropriado e peculiar a Cristo, considerado como o Mediador Deus-homem, a quem tanto “todo o poder” ou “autoridade” tem sido dado a Ele “no céu e na terra” (Mateus 28: 18); “E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem” (João 5:27).
Este é o Senhorio delegado ou mediador de Cristo, o qual nós contemplaremos agora. Isto era sobre aquilo que Pedro falou quando disse: “Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36). Este é um Senhorio “feito” dEle, a quem ainda, pela virtude disto, fez todas as coisas. Paulo também se referiu a isto quando ele disse: “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hebreus 1:2): “Herdeiro” aqui é equivalente a “Senhor”, e “constituiu” a “fez”. Cristo sendo “Senhor” evidentemente significa um ofício e economia comprometidos a Ele e realizado por Ele, como “Cristo” também o faz.
Como “Senhor” Cristo tem sido designado pela Divindade para “governar todas as coisas”. Ele mesmo declarou: “Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste” (João 17:2). Agora, é um sério erro supor que nosso bendito Redentor apenas assumiu este ofício após a Sua ascensão, como o é pensar que Ele cessou de ser Servo e não mais obedece no Céu. Lucas 2:11 enfaticamente declara: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”, Em verdade, ali era apenas um assumir inicial deste ofício em Seu nascimento, a plena assunção e exercício disto aguardando a Sua exaltação; não obstante isto, como veremos, era real.
Se nós formos cuidadosamente através dos quarto Evangelhos, com este pensamento diante de nós, colheremos muitos vislumbres da realização de Cristo de Seu Senhorio mesmo durante os Seus dias em carne. Ouçam as Suas palavras quando o pobre leproso veio até Ele buscando cura: “E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo” (Mateus 8:3). Vejam-nO amaldiçoando a figueira (Mateus 21:19) – ninguém poderia precisamente fazer isto, a não ser o Criador e Senhor disto. Contemplem-nO dando ordem para os ventos e ondas para se acalmarem (Mateus 8:26). Ponderem em Seu repetido: “Em verdade, em verdade, Eu vos digo”: nenhum outro jamais usou tal linguagem. Observem-nO autoritariamente ordenando a doença a sair, e o morto a ressuscitar. Vejam-nO expulsando demônios, e fazendo-os tremer diante dEle. Que demonstrações foram estas que Ele que [havendo] tomado sobre Si a forma de um Servo, não abdicou o Seu Senhorio. Apropriadamente foi o Seu nome chamado “Maravilhoso” (Isaías 9:6).
Uma e outra vez, Ele refere a Si mesmo neste caráter. Aos Seus discípulos Ele disse: “Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara” (Mateus 9: 38). Quando ordenou a eles que solicitassem o uso de uma jumenta e um jumentinho, Ele disse: “E, se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os há de mister; e logo os enviará” (Mateus 21:3). Ele elogiou os Seus Apóstolos por considerarem-nO como tal: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou” (João 13: 13). O Seu comissionamento aos Seus servos evidenciou o mesmo fato (Mateus 10:5-7; 28:19). Sua implícita solicitação por obediência da parte de Seus seguidores demonstrou a mesma coisa (João 14:15). Sua posse das chaves da morte e do Inferno (Apocalipse 1:18) manifestam o Seu elevado domínio. Seu estabelecimento dos ofícios na Igreja exibem o Seu Senhorio (Efésios 4:11-12). O Seu governo sobre as igrejas demonstram o Seu soberano domínio (Apocalipse 1:3). O Seu abrir e fechar de portas aos Seus servos (Apocalipse 3:7) claramente exibem o Seu Senhorio. O galardoar aos Seus santos (Apocalipse 22:12) testemunha esta verdade. O Seu destruir de Seus inimigos (Mateus 22:13) solenemente atestará isto.
Uma palavra sobre o caráter e escopo de Seu Senhorio. Ele é “Senhor de todos” (Atos 10: 36). “Senhor sobre todos” (Romanos 10:12), e Senhor por quem todas as criaturas e coisas existem e subsistem: “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1 Coríntios 8:6) – “um Deus” em três Pessoas; “um Senhor” ou Mediador. Todas as coisas são de Deus originalmente, por Cristo derivadamente. Este fato será universalmente conhecido no último dia, quando “ao nome de Jesus se dobrará todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, [para glória de Deus Pai] (Filipenses 2: 10-11). Ele não é apenas um Senhor universal, mas um [Senhor] Todo-Poderoso, pois Ele “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Filipenses 3:21). Ele é um Senhor imbatível, o “único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores” (1 Timóteo 6: 15).
Nós cremos que o que foi expresso acima habilitará o leitor a discernir claramente entre a Deidade e o Senhorio de Cristo. Em Sua Pessoa Em sua Pessoa Ele é verdadeira e propriamente Deus. Mas quando Ele toma a humanidade em união com Ele mesmo, como Mediador o ofício do Senhorio universal foi delegado a Ele. Este ofício Ele assumiu em Seu nascimento, executou-o em toda a Sua vida terrena, continua a desempenhar no Céu, e o fará por toda a eternidade. Mesmo na nova terra, o Cordeiro ocupa o trono com Deus (Apocalipse 22:1). Que a Divina graça nos mova a dizer de coração: “Meu Senhor, e meu Deus” (João 20:28). Quais são as nossas responsabilidades sob um tal Senhor? Primeiro, servir a Ele somente – não o pecado e Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4:10). Ele deve ser servido sem reservas: “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor” (Romanos 12:11). Ele deve ser servido perpetuamente: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Romanos 14:8). Que a Divina Graça nos capacite a atentarmos para esta exortação: “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele” (Colossenses 2:6).
Por Arthur Walkington Pink
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Os libertinos


Os libertinos existem há muito tempo dentro da Igreja Cristã. Não vamos confundi-los com aqueles que procuram a liberdade da escravidão do pecado, da carne, do mundo e da lei, que é a liberdade cristã propriamente dita, encontrada em Cristo. Nesse sentido, todo crente verdadeiro é livre, ao mesmo tempo em que é escravo de Deus e servo dos seus semelhantes. Paulo fala disso em Romanos 6.


Os libertinos são diferentes. Eles também falam da liberdade cristã, da liberdade de consciência e da liberdade da lei, só que querem também ser livres de Deus e do próximo. Não percebem a liberdade dada por Cristo como estímulo para viver em obediência a Deus e serviço ao próximo, mas como uma licença para fazerem o que tiverem vontade.



Nós os encontramos em todos os períodos da Igreja. Quem não lembra de Balaão, o falso profeta que ensinou os filhos de Israel a se prostituir com as cananitas e a praticar a religião delas, como se fosse algo aceitável a Deus? (Num 31.16).



Encontramos os libertinos infiltrados nas comunidades cristãs primitivas, ensinando que a graça de Deus permitia ao cristão a participação nos sacrifícios pagãos oferecidos nos templos. Paulo encontrou um grupo de libertinos em Corinto, que achava que tudo era lícito ao crente, inclusive participar dos festivais pagãos oferecidos nos templos dos idólatras (1Cor 8—10). O livro de Apocalipse menciona os nicolaítas e os seguidores de Jezabel, grupos libertinos que ensinavam os cristãos a participar das “profundezas de Satanás” (Ap 2.24). Menciona também a “doutrina de Balaão”, que parece ter sido uma designação relativamente comum no séc. I para os libertinos (cf. Ap 2.14). Judas escreveu sua carta para denunciar e enfrentar “certos indivíduos que se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 4).



Na época da Reforma, Calvino referiu-se em uma de suas cartas ao partidos dos libertinos na igreja de Genebra, que usava a “comunhão dos santos” para troca de esposas (mencionado no livro de Piper, Alegria Soberana).



Os libertinos modernos não são diferentes e mantém basicamente as mesmas características dos libertinos denunciados no Novo Testamento, particularmente na carta de Judas, a saber:



1. Os libertinos estão introduzidos nas igrejas e comunidades cristãs, mesmo não sendo verdadeiros crentes em Cristo Jesus, dissimulando suas crenças e práticas até se sentirem seguros para manifestar abertamente o que são. Eles estão presentes nos cultos e festividades como “rochas submersas” (Jd 12), que representam um perigo para a navegação. 



2. São pessoas ímpias – isto é, sem piedade pessoal, sem temor a Deus e sem verdadeiro relacionamento com o Senhor Jesus Cristo  – que se apresentam travestidas de cristãos, usando a linguagem cristã e engajadas em práticas cristãs. São arrogantes e aduladores dos outros por interesses (Jd 16). São “sensuais” e “promovem divisões” no corpo de Cristo com suas ideias heréticas (Jd 19).



3. A doutrina libertina é que a graça de Cristo faz com que tudo seja lícito ao cristão, inclusive a prática da imoralidade – que naturalmente não é chamada por esse nome, mas por eufemismos e outros nomes, como sexo livre, amor, etc. Essa doutrina transforma essa graça em libertinagem – é daí que vem o nome “libertinos”.



4. Em última análise, a doutrina dos libertinos nega a Jesus Cristo, que sofreu na cruz para livrar seu povo não somente da culpa do pecado, mas do poder do pecado em suas vidas, conduzindo-os à santidade e pureza. Os libertinos vivem sem nenhum recato (Jd 12).



5. A fonte de autoridade para essa doutrina não é a Escritura, que em todo lugar condena a imoralidade, a concupiscência, a prostituição e o adultério, mas suas experiências pessoais. Judas chama os libertinos de “sonhadores alucinados que contaminam a carne” (Jd 8). O "cristianismo" dos libertinos não é oriundo da revelação de Deus nas Escrituras, mas é fruto da sua mente carnal, “instinto natural, como brutos sem razão” (Jd 10).



Falando claramente e sem rodeios, os libertinos presentes nas igrejas e comunidades evangélicas não veem nada de errado com o sexo antes do casamento, a multiplicidade de parceiros, as relações homossexuais, a pornografia, aventuras amorosas fora do casamento, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, a participação dos cristãos nas diversões mundanas e absorção dos valores desse mundo no vestir, trajar, viver e andar. A agenda libertina é mais ampla do que essa e alguns libertinos são mais radicais que outros. Mas no geral, libertinos são contra qualquer sistema que tenha uma ética definida e clara e que defenda valores morais absolutos e fixos.



Libertinos costumam construir uma imagem de Jesus como uma pessoa inclusivista, que amou a todos sem distinção, jamais condenou ninguém nem se pronunciou contra o pecado de ninguém. Todavia, o Jesus libertino é diferente do Jesus da Bíblia, que o Cristianismo histórico vem anunciando faz dois mil anos. 



Se Jesus foi o que os libertinos dizem, ele foi um fracasso, pois seus discípulos mais chegados se tornaram o oposto do que ele queria: Pedro passou a ensinar que a vida nas paixões carnais era pecaminosa (1Pedro 1:13-19), João passou a dizer que a paixão pelas coisas do mundo e da carne não procedem de Deus (1João 2.15-17), Tiago condenou o mundanismo (Tiago 4), o autor de Hebreus disse que temos que lutar até o sangue contra o pecado que nos rodeia (Hebreus 12.1-4) e Paulo declarou que os sodomitas e efeminados não entrarão no Reino de Deus (1Coríntios 6:9-11). Eles certamente não aprenderam essas coisas com o Jesus libertino.



Os libertinos convenientemente calam-se sobre determinadas passagens nos Evangelhos onde Jesus, ao receber prostitutas, cobradores de impostos e pecadores em geral, os ensinava a segui-lo, não cometendo mais pecados, tomando a sua cruz, negando a si próprios e se tornando sal e luz desse mundo em trevas. Nenhuma prostituta, imoral, ladrão, que conheceu Jesus e se tornou seu discípulo continuou na sua vida imoral. Zaqueu, Mateus e Madalena que o digam.

Por Augustus Nicodemus Lopes
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Desejamos a Cristo?


Sim, Ele é totalmente desejável.” Cântico dos Cânticos 5:16

"...Ele é Desejável em Sua Pessoa

Primeiramente, Ele é totalmente desejável em sua pessoa: Ele é Deidade habitando em carne (João 1:14). A maravilhosa, perfeita união da natureza divina e humana em Cristo fazem dEle um objeto de admiração e adoração tanto para anjos quanto [para] homens (1 Timóteo 3:16). Deus nunca apresentou ao mundo uma visão tal da glória antes. Considerem como a natureza humana de nosso Senhor Jesus Cristo é transbordante em todas as graças do Espírito, de tal forma como nunca nenhum dos santos foi preenchido. Oh, que adorável pintura isto pinta a respeito dEle! (João 3:34): “pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.” Isto faz dEle o “mais formoso do que os filhos dos homens; e a graça se derramou em teus lábios” (Salmo 45:2). Se uma pequena medida de graça nos santos tornam-nos doces e desejáveis companhias, o que devem as riquezas do Espírito de graça preenchendo Jesus Cristo sem medida torna-lO aos olhos dos crentes? Oh, que glória isto deve estabelecer sobre Ele!

Ele é desejável em Seus ofícios

Em segundo lugar, Ele é totalmente desejável em seus ofícios: consideremos por um momento a adequabilidade, plenitude e consoladora natureza deles.

Primeiramente, A adequabilidade dos ofícios de Cristo às misérias dos homens. Não podemos senão adorar a infinita sabedoria de Sua concessão deles. Nós somos, por natureza, cegos e ignorantes, no máximo apenas tateando as vagas luzes da natureza em após Deus (Atos 17: 27). Jesus Cristo é a luz para iluminar os gentios (Isaías 49:6). Quando este grande profeta veio ao mundo, então o oriente do alto nos visitou (Lucas 1:78). por natureza, nós estamos alienados, e em inimizade contra Deus; Cristo veio ao mundo para ser um sacrifício satisfatório, fazendo a paz pelo sangue da sua cruz (Colossenses 1:20). Todo o mundo, por natureza, está em servidão e julgo de Satanás, uma miserável escravidão. Cristo vem com poder real, para salvar os pecadores, como uma presa desde a boca do terrível.

Em segundo lugar, permita ser também considerada a plenitude de seus ofícios, que O tornam capaz de “salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus,” (Hebreus 7:25). Os três ofícios, abrangendo neles tudo o que as nossas almas necessitam, tornam-se um universal alívio para todos as nossas aflições, e portanto...

Em terceiro lugar, inefável consolo devem ser os ofícios de Cristo para as almas dos pecadores. Se a luz é agradável aos nossos olhos, quão deleitável é esta luz da vida vinda do Sol da Justiça! (Malaquias 4:2). Se um perdão é doce para um criminoso condenado, quão doce deve ser a aspersão do sangue de Jesus para a temerosa consciência de um pecador condenado pela lei? Se o resgate de um tirano cruel é doce para um pobre cativo, quão doce deve ser aos ouvidos dos pecadores escravizados, ouvir a voz da liberdade e libertação proclamadas por Jesus Cristo? Para fora dos diversos ofícios de Cristo, como saem de tantas fontes, todas as promessas da Nova Aliança fluem, como tantos ribeiros de paz e júbilo reconfortantes à alma.

Ele é Desejável em Suas Relações

Primeiramente, Ele é um desejável Redentor (Isaías 61:1). Ele veio para abrir as portas da prisão daqueles que estão oprimidos. Necessariamente deve ser este um desejável Redentor, se nós considerarmos a profundidade da miséria da qual ele nos redimiu, até “da ira vindoura” (1 Tessalonicenses 1:10). Considerem o número dos redimidos, e os meios de sua redenção. (Apocalipse 5:9): “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação”. Ele não nos redimiu com prata e ouro, mas com o seu próprio precioso sangue, como forma de pagamento (1 Pedro 1:18-19). Com seu braço estendido e glorioso, por meio de poder, (Colossenses 1:13). Ele nos redimiu livremente, (Efésios 1:7), completamente (Romanos 8:1), em tempo oportuno, (Gálatas 4:4), e devido amor especial e particular, (João 17:9). Em uma palavra, Ele nos redimiu para sempre, [para] nunca mais entrarmos em escravidão, (1 Pedro 1:5João 10:28). Oh, quão desejável é Jesus na relação de Redentor dos eleitos de Deus!

Em segundo lugar, Ele é um desejável noivo para todos os quais Ele desposou para Ele. Como a igreja glorifica-O, nestas palavras que seguem o meu texto: 'Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém!'."...
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O Amor de Deus é Santo [06/07]

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“6.  O amor de Deus é santo

O amor de Deus não é regulado por capricho, paixão ou sentimento, mas por princípio. Exatamente como a Sua graça reina, não às suas expensas, mas “pela justiça” (Romanos 5:21), assim o Seu amor nunca entra em conflito com a Sua santidade. Que “Deus é luz” (1 João 1:5) se menciona antes de di­zer-se que “Deus é amor” (1 João 4:8). O amor de Deus não é mera fraqueza boazinha, nem brandura efeminada. As Escritu­ras declaram: “… o Senhor corrige o que ama, e açoita a qual­quer que recebe por filho” (Hebreus 12:6). Deus não tolerará o pecado, mesmo em Seu povo. O Seu amor é puro, e não se mistura com nenhum sentimentalismo piegas.”
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A. W. Pink, Atributos de Deus, cap XV, (Ed. PES)
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O Plano de Deus para a salvação do seu povo [07/11]

A Doutrina da Regeneração Parte 1


Pr. RUPERT TEIXEIRA 
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O Evangelho: Alguns Zombam, Alguns Esperam e Alguns Crêem

 
E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez. E assim Paulo saiu do meio deles. Todavia, chegando alguns varões a ele, creram: entre os quais estava Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e, com eles, outros. (Atos 17:32-34)
Em outras palavras, alguns zombaram, alguns esperaram e alguns creram. Ou, podemos dizer que a mensagem do evangelho produz em seus ouvintes provocação, procrastinação ou profissão.

Como a Bíblia explica estas diferentes reações? Os cristãos humanistas explicam as diferentes reações das pessoas ao evangelho pelo livre-arbítrio humano, mas eles não podem mostrar a coerência do livre-arbítrio humano em si mesmo, nem podem providenciar justificação bíblica para ele. Por outro lado, o próprio livro de Atos nos fornece a explicação apropriada, ou seja, que as pessoas respondem diferentemente porque Deus escolheu alguns e outras não:
No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali. Uma das que ouviam era uma mulher temente a Deus chamada Lídia, vendedora de tecido de púrpura, da cidade de Tiatira. O Senhor abriu o seu coração para atender à mensagem de Paulo (Atos 16:13-14. NVI). 
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor. Quando os judeus viram a multidão, ficaram cheios de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo estava dizendo. Então Paulo e Barnabé lhes responderam corajosamente: “Era necessário anunciar primeiro a vocês a palavra de Deus; uma vez que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltamos para os gentios. Pois assim o Senhor nos ordenou: “ 'Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até os confins da terra' ”. Ouvindo isso, os gentios alegravam-se e bendisseram a palavra do Senhor; e creram todos os que haviam sido apontados para a vida eterna (Atos 13:44-48).
Lídia creu no evangelho porque “O Senhor abriu o seu coração”, e aqueles gentios que creram no evangelho assim o fizeram porque eles foram “sido apontados para a vida eterna”. Visto que todos os que foram assim apontados também creram (13:48), e nem todos creram, segue-se que nem todos foram apontados para a vida eterna. Da mesma forma, em Atos 17, todos aqueles que foram apontados para a vida eterna creram, e o resto respondeu exatamente como eles deveriam como réprobos que são:
Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus... Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus (1 Coríntios 1:18, 22-24, NVI).
Devido à sua própria depravação e loucura, os réprobos consideram a mensagem do evangelho como loucura, mas nós podemos derrotá-los na argumentação:
Pois está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio de sabedoria, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação (1 Coríntios 1:19-21, NVI).

Nota sobre o autor: Vincent Cheung é o presidente da Reformation Ministries International [Ministério Reformado Internacional]. Ele é o autor de mais de vinte livros e centenas de palestras sobre uma vasta gama de tópicos na teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmovisão bíblica como um sistema de pensamento compreensivo e coerente, revelado por Deus na Escritura. Ele e sua esposa, Denise, residem em Boston, Massachusetts.

Extraído e traduzido do livro Presuppositional Confrontations de Vincent Cheung, páginas 75-76. 
Fonte: Monergismo
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O Amor de Deus é Imutável [05/07]

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5. O amor de Deus é imutável. 

Como em Deus “… não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17), assim o Seu amor não conhece mudança nem diminuição. O verme Jacó dá-nos enfático exemplo disto: “Amei Jacó”, declarou Jeová, e, a despeito de toda a sua incredulidade e obstinação, Ele nunca deixou de amá-lo. João 13:1 oferece-nos outra bela ilustração. Precisamente naquele noite um dos apóstolos diria “… mostra-nos o Pai. ..”; outro O negaria soltando maldições; todos se escandalizariam por causa dEle e O abandonariam. Todavia, “… como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. O amor di­vino não se rende às vicissitudes. O amor divino é “… forte como a morte … as muitas águas não poderiam apagar este amor…” (Cantares de Salomão 8:6-7). Nada nos pode separar dele: Romanos 8:35-39.”

"Seu amor não se mede e não conhece fim,
nada pode mudá-lo, nem seu curso.
Eternamente o mesmo, sem cessar dimana
do manancial eterno."

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A. W. Pink, Atributos de Deus, cap XV, (Ed. PES)
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História do Movimento Reformado [24/25]


AVALIAÇÃO FINAL – CONQUISTAS E DESAFIOS

O movimento reformado, fruto da Reforma Suíça, ou seja, da obra de Ulrico Zuínglio, João Calvino, seus colegas e sucessores, tem existido por mais de 450 anos. Essa longa história possui muitos elementos positivos e construtivos, mas também aspectos preocupantes, que devem ser objeto das atenções e orações daqueles que valorizam e amam essa tradição histórica do protestantismo.

A maior contribuição do movimento reformado à igreja cristã e ao mundo está nas suas concepções teológicas. Sua teologia profundamente bíblica, exposta nas obras dos líderes iniciais e nos grandes documentos confessionais da fé reformada, reflete cuidadosamente sobre as Escrituras, ressaltando os seus grandes temas, a começar do próprio Deus trino em sua soberania, majestade e glória, que se manifestam nas obras de criação, providência e redenção. Outros tópicos valiosos dessa teologia são a eleição, a responsabilidade humana, a graça comum, o conceito do pacto e o governo representativo.

O calvinismo também tem dado contribuições inestimáveis nas áreas da responsabilidade social, da educação, da participação política, dos valores éticos, da proclamação profética. As igrejas reformadas de muitos países influenciaram de modo salutar não só as suas próprias sociedades, mas outras regiões do mundo, principalmente através de suas missões, que levaram a outros povos serviços educacionais e sociais, e principalmente o evangelho de Cristo, com sua nova maneira de encarar a existência humana sobre a terra.

A fé reformada esteve na vanguarda de muitos movimentos extremamente valiosos como o desenvolvimento da democracia ocidental, a valorização do trabalho, o estímulo à ciência, a luta pela justiça. Algumas das mais importantes universidades da Europa e dos Estados Unidos foram fundadas por calvinistas, como as de Genebra, Edimburgo, Harvard, Yale e Princeton. Líderes reformados destacaram-se por sua integridade e contribuições às suas sociedades, como foi o caso de Abraham Kuyper, na Holanda, e Woodrow Wilson, nos Estados Unidos.

Todavia, nos dias atuais o movimento reformado enfrenta reveses em muitos aspectos. O principal deles é o abandono das convicções e valores históricos desse movimento por parte de muitas igrejas que os abraçavam. Essas convicções e valores têm sido substituídos por posições liberais ou progressistas, de um lado, ou arminianas, carismáticas e pragmatistas, do outro. A conseqüência tem sido a progressiva erosão da identidade dessas igrejas, a sua falta de uma âncora segura nas Escrituras, na teologia e na história. Por essa razão, muitas denominações antigas, que em outros tempos foram tão vigorosas e fecundas, estão experimentando acentuado declínio numérico e perda de rumos. Outras se rendem ao fascínio das experiências, dos resultados rápidos, do crescimento a qualquer custo.

Sendo a história um processo dinâmico e sendo Deus soberano sobre os acontecimentos, continuemos sonhando e trabalhando pela revitalização da fé reformada não só em termos globais, mas principalmente em nossa própria igreja, para que os melhores frutos dessa cosmovisão continuem sendo valorizados, difundidos e aplicados às necessidades e realidades do mundo atual. Assim, a tradição reformada, que se aproxima do seu meio milênio de existência, continuará contribuindo para a promoção do Reino, para o bem dos seres humanos e para a glória de Deus.
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Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
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