quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

1º MANDAMENTO


Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.” (Êx 20:1,2). Esse prefácio à Lei Moral deve ser considerado como tendo igual referência a todos os Dez Mandamentos (e não ao primeiro, apenas), contendo como ele contém os mais pesados argumentos para reforçar a nossa obediência a eles. Como é o costume de reis e governadores afixar seus nomes e títulos antes dos editos por eles emitidos, para obter maior atenção e veneração ao que publicam, assim também, o grande Deus, o Rei dos reis, estando para proclamar uma Lei aos seus súditos, para que pudesse afetá-los com uma reverência, mais profunda, pela Sua autoridade e fazê-los temer mais transgredir aqueles estatutos que são decretados por tão poderosa Potestade e tão gloriosa Majestade, proclama seu augusto Nome sobre eles.
O que exatamente acaba de ser apontado acima foi, claramente, estabelecido por aquelas palavras de Moisés para Israel, que inspiram temor: “Para temeres este nome glorioso e terrível, o SENHOR, teu Deus” (Dt 28:58). “Eu sou o SENHOR teu Deus“. A palavra para Senhor é “Yahweh”, que é Supremo, Eterno e auto existente, a força do qual é (como foi) soletrada para nós em aquele “que era, e que é, e que há de vir” (Ap 4:8). A palavra para “Deus” é “Eloim”, o plural de Eloá, pois embora ele seja um em natureza, todavia, é três em suas Pessoas. E esse Yahweh, o supremo Objeto de culto, é “teu Deus”, porque no passado Ele foi teu Criador, no presente Ele é teu Soberano, e no futuro será teu Juiz. Além, do mais, Ele é o “Deus” dos seus eleitos por relação pactual, e, portanto, seu Redentor. Assim, a nossa obediência à sua Lei é reforçada por essas considerações: sua autoridade absoluta, gerando temor em nós – ele é “o SENHOR teu Deus”; seus benefícios e misericórdias, produzindo amor em nós – “que tirou da casa (antitípica) da servidão”.
“[Tunão terás outros deuses diante de mim” (Ex 20:3) é o primeiro mandamento.Vamos considerar rapidamente o seu significado. Notamos o seu número singular: “tu” e não “vós”, dirigido a cada pessoa, separadamente, porque cada um de nós está em questão ali. “Não terás outros deuses” tem a força de tu não possuirás, buscarás, desejarás, amarás ou culturas nenhum outro. Não terás “outros deuses”, eles são chamados assim, não porque sejam, quer por natureza ou ofício (Sl 82:6), mas, porque o coração corrupto dos homens os inventa e estima como tal – como em “o deus deles é o ventre” (Fl 3:19). “Diante de mim” ou “minha face”, a força da qual é mais bem constatada pela sua palavra a Abraão: “Anda em minha presença e sê perfeito” ou “correto” (Gn 17:1) – conduza-se tendo em mente que você está, sempre, em minha presença que meus olhos estão, continuamente, sobre você. Isso é muito perscrutador. Somos muito aptos a descansar contentes se pudermos apenas aprovar-nos a nós mesmos diante dos homens e manter a bela demonstração de piedade, externamente; mas Yahweh perscruta o mais intimo do nosso ser e não podemos esconder dEle qualquer concupiscência secreta ou ídolo escondido.
Vamos, em seguida, considerar o dever positivo imposto por esse primeiro mandamento. Numa breve afirmação, é isso: você escolherá, adorará e servirá Yahweh como teu Deus, e a ele somente. Sendo quem é – teu Criador e Rei, a soma de toda excelência, o supremo Objeto de adoração – Ele não admite rival e ninguém pode competir com Ele. Veja, então, a absoluta racionalidade desta demanda e a loucura de infringi-la. Esse mandamento requer de nós uma disposição e conduta adequadas à relação que temos com o Senhor como nosso Deus, que é o único objeto adequado do nosso amor e o único capaz de satisfazer a alma. Requer que tenhamos amor por Ele mais forte do que todas as outras afeições, que O tomemos como a nossa mais alta porção, que O sirvamos e obedeçamos a Ele, supremamente. Requer que todos aqueles serviços e atos de adoração que rendemos ao verdadeiro Deus sejam feitos com a mais alta sinceridade e devoção (implicados no “diante de mim”), excluindo a negligência de um lado e hipocrisia do outro.
Ao apontar os deveres requeridos por esse mandamento, não podemos fazer melhor do que citar o Catecismo Maior de Westminster. “Os deveres exigidos no primeiro mandamento são – o conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus e nosso Deus (1 Cr 28:9; Dt 26:17; Is 43:10), e adorá-lo e glorificá-lo como tal (Sl 95:6-7; Mt 4:10; Sl 29:2); pensar (Ml 3:16) e meditar nEle (Sl 63:6), lembrar-nos dEle (Ec 12:1), altamente apreciá-lo (Sl 71:19), honrá-lo (Ml 1:6), adorá-lo (Is 45:23), escolhê-lo (Js 24:22), amá-lo (Dt 6:5), desejá-lo (Sl 73:25) e temê-lo (Is 8:13; Ex 14:31); crer nEle, confiando (Is 26:4), esperando (Sl 130:7), deleitando-nos (Sl 37:4) e regozijando-nos nEle (Sl 32:11); ter zêlo por Ele (Rm 32:11); invocá-lo, dando-Lhe todo louvor e agradecimentos (Fl 4:6; Tg 4:7), prestando-Lhe toda a obediência e submissão do homem todo (Jr 7:23); ter cuidado de o agradar em tudo (1Jo 3:22) , e tristeza quando Ele é ofendido em qualquer coisa (Jr 31:18; Sl 119:136); e andar humildemente com Ele (Mq. 6:8)”.
Aqueles deveres podem ser resumidos nesses principais. Primeiro, a busca diligente e por toda a vida de um maior conhecimento de Deus como Ele é revelado na sua Palavra e obras, porque nós não podemos adorar um Deus desconhecido.Segundo, o amor de Deus com todas as nossas faculdades e forças, que consiste de uma pintura sincera dEle, e profunda alegria nEle, e um santo zelo por Ele.Terceiro, o temor de Deus que consiste no respeito para com sua majestade, suprema reverência por sua autoridade, e um desejo por Sua glória: como o amor de Deus é o motivo inicial da obediência, assim, o temor de Deus é o grande dissuasor da desobediência. Quarto, a adoração de Deus, de acordo com as indicações dEle, para a qual as principais ajudas são essa: estudo e meditação da Palavra, oração, e por em prática o que nos é ensinado.
Não terás outros deuses diante de mim.” Isto é, não darás a qualquer um ou a qualquer coisa no céu ou na terra que habite a confiança do coração, veneração em amor, e dependência que é devida, apenas, ao verdadeiro Deus; não transferirás para outro o que pertence, somente, a Ele. Nem devemos tentar dividi-los entre Deus e algum outro, porque nenhum homem pode servir a dois senhores. Os grandes pecados proibidos por esse mandamento são esses: primeiro, uma ignorância desejada de Deus e de sua vontade por desprezar aqueles meios pelos quais podemos nos relacionar com Ele; segundo, ateísmo ou negação de Deus; terceiro, idolatria ou o estabelecimento de deuses falsos e fictícios; quarto, desobediência e vontade própria ou desafio aberto a Deus; quinto, todas as afeições desordenadas e não moderadas ou o estabelecer de nossos corações e mentes sobre outros objetos.
São idólatras e transgressores desse mandamento os que fazem um “deus” como imaginado pelas suas próprias mentes. Tais são os unitarianos, que negam que existam três Pessoas na Trindade. Assim são os católicos romanos, que suplicam à mãe do Salvador e afirmam que o papa tem poder para perdoar pecados. Assim são a vasta maioria dos arminianos, que creem em uma Divindade derrotada e desapontada. Tais são os sensuais epicureus (Fl 3:19), porque existem ídolos internos bem como externos. “Esses homens têm posto seus ídolos em seus corações” (Ez 14:3). O apóstolo Paulo fala da “cobiça que é idolatria” (Cl 3:5) e, por raciocínio imparcial, são todos os desejos imoderados. O objeto ao qual rendemos esses desejos e serviços que são devidos, somente, ao Senhor, é o nosso “Deus”, seja o que for: o ego, o ouro, a fama, o prazer ou os amigos. O que é o nosso Deus? A nossa vida é devotada?
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Arthur W. Pink – Os Dez Mandamentos, Editora Monergismo – p. 23-27
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