sábado, 4 de janeiro de 2014

A Ceia do Senhor


A definição que os presbiterianos defendem, é aquela dos nossos catecismos, por exemplo, a questão 96 do breve catecismo: “A Ceia do Senhor é um sacramento no qual, ao dar e receber o pão e vinho, de acordo com a indicação de Cristo, a Sua morte é relembrada; e os que são dignos de receber não buscam de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé são feitos participantes do Seu corpo e do Seu sangue, com todos os Seus benefícios, para a nutrição espiritual deles e crescimento na graça.” Isto obviamente não é mais do que a compreensão correta dos pontos de vista afirmados e indicados nas várias passagens onde a ordenança é descrita. Sua instituição era evidentemente simples e sem mistérios; e não tinha o estranho curso de superstição que estava surgindo a respeito deste assunto na igreja cristã; o leitor imparcial não mudaria nenhum conceito da narrativa sagrada, mas a simplicidade de um selo comemorativo. E estas visões populares naturais do sacramento são, sem dúvida, mais bem adaptadas para a edificação.

Eu defendo que o nosso Salvador, sem dúvida, teve a Sua última ceia na noite de páscoa, e que esta ordenança, com a qual Ele tinha a intenção de superar e substituir a páscoa (1 Cor. 7), foi introduzida silenciosamente no seu fim. Para fazer isto, Ele pegou o pão (sem dúvida o pão sem fermento da ocasião), e o copo de vinho (segundo a tradição judaica, misturado com água), que foi providenciado para a ocasião, e os introduziu a sua nova função em um ato solene de ação de graças a Deus. Então, partiu o pão e o distribuiu, e depois do pão, o vinho – sem participar de nenhum destes – dizendo: “Fazei isto em memória de mim; e todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice anunciais a morte do Senhor até que ele venha.” Estas palavras de ordenança também eram acompanhadas com algumas palavras de explicação, fazendo saber a natureza do símbolo e da promessa; declarando que o pão representava o Seu corpo, e o cálice a aliança feita em Seu sangue – o corpo dilacerado e morto, e o sangue derramado, para redenção. Os atos sacramentais, entretanto garantidos por Cristo são, o pegar, partir, e a distribuição dos elementos por parte do administrador, e sua recepção manual, e o comer e beber, por parte de quem recebe. As palavras sacramentais são as ações de graça, a explicação, a promessa, e o mandamento.

O todo então é concluído apropriadamente com outro ato de louvor (não sacramental, mas ligado a isto), tanto com uma oração, ou com cânticos, ou com os dois. E colocar qualquer outra coisa é superstição.

Para continuar este assunto; os elementos são pão e vinho. A igreja grega diz que o pão deve ser fermentado, a igreja latina diz que deve ser sem fermento, fazendo disso um ponto de uma séria importância. Nós cremos que o pão usado era pascal. Mas não era a intenção de Cristo dar ritualmente uma característica pascal ao novo sacramento; e o pão é usado como o elemento material da nutrição, o mais conhecido e universal. Então, nós deixamos de lado toda a disputa quanto ao fermento, e outras minúcias tidas como essenciais (feito com farinha de trigo, misturado com a água apropriada, não ser comido quente, etc.). Provavelmente o vinho também era misturado com água na primeira ocasião; mas, nas mesmas bases, nós deixamos isto escolhido simplesmente como o refresco mais comum e conhecido da raça humana; e a presença de água não é mais necessária. De fato a química moderna mostrou que em todo o vinho a água é o solvente e o maior constituinte.

De acordo com todos os cristãos, estes elementos são concebidos como se submetessem a algum tipo de consagração. Roma coloca isto na pronúncia das palavras da instituição, “Isto é o Meu corpo,” e ensina que isto resulta em uma transformação total da substância do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo. Mas a única transformação que os protestantes admitem na consagração dos elementos é a simples mudança do seu uso, de comum, para sagrado e sacramental. E esta consagração nós cremos que seja trabalhada, não por pronunciar as palavras, “Isto é o Meu corpo,” mas pelo ato eucarístico de adoração que introduz o sacramento. A linguagem natural de consagração é aquela de adoração; não aquela de uma sentença promissória e didática. Veja os casos de graças pelo nosso alimento, e todas as consagrações do Velho Testamento, exemplo Deuteronômio 16: 5-10. Quando Cristo diz, “Isto é o Meu corpo,” era a consagração que os papistas (católicos) supõe, que estas palavras significariam que já está feito. E por último, as palavras que supostamente são as palavras de consagração, são bem diferentes nas diferentes histórias do sacramento nas Sagradas Escrituras.

Partir do pão é simplesmente um dos atos sacramentais, e nunca deve ser feito de antemão, por outros, nem ser omitido pelo ministrante. As palavras eis artos (I Cor. 10: 17) não estão representadas corretamente na versão em inglês. O sentido correto da palavra pode ser visto em João 6: 9, que é mais propriamente bolo; e a ideia do apóstolo é que a unidade da massa do pão, e do cálice, partilhado por todos, significa a sua unidade em um só corpo espiritual. Seria melhor que o pão fosse pego pelo oficiante inteiro, e partido na frente das pessoas, depois da oração. O sentido apropriado do sacramento requer isto; o Cristo que celebramos é o Cristo dilacerado e morto.

Além disto; Cristo parte o pão e o distribui, e nos manda imitá-lo, dizendo: “Fazei isto,” etc. Terceiro; os apóstolos sem dúvida fizeram do partir um dos atos sacramentais; Paulo diz em I Cor. 10:16, “O pão que partimos” etc. e por último, quando o próprio sacramento é mais comumente chamado de “o partir do pão,” do que por qualquer outro nome, mal pode-se supor que o partir do pão não era propriamente uma parte do cerimonial.

Também há um significado em tomar do vinho depois de derramá-lo, em um ato distinto da recepção do pão; porque é o sangue separado do corpo pela morte que nós comemoramos. Portanto, molhar o pão no cálice é impróprio, assim como a alegação pela qual Roma justifica a comunhão de um tipo; já que o sangue está no corpo, o pão sozinho convém como um sacramento completo. Assim como nós devemos comemorar isto, o sangue não está no corpo e sim derramado para fora do corpo.

Os atos por parte do comungante, também são sacramentais e significativos, por exemplo: o tomar e comer. Estes atos geralmente simbolizam, fé, assim como o ato receptivo da alma, assim como os elementos distribuídos pelas instituições de Deus significam qual é o objeto de fé, a morte de Cristo pela nossa redenção. Mas a confissão 29, seção 1 declara, em maiores detalhes, e com estrita propriedade bíblica, que estes atos comemoram a morte de Cristo, constituem uma profissão e compromisso para servi-lo, mostra a recepção de uma redenção pactual, selada à nós, e indica a nossa comunhão uns para com os outros e com Cristo, o nosso cabeça em um só corpo espiritual. A primeira ideia é colocada de forma simples em I Cor. 11:24, na última parte, assim como em passagens paralelas nos versos 25 e 26. A segunda está implícita na primeira, no caráter individual do ato, em I Cor. 11:25, “aliança,” e na natureza da fé que adota Cristo como nosso Salvador do pecado para a santidade. A terceira idéia está implícita simplesmente no significado dos próprios elementos, que são os materiais da nutrição e do refresco; assim como em João 6:50 – 55. Por isso nós disputamos arduamente com Roma, que a linguagem desta passagem é uma descrição da Ceia do Senhor, é evidente que a Ceia foi planejada sobre a analogia que forneceu a metáfora da passagem. E a didática e linguagem promissória, “Este é o Meu corpo”, “Isto é o Meu sangue”, compreendido sacramentalmente, obviamente levada a ideia de nutrição oferecida para a alma. A última idéia está muito claramente estabelecida em I Cor. 10:16,17. e esta é a característica do sacramento da qual recebeu o seu nome popular, de Comunhão da Ceia do Senhor.

As partes que podem participar da Ceia do Senhor estão tão claramente definidas, I Cor. 11:27-30, que não dão espaço para nenhuma discussão. São aqueles que se examinaram com sucesso “do seu conhecimento para discernir o corpo do Senhor, e fé para alimentar nele, arrependimento, amor, e nova obediência.” Breve Catecismo questão 97, veja também no catecismo maior, questão 171 – 175. Que este sacramento deve ser dado apenas a professores confiáveis, de fato não necessariamente segue o fato que simboliza a graça salvadora; pois o batismo faz isto; mas pelas limitações expressas de Paulo, e pelas diferentes graças simbolizadas.

O batismo simboliza estas graças que iniciam a vida cristã: A Ceia, aqueles também que continuam isto. Então, enquanto o original é aplicado aos infantes nascidos no pacto, para ratificar a sua membresia externa, na dependência da promessa graciosa que eles serão trazidos a iniciar a vida cristã mais tarde; seria errado conceder o segundo sacramento a qualquer um que não tenha demonstrado alguma indicação de um processo na vida espiritual.

Até então tudo tem sido inteligível, racional, e adaptado para nutrir e confortar a fé do crente sincero. Mas os bem informados estão cientes que esta ordenança, tão calmamente introduzida por nosso Salvador, e explicada de forma tão simples, encontrou o estranho acaso de se tornar o assunto especial de amplificação supersticiosa; até, na igreja romana, quase se tornou o motivo da adoração. Seria interessante traçar a história deste crescimento; mas o tempo só nos permite relembrar, que duas idéias de fora das Escrituras logo se associaram com isto; em conseqüência de uma percepção pagã grosseira, e uma falsa exposição das Escrituras. Uma destas foi de uma presença literal ou corporal real; a outra de um sacrifício verdadeiro pelo pecado. Mesmo assim, estes cristãos mais supersticiosos que tinham estas idéias, não definiram por um bom tempo a maneira na qual isto seria verdade. Quanto à extensão, duas teorias desenvolveram-se, aquela de Paschasius Radbert, transubstanciação; e aquela de Berengar, consubstanciação. A anterior a estas triunfou no concílio da igreja romana de 1215; o posterior foi condenado como herege, até que Lutero a reavivou, embora descartado da característica sacrificial.

De acordo com Roma, quando o padre de forma aceitável, e com a intenção apropriada, pronuncia as palavras: “Hoc est corpus meum,” o pão e o vinho são transformados no próprio corpo e sangue do Cristo vivo, incluindo, é claro, Sua alma e divindade; que a pessoa mediadora, o padre, o faz então literalmente e verdadeiramente O parte e oferece de novo, como um sacrifício apropriado para o pecado dos vivos e dos mortos; e ele e as pessoas O comem. Verdade; as qualidades materiais do pão e do vinho continuam, mas dentro e debaixo deles, a substância do pão é levada embora, e a substância que realmente existe é a pessoa de Cristo. Mas nestas condições das coisas, isto existe sem os costumeiros atributos matérias de localidade, extensão, e divisibilidade; mas Ele está não obstante no céu, e em todos os seus recebedores, ao redor de todo o mundo de uma só vez; e não importa que possa ser dividido em pequenos pedaços, cada um destes é Cristo perfeito! Portanto, para elevar, e levar estes recebedores em procissão para adorá-lo como é perfeitamente apropriado. Se alguma mente reflexiva realmente crê em tais absurdos, não cabe a nós decidir.

A base bíblica para esta superestrutura monstruosa é muito limitada, enquanto a base papal é bem ampla. Roma depende principalmente das Escrituras na linguagem de João 6:50, e na afirmação da interpretação literal absoluta das palavras da instituição das passagens paralelas citadas por nós no começo. Nós facilmente descartamos o argumento de João 6:50, pela observação, que isto não se aplica à Ceia do Senhor, mas para os atos espirituais de fé que Cristo descreve figurativamente. Pois a Ceia do Senhor não havia sido instituída ainda; e seria um absurdo supor que o nosso Salvador usaria uma linguagem necessariamente incompreensível à todos os seus seguidores, sendo que o assunto não tinha sido divulgado para eles. Pelo contrário, no verso 35, nos vemos o vir e comer como ações de fé. Se este capítulo for forçado à uma aplicação para a Ceia, então os versos 53 e 54 ensina explicitamente que todos que comerem a Ceia vão para o céu, e quem não comer não vai; e Roma não admite nenhuma destas coisas; e no verso 63, nosso Salvador coloca uma interpretação espiritual e figurativa de Suas palavras, acima de qualquer questão.

Quando nós procedemos com as palavras da instituição, nós asseguramos que o significado óbvio é tropical; e é equivalente a “Este é o meu corpo”. As evidências disto são múltiplas. Primeiro, nós citamos a freqüência de locuções semelhantes em hebraico, e em grego hebraico. Consulte Gen. 41:26, 27 Ezequiel 37:11; Daniel 7: 24; Êxodo 7:11; Mateus 8:39; Apocalipse 1:20; 17:9,12,18, et passim. Sim, nós vemos Cristo dizer sobre Si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida,” João 14:6; “a videira”, João 15:1; “a porta”, João 10:9. Por que uma exposição tropical é mais necessária ou melhor aqui? De qualquer forma, sem isto não faz o menor sentido.

Mas, mesmo que nós não tivéssemos nenhuma utilidade para ilustrar o sentido do nosso Salvador, isto seria manifestado pelo texto e pelo contexto somente, que o sentido dEle é tropical. O touto deve ser o demonstrativo de pão, e equivalente a, este pão (é o meu corpo); porque pão é o antecedente mais próximo, toda a série de narrativas mostra isto; no caso paralelo do cálice está expresso em uma narrativa: e a alusão de Paulo, 1 Corintios 10:16, “o pão que partimos” mostra isto. Então, a soma significa evidentemente o corpo morto (cadáver), como é provado pela expressão “partido por vós”, e pelo fato de que o sangue é separado disto: assim como pelo uso de narrativas. Agora parafraseando a expressão: “este é o meu corpo”, qualquer outro sentido que não seja o sentido tropical é impossível.

Porque (a) A doutrina é contraditória; se é pão não é corpo, e se é corpo não é pão, o sujeito ou o predicado está desajustado; (b) O corpo ainda não estava morto, por muitas horas. (c) incompatíveis não podem ser predicado de cada um. Uma dada substancia A não pode ser mudada para uma substancia B que já existia antes da mudança; porque a mudança deve trazer B à existência. Outra vez: todos admitirão que o sentido apropriado é aquele que os discípulos compreenderam como foi dito primeiramente. É impossível que eles tenham entendido que o pão seja verdadeiramente o corpo. Porque eles viram o corpo manuseando o pão! O corpo estaria completamente em suas próprias mãos!

As Escrituras chamam isto de pão mesmo após ter sido dito, pelos batistas, que é transubstanciado. 1 Cor. 10:17. “Todos participamos do único pão.” Veja também 1 Cor. 11:26,27,28.

Existem variações de linguagem que são absolutamente incompatíveis com um significado estritamente literal. Nos evangelhos é dito: “E tomou o cálice... e disse isto é o meu sangue,” etc. Deve haver aqui uma mudança do cálice para aquilo que ele contém – pelo menos. Mas em 1 Cor. 11:25, as palavras são “este cálice é a nova aliança do meu sangue”, se a ideia literal for mantida, nós teremos a impossível e impopular ideia de que o cálice era a aliança.

Mas, passando do exegético para o argumento geral, uma transubstanciação literal é impossível, porque isto viola os nossos sentidos. Todos eles nos dizem que ainda é pão e vinho, pelo tato, gosto, cheiro, e visão. Os sentidos são a única entrada de informação para os fatos externos; se nós podemos não acreditar no seu testemunho deliberado, chega ao fim todo o conhecimento adquirido. Isto pode ser melhor afirmado de uma forma mais firme: é impossível que a minha mente conceba o fato de tal transubstanciação; o único canal pelo qual eu posso ser ensinado são os meus sentidos; e a transubstanciação, se fosse verdade, me ensinaria o que os meus sentidos não me levam à verdade. Isto é como se eu dissesse que eu não ouço Roma dizer que a transubstanciação é verdade, quando parece que eu ouço, assim como eu não vejo uma panqueca, mas um Cristo, quando parece que eu vejo a panqueca. E nem é uma resposta dizer que os sentidos nos enganam. Isto só ocorre quando nos apressamos; e a sensibilidade é imperfeita ou os sentidos estão doentes. Aqui todos os quatro sentidos de qualquer pessoa saudável, percebe unanimemente somente pão e vinho.

E em segundo lugar, é impossível ser verdade; porque isto viola a nossa compreensão. Nossas intuições mentais nos levam a reconhecer substâncias pelos seus atributos sensitivos. Estes atributos são inerentes apenas na substância, e só podem estar presentes com a sua presença. É impossível evitar esta referência. Um atributo ou acidente é relativo à sua substancia; tentar conceber separadamente destrói isto. Mais uma vez: é impossível para nós abstrair da matéria, os atributos de localidade, dimensão, e divisibilidade. Mas a transubstanciação requer que nós compreendamos o corpo de Cristo sem tudo isto. Mais uma vez: é impossível para a matéria estar em todos os lugares ao mesmo tempo; mas o corpo de Cristo deve estar, para esta doutrina ser verdadeira.

E é em vão tentar uma evasão destes dois argumentos de sentido e razão, alegando um grande e misterioso milagre. Pois a onipotência de Deus não trabalha com o impossível e com a contradição natural. E qualquer milagre que já tenha acontecido, foi necessariamente dependente dos sentidos humanos, para a consciência do homem de sua ocorrência, como qualquer evento. Desta forma, se a lei fundamental dos sentidos é ultrajada, o homem é incapaz de diferenciar um milagre de qualquer outra coisa.

Mais uma vez a doutrina da transubstanciação contradiz a analogia da fé. Isto é incompatível com a atitude e a intenção professa de nosso Salvador, para instituir o sacramento. Mas Roma por si própria define o sacramento como um sinal externo da graça invisível. Então, a atitude e a intenção de Cristo naturalmente nos levam a considerar os elementos apenas como sinais. Isto é verdade em todos os sacramentos do Antigo e do Novo Testamento, a menos que isto seja uma exceção: e especialmente da páscoa onde a Ceia foi realizada.

A transubstanciação destruiria totalmente a natureza do sacramento; porque se os símbolos se transformam em Cristo, então não há sinal algum. Isto contradiz também a doutrina da ascensão de Cristo e a segunda vinda. Porque isto nos ensina, que Ele está à direita do Pai agora, e só voltará na consumação final. Isto contradiz a doutrina da expiação, substituindo uma forma carnal de sagrado canibalismo (literal), por aquela fé da alma, que recebe os efeitos legais da expiação dos sofrimentos de Cristo assim como a sua justificação. A transubstanciação sendo desaprovada, toda a elevação e adoração ao anfitrião, assim como se ajoelhar no sacramento, é desaprovada. As razões episcopais deste último exemplo são, que enquanto nenhuma mudança de pão e vinho é admitida, e nenhuma adoração a eles é designada, ainda assim a reverência, contrição e o respeito do crente por seu Salvador crucificado o leva a se ajoelhar a Cristo.

Nós respondemos que a adoração de Cristo é apropriada a qualquer hora. Mas a atitude de adoração não é apropriada no momento em que Cristo expressamente nos manda fazer outra coisa que não se ajoelhar. Teria o paralítico, por acaso, em Mateus 9:5,6. quando ele recebeu a ordem, “Levanta, toma o teu leito e anda”, ao invés disto se ajoelhado, isto seria desobediência, e não reverência. Então, quando Cristo nos chama para comunhão ao comermos juntos a Sua ceia sacramental, a postura adequada é a de um convidado, naquele momento. Se qualquer cristão deseja demonstrar o seu respeito ao chegar-se a mesa de joelhos, e retornar de joelhos, muito bem. Mas que ele não se ajoelhe, no mesmo ato em que Cristo manda a ele que coma.

A Consubstanciação ensina que não há uma transformação literal dos elementos, mas que eles continuam simplesmente como pão e vinho. Ainda assim, de uma maneira misteriosa e miraculosa, há uma presença real, neles, de toda a pessoa de Cristo, a qual é literalmente, embora invisível, comida com eles. Comungantes infiéis também recebem isto, para a sua própria maldição. Enquanto esta doutrina não se preocupa com os resultados ímpios da transubstanciação, é responsável por quase todas as objeções exegéticas, sensitivas racional e doutrinária. De fato, em certo sentido, as objeções exegéticas são mais fortes, porque se a literalidade deve ser retida nas palavras da instituição, é uma menor violação da linguagem dizer que o pão é o corpo do que dizer que o pão acompanha o corpo.

A exegese luterana, enquanto ostenta a sua preservação fiel da linguagem do nosso Salvador, na verdade não faz isso literalmente, nem interpreta isto de qualquer forma aceitável. Isto não ultraja tanto a nossa compreensão, ao querer que nós creiamos que a substância possa ser separada de todos os seus acidentes; pois isto professa que a substância do pão é deixada intocada. Nem é ofensiva à ultima cabeça de objeções que surge contra a transubstanciação, nisto não se destrói o sinal sacramental. Mas todos os meus outros argumentos se aplicam contra isto, e precisa ser recapitulado.

Por Robert Lewis Dabney
Fonte Monergismo
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