quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A União do Espírito Santo Com o Ministro

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado” (Isaías 61:1-3 ).
Hoje faz seis anos que preguei pela primeira vez para vocês, na qualidade de pastor, e eu o fiz sobre este mesmo texto. Esses anos passaram diante de nós como um rio caudaloso. É algo muito solene olhar para trás e contemplá-los. Subir em uma montanha alta é agradável, uma vez coroada, encontrar um lugar de repouso para descansar e olhar para trás. Dessa forma, você pode assistir o progresso que haveis feito e observar ao mesmo tempo o panorama e tudo ao teu redor. Da mesma forma, subir o Monte Sião, é muito agradável chegar a um lugar de repouso muito adequado, como hoje podemos fazer, e dali contemplar o progresso que temos feito e ver se nós adquirimos uma visão mais clara e mais ampla do panorama da eternidade. Quantos nos têm abandonado durante estes seis anos! Eles foram prestar contas naquele mundo em que o tempo não é medido por anos. De alguns confio que podemos dizer: “Bem-aventurados os mortos desde agora morrem no Senhor” [Apocalipse 14:13]. Muitos, confio, nasceram de novo, passaram da morte para a vida,começaram uma nova vida que não tem fim.
Outros, confio que foram levados a dar um grande salto, um grande passo na escada de Jacó, um passo que os levou ao cume do Monte Pisga, a partir do qual é dado contemplar melhor a nossa feliz terra de Canaã. No entanto, outros temo que têm voltado atrás, e já não andam com Jesus. “Corríeis bem; quem vos impediu?” [Gálatas 5:7]. Puseram a mão no arado, mas olharam para trás e não estavam aptos para o Reino dos Céus. Outros eu sei que se encontram há seis anos mais perto do inferno, sua audição tornou-os mais surdos à voz de Deus, seu coração mais apegado a seus ídolos, e eles mais mortos para Deus. Contemplemos solenemente estes seis anos, tanto vocês como eu, e oh! que sejamos advertidos pelos erros do passado e emendemos nossas vidas para melhorar a nossa carreira desde hoje.
I. A Unção do Espírito Santo Faz Frutífero o Ministério do Evangelho
Foi assim no ministério do próprio Cristo. “O Espírito do Senhor está sobre mim”.  Assim, é com todo ministério. [Quanto] maior a unção do Espírito, maior êxito terá o ministério. Lembrem-se dos dois ramos de oliveira que estavam em ambos os lados  do candelabro e vertiam de si azeite como por meio de dois tubos de ouro (Zacarias 4:12). Representam e simbolizam o ministério frutífero, representam  “os ungidos do Senhor que estão por toda a terra”. Oh, vejam quanta necessidade há que os ministros sejam cheio do Espírito, que, como João, são levados “no Espírito, no dia do Senhor” [Apocalipse 1:10], para que os crentes possam ser inflamados  “como lâmpada que arde”. Recordem João Batista. Antes de seu nascer, o anjo disse sobre ele: “será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe” [Lucas 1:15]. Qual pois, seria o êxito? “E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus” [v. 16]. Oh, percebam quanta necessidade há que os pastores sejam cheios do Espírito Santo para que possam converter a muitos, como João, possam “converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos” [Lucas 1:17].
Lembrem-se dos apóstolos. Antes do Pentecostes eram como árvores secas sem seiva. Eles foram às cidades de Israel pregando as boas novas do reino, mas parece que tinham pouco ou nenhum êxito. Eles não podiam falar sobre nenhum filho espiritual. Mas quando o dia de Pentecostes chegou, quando o Espírito desceu sobre eles como vento forte e impetuoso, que mudança se operou! No primeiro sermão, 3.000 homens compungiram-se em seus corações e exclamaram: “Que faremos, homens irmãos?” [Atos 2:37] Ó, sim! vejam quão necessário é que nós tenhamos outro Pentecostes que comece no coração dos ministros para que as nossas palavras sejam como fogo e os corações das pessoas sem Cristo, como a madeira que facilmente pega fogo.
Olhando para o meu ministério, eu tenho certeza que esta tem sido a sua grande necessidade. Não fomos como os ramos de oliveira verde, não temos sido como João Batista, cheios do Espírito Santo, não temos sido como os apóstolos no dia de Pentecostes, não podemos dizer, como o Salvador: “o Espírito do Senhor está sobre mim”, porque se houvesse sido assim vocês não seriam tais quais são hoje. Não haveria tantos pecadores mortos em delitos e pecados entre vocês, dormindo debaixo da voz do Evangelho da graça e postos à beira do inferno. Não haveria tantos cansados e sobrecarregados indo da  montanha à colina, mas sem encontrar o lugar de descanso, que é Cristo. Não haveria tantos filhos da luz andando em trevas, tristes, ofuscados. Palavra penetrante e aguda é esta:“Mas, se estivessem estado no meu conselho, então teriam feito o meu povo ouvir as minhas palavras, e o teriam feito voltar do seu mau caminho, e da maldade das suas ações” (Jeremias 23:22).
O êxito é a regra no ministério vivo. A falta dele é a exceção. Oh, peçam a Deus que, se nos conceder outro ano, possamos ser mais como o sumo sacerdote, que primeiro entrava no lugar santíssimo e depois saía e abençoava com as mãos levantadas o povo. Ore para que possamos ser mais como os anjos, seres que sempre contemplam a face de nosso Pai, e por isto são como chamas de fogo. “Faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda de fogo” [Hebreus 1:7]. Vocês sabem o  ferro aquecido pode ser facilmente atravessado, o que é impossível fazer, mesmo com a ferramenta mais penetrante quando ela está fria. Assim sucederia com nossos pastores se fossem cheios do Espírito Santo, que é como uma chama de fogo. Penetrariam nos mais duros corações, até mesmo até onde os mais finos engenhos e destreza não podem abrir caminho. Assim foi com Whitefield. Aquele grande homeme viveu tão perto de Deus, viveu tão cheio de alegria celestial e do Espírito Santo, que as almas se desfaziam como a neve em tempo de descogelamento. John Newton mencionava como um fato de que em uma única semana, Whitefield recebeu nada menos que mil cartas de pessoas redarguidas por sua consciência por causa de sua pregação. Oh, peçam que não sejamos como “nuvens sem água, eles certamente têm toda a aparência de nuvens, mas não tem chuva em si “! Peçam que seja concedido a nós vir a vocês como Paulo foi a Corinto “em fraqueza, e em temor, e em grande tremor”, o qual dizia: “E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” (1 Coríntios 2:3-4).
II. O Assunto de Cada Pregação Fiel.
1. O fiel ministro prega boas novas a todos os abatidos. Esse foi o grande objetivo do ministério de Cristo: “O Senhor me ungiu para pregar boas novas aos abatidos”. Jesus veio ao mundo para ser o Salvador dos pecadores fracos, e não para os amáveis e bons que se creem justos, mas para aqueles que estão angustiados por suas almas. O homem natural, que não chegou sequer a ser despertado, diz: “Eu sou rico e não tenho falta de nada” [Apocalipse 3:17]. Por isto é orgulhoso e “sua língua passeia pela terra” [Salmos 73:9]. Mas quando Deus começa Sua obra de graça em seu coração, Deus lhe redargue e convence-lo, lhe humilha até o pó e lhe faz se sentir “desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” [Apocalipse 3:17]. Jesus sempre se oferece como um Salvador para os tais. Um pobre leproso disse: “Senhor, se quiseres bem podes limpar-me” Jesus respondeu: “Eu Quero, sê limpo” [Marcos 1:40-41]. Eis que agora estende seu convite até os confins do mundo, convite que será precioso para  alma afligida e atormentada. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” [Mateus 11:28]. A notícia fatal de que o povo faz o que é pecaminoso porque sai de um coração mau e perverso, que ainda “a sua justiça são como trapo da imundícia” [Isaías 64:6]; que “pelas obras da lei  nenhuma carne será justificada” [Gálatas 2:16], então o coração de um pecador é quebrantado, fica como morto, diz para si mesmo: “É inútil, eu nunca poderei justificar-me diante de Deus”.
E é este o estado de tua alma? Então você certamente é o objeto da obra de Cristo. Ele justifica o ímpio. Ele imputa a justiça sem as obras; Seu sangue e justiça estão preparados para os contritos de coração. Tais são as almas que respondem a Jesus. Ele é o Senhor que responde a elas, ao seu clamor. Em certa ocasião, uma mulher de coração quebrantado, que havia gastado toda a sua renda com médicos e não tinha conseguido melhoria alguma, antes havia piorado, veio por trás dEle e tocou na orla de sua veste. Veio Ele a ser o Salvador de mulher de coração quebrantado? Sim, Ele lhe disse: “Filha, tem bom ânimo, a tua fé te curou” [Lucas 8:48].
Jesus veio “para proclamar a liberdade aos cativos”. O homem natural é um escravo. Alguns estão mesmo amarrados e não sabem que existe liberdade, como o escravo das Índias Ocidentais, que não conseguia compreender o que significava liberdade. Estão aprisionados por seus próprios pecados, e ainda dizem: “Eu sou livre”. Alguns estão acorrentados sem saber. Há outros que estão despertos o suficiente para sentir o som das cadeias de suas paixões; sentem que seus pés afundam em alegrias lamacentas. Alguns de vocês sabem o que é pecar e chorar e tornar a pecar e voltar chorar. “O caminho dos pecadores é difícil”. Jesus veio para ser o Salvador dos tais. Ele veio não apenas para ser nossa justiça, mas também para ser a fonte de nossa vida. “No Senhor tenho justiça e força”. Havia um homem que estava possuído por uma legião de demônios, tremendamente agressivos, que o levavam a andar nu entre os sepulcros, porém Jesus ordenou ao espírito imundo sair dele e ele “se assentou aos pés de Jesus, vestido”. Inquietude ao ouvir a Palavra, que sentem que seus corações não são retos diante de Deus, que são escravos do pecado e que dia após dia, carrega um pesado fardo que oprime. Eu sempre hei tentado falar com tais almas. Claramente vos ensinei que vocês não serão salvos por causa de sua ansiedade, que vocês necessitam estar em Cristo Jesus, que essas convicções podem ser passageiras. Tentei por o laço salvador do Evangelho a vosso alcance para que pudessem apergar-vos a ele. Mostrei-vos que Cristo oferece a Si mesmo especialmente para pecadores como vocês. “Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes” [Mateus 9:12].
Quão frequentemente Brainerd escreveu em seu diário que uma alma quebrantada havia sido trazida para o conforto sólido e verdadeiro de Cristo! Por que tenho eu que anotar tão poucas vezes o nome de alguma alma que entre vocês se convertem? Durante muitos anos estive lhes pregando o único fundamento de paz para o pecador. No entanto, quão escassa tem sido a visão que vocês tiveram de Cristo, quão pouco viva e profunda! Quão poucos podeis dizer: “o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo” [Filipenses 3:7-8]. Ah, meus amigos, a falta está em vocês ou em mim, porque Deus não se compraz em que vossas almas estejam abatidas! “Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar!” (Isaías 48:18).
2. O pastor fiel consola os aflitos de Sião. Este foi outro grande objetivo do ministério terreno de Cristo, “consolar todos os tristes” [Isaías 61:2]. Existem inúmeras coisas que levantam nuvens sobre o peito de um cristão. Há tribulações no exterior. “Muitas são as aflições do justo” [Salmos 34:19].  Se levanta contra eles a perseguição. “Os inimigos do homem serão os da sua casa” [Mateus 10:36]. Súbita e frequentemente assaltam as tentações; são comuns a todos os homens. A preguiça e falta de vigilância muitas vezes nos arrebata a exclamação:  “Miserável homem que sou!”. Mas o Senhor tem uma língua que sabe dar uma palavra oportuna aos que estão cansados ​​e sobrecarregados. A religião de Jesus é eminentemente a religião da alegria. [Ele] Não se compraz em ver Sua igreja sentada em cinzas, lamentando-se, fatigada e triste. Ele se agrada em vê-la revestida em Sua bela justiça, cheia do Espírito Santo de gozo, e coberto com o manto de louvor e alegria movendo-se majestosamente, como as copas das árvores verdes, em Sua justiça para a Sua glória.
Em certa ocasião Pedro andou sobre as águas. Cristo tinha um braço todo-poderoso para impedir o discípulo que afundava. Outra vez discípulos se dirigiam a um povoado que ficava ao norte de Jerusalém. Falavam entre si entretendo-se na caminhada. Um desconhecido aproximou-se deles e uniu-se a eles, e este lhes foi expondo a partir de todas as Escrituras as coisas concernentes a Jesus. Ao partir o pão, se revelou a eles e deixou-os enquanto eles exclamavam: “Não ardia em nós o nosso coração:” [Lucas 24:32]. Da mesma forma Jesus se revela aos Seus hoje e converte a tristeza de seus corações em santo e inefável gozo. Este tem sido um dos principais objetivos do meu ministério entre vós. Este texto está gravado durante algum tempo no meu coração e na minha memória. “E ele mesmo deu uns… para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” [Efésios 4:11-12] e de acordo com ele, tem sido minha preocupação guiar os enlutados de Sião ao encontro de Cristo, o único que você pode restaurá-los e confortá-los. Qual tem sido o resultado? Onde está o nosso êxito? Temo-me que há mui poucos entre vós tão felizes como deveriam ser. Não há muitos como Pedro, afundando? Não há muitos entre vós tristes como os dois discípulos de Emaús? A maioria dos crentes de nossas igrejas, não estão buscando descanso em vez de já o terem obtido? Quão pouco há entre vós da beleza, para vocês preparada, do óleo de gozo e do manto de alegria! Quão poucos de vocês podem cantar o Salmo 23! Quão poucos são os que sentem com grande alegria que os seus pecados foram levados para tão longe quanto o oriente está do ocidente; quão poucos são os que permanecem no amor de Deus de forma viva, como poucos transbordam de gozo porque Cristo habita em seus corações pela fé; Quão poucos hão sido cheios com a plenitude de Deus e que alegram-se com um gozo inefável e cheio de glória!
Mui frequentemente menciona Brainerd em seu diário: “As lágrimas sinceras de afeto que derramavam muitos dos congregados, evidenciavam a presença do Espírito Santo”. Em outra ocasião, ele escreveu: “Era como se os membros desejassem ter suas orelhas furadas nos portais da igreja, e desta maneira poderem ouvir e servir ao Senhor para sempre”.
Quão poucos os que são ávidos desta divina solenidade pela presença de Deus em nossas assembleias e reuniões! Quantos perderam o interesse pela reunião de oração, interesse que antes possuiam. Ah, seguramente que a falta está em vocês ou em mim! Emanuel ainda está entre nós. Ele continua “cheio de graça e de verdade” [João 1:14]. “Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente” [Hebreus 13:8]. Oh, que o pequeno rebanho deste lugar seja coberto com Sua formosura, cheio de Seu gozo e vestido com vestes de alegria!
3. O fiel servo de Deus prega um Salvador que livremente se oferece  a todo o mundo. Este foi também um dos grandes objetivos do ministério de Cristo: “apregoar o ano aceitável do Senhor”. Ó homens, eu vos chamo! Foi o grande motivo de sua vida. No ano do jubileu tocava-se a trombeta por toda a terra. Toda pessoa poderia voltar à sua possessão assim como você poderá ficar livre uma vez que os tons da trombeta do Evangelho encerrem neste culto de hoje.
Por Robert Murray M'Cheyne
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