quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

História do Movimento Reformado [19/25]


O PRESBITERIANISMO NORTE-AMERICANO (II)

O Segundo Grande Despertamento, que surgiu por volta de 1800 e se estendeu por várias décadas, gerou enorme crescimento nas igrejas protestantes dos Estados Unidos, inclusive a presbiteriana. Em 1801, os presbiterianos e os congregacionais iniciaram um trabalho cooperativo, o Plano de União, que durou quase 40 anos e resultou na criação de muitas igrejas no Estado de Nova York e regiões vizinhas. As duas igrejas também cooperaram na criação da Junta Americana de Comissionados para Missões Estrangeiras (Boston, 1810), a primeira agência de missões internacionais dos Estados Unidos. Pouco depois, em 1812, foi fundado em Nova Jersey o Seminário Teológico de Princeton, o mais importante da denominação, e em 1816 foi criada a Junta de Missões Nacionais. Em 1837, graças ao avivamento e ao esforço missionário, a Igreja Presbiteriana tinha crescido para 2.140 pastores, 2.965 igrejas e 220.000 membros (onze vezes mais que em 1800).

Várias controvérsias abalaram o presbiterianismo americano nesse período. Em 1810, um grupo que defendia padrões menos rigorosos de preparação para o ministério e a ordenação de leigos que não haviam feito os estudos teológicos regulamentares criou a Igreja Presbiteriana de Cumberland. Mais importante foi a divisão entre as correntes conhecidas como Velha Escola e Nova Escola. A primeira, mais forte nos estados centrais e do sul, tinha reservas quanto ao avivamento e era fortemente apegada aos padrões de Westminster. A Nova Escola, localizada em Nova York e na Nova Inglaterra, defendia um calvinismo atenuado. Em 1837, a Velha Escola adquiriu o controle da Assembléia Geral, cancelou o Plano de União e excluiu quatro sínodos inteiros, que haviam sido organizados sob esse plano, surgindo duas denominações distintas que ficaram separadas por mais de 30 anos. Na mesma ocasião, foi criada a Junta de Missões Estrangeiras, sediada em Nova York. Essa junta enviaria Ashbel G. Simonton para o Brasil em 1859.

O problema angustioso da escravidão gerou novas dificuldades. Em 1857, os presbiterianos da Nova Escola se dividiram entre o norte e o sul. Quatro anos depois, em 1861, a Velha Escola também se dividiu entre as duas regiões, o que levou ao surgimento da Igreja Presbiteriana dos Estados Confederados ou Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, mais conhecida como Igreja do Sul (PCUS). Finalmente, em 1870 a Velha Escola e a Nova Escola voltaram a se unir no norte, após 33 anos de separação. Essa denominação majoritária ficou conhecida como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América (PCUSA). Em 1875, essa igreja liderou a criação da Aliança Presbiteriana Mundial. A Igreja do Norte investiu maciçamente em missões nacionais, especialmente no oeste americano, que experimentava extraordinário desenvolvimento, e também na obra missionária no exterior. Em 1900, a igreja atingiu a marca de um milhão de membros.

A Igreja do Sul permaneceu solidamente Velha Escola, através de teólogos influentes como Robert L. Dabney, James H. Thornwell e Benjamin M. Palmer. Defendia a “doutrina da igreja espiritual”, evitando o envolvimento com questões políticas e sociais e concentrando-se na evangelização. Insistia na igualdade entre presbíteros docentes e regentes no governo dos concílios e entendia que as atividades da igreja deviam ser realizadas por comissões responsáveis perante a Assembléia Geral, e não por juntas semi-independentes. No mesmo ano da sua organização, a PCUS criou o Comitê Executivo de Missões Estrangeiras, que começou a atuar no Brasil em 1869.

Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...