segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

História do Movimento Reformado [20/25]


O PRESBITERIANISMO NORTE-AMERICANO (III)

Durante o século 20, o presbiterianismo dos Estados Unidos foi marcado por grandes controvérsias teológicas, que resultaram em muitos realinhamentos institucionais. No início do século, em 1903, a Igreja do Norte (PCUSA) revisou o texto da Confissão de Fé de Westminster, visando atenuar certas ênfases do calvinismo histórico. Isso facilitou a fusão com a Igreja Presbiteriana de Cumberland, em 1906. Essa igreja cria no livre arbítrio e rejeitava o conceito de depravação total. Todavia, muitos de seus membros não aceitaram a fusão e permaneceram como uma denominação separada.

Um conflito mais dramático abalou a igreja majoritária nas décadas de 1920 e 1930 – a luta entre modernistas e fundamentalistas. Um grupo intermediário, os moderados, acabou se colocando ao lado dos liberais, que sucessivamente assumiram o controle do Seminário de Princeton, da Junta de Missões Estrangeiras e da Assembléia Geral. O principal líder dos conservadores foi J. Gresham Machen (1881-1937), que deixou a igreja em 1936 para ser um dos fundadores do Seminário Westminster, em Filadélfia, e da Igreja Presbiteriana Ortodoxa. Um grupo extremado, liderado por Carl McIntire, fundou a Igreja Presbiteriana da Bíblia.

Em 1930, a PCUSA tornou-se a primeira grande denominação americana a ordenar mulheres ao presbiterato; em 1956, passou também a ordenar pastoras. Dois anos depois, em 1958, a Igreja do Norte uniu-se à pequena Igreja Presbiteriana Unida da América do Norte, adotando o nome de Igreja Presbiteriana Unida, EUA. A nova denominação procurou redefinir-se teologicamente na Confissão de 1967, que representou uma ruptura final com a Confissão de Fé de Westminster. Aquela breve declaração acentuava o amor de Deus, a reconciliação e a fé em Jesus Cristo essencialmente em termos neo-ortodoxos. Algumas antigas confissões cristãs foram mantidas no Livro de Confissões, mais ou menos como documentos históricos.

A velha Igreja do Sul, criada em 1861, permaneceu conservadora até a década de 1960. Após intensos debates, ela fundiu-se com a Igreja Presbiteriana Unida em 1983, dando origem à atual Igreja Presbiteriana (E.U.A.). Essa fusão foi facilitada pelo afastamento dos conservadores da Igreja do Sul, em 1973, para formar a Igreja Presbiteriana da América (PCA). Alguns anos depois, em 1981, foi criada a Igreja Presbiteriana Evangélica (EPC), composta de congregações que deixaram a antiga Igreja do Norte pouco antes da fusão com a Igreja do Sul.

Ao longo do século 20, a agenda da PC(USA) foi dominada pelo ecumenismo e por uma grande variedade de temas políticos e sociais, tais como direitos humanos, feminismo, aborto e homossexualismo. Nas últimas décadas, essa igreja passou a experimentar forte declínio numérico, que tem persistido até o presente. As denominações conservadoras, tais como a PCA e a EPC, têm tido um considerável crescimento, em parte como resultado de sua ênfase evangelística e em parte por absorverem membros saídos dos grupos progressistas. Quanto ao número total de membros, as maiores denominações presbiterianas dos Estados Unidos eram as seguintes no ano 2000: PC(USA) – 3.645.000; PCA – 278.000; I. P. de Cumberland – 88.000; EPC – 57.500. As maiores denominações reformadas eram a Igreja Reformada da América – 312.000, e a Igreja Cristã Reformada da América do Norte – 280.000, ambas de origem holandesa.
______________________
Por Alderi Souza de Matos
Fonte Mackenzie
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...