sábado, 8 de fevereiro de 2014

Ser membro de igreja é opcional?


Deus nos deu a Sua Palavra imutável lavrada por escrito na Bíblia. Ele convoca o pregador para expor e aplicar essa Palavra à situação que enfrentamos fixando-a em nossas vidas do mesmo modo que o carpinteiro fixa um prego. O pregador fala por Deus, porque Deus falou na Bíblia. A sua voz ressoa com o familiar “assim diz o Senhor”. Os crentes têm a responsabilidade de ouvir e de avaliar tudo o que ouvem à luz da verdade revelada de Deus.

Neste artigo iremos considerar o curioso fenômeno moderno do crente autônomo. Essa pessoa se considera membro da igreja universal, mas não da igreja local. Assim como José de Arimatéia, que era “discípulo de Jesus, ainda que ocultamente pelo receio que tinha dos judeus” (Jo 19.38).

Obediência e submissão

Inspirado pelo Espírito Santo o autor da carta aos hebreus exorta a seus leitores — novos convertidos do judaísmo — para que não deem as costas ao cristianismo, sua fé recém-descoberta, e se voltem para os antigos e confortáveis modos da sua religião apóstata. Abraçar o cristianismo, representou para essas almas corajosas grande sacrifício e dores. Eles foram rejeitados por suas famílias, amigos e comunidade. Foram expulsos do templo e da sinagoga. Transformaram-se num bando de homens e mulheres fugitivos, desvalidos e desprovidos de bens materiais, apegados apenas às promessas de Deus. Ao longo de todo a carta aos hebreus lemos repetidas vezes veementes advertências para que esses novos convertidos não retrocedam nem abandonem por nada a verdade do cristianismo. Em nosso texto o apóstolo instrui a esses novos crentes para que “obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles” (Hb 13.17 – ARC). É nesses dois mandamentos da Escritura — obediência e submissão — que concentraremos a nossa atenção. O que significam e como podemos obedecê-los?

Houve um tempo em que eu estava convencido de que a membresia formal da igreja era alguma coisa que as igrejas tinham por mera tradição e que não existia nenhum fundamento bíblico para isso. Não podia pensar que a antiga igreja “primitiva e pura” pudesse ter tido nenhuma das complicações modernas que nos infernizam. Eles certamente não teriam nada tão problemático quanto a membresia da igreja! Eles nem mesmo tinham os benefícios de uma mala-direta por computador. Naquele tempo as coisas eram tão simples e venturosas!

É claro que há problemas com a ideia da membresia eclesiástica em sua totalidade, há pelo menos com a forma descuidada como hoje são tratados os róis de membros. Há um autor que escreveu:
O típico rol de membros de igreja tem os nomes de pessoas que podem ter deixado a congregação há anos e que estão agora ou frequentando uma outra igreja ou igreja nenhuma. Uma vez batizada na igreja local de uma certa denominação a pessoa geralmente permanece batista, metodista, presbiteriana, etc., sem importar que volte ou não a frequentar de novo a igreja. Para ajudar a minimizar o constrangimento e evitar as embaraçosas dificuldades relativas à correta supervisão bíblica, os eclesiásticos modernos tiveram a ideia de criar um rol de inativos. Tal improvisação diminui ainda mais o valor do rol de membros quando legitima e inventa o status de “cristão inativo”, alguém supostamente fora do alcance do escopo da disciplina eclesiástica.
Mas não percamos de vista a inequívoca e divina exigência de nosso texto: “obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles”. Fica evidente por duas outras ocorrências dessa expressão de impacto nesse mesmo capítulo (vv. 7 e 24) que o seu alvo são os líderes eclesiásticos, não os líderes familiares nem civis. Foram os presbíteros da igreja que receberam a responsabilidade de pastorear o rebanho de Deus, de exercer a supervisão espiritual apropriada (1Pe 5.1-2) e isso abrange a gestão dos assuntos pertinentes à igreja; governam como ministros de Cristo, em lugar dEle. Quando nos submetemos ao seu governo legítimo, estamos na verdade obedecendo a Cristo.

Mas alguém pode contestar: “Não sou membro de nenhuma igreja. Então esse versículo com certeza não se aplica a mim”. Respondemos que Hebreus 13.17 abrange aquilo que deveria ser o caso de todo e qualquer cristão; ele apresenta a norma para a vida cristã. Todo verdadeiro filho de Deus que compreende as implicações desse versículo iria querer se colocar em condição de poder obedecer a esse claro mandamento apostólico, não? É preciso lembrar que a medida da bênção é a medida da obediência (Sl 119.2).

Muitos cristão se encolhem diante da ideia de que as autoridades eclesiásticas têm poder sobre eles. Afinal de contas, não foi a nossa nação construída do nada pelo trabalho de desbravadores independentes e que se fizeram sozinhos? Parte daquele “individualismo rude” permeia as nossas mentes e por isso não concordamos muito com essa ideia de submissão a autoridade. Gostamos de pensar que chegamos onde chegamos na vida por nossas próprias forças, muito obrigado, mas não precisamos mesmo de nos submeter a ninguém. A submissão, no entanto, é um conceito bíblico. Para sermos submissos a Cristo temos que obedecer aos que têm autoridade sobre nós.

Como é que obedecemos? O apóstolo esclarece esse mandamento ao acrescentar a expressão “sujeitai-vos”. Submissão! Basta a pronúncia dessa palavra para deixar em pé os cabelos da nossa nuca. Submissão por quê? Isso é degradante! Se alguém estiver acima de mim isso implica na minha inferioridade. Também me encolho por dentro diante dessa ideia, mas ela é bíblica. Até mesmo o nosso Senhor Jesus Cristo submeteu-se voluntariamente ao Pai. A esposa amorosa submete-se ao seu marido. Como seria Cristo inferior ao Pai? Como seria a esposa amorosa inferior ao seu marido? De maneira nenhuma! No entanto ambos se submetem por obediência. De modo semelhante, se quisermos ser obedientes, temos a obrigação de nos submeter à legítima autoridade da igreja.

As bênçãos da igreja

Observemos três salmos que falam das bênçãos da igreja. Primeiro: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! .... Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil” (Sl 84.1-2, 10). Aqui o salmista expressa o seu desejo de íntima comunhão com o Deus vivo. Foi Deus quem colocou este profundo anelo dentro do coração do homem, e nada o pode preencher senão Ele. Por vezes nos ocupamos demais tentando preencher esse anseio com coisas materiais, prazeres ou relacionamentos, mas descobrimos que nada disso pode satisfazer essa necessidade humana básica. Isso só pode ser achado na igreja, lugar onde habita o Espírito de Deus (1Co 3.16). Um dia nos átrios do Senhor é melhor que um milhar deles desperdiçados em outro lugar qualquer. A comunhão com Deus dá perspectiva à vida.

Nas palavras de outro salmo: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus. Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei” (Sl 48.1-2). Vemos aqui que a igreja de Deus é comparada à uma cidade. É a cidade da qual falou o nosso Senhor Jesus Cristo quando disse: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte” (Mt 5.14). Cristo compara os Seus seguidores a uma cidade edificada sobre uma montanha. A igreja é o “Monte Sião”, “ A “cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial” (Hb 12.22). É o cumprimento e a realidade espiritual tipificadas pela cidade de Davi.

Por que razão o povo de Deus não iria querer vir para dentro daquela cidade? Por que iriam querer ficar longe dela? Por que se contentam em ser “crentes secretos”? Por que não se identificam com o povo de Deus? Uma pesquisa nacional realizada há alguns anos revelou que uma grande percentagem das pessoas de nosso país (EUA) afirma que é nascida de novo. Então, por que é que as nossas igrejas não estão cheias? Por que é que tantos crentes professos não querem vir para dentro da cidade para ser tornarem parte da igreja visível de Deus? Tem alguma coisa errada!

O salmista diz: “Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa e o lugar onde tua glória assiste. Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida com a dos homens sanguinários, em cujas mãos há crimes e cuja destra está cheia de subornos. Quanto a mim, porém, ando na minha integridade; livra-me e tem compaixão de mim. O meu pé está firme em terreno plano; nas congregações, bendirei o Senhor” (Sl 26:8-12).

“Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa” — será que você pode dizer isso de verdade? Você ama estar com o povo de Deus? Ou é uma tarefa, uma rotina, um ritual vazio? Para o crente não existe alegria maior que a comunhão com os da sua mesma e preciosa fé. Afinal, o que é que temos em comum com os incrédulos? Com os que são crentes conosco, temos em comum tudo aquilo que tem importância real. Se você está mais inclinado a passar o seu tempo com os inimigos de Cristo do que com os Seus eleitos, então, com certeza, tem alguma coisa errada aí, pois o crente deseja a comunhão constante de outros crentes.

Ligar e desligar

Consideremos as seguintes palavras do nosso Senhor: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.15-20).

Esta seção é quase a repetição palavra por palavra daquilo que o Senhor dissera a Pedro numa ocasião anterior: “o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 16.19). Nesse versículo Jesus se dirige apenas a Pedro como representante da igreja usando o verbo na segunda pessoa do singular. Mas no capítulo 18 Ele usa o verbo na segunda pessoa do plural: “tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus”. Aqui Ele se dirige a todos os Seus discípulos e por extensão à igreja toda e lhes diz que, coletivamente, têm o poder de “ligar” e de “desligar”. Essas palavras eram termos rabínicos de uso comum que significavam respectivamente “proibir” ou “permitir”. A ideia era de que as atitudes eram proibidas ou permitidas segundo a lei de Deus.

A mente das pessoas modernas está muito obscurecida pelo relativismo aceito hoje amplamente, até mesmo em muitas igrejas. Muitas pessoas hoje estão convencidas de que certos feitos que são normalmente maus, podem ser considerados bons sob certas circunstâncias. Não é assim com Deus! Como disse enfaticamente o antigo profeta: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is 5.20). O nosso Deus quer que a Sua igreja exercite o “poder das chaves” na pregação autoritativa da Palavra de Deus e no lídimo exercício da disciplina eclesiástica, recebendo pecadores arrependidos na comunhão do Deus vivo, e banindo os impenitentes da Sua santa presença.

Pensa-se sempre que os versículos 19 e 20 se referem a uma pequena reunião de oração: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Conquanto essa ideia seja verdade, este não é o sentido primário dos versículos no contexto. O contexto é o da disciplina na igreja. Quando o conselho de uma igreja se reúne para disciplinar um membro da igreja culpado de desprazível pecado, Cristo promete estar verdadeiramente presente entre eles. Desde que o seu julgamento seja verdadeiro conforme a Escritura, a Sessão, na verdade, dá a sentença no lugar de Cristo! Observe que a sentença é decretada pela maioria de uma corte da igreja constituída legalmente: dois ou três reunidos em nome de Cristo. Jamais nenhum líder da igreja agindo sozinho é investido de um poder tão extraordinário. (Se essas exigências bíblicas fossem normalmente seguidas, haveria bem menos escândalos na igreja).

Das três agências de governo humano ordenadas por Deus — a família, a igreja e o Estado — só a igreja tem diante de Deus a autoridade de sentenciar à excomunhão o pecador que não se arrepende, dizendo efetivamente: “Você estará condenado para sempre se não se arrepender. A menos que se acerte com Deus, jamais terá a possibilidade de que tudo esteja bem com a sua alma. Se não se arrepender do seu pecado e voltar à comunhão com o Juiz de toda a terra, estará sob o terrível perigo do tormento eterno no lago de fogo”. A igreja invoca o Juiz celestial para que honre a palavra da igreja, o que Deus promete fazer. Embora Deus reserve para Si o direito de executar o juízo final no céu, Ele, em Sua sabedoria, deu à igreja a responsabilidade de exercer juízo temporal sobre a terra. A mais alta punição que o Estado pode dar é a da força coerciva: a espada de aço da punição capital; mas a mais alta punição que a igreja dá é a da espada do Espírito brandida na excomunhão. Ela diz: “Se não se arrepender, se não vier a Deus nas Sua condições, estará eternamente perdido”.

Pode-se servir melhor a Deus desobedecendo-O?

A Confissão de Fé de Westminster, ao insistir que fora da igreja “não há possibilidade ordinária de salvação” (xxv.ii), transparece a suprema importância que Deus atribui à igreja. Há os que, à semelhança do ladrão arrependido na cruz, podem vir à fé em Cristo sem que contudo, pelos obstáculos da providência, tenham a oportunidade de se ligarem formalmente à igreja antes de morrer. Mas tal caso é, com certeza, a exceção e não a regra. É por isso que a Confissão usa a palavra “ordinária”. Fora da igreja “não há possibilidade ordinária de salvação”. Contudo muitas pessoas em nossos dias dizem a si mesmas: “Eu tenho fé pessoal em Deus. Não sou membro de nenhuma igreja. Lá existe um monte de hipócritas, por isso não vou me filiar”. Vivem assim as suas vidas cegamente convencidos de que tudo vai bem com as suas almas.

Alguns anos atrás conheci pessoalmente uma idosa judia. Ela passou a frequentar certa igreja e até lhe foi permitido participar da Ceia do Senhor, embora ainda mantivesse o hábito da vida inteira de ir à sinagoga aos sábados. Jamais teve em sua vida a disposição para se submeter totalmente às demandas do nosso Senhor. Não estava disposta a renunciar à sua religião apóstata e a ser batizada numa igreja cristã, embora lhe fora dado (erroneamente) o privilégio de participar da Ceia do Senhor. Isso agora representa uma séria, mas comum e difundida, violação da ordem de Deus sobre a membresia da igreja, pois somente os que fazem parte da igreja visível, que confessaram a Cristo como seu Salvador e Senhor, que se submeteram à ordenança do batismo e à autoridade legal da igreja podem participar da Ceia do Senhor.

Ao pregar sobre este assunto numa certa igreja tive a oportunidade de conversar com um dos diáconos. Ele citou uma senhora que frequentava a igreja há muitos anos. Perguntei se ela alguma vez já dera os passos para se juntar à igreja? “Bem”, disse ele, “na verdade, não”. Ele explicou que ela estava envolvida com um certo ministério evangelístico paraeclesiástico cuja a política dos participantes era jamais dizer qual a sua filiação eclesiástica a quem inquirisse. “Ela sente”, continuou ele, “que o seu ministério naquela organização perderia agilidade se estivesse presa a uma igreja em particular”. Disse ao diácono: “Isso é incrível! Você quer dizer que ela acha que pode realmente servir melhor a Cristo desobedecendo-O?”.

A Bíblia ordena: “obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles”. Isso não quer dizer obedecer de um modo vago qualquer, apenas da boca para fora. Você não poderá obedecer àqueles que receberam a autoridade de governar a igreja de Cristo se nunca se filiar à igreja. Só para começar, você jamais poderia ser excomungado sem nunca ter sido membro comungante. Na nossa igreja, sempre que realizamos a Ceia do Senhor, o ministro convida a “todos os crentes que estejam em plena comunhão com as suas igrejas evangélicas para que participem da ordenança”. Que grande convite é ser chamado para vir à presença imediata de Cristo! A Ceia do Senhor é uma jantar de comunhão que só pode ser oferecido aos santos e fiéis que sejam corretamente membros da igreja, porque se requer que tudo seja feito decentemente e com ordem (1Co 14.40).

Como a própria igreja hoje se valoriza tão pouco, não é de se admirar o baixo valor dado à filiação eclesiástica. Muitas organizações cívicas e associações profissionais fazem mais exigências para alguém se tornar membro do que a igreja. Em quantos associações cívicas locais seria possível permanecer como membro em pleno gozo de seus direitos sem ter que participar das reuniões nem pagar taxas? É realmente vergonhoso que as associações cívicas façam maiores exigências para ser membro do que a igreja de Jesus Cristo. Porque nenhuma outra organização tem o poder das chaves, o poder de declarar a admissão das pessoas no céu ou de bani-las da presença de Deus.

Essa atitude vaza e se infiltra no evangelismo. Parece que se espalhou a idéia de que as agências paraeclesiásticas, e não a igreja mesma, é que estão verdadeiramente cumprindo a grande comissão. Por isso, diz-se, se você quiser dar dinheiro onde se alcançam resultados de verdade, deve dá-lo a algum ministério paraeclesiástico. Esse pensamento reflete a compressão errada e generalizada de que a grande comissão é somente persuadir as pessoas a “convidarem a Jesus para entrar em suas vidas” — descer pelo corredor, assinar o cartão de decisão, ou falar com um conselheiro que mostrará alguns versículos da Bíblia, orará com eles, e lhes dará a certeza da salvação. Mas, evangelismo é só isso? Não. Há muita coisa mais envolvida. Analisada gramaticalmente, a grande comissão é primariamente um mandamento para fazer discípulos de todas as nações da terra. Isso se realiza batizando e ensinando as pessoas. Portanto, parte da grande comissão se faz batizando: recebendo pessoas na igreja visível por meio do sinal de entrada no pacto, ordenado por Deus. É óbvio que a igreja tem o legítimo monopólio disso. Deus jamais deu essa autoridade aos indivíduos, às famílias, às comissões missionárias independentes, ao Estado, ou às organizações paraeclesiásticas. Portanto, se as pessoas que professam ser discípulas de Cristo não estão sendo batizadas na igreja, a grande comissão simplesmente não está sendo cumprida. Somente a igreja e não uma organização paraeclesiástica qualquer — por mais digna que seja — foi ordenada por Cristo a realizar a grande comissão. Somente a igreja foi especificamente estabelecida por Cristo. Lembre-se das Suas palavras: “eu edificarei a minha igreja” (Mt 16.18).

É opcional ser membro de igreja?

Então, ser membro de igreja é uma exigência ou pode ser opcional? Vamos dizer de outro jeito: a obediência a Cristo é uma exigência ou uma opção? Essa pergunta precisa ser feita hoje pois muitas pessoas têm a idéia equivocada de que para serem crentes tudo que precisam é fazer uma mera oração e serão eternamente salvas. Não é necessário que se evidencie nenhuma transformação particular em suas vidas. Jamais precisarão abandonar os seus pecados de estimação; não precisarão ter vontade de ler a Bíblia ou de freqüentar uma igreja regularmente; não precisarão ser líderes espirituais em suas famílias; não precisarão ter um testemunho cristão digno de crédito. Nunca precisarão fazer nada por Cristo. Mas está tudo bem (pensa-se) porque existem dois níveis de santificação: o crente e o super-crente. Nem todos os crentes têm obrigação de ser obedientes a Cristo. Nem todos têm que tratar com o pecado. Nem todos têm a obrigação de ler a Bíblia ou de ir à igreja regularmente. Essas coisas são somente para os super-crentes, para aqueles que alcançaram um nível mais alto de espiritualidade.

Mas, é isso o que a Escritura ensina? Não, de jeito nenhum! O apóstolo João escreveu: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. .... Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade” (1Jo 1.6; 2.4). Assim, a Escritura desconhece o crente que não abandona o seu pecado nem guarda os mandamentos de Deus. Os que se recusam a conformar as suas vidas à vontade de Deus expõem-se ao perigo mortal da perdição eterna.

É opcional ser membro de igreja? Para o crente que está obrigado a viver a sua vida conforme toda palavra que procede da boca de Deus basta que se defina se a Palavra de Deus o exige ou não. Que diz o nosso texto? “obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles”. Isso está bem claro, não? Não há como burlar o fato de que o discípulo de Jesus Cristo está solenemente obrigado a se submeter obedientemente à legítima autoridade da igreja de Cristo. Submissão à autoridade legal — seja ela familiar, civil ou eclesiástica — não é um conceito muito popular nos dias de hoje, mas é o que Deus requer no interesse de uma sociedade próspera e bem-ordenada. A igreja tem que voltar a pregar essa verdade de novo, ou enfrentará o justo furor de Deus.

Quatro cursos de ação

A título de aplicação deixem-me sugerir quatro cursos de ação.

Primeiro, é essencial que você se coloque sob a autoridade local apropriada de um ramo da verdadeira igreja instituída por Cristo. A verdadeira igreja pode ser identificada por três marcas: a fiel pregação de todo o conselho de Deus; a correta administração dos sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor; e a prática consistente da disciplina eclesiástica. A igreja que falhar em qualquer uma dessas áreas não é uma verdadeira igreja.

Segundo, se necessário transfira a sua membresia para uma igreja que possua essas três marcas. Pode ser que precise viajar uma boa distância, com uma boa parcela de incômodo pessoal, para encontrar uma. Talvez até precise se mudar para uma outra região ganhando um salário menor. Está pronto para fazer o sacrifício? A obediência a Deus o exige.

Terceiro, ao se mudar para uma outra comunidade transfira a sua membresia imediatamente. Como é que a igreja poderá exercer a correta supervisão espiritual de um membro fora do seu território? E se na comunidade não houver uma denominação local da verdadeira igreja? Então o crente simplesmente não deveria se mudar para aquela comunidade. Algum tempo atrás alguém fez a seguinte pergunta ao articulista de uma coluna periódica na rede mundial: “Que deveria fazer o crente que mora numa região onde não pode achar a verdadeira adoração ao Senhor? Mudar-se não é economicamente viável”. A resposta dele foi: “Foi isso o que Ló disse; e também a mulher dele. Mas no final eles tiveram que se mudar bem rápido, quando foram despejados!”.

Quarto, avalie o modo como direciona o seu dinheiro para missões. As organizações que apoia têm o correto entendimento bíblico da igreja? Prestam contas a uma igreja, ou a uma comissão executiva selecionada a dedo? Contribuem para o estabelecimento de novas igrejas ou buscam somente “decisões”? Nenhuma organização que não encoraje o estabelecimento de igrejas é digna do seu dinheiro para missões. Redirecione esse dinheiro imediatamente: a mordomia responsável o exige.

A Palavra de Deus exige: “obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles”. Está disposto a viver as implicações dessa ordem clara? Deus o abençoará se o fizer.
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*Pastor da Igreja Presbiteriana Ortodoxa Grace (OPC), Okemos, Michigan nos Estados Unidos. O Rev. Stephen Pribble trabalha para o Comitê de Educação Cristã da OPC e administra o sítio www.opc.org na rede mundial.

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