segunda-feira, 31 de março de 2014

Série: Curso de Teologia - Eclesiologia - Aula 04

Uma Defesa do Batismo Infantil e por Aspersão 

06 Junho 2012

Por Leandro Lima
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Viva pela Eternidade

"Ninguém jamais conseguiu suportar a pregação do Evangelho. Eles se tornarão contra ele com a fúria de um animal ou serão convertidos."


Por Paul Washer
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Uma reflexão sobre nossas afeições: Breve estudo sobre a Igreja Puritana Reformada


Como um Povo Santo, chamados e santificados em Cristo Jesus, como parte deste Corpo mundial de congregações, assembleias e sociedades que forma a Igreja e Reino de Cristo, a Igreja Puritana Reformada, na união de seus membros, tem profundas afeições pela Verdade. E aqui a palavra “Verdade” foi colocada de modo a representar a forma mais absoluta de seu significado – aquela que relaciona-se com o Ser de Deus, com a Natureza do Altíssimo, que se faz conhecido a nós pela Escritura, na forma do Evangelho, em Cristo Jesus.

Estas afeições somam-se ao conhecimento da Verdade e ao desejo de vivê-la. Isto nos faz unirmo-nos como um Corpo Visível, congregações, uma aliança e comunhão de Igrejas- como Cristãos unidos, congregações unidas em um coração e mente – manifestando a toda a vista a maravilhosa obra que Cristo Jesus opera naqueles cujo coração Ele tem tomado para Si. Em um mundo cujo chão é escorregadio, onde falta a firme base do conhecimento de Deus, a Igreja de Cristo permanece inabalável, possuidora de uma Eterna Verdade sobre Deus, o Universo criado por Ele e sobre os homens; especialmente sobre a Glória e a Majestade inenarráveis do Santo e Eterno Deus, em contraste com a miséria e desgraça que o pecado trouxe sobre a humanidade e sobre toda a Criação. Porém, como se derretem os montes ante a presença do Deus Vivo, o poder desta Verdade, de conflito em conflito e de glória em glória, fará ainda, mais uma vez, abalar ao mundo que a tem ignorado.

A esta Verdade, e ao Reino do Filho de Deus, é que a Igreja Puritana Reformada, pelo Senhor mesmo, em Sua infinita Graça e Bondade, fora chamada. DEle, pela Sagrada Escritura, parte o mandato que pesa sobre esta Igreja, e sobre todas que portam o Seu maravilhoso Nome: o de ser o pilar e o estandarte da Verdade.

As afeições da Igreja Puritana Reformada são, assim, um dos frutos daquilo que o Espírito de Deus tem plantado nos corações daqueles que Ele tem chamado com o mesmo chamado que nós, para unirem-se conosco neste mesmo amor pela Verdade e no mesmo propósito de conhecer e servir ao Deus que é nossa Justiça e Salvação. É um chamado para Testemunhar de Cristo Jesus – loucura para os sábios e escândalo para os soberbos – para testemunhar do Deus Filho que, sendo Eterno e Santo, fez-se em semelhança da carne do pecado para, na carne, morrer em lugar dos muitos pecadores que Ele havia de salvar da condenação e atrair para Si. A Igreja Puritana Reformada, neste Testemunho de Cristo, é uma comunhão destes pecadores remidos.

E não só destes, mas uma união e comunhão na Verdade com a Igreja de Cristo manifesta na História, porquê o testemunho de Cristo que temos conosco nos foi legado por meio dos pastores e mestres que o Senhor Jesus comissionou ao Seu Povo, geração após geração, século após século. E quão grande responsabilidade pesa sobre todos que conosco foram chamados por Cristo neste mesmo propósito para entregar esta Verdade à presente e próxima gerações. E como se revira em nosso interior nossa alma por afeição à militância da Igreja, na História como Testemunhas e mártires em defesa da Verdade! Esta Igreja herda da continuidade histórica do Corpo de Cristo suas afeições e o dever do Testemunho da Verdade – há na Igreja Puritana um sensível espírito desta continuidade, uma palpável memória dos Pastores e Mestres que Cristo deu para Sua Universal Igreja no passado, desde os dias dos Apóstolos; uma continuidade da prática piedosa e da doutrina constantes da Verdade apostólica – que é a Verdade bíblica – para longe das tradições humanas e em direção à pureza e simplicidade da Palavra. Identificamos esta Verdade na doutrina e na prática do que foi chamado Grande Reforma Protestante no continente Europeu no século XVI, assim como na Segunda Reforma Protestante Escocesa e na Segunda Reforma Protestante Holandesa, ambas no século XVII. Estas Reformas, assim como outras nos séculos anteriores, legaram à Universal Igreja de Cristo um conjunto de credos e confissões: documentos que sistematizam e descrevem a Verdade da Escritura Sagrada. Estes credos e confissões são o produto da necessidade que a Igreja teve, e ainda tem, de confessar a afirmar publicamente a sua Fé; foram produzidas por pastores e mestres que devotaram suas vidas ao estudo da Bíblia e, iluminados pelo Santo Espírito de Deus, perscrutaram as mais remotas sendas da Palavra de Deus, trazendo para nós, de lá, tesouros do conhecimento de Deus. Contudo, estes documentos, ao mesmo tempo, não são obras de indivíduos isolados, de pensadores independentes – os credos e confissões foram apresentados a assembleias e sínodos da Igreja, sendo apresentados, discutidos e recebidos pelo Corpo. Sendo subordinados a Escritura e estando sob a autoridade dela, tais padrões, quando foram estipulados, traçaram com distinção e precisão os limites da ortodoxia – foram a Espada do Espírito nas mãos de hábeis combatentes para fazer calar os falsos profetas e perecer os falsos cristos. Estes credos e confissões, como súmulas da Sagrada Escritura, ajudam-nos a apreender a Verdade, defender a Fé e compreendermos o que Deus requer do Seu Povo. Não é por mero conservadorismo que a Igreja Puritana Reformada recebe com fé credos e confissões como o Credo Apostólico, o Credo Niceno-Constantinoplano ou a Confissão de Westminster, mas porque, nas suas profundas afeições pela Verdade e no seu amor por Cristo, a Igreja Puritana vê nestes documentos a mais agradável e desejável expressão das doutrinas e práticas Cristãs reveladas por Deus, infalivelmente, nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento.

Institucionalmente, a Igreja Puritana é uma descendente da Segunda Reforma Protestante Escocesa, de um trabalho conjunto do Reverendo Robert Reid Kalley e do Reverendo William Hewitson, ambos, membros da Igreja da Escócia no século XIX. Foram, ainda, preciosos ajudadores em nossos primeiros dias, os Reverendos:Charles Spurgeon, do Tabernáculo Metropolitano de Londres, e Robert McCheyne, também da Igreja Escocesa. Fora uma época de muitas batalhas e, embora muitos se afastassem da Verdade, aprouve a nosso Senhor nos sustentar e guiar em uma peregrinação de mais de cem anos, até a Igreja Puritana se reorganizar em 2008, especialmente pelo labor do Reverendo Elmir de Oliveira Júnior, e pela preciosa ajuda de irmãos e congregações de fora do Brasil – todos igualmente herdeiros da Grande Reforma Protestante e das posteriores Reformas Escocesa e Holandesa. Humilhamo-nos e exaltamos nosso Senhor que nesta longa e perigosa jornada, nos preservou no mais arraigado amor pela Verdade, e conservou na Igreja Puritana, a doutrina, a piedade e o culto nos mesmos bíblicos preceitos da Igreja Reformada nos séculos XVI e XVII, na mesma e única fé e prática da Universal Igreja de Cristo em todos os séculos. Assim, o coração dos que estão alistados sob a comunhão na Igreja Puritana Reformada, dotados da certeza de que permanecem na Fé Cristã Histórica e Bíblica, inclina-os a trabalharem diligentemente para que cada congregação da Igreja Puritana seja achada fiel, bíblica, Confessional, verdadeiramente Reformada e ortodoxa.

A Graça do Santo Espírito de Deus nos tem movido para compreendermos intelectualmente, experimentarmos em nossas afeições e praticarmos todo o conselho do Altíssimo, descansando em Cristo Jesus que nos faz, para além de nossos pecados, aceitos diante do Santo e Justo Deus. É uma religião de toda a alma, um interesse pleno de todo o ser aquilo que a Igreja Puritana Reformada recebeu do Senhor quanto ao Evangelho de Cristo. Nisto, ao definir estes profundos desejos de forma objetiva, podemos listar tais afeições ao Senhor e a Sua Verdade, na forma das seguintes aspirações, as quais, em oração, dedicamos, em Cristo Jesus, e em toda a Sua Graça e Misericórdia, diante do Deus Altíssimo.

A maior afeição e desejo da Igreja Puritana Reformada é a Glória de Deus. Descansamos na promessa de que esta glória ainda encherá toda a Terra; contemplamos o Majestoso e Altíssimo Deus, perfeito em todos os Seus caminhos, insondável em Sua mente, cuja vontade não pode ser resistida e cuja mão não pode ser detida. Ele, e somente Ele é digno de toda a glória e louvor, e toda a Criação existe apenas para glorificá-lO. Nele somos chamados a nos deleitarmos, reconciliando-nos com Ele pelo perdão de nossos pecados e pela Justiça que há em Cristo Jesus, gratuitamente, para todos que nEle crêem. A maior afeição e desejo da Igreja Puritana Reformada é a Glória de Deus – é glorificarmos ao Senhor em tudo o que fizermos, e fazer tudo para glorificá-lO. Clama na alma da Igreja Puritana:

“Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas; Glória, pois, a Ele, Eternamente, Amém”.

Um subsequente anseio é consequência do primeiro – como saber se as almas nesta Igreja glorificam a Deus? É possível e só é possível sabê-lo pela Palavra de Deus. Eleva-se daí um brado que acende o espírito dos que na Igreja Puritana Reformada se unem: “Santifica-nos na Tua Palavra, porque a Tua Palavra é a Verdade”. A Palavra é a sólida base de tudo o que há na Igreja Reformada, de visão de mundo que esta corrobora, da sua teologia, da sua piedade, do seu culto e da pregação. Na Palavra contemplamos a nosso Senhor, Jesus Cristo, o Alfa e o Ômega, em quem encontramos reconciliação com Deus – Ele é o centro e a substância da Sagrada Escritura, de Gênesis ao Apocalipse. A Igreja Puritana anseia pela Glória de Deus, e contempla esta Glória em Cristo Jesus, por meio da Sagrada Escritura. Portanto também clama a alma da Igreja Puritana: “oh, quanto amo a Tua Lei! Quão doce são as tuas Palavras ao meu paladar! Mais do que o mel à minha boca.”

Desta outra afeição puritana todas seguem. Da Escritura aprendemos a amar a presença de Cristo e desejar a Sua visitação, pela Palavra recebemos a forma dos sinais visíveis da nossa espiritual união nEle, a visível manifestação do que Cristo invisivelmente opera em nós, através dos quais a presença do Seu Espírito se faz especial dentre o Povo, nos quais somos selados, nos quais somos nutridos, nos quais somos renovados pela Graça. A Igreja Puritana ama profundamente, portanto, os sacramentos e ordenanças da Aliança com o Senhor: o Batismo e a Ceia. Como o eunuco etíope, recebemos, cheios de júbilo, os Sacramentos do Senhor.

Quando da Ceia do Senhor o Apóstolo São Paulo diz: “… quem come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria destruição,”. É necessário examinar-se antes de tomar lugar à Mesa do Senhor. Mas, se desobedientemente andamos em nossos caminhos e não honramos o Santo Nome de Cristo, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Amando ao Senhor e a Seu Povo, a Igreja Puritana aprendeu dEle esta disciplina e encontra nisto outra grande afeição: a ordem e a disciplina no culto e na vida, zelando em tudo para que os que estão unidos como Igreja Puritana não sejam condenados com o mundo; mas, ainda que com sofrimento e dor, com repreensões e admoestações, com sanções e com auxílios, sejam amoldados a semelhança de Cristo Jesus, nosso Mestre e Senhor, o primogênito de um Povo Eleito, de uma Nação Santa.

Ao que clama em mais um brado à alma Puritana: Santidade ao Senhor! Servimos ao Majestoso Deus exaltado em Santidade, cuja Glória em Santidade é tão absoluta que nem os Santos Anjos O podem contemplar. É o poderoso Deus que diz: Anda na minha presença e sê perfeito. Oh, que grande é o desejo da Igreja Puritana Reformada por Santidade! Ser separado do mundo e dedicado ao Senhor, consagrado para Seu Serviço, oh que grande anseio por isto! Que grande afeição pela beleza da Santidade do Senhor que vislumbramos na glória excelsa das ordenanças do Evangelho, na pureza e simplicidade da Sua Igreja, no Seu doce e suave jugo, no poder da Sua Palavra! Quão glorioso nosso Senhor a reinar em Seu exaltado trono, cheio de toda Justiça e Retidão, perfeito em todos os seus caminhos, governando dos altos céus sobre Seu Povo e Reino.

E que grande ódio ao pecado há de ser encontrado no seio da Igreja Puritana! E que pesada convicção de erro, que doloroso arrependimento há de ser encontrado quando, pela pregação, pelo confronto com a Palavra, se é achado anátema. Ressoa então na alma do crente: “… tereis nojo em vós mesmos das vossas maldades e das vossas abominações” [Ezequiel. 36.31]. Há verdadeiro e agradável quebrantamento e penitência em se abominar o pecado! E a isto nos conclama o Senhor – a um coração contrito! Não sentimos todos um asco natural pela podridão? Há homem são que deseje pôr-se à mesa para jantar, se nas travessas e pratos sobejam excrementos e cadáveres tomados de vermes? Há homem são que aspire ter seu corpo tomado de úlceras vertentes e inflamadas? Pois muitíssimo mais deve nossa alma se encher de nojo para com a podridão do pecado! Muitíssimo mais temos de ter ânsias e tremores ao contemplar as virulentas feridas que o mal causa em nossas consciências! Não se pode comer da mesa do Rei e da mesa dos porcos ao mesmo tempo! Não se pode ocupar um lugar nas bodas do Celestial Noivo e nas imundícies do monturo ao mesmo tempo! Oh, a que claras e firmes afeições Cristo nos chama: detestar a própria vida por amor a Ele! Detestar até a roupa manchada de pecado, lançar fora nossas vestes rotas e sujas, e receber dEle vestes novas e limpas.

Quão benigno e misericordioso é o Senhor! Ele nos guiou em Sua Graça à esta aliança como Igrejas! Ele guia e preserva Seu Povo e faz todas as coisas para Sua Glória! Em toda parte desperta os corações de homens para que O temam e seja o Seu Nome conhecido em todas as nações!

E agora nos chama e comissiona para levar adiante estas preciosas afeições, esta continuidade histórica da Sua Igreja, esta herança de uma Fé pura e simples, objetiva em conhecimento da Palavra, contudo, experimental, emocional e operosa.

Para tal, a Igreja Puritana se esforça, sob a força que o Senhor, somente, nos pode dar, de modo a sermos fiéis depositários e despenseiros deste tesouro. Se esforça em orações – para recebermos do Senhor coragem e intrepidez, para que o Espírito do Senhor seja sempre em nosso meio, para que nossos pastores e mestres abram a boca com Verdade e tenham sabedoria e exatidão na medida da disciplina; em santificação pessoal – para sermos achados em constante arrependimento e sinceridade, andando longe de escândalos (e, quando estes vierem, que não subsistam), para sermos agradáveis ao coração do Senhor, andando com Deus, Povo Santo e cartas vivas do Evangelho; no ministério da Palavra, ardentemente desejando a pregação da vera Palavra, e, com temor, treinando, elegendo, chamando e ordenando, sob o Senhor, segundo Seu Governo, anciãos e vigias experimentados na Verdade, para Sua Casa; nas famílias da Aliança, para que a profissão de nossa Fé não seja uma mera religiosidade, que seja a sólida base em Cristo, sobre a qual fundamentamos todas nossas relações sociais e toda nossa forma de viver, e não só para educar as próximas gerações em uma moral Cristã, mas para educar os Filhos da Aliança no Temor do Senhor – não meros perpetuadores de uma tradição religiosa familiar, mas, sob a graça do Senhor, pedras vivas do Templo do Deus Vivo, poderosos em atos e palavras para perturbar o mundo na proclamação e experiência do Reino de Deus.

Compreendemos plenamente a grandeza deste chamado e comissão? Tememos e tremendos ante a glória do Senhor que se desvela aos nossos olhos impuros e com terrível e assombroso poder tem começado a se mostrar no Templo, cujas pedras, somos nós? Eis o peso do nosso dever, eis a obra de nossas vidas: responder com glória ao Senhor, proclamar com impetuosidade o momento de Sua visitação, estabelecer piedosas congregações em todo território nacional, pavimentado a estrada da Aliança e pacto nacional para nossos descendentes renderem este povo, língua e nação ao REI de toda a Terra. Tome cada um a sua Cruz, dê cada um a sua vida e somente assim teremos as mãos limpas do sangue desta geração – é o brado que ressonante nas almas dos que têm bebido das frescas águas que o Senhor fez correr no seio da Igreja Puritana!

Estas são um vislumbre de nossas afeições em Jesus Cristo, o desejado de nossos corações! Eis nossas esperanças, nas Promessas do Senhor, eis a fonte de nosso ímpeto, a certeza de que a Palavra do Senhor não voltará vazia, mas prosperará naquilo em que Ele a enviou; de que nosso chamado não é vão, pois, certa é a grande obra do Senhor em suas Igrejas, em todos os séculos, donde agora somos enxertados, por Sua graça. Nisto também descansamos: que todos quanto o Deus dos Exércitos, por meio de nossa proclamação chamar para nos adicionar, Ele mesmo fará firme em uma só disposição, mente, afeição e labor conosco em Cristo Jesus! Eis nossa convocação, eis nossa comissão, eis nossas afeições: tomar parte da aurora da Reforma nestas Terras, cada membro de nossas Igrejas segundo seu chamado e vocação, exercitando-se com todas as forças, toda a mente e toda vontade, segundo a Palavra de Deus, para obedecê-lO e, sob ardente e sincera oração, glorificar o Nome do Criador e Rei dos Céus e da Terra, nosso Senhor e amado Salvador!
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OS 28 ARTIGOS


Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo
Art. 1º – Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus
Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre vontade, governa todas as coisas(4).
(1) Dt.6:4; (2) Jr 10:10; (3) Sl 8:1; (4) Rm 9:15,16
Art. 2º – Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem
Ao testemunho das suas obras Deus acrescentou informações(5) a respeito de si mesmo(6) e do que requer dos homens(7). Estas informações se acham nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento(*) nas quais possuímos a única regra perfeita para nossa crença sobre o Criador, e preceitos infalíveis para todo o nosso proceder nesta vida(8).
(5) Hb 1:1; (6) Ex 34-5-7; (7); II Tm.3.15,16; (8); Is.8.19,20.
(*) Os livros apócrifos não são parte da Escritura devidamente inspirada.
Art. 3º – Da Natureza dessa Revelação
As Escrituras Sagradas foram escritas por homens santos, inspirados por Deus, de maneira que as palavras que escreveram são as palavras de Deus(9). Seu valor é incalculável(10), e devem ser lidas por todos os homens(1).
(9) II Pe 1:19-21; (10) Rm 3:1,2. (1) Jo 5:39.
Art. 4º – Da Natureza de Deus
Deus o Soberano Proprietário do Universo é Espírito(2), Eterno(3), Infinito(4) e Imutável(5) em sabedoria(6), poder(7), santidade(8), justiça(9), bondade(10) e verdade(1).
(2) Jo 4:24; (3) Dt 32:40; (4) Jr 23:24; (5) Ml 3; (6) Sl 146:5; (7) Gn 17:1; (8) Sl 144:17; (9) Dt 32: 4; (10) Mt 19:17; (1) Jo 7:28.
Art. 5º – Da Trindade da Unidade
Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só Ente, é verdade que na Divindade exista uma distinção de pessoas indicadas nas Escrituras Sagradas pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo(2) e pelo uso dos pronomes Eu, Tu e Ele, empregados por Elas, mutuamente entre si(3).
(2) Mt 28:19: (3) Jo 14:16,17
Art. 6º – Da Criação do Homem
Deus, tendo preparado este mundo para a habitação do gênero humano, criou o homem(4), constituindo-o de uma alma que é espírito(5), e de um corpo composto de matérias terrestres(6). O primeiro homem foi feito à semelhança de Deus(7), puro, inteligente e nobre, com memória, afeições e vontade livre, sujeito Àquele que o criou, mas com domínio sobre todas as outras criaturas deste mundo(8).
(4) Gn 1:2-27; (5) Ec 12:7; (6) Gn 2:7; (7) Gn 1:26,27; (8) Gn 1:28
Art. 7º – Da Queda do Homem
O homem assim dotado e amado pelo Criador era perfeitamente feliz(9), mas tentado por um espírito rebelde (chamado por Deus, Satanás), desobedeceu ao seu Criador(10); destruiu a harmonia em que estivera com Deus, perdeu a semelhança divina; tornou-se corrupto e miserável, deste modo vieram sobre ela a ruína e a morte(1).
(9) Gn 1:31; (10) Gn 2: 16,17; (1) Rm 5:12.
Art. 8º – Da Conseqüência da Queda
Estas não se limitam ao primeiro pecador. Seus descendentes herdaram dele a pobreza, a desgraça a inclinação para o mal e a incapacidade de cumprir bem o que Deus manda(2); por conseqüência todos pecam, todos merecem ser condenados, e de fato todos morrem(3).
(2) Sl 50:7; (3) I Co 15:21
Art. 9º – Da Imortalidade da Alma
A alma humana não acaba quando o corpo morre. Destinada por seu Criador a uma existência perpétua, continua capaz de pensar, desejar, lembrar-se do passado e gozar da mais perfeita paz e regozijo; e também de temer o futuro, sentir remorso e horror e sofrer agonias tais, que mais quereria acabar do que continuar a existir(4); o pecado da rebelião contra o seu Criador, merece para sempre esta miséria, que é chamada por Deus de segunda morte(5).
(4) Lc 16:20-31; (5) Ap 21:8
Art. 10º – Da Consciência e do Juízo Final
Deus constituiu a consciência juiz da alma do homem(6). Deu-lhes mandamentos pelos quais se decidissem todos os casos(7), mas reservou para si o julgamento final, que será em harmonia com seu próprio caráter(8). Avisou aos homens da pena com que com punirá toda injustiça, maldade, falsidade e desobediência ao seu governo(9); cumprirá suas ameaças, punindo todo pecado em exata proporção à culpa(10).
(6) Rm 2:14,15; (7) Mt. 22:36-40; (8) Sl 49:6; (9) Gl 3:10; (10) II Co 5:10
Art. 11º – Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus
Deus vendo a perversidade, a ingratidão e o desprezo com que os homens lhe retribuem seus benefícios e o castigo que merecem(1), cheio de misericórdia compadeceu-se deles; jurou que não desejava a morte dos ímpios(2); além disso, tomou-os e mandou declarar-lhes, em palavras humanas, sua imensa bondade para com eles; e quando os pecadores nem com tais palavras se importavam, ele lhes deu a maior prova do seu amor(3) enviando-lhes um salvador que os livrasse completamente da ruína e miséria, da corrupção e condenação e os restabelecesse para sempre no seu favor(4).
(1) Hb 4:13; (2) Ez 33:11; (3) Rm 5:8,9; (4) II Co 5: 18-20.
Art. 12º – Da Origem da Salvação
Esta Salvação, tão preciosa e digna do Altíssimo (porque está perfeitamente em harmonia com seu caráter) procede do infinito amor do Pai, que deu seu unigênito Filho para salvar os seus inimigos(5).
(5) I Jo 4:9
Art. 13º – Do Autor da Salvação
Foi adquirida, porém, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue(6), pois tomou para Si um corpo humano e alma humana(7) preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem(8); assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem(9). Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens(10), como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos(1) e sofreu a morte e a maldição como como o substituto dos pecadores(2), ressuscitou(3) e subiu ao céu(4). Ali intercede pelos seus remidos(5) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra(6). É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(7), que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador(8).
(6) I Pe1:18,19; (7) Hb 2:14; (8) Mt 1:20; (9) Jo 1:1,14; (10) At 10:38; (1) I Pe 2:22; (2) Gl 3:13; (3) Mt 28:5,6; (4) Mc 16:19; (5) Hb 7:25; (6) Mt 28:18; (7) At 5:31; (8) Jo 1:14.
Art. 14º – Da Obra do Espírito Santo no Pecador
O Espírito Santo enviado pelo Pai(9) e pelo Filho(10), usando das palavras de Deus(1), convence o pecador dos seus pecados e da ruína(2) e mostra-lhe e excelência do Salvador(3), move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz uma grande mudança espiritual chamada nascer de Deus(4). O pecador nascido de Deus está desde já perdoado, justificado e salvo; tem a vida eterna e goza das bênçãos da Salvação(5).
(9) Jo 14:16,26; (10) Jo 16:7; (1) Ef 6:17; (2) Jo 16:8; (3) Jo 16:14; (4) Jo1:12,13; (5) Gl 3:26
Art. 15º – Do Impenitente
Os pecadores que não crerem no Salvador e não aceitarem a Salvação que lhes está oferecida de graça, hão de levar a punição de suas ofensas(6), pelo modo e no lugar destinados para os inimigos de Deus(7).
(6) Jo 3:36; (7) II Ts 1: 8,9
Art. 16º – Da Única Esperança de Salvação
Para os que morrem sem aproveitar-se desta salvação, não existe por vir além da morte um raio de esperança(8). Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveraram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio(9).
(8) Jo 8:24; (9) Mc 9:42,43
Art. 17º – Da Obra do Espírito Santo no Crente
O Espírito santo continua a habitar e a operar naquele que faz nascer de Deus(10); esclarece-lhe a mente mais e mais com as verdades divinas(1), eleva e purifica-lhe as afeições adiantando nele a semelhança de Jesus(2), estes fruto do espírito são prova de que passaram da morte para a vida, e que são de Cristo(3).
(10) Jo 14:16,17; (1) Jo 16:13; (2) II Co 3:18; (3) Gl 5:22,23
Art. 18º – Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço.
Aqueles que tem o Espírito de Cristo estão unidos com Cristo(4), e como membro do seu corpo recebem a capacidade de servi-Lo(5). Usando desta capacidade, procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus, seu Salvador(6).
(4) Ef 5:29,30 ( 5) Jo 15:4,7 (6) I Co 6:20
Art. 19º – Da União do Corpo de Cristo
A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma(7) só e compõe-se de todos os sinceros crentes no Redentor(8), os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo(9), para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante a eternidade(10).
(7) Ef 3:15; (8) I Co 12:13; (9) Ef 1:11; (10) Rm 8: 29,30.
Art. 20º – Dos Deveres do Crente
É obrigação dos membros de uma Igreja local, reunirem-se(1) para fazer oração e dar louvores a Deus, estudarem sua Palavra, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem um dos outros e promoverem o bem de todos os irmãos; receberem(2) entre si como membros aqueles que o pedem e que parecem verdadeiramente filhos de Deus pela fé; excluírem(3) aqueles que depois mostram a sua desobediência aos preceitos do Salvador que não são de Cristo; e procurarem o auxílio e proteção do Espírito Santo em todos os seus passos(4).
(1)Hb 10:25; (2) Rm 14:1; (3) I Co 5:3-5; (4) Rm 8:5,16.
Art. 21º – Da Obediência dos Crentes
Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo(5), recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos(6) e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se si acharem salvos de graça(7).
(5) Ef 2:8,9; (6) I Jo 5:2,3; (7) Tt 3:4-8.
Art. 22º – Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito
Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo(8), que é o Mestre(9), Pontífice(10) e Único Cabeça de sua Igreja(1); mas como Governador de sua casa(2) estabeleceu nela diversos cargos(3) como de Pastor(4), Presbítero(5), Diácono(6), e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que ele quer para cumprirem os deveres desses ofícios(7), e quando existem devem ser reconhecidos pela igreja e preparados e dados por Deus(8).
(8) I Pe 2:5-9; (9) Mt 23:8-10; (10) Hb 3:1; (1) Ef. 1:22; (2) Hb 3:6; (3) I Co 12:28; (4) Ef 4:2; (5) I Tm 3:1-7; (6) I Tm 3: 8-13; (7) I Pe 5:1; (8) Fl 2:29.
Art. 23º – Da Relação de Deus para com Seu Povo
O Altíssimo Deus atende as orações(9) que, com fé, e, em nome de Jesus, único Mediador(10) entre Deus e os homens, lhe são apresentadas pelos crentes, aceita os louvores(1) e reconhece como feito a Ele, todo o bem feito aos Seus(2).
(9) Mt 18:19; (10) I Tm 2:5; (1) Cl 3:16,17; (2) Mt 25:40,45; (3) Hb 10:1; (4) At 10:47,48; (5) Mt 26:26-28.
Art. 24º – Da Cerimônia e dos Ritos Cristãos
Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo Ministério de Moisés , eram sombras dos bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram(3): os ritos cristãos são somente dois: o batismo com água(4) e a Ceia do Senhor(5).
Art. 25º – Do Batismo com Água
O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador , quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador(6). Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação(7).
(6) Mt. 3:11; (7) At 2:41
Art. 26º – Da Ceia do Senhor
Na Ceia do Senhor foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente o corpo que foi morto e o sangue derramado no Calvário(8); participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isso em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro fielmente quanto a sua fé, seu amor e o seu procedimento(9).
(8) I Co 10:16; (9) I Co 11:28,29.
Art. 27º – Da Segunda Vinda do Senhor
Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem(10), em Sua própria glória(1) e na glória de Seu Pai(2), com todos os santos e anjos; assentar-se-á no trono de Sua glória e julgará todas as nações.
(10) At 1:11; (1) Mt 25:31; (2) Mt 16:27
Art. 28º – Da Ressurreição para a Vida ou para a Condenação
Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e ressuscitarão(3); os mortos em Cristo ressurgirão primeiro(4); os crentes que neste tempo estiverem vivos serão mudados(5), e sendo arrebatados estarão para sempre com o Senhor(6), os outros também ressuscitarão, mas para a condenação(7).

(3) Jo 5:25-29; (4) I Co 15:22,23;(5) I Co 15:51,52; (6) I Ts 4:16; (7) Jo 5:29.
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Rev. Robert Reid Kalley
Fonte: Igreja Puritana Reformada no Brasil
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DECLARAÇÃO DE SAVOY



O QUE É A DECLARAÇÃO DE SAVOY?

A Declaração de Savoy, (cujo nome completo é A Declaration of the Faith and Order owned and practiced in the Congregational Churches in England), é uma declaração é uma padrão doutrinário elaborado no ano de 1658 por uma assembléia de cerca de duzentos Cristãos de cento e vinte diferentes congregações, reunidos para este fim por doze dias – de 29 de Setembro à 12 de Outubro – no palácio de Savoy, Londres, Inglaterra. Tal assembléia fora planejada pelo piedoso Lorde Protetor da Inglaterra, Oliver Cromwell (e especialmente desejada pelos adeptos do Congregacionalismo, os quais desejavam uma oportunidade pública de defenderem-se das acusações de cisma e novidade teológica), tendo sido evocada por seu Secretário de Estado, após cinco anos de estudos na Escritura por parte dos mais diversos teólogos, sob ordens de Lord Cromwell, e após uma extensa e intensa aplicação dos princípios bíblicos ao Governo, com o objetivo de evitar divisões e contendas no seio do Protestantismo Reformado e promover a liberdade de consciência religiosa para aqueles que professassem alguma forma de cristianismo clássico e ortodoxo que não contradissesse as mais basilares doutrinas da Fé. Ademais, era necessário finalizar o trabalho que havia sido iniciado pela Assembléia de Westminster, para proporcionar um padrão claro e firme de Fé que produzisse unidade na Igreja Cristã, especialmente entre os Puritanos de todo o mundo. É notável que durante este tempo em que Cromwell implementou medidas diversas para garantir a liberdade para o culto Cristão de diferentes convicções doutrinárias, jamais houve intenção ou tentativa de permitir total liberdade de culto – a política era organizada de tal forma que impedisse a desobediência civil e, ao mesmo tempo, a proliferação de danosas heresias como o papismo ou o socianismo. Após todas estas observações destaco que para se ter uma boa compreensão da Declaração de Savoy é absolutamente necessário considerar este contexto histórico e, nisto, o objetivo político e social contíguo ao objetivo teológico desta coleção de artigos de fé. A Declaração de Savoy foi constituída em três divisões: um prefácio, uma Confissão de Fé (com trinta e dois capítulos) e um modelo de ordem eclesiástica (composto por trinta itens). Foram eleitos seis teólogos como representantes para compor a comissão de redação da obra: Thomas Goodwin, John Owen, Philip Nye, William Bridge, Joseph Caryk e William Greenhil. Dentre estes destacam-se John Owen (considerado por muitos como um dos três maiores teólogos Reformados de toda a História, ao lado de Jonathan Edwards e João Calvino), que servira como capelão de Cromwell e vice-chanceler da Universidade de Oxford; e Thomas Goodwin, considerado como o mais claro e habilidoso escritor dentre os Puritanos. Ainda o também renomado puritano John Howe contribuiu notavelmente na elaboração dos textos e nas discussões, ainda que não tenha sido eleito para a comissão representante.

Quando comparada com a Confissão de Fé de Westminster, as mais notáveis diferenças são:

1) Um capítulo inteiro, chamado “do Evangelho e da Extensão da Graça do Mesmo” existe em Savoy, após o capítulo XIX, e não existe em Westminster (o capítulo XIX, tanto na Confissão de Westminster quanto em Savoy, é intitulado “Da Lei de Deus).

2) O item IV do capítulo XX da Confissão de Westminster (a saber, “Da Liberdade Cristã e da Liberdade de Consciência”) não possui correspondente em Savoy, e o assunto ali tratado em Westminster foi apresentado de forma similar no item III do capítulo XXIV da Declaração de Savoy, exceto pela eliminação da referência sobre censuras eclesiásticas constante na Confissão de Westminster.

3) Os itens V e VI do capítulo XXIV da Confissão de Westminster (a saber, “Do Matrimônio e do Divórcio”), não possuem equivalente em Savoy. Estes itens tratavam das licitudes para anulação do casamento e para o divórcio.

4) O capítulo XXVI da Declaração de Savoy foi elaborado para evitar dubiedades existentes em Westminster e explanar mais claramente o conceito de uma Igreja Invisível e Universal, não institucional. Além disto, este capítulo de Savoy traz um pequeno esquema de uma escatologia otimista, algo totalmente ausente em Westminster.

5) Os capítulos XXX, chamado “Das Censuras Eclesiásticas”, e XXXI, chamado “Dos Sínodos e Concílios” não possuem par em Savoy, o que foi feito para que: não houvesse sanção ou prejuízo às diferentes formas de governo encontradas nas igrejas reformadas; não houvesse mais acusações específicas de cisma e insubordinação contra os congregacionalistas e houvesse uma posterior elaboração de uma plataforma de Governo firmada na Escritura que trouxesse mais paz e colaboração entre todos os não-conformistas, fossem adeptos de algum tipo de presbiterianismo ou de alguma forma congregacional.

Em todas estas diferenças destaca-se o desígnio da Declaração de Savoy em promover união e cooperação entre diferentes igrejas, sem, no entanto, negociar a Verdade da Escritura.

Sobretudo, conforme o entendimento típico do puritanismo, havia o temor de que a Declaração se tornasse um instrumento de institucionalização da igreja ou a fonte (ou mesmo uma base legal) para tensões e jogos políticos. Este fora, inclusive, o maior motivo pelo qual Cromwell relutou por algum tempo em liberar a elaboração de tal documento – sabiamente o Lorde Protetor aguardava a conjuntura adequada para evitar tais ameaças, que não só perturbariam a paz do reino mas, o que é infinitamente pior, transtornariam a Igreja com contendas e atrairia para ela toda sorte de hipócritas.

Assim, considerando a situação histórica e os conhecidos posicionamentos dos seus redatores, é um erra considerar-se que Savoy é uma mera adaptação de Westminster para proselitismo congregacional ou mesmo uma versão congregacionalista da antiga confissão. Segundo John Owen e Joseph Caryl registram em seus escritos e, segundo o que a História daquele período registra, a elaboração de Westminster fora interrompida por agitações e guerras (que comprovam tão bem a denúncia que a própria Confissão faz sobre o terrível estado pecaminoso em que encontra a humanidade decaída; digo isto, mais exatamente, me referindo à decapitação do Rei Carlos I em 1649, por obra da invasão do exército de Cromwell), o que levou os documentos da Assembléia a jamais se tornarem oficiais na Igreja Estatal Inglesa; no entanto, diz-se-nos, os padrões de Westminster foram divulgados por todo o mundo na forma como estavam e encontraram (pela excelência advinda da especial iluminação e graça com que o Espírito visitou seus elaboradores), guarida em diversas igrejas de toda a Terra.

No entanto, certas pendências foram deixadas por ocasião da interrupção do processo iniciado na Assembléia de Westminster, pendências como a presença de pontos por demais restritivos à almejada liberdade religiosa e uma certa dubiedade em alguns trechos – dubiedade esta que, na época da elaboração de Savoy, já levava alguns homens ao sectarismo e a imaginarem doutrinas que nunca foram intentadas pelos santos homens de Westminster. Deste modo, sob o Governo de Cromwell, o processo da elaboração da Confissão de Fé foi retomado, agora não mais com vistas a uma Igreja Estatal mas, segundo a teoria denominacional de Jeremiah Burrough (teoria já sob estudo há alguns anos, segundo proposta apresentada desde a Assembléia de Westminster), para produzir uma unidade espiritual (em lugar de uma unidade institucional) entre todas as congregações da Inglaterra, ainda que estas congregações fossem um pouco díspares em assuntos circunstanciais. Esta é a origem das diferenças entre Westminster e Savoy: tudo o que fugia ao coração da Fé e poderia ser considerado como questão de consciência e interpretação da Escritura ou questão de ordem e disciplina foi removido; não por discordância ou erro, mas para promover liberdade e tolerância dentro dos limites da Escritura e para prover oportunidade de uma mais detalhada elaboração sobre estes assuntos. Logo Savoy estabelece Westminster e reafirma o puritanismo como vero padrão da Igreja – em nada uma destas confissões contradiz a outra, mas, quanto à Fé e a piedade, se complementam. Intensão e matéria esta que é por demais clarificada no prefácio original de Savoy, onde figuram as seguintes afirmações:

“Ao esboçar esta nossa Confissão de Fé, nós tivemos à nossa frente os artigos da religião aprovados e analisados por ambas as Casas do Parlamento, após consulta com uma Assembléia de Teólogos chamados por eles para este propósito [n.t.: a Confissão de Fé de Westminster].

Àquela confissão, pela substância da mesma, nós plenamente aprovamos, assim como nossos irmãos na Nova Inglaterra, e as igrejas da Escócia também, como estas testificaram em seus sínodos gerais.

(…) Umas poucas coisas acrescentamos para obstar a algumas opiniões errôneas que tem sido muito mais ampla e fortemente mantidas nos tempos mais recentes do que o foram em tempos passados; e fizemos algumas outras adições e alterações aqui e ali, e algumas explanações mais claras, conforme achamos ocasião.

(…) Nós nos esforçamos todo o tempo para nos ater aquelas verdades em nossa confissão, que são mais propriamente chamadas matéria de fé; e aquilo que pertence à ordem eclesiástica nós dispusemos em certas proposições em separado.

(…) Como nossos Irmãos, os Ministros de Londres, esboçaram e publicaram suas opiniões e apreensões sobre o Governo da Igreja em um inteiro Sistema; assim nós damos semelhante testemunho público de nossas Consciências, e das Regras pelas quais nós temos guiado nossa prática até então; as quais nós aqui esboçamos, e apresentamos. Pelo que se demonstrará quão somos, muito ou pouco, diferentes nestas coisas em relação a nossos Irmãos Presbiterianos.

E nós confiamos que aqui não há causa justa para que algum homem, tanto por diferirmos do atual acordo, o que fazemos por uma questão de Consciência e não por desdém, quanto por diferirmos uns dos outros, não sendo voluntariosos, possa acusar qualquer de nós com odiosa reprovação chamando-nos cismáticos. E, em verdade, se não fora por diferirmos do que foi estabelecido pelo Estado, muito menos seria pelo que diferimos de nossos irmãos, sendo nossas diferenças em pequenas coisas, e circunstâncias apenas, como eles mesmos reconhecem.”

Assim, em Savoy estava dado o primeiro passo para reconciliar e unir os Puritanos da Nova Inglaterra, os Presbiterianos e os Congregacionais Cromwellianos sob a mesma e antiga bandeira do Puritanismo Não-Conformista, sob a Fé Bíblica que nada renega da Escritura, mas que plenamente se submete à nossa única e verdadeira Regra de Fé, tarefa e desejo de união que foi perseguida por John Owen até o fim de sua vida (com monumentais avanços após Savoy, conforme registrado em seus sermões e escritos), herdado por Jonathan Edwards (que tão bem expressou tal anseio em obras como Uma Humilde Tentativa de Promover Concordância e União entre o Povo de Deus…) e, hoje, legado a nós, para que trabalhemos pela visível cooperação e união de todos que professam as doutrinas dantes professadas pelos amados Puritanos, esforçando-nos para, pela Escritura, acomodarmos nossas visões e servirmos conjuntamente ao Majestoso e Soberano Deus, que pela Graça salvou-nos de nossos pecados em Cristo Jesus.

FONTES

REINER, Peter Toon. Puritans and Calvinism (internet)
SCHAFF, Philip (Ed). Creeds of Christendom, with a History and Critical Notes, sixth edition revised and enlarged (Haper & Brothers, 1877), pp. 614-617.
Vd. FRASER, Antonia , Oliver Cromwell, Uma Vida (São Paulo: Record, 2000), p. 400.
PACKER, J. I. Entre os Gigantes de Deus (São Paulo: FIEL, 1996)
Declaração de Savoy – Edição Kalleyana (Rio de Janeiro:Casa Publicadora Kalleyana, 2010)
Harmonia da Fé Puritana (Rio de Janeiro:Casa Publicadora Kalleyana, 2010)
OWEN, JOHN. True Nature of a Gospel Church (1689)
OWEN, JOHN.Duty of Pastors and People Distinguished (1643)
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Por Rev. Ademir Moreira
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domingo, 30 de março de 2014

Onde Estás?


A pergunta que está diante de teus olhos, foi a primeira que Deus fez ao homem depois da queda. É a pergunta que Ele fez a Adão no dia em que comeu do fruto proibido e se converteu em um pecador.

Adão e sua esposa trataram em vão de se esconder entre as árvores do jardim do Éden. Foi em vão que tentaram escapar dos olhos de Deus. Ouviram a voz do Senhor andando na viração do dia: “E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim”.

Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: “Onde estás?” (Gn3:8-9) Quão terrível deve ter sido para Adão este momento!

Amigo, já passaram muitos anos desde que esta pergunta foi feita pela primeira vez. Há milhões de filhos de Adão que tem estado sobre a terra, cada um com uma alma que ou foi salva ou se perdeu. Mas não há qualquer pergunta, que já tenha sido feita, mais solene do que esta: Onde estás? Onde estás diante dos olhos de Deus? Vem agora, e com atenção, para que eu te diga umas poucas coisas te darão luz sobre esta questão.

Não sei se és um homem de igreja ou um séptico, se és sábio ou tolo; rico ou pobre, velho ou jovem, pois nada disso interessa. Pois tu tens uma alma imortal que necessita ser salva. Já que tens de apresentar-te diante do trono do juízo de Deus, e que necessitas estar preparado para isto. Pois sem Jesus e sua cruz certamente serás condenado. Somente a Bíblia contém tais assuntos solenes sobre os habitantes da terra e desejo que todo homem, mulher ou criança os conheça. Creio em cada uma das palavras da Bíblia, e por isso pergunto a cada leitor: Onde tu está diante de Deus?

1. Em primeiro lugar, conforme declaram as Escrituras, há muitas pessoas pelas quais, ao pensar nelas, eu temo. Leitor, és tu uma delas?

Tais pessoas, se é que as palavras da Bíblia tem algum valor, são aquelas que não foram convertidas, não nasceram de novo. Tais pessoas não estão justificadas, Não estão santificadas. Não possuem o Espírito. Não possuem fé, nem graça. Seus pecados não são perdoados. Seus corações não foram transformados. Necessitam de piedade, justiça e santidade.

Algumas destas pessoas, não pensam em suas almas mais do que a de um animal que morre. Não há nada que mostre que pensam em suas vidas mais do que um cavalo ou uma mula, que não possuem entendimento. Seu tesouro está todo, evidentemente, neste mundo. Suas boas novas se acham deste lado do túmulo. Sua atenção está voltada para as coisas que perecem. Comida, bebida, vestes, dinheiro, casas e propriedades, negócios, prazer e política, casar-se, alegrar-se e festejar, estas são as coisas que ocupam o seu coração. Vivem como se a Bíblia não existisse. Caminham como se a ressurreição e o juízo eterno não fossem reais. E quanto a graça, a conversão, a justificação e a santidade, estas são coisas que não o preocupam, se não é que as depreciam e desprezam. Tais pessoas irão morrer. Serão julgadas. E, contudo, se acham mais endurecidos que o próprio diabo, pois parecem não crer nem temer. Oh!, em que estado se encontra sua alma que é imortal! Quão freqüente é este caso!

Algumas pessoas falam que são religiosas, mas depois de tudo sua religião não é mais do que uma forma externa. Professam ser cristãos. Vão a um lugar de culto aos domingos. Porém, isto é tudo. Onde se encontra a religião do Novo Testamento em suas vidas? Em parte alguma! O pecado não é considerado por eles como o seu pior inimigo, nem o Senhor Jesus como seu melhor amigo. A vontade de Deus não é a regra para sua vida , tampouco a salvação é algo indispensável a sua existência. Um espírito de sono domina o seu coração e se acham satisfeitos e contentes.

Deus lhes fala constantemente, por meio de suas misericórdias, suas aflições e aos domingos por meio dos sermões, mas não escutam o chamado de Jesus à porta de seus corações e, por isso, não o abrem para Ele. Se lhes fala da morte e da eternidade, não lhes interessa. Se lhes adverte contra o amor ao mundo, constantemente se lançam a ele sem pesar. Ouvem falar que Cristo veio ao mundo para morrer pelos pecadores, mas isto não os comove. Parece que só há lugar em seus corações para prazeres e coisas vãs, mas não para Deus. Que condição se encontram tais pessoas! Porém, isto é muito comum!

Leitor, solenemente eu quero perguntar a tua consciência, diante de Deus, se tu és uma destas pessoas? Há milhares delas em nosso país, dito, cristão. És uma delas? Se o és, tenho medo e temo por ti, fico alarmado grandemente.

O que eu temo? Temo que se continuares nesta condição, desprezando a Cristo, continuareis em pecado até que o endurecimento te deixe indiferente ao perdão. Temo que sejas levado a um sono fatal do qual não mais serás despertado. Temo que este coração endurecido só poderá ser quebrado ao som da trombeta de Deus e o teu sono despertado pela voz do arcanjo. Temo que este teu apego ao mundo só poderá ser rompido pela morte. Temo que vivas sem Cristo, morras sem perdão, ressuscites sem esperança, para receber um juízo sem misericórdia, que te lançarás na condenação.

Leitor, tenho de te advertir para que fujas da ira que virá, assim como Deus advertiu a Ló. Te rogo que recordes de que tudo o que a Bíblia diz é verdadeiro e há de se cumprir; que o fim deste teu caminho presente, é miséria e aflição; que sem santidade ninguém poderá ver a Deus; que os homens maus irão para o inferno; e que todas as pessoas que se desviam de Deus terão de prestar contas de seus atos; e que pecadores, sem Cristo, não poderão resistir a Sua vista, porque Ele é santo e é fogo consumidor. Desejo que consideres seriamente nestas coisas.

Conheço bem os pensamentos que satanás tem posto em teu coração quando lês estas palavras. As desculpas que irás dar. Tu dirás: "A religião é boa, mas o homem tem que viver". Respondo: "Sim, é verdade, mas também é certo que haverás de morrer". Podes dizer-me: "O homem tem que trabalhar para ganhar o seu pão; não tenho tempo para mais nada; Não se pode morrer de fome". Sim, não quero que ninguém morra de fome, mas também não desejo que morras condenado. Ou ainda dirás: "O homem tem que se ocupar com seus negócios, primeiro". Eu te digo: "Sim, mas o negócio mais importante para o homem é a sua alma e as coisas referentes a sua eternidade".

Leitor, te rogo com amor, aparta-te de teus pecados, arrepende-te e converte-te. Te rogo que mudes o curso de tua vida, que alteres teu caminho, reconsideres quanto a religião, que corrijas o descuido de tua alma, e que passes a ser um novo homem. Te ofereço, por Jesus Cristo, o perdão de teus pecados passados – gratuitamente – um perdão para o presente e para todo o sempre. Te digo em nome do Mestre, que se te voltares para o Senhor Jesus Cristo, este perdão será teu. Oh! Não recuses esta exortação! Não ouviste que Cristo morreu por ti, que derramou seu sangue por ti e que sofreu na cruz por ti? Como podes ficar indiferente? Não ameis a este mundo, que perece, mais do que amas a vida eterna. Decide-te. Deixa o caminho largo que conduz a perdição. Levanta-te e escapa para salvar a tua alma enquanto tens tempo. Arrepende-te, crê e serás salvo.

Leitor, temo pelo teu estado presente. O desejo do meu coração e a minha oração é que Deus te ensine a temer por ti mesmo.

A pergunta que está diante de teus olhos, foi a primeira que Deus fez ao homem depois da queda. É a pergunta que Ele fez a Adão no dia em que comeu do fruto proibido e se converteu em um pecador.

Adão e sua esposa trataram em vão de se esconder entre as árvores do jardim do Éden. Foi em vão que tentaram escapar dos olhos de Deus. Ouviram a voz do Senhor andando na viração do dia: "E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás?"(Gn3:8-9) Quão terrível deve ter sido para Adão este momento!

Leitor, onde tu está diante de Deus?

2. Em segundo lugar, há muitas pessoas sobre quem a Bíblia me ensina que eu deveria ter dúvidas. Leitor, és tu uma delas?

A) Há muitos a quem devo chamar "quase cristãos", porque não conheço outra expressão na Bíblia que descreva exatamente o seu estado. Existe neles muitas coisas corretas, boas e dignas de louvor a vista de Deus. Suas vidas são moralmente corretas. Se encontram livres de pecados grosseiros e evidentes. Possuem hábitos decentes e apropriados. São diligentes no uso dos meios de graça. Parecem amar a pregação do evangelho. Não se ofendem ao ouvir falar de Jesus, mesmo que se pregue a verdade a seu respeito. Não recusam as companhias religiosas. Estão de acordo quando lhes falam de sua alma e com tudo o que lhes dizem. E tudo isto é bom.

Contudo não há movimento em seu coração, pelo menos que possa descobrir sem o uso de um microscópio. Temos a impressão de que está parado. Semana após semana, os anos se passam e sempre estão no mesmo lugar. Aprovam os sermões, mas não lhes serve para melhorar. Sempre regulares e constantes, fazendo uso dos meios de graça, a mesma conversação sobre religião, porém, nada mais que isto. Não há progresso em seu cristianismo. Não há vida, nem coração nem autenticidade neles. Suas almas estão estagnadas. Estão longe de estar bem.

Leitor, és tu um destes? Há milhares deles em nossas igrejas. É este o estado de tua alma a vista de Deus? Responde com franqueza. Caso sejas um destes, tua condição não é satisfatória. Como o apóstolo disse aos gálatas, digo eu também: "Receio de vós outros".

Como poderia ser diferente? Existem dois campos oposto neste mundo, o de Cristo e o do diabo; e não se vê nitidamente a qual deles pertences. Não posso dizer que és descuidado quanto a religião, mas não posso te considerar decidido por Cristo. Te apartas dos ímpios, no entanto, não posso te ver entre os filhos de Deus. Tens alguma luz, mas é o conhecimento que salva? Possuis algum sentimento, mas é graça? Não és um "descrente" mas pertences a Deus? É possível que sejas "povo de Deus", no entanto, vives tão perto da fronteira que é difícil discernir a que nação pertences. Pode ser que não estejas espiritualmente morto mas és como uma árvore no inverno. E assim vives sem dar evidências satisfatórias. Não posso deixar de duvidar de teu estado e se há dúvida é porque há razão para isto.

Não posso ver o recôndito do teu coração. Quem sabe haja algum pecado predileto que não queres renunciar. Esta é uma enfermidade que impede o teu crescimento e o de muitos cristãos. Quem sabe temes aos homens, temes a teus companheiros. Isto é uma prisão para muitas almas. Ou talvez sejas descuidado quanto a oração em secreto ou com a comunhão com Deus; esta é uma razão porque muitas pessoas são fracas e enfermas de espírito. Mas qualquer que seja a razão, te advirto que em todos os teus afetos deves ter cuidado com o que fazes. Teu estado não é satisfatório nem seguro. Como os gibeonitas vais com o povo de Israel, e como eles não possuis herança, consolação ou recompensa. Oh! Desperta e atenta para o perigo que corres! Esforça-te por entrar.

Leitor, tens de renunciar o andar coxeando entre duas opiniões se queres desfrutar de uma real evidência de salvação. Tem que haver uma mudança em ti. Tens que dar um passo adiante. Não se pode estar parado no verdadeiro cristianismo. Se a obra de Deus não vai adiante no coração do homem, é a obra do diabo que prospera nele; e se o homem se encontra sempre no mesmo ponto, quanto a religião, é mais provável que não haja verdadeira religião. Não basta vestir a armadura externa, temos de lutar as batalhas de Cristo. Não basta deixar de fazer o que é mal; é necessário que se aprenda a fazer o bem. Não basta não causar dano; é necessário trabalhar para fazer o bem. Óh! Cuida para não seres achado como um servo inútil, e como tal sejas tratado. Lembra-te que quem não está com Cristo é contra Ele.

Leitor, te rogo que não descanses até que tenhas descoberto se há graça em teu coração ou não. Os desejos, os bons sentimento, as convicções, tudo isto tem a sua importância, porém, não podem te salvar. É bom ver os brotos em uma árvore, porém, é muito melhor ver os seus frutos. Os simples ouvintes da palavra ao lado do caminho não deitam raízes. Os que crescem em terreno pedregoso escutam com alegria, mas a Palavra não penetra. Os que se acham entre os espinhos dão logo fruto, mas a palavra é afogada por este mundo. Nenhum deles é salvo. Temes diante da Palavra? O mesmo fez Felix, mas não foi salvo. Tu gostas de ouvir bons sermões e de fazer boas obras? O mesmo se passava com Herodes , porém não foi salvo. Lembra-te da mulher de Ló, Balaão e Judas Iscariotes. Todos eles tinham pontos bons. Porém não foram salvos.

Leitor, uma vez mais chamo a tua atenção sobre o que fazes. Se não procuras dar um passo adiante, como posso deixar de duvidar do estado de tua alma?

B) Há, porém, outros sobre quem tenho dúvidas e que estão em pior situação que os "quase cristãos". São os que uma vez professaram sua fé mas que voltaram a trás. Os quais voltaram ao mundo. Parece que voltaram para trás do ponto que haviam estado antes de conhecerem a religião.

Leitor, é este o estado de tua alma? Se é assim, sabe com certeza que tua situação é terrivelmente insatisfatória. Não importa muito qual foi a tua experiência anterior. Serve muito pouco que já fostes contado entre os verdadeiro cristãos. Tudo não passou de um erro ou de uma ilusão. É a tua condição presente que deves considerar e esta é terrivelmente duvidosa.

Creio que houve um tempo em que os verdadeiros cristãos se regozijavam em ti. Parecia que amavas o Senhor Jesus sinceramente e estavas disposto a deixar o caminho largo e seguir o Evangelho. A Palavra de Deus te parecia preciosa; a voz do pastor, agradável; a congregação do povo de Deus, o melhor lugar. Nunca faltavas as reuniões. Sempre tinhas a Bíblia nas tuas mãos. Não havia dia que não oravas. Teu zelo era fervente. Andaste bem por um tempo. Porém, Óh! Leitor, onde te encontras agora? Voltaste para o mundo. Tu te detiveste e olhaste para trás. Estás novamente a praticar as obras do velho homem. Tens abandonado o teu primeiro amor. Tua bondade era como nuvem matutina e como orvalho tem se desvanecido. Tuas convicções estão secando, trocam as cores pelas folhas secas do outono, que logo caem e desaparecem. A pregação em que outrora te deleitavas, agora te enfadam e cansam. Os livros que lias com avidez, já não te causam prazer. O progresso do Evangelho de Cristo já não te interessa. Já não buscas a companhia dos filhos de Deus. Te sentes tímido diante dos santos, impaciente se te admoestam, inseguro em teu humor, descuidado em teus pecados e sem apreensão a te misturar com o mundo. Em outro tempo não eras assim. É possível que conserves alguma forma religiosa, mas a piedade vital está se esfriando rapidamente. Agora és fraco e morno, logo estarás frio e morto, mais do antes. Estás ofendendo o Espírito que logo te deixará. Tentas o diabo, que logo te dominará; teu coração está disposto para ele. Óh! Leitor, reforça os laços que, ainda, te mantém unido a Deus antes que se enfraqueçam e rompam. Como é possível que eu deixe de duvidar de tua alma?

Não posso te deixar sem antes tentar fazer algo por ti. Sofro por te ver tão infeliz. É inútil que o negues: é o teu estado desde que voltaste a trás. És infeliz em tua casa e fora dela, só ou acompanhado, quando estás deitado e quando te levantas. Podes ter riquezas, honras, amor, amigos; mas o espinho segue encravado. Há fome de consolação em ti, desejas paz interior. Está enfermo e teu coração, descontente com todos e especialmente contigo mesmo. És um pássaro fora do seu ninho: nunca se encontra bem em parte alguma. Conservas demasiada religião para não gozar do mundo e muito pouca para te alegrar em Deus. Temes morrer e temes viver.

Leitor, a pesar de teres voltado a trás, há esperança para ti. Não há enfermidade de alma que o Evangelho não possa curar. É um remédio que pode ferir o teu orgulho, mas é um remédio seguro. Este remédio é uma fonte aberta para lavar todos os pecados, a misericórdia gratuita de Deus em Cristo Jesus. Vem e te lava nesta fonte sem demora e Jesus Cristo te fará são.

Toma tua Bíblia e vê como Davi viveu em pecado durante um tempo e, contudo, quando se arrependeu e se voltou para Deus, encontrou misericórdia para si. Olha para Pedro e vê como ele negou o mestre três vezes e com juramento, contudo, quando se arrependeu e chorou amargamente e se humilhou, encontrou misericórdia para si. Ouve as consoladoras palavras de nosso Senhor e Salvador: "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei", "Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas, ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR.", "ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã." E "Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos ter contigo; porque tu és o SENHOR, nosso Deus." (Mateus 11:28; Jeremias 3:1; Isaías 1:18; Jeremias 3:22.)

Leitor, roga a Deus para que estas palavras não te cheguem em vão. Porém , lembra-te, até que voltes de tua apostasia tenho de ter dúvidas sobre tua alma.

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Por J. C. Ryle
Fonte: Monergismo
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