terça-feira, 4 de março de 2014

A Doutrina Reformada da Predestinação - Livro 1 [09A/09]


Um Aviso Contra a Especulação Indevida

Neste ponto, daremos algumas palavras de aviso contra a especulação indevida e a curiosidade em lidar com esta nobre doutrina da Predestinação. Talvez não possamos fazer melhor que parafrasear as palavras do próprio Calvino, que são encontradas na primeira seção deste tratado sobre este tema: 
"A discussão da Predestinação - um tema em si mesmo intrincado - é feita muito complicada, e portanto perigosa, pela curiosidade humana, a qual nenhuma barreira pode impedir de embrenhar-se em labirintos proibidos, e de elevar-se para além de sua esfera, como se determinada a não deixar nenhum dos segredos Divinos inexplorados ou intocados . . .Primeiro, então, deixemo-los recordar que quando inquirem sobre a Predestinação, eles penetram nos mais recônditos recessos da sabedoria divina, onde o intruso confiante e descuidado não obterá satisfação para a sua curiosidade . . . Pois nós sabemos que quando tivermos excedido os limites da palavra, entraremos num curso errante e tedioso, no qual erros, escorregões e quedas serão inevitáveis. Em primeiro lugar, então, tenhamos em mente que desejar qualquer maior conhecimento da Predestinação do que nos foi revelado pela Palavra de Deus, indica tão grande tolice quanto querer caminhar através de caminhos impossíveis, ou enxergar na escuridão. Nem tenhamos vergonha de sermos ignorantes de algumas coisas relativas a um assunto no qual há uma espécie de ignorância aprendida."
Não estamos sob a obrigação de "explicar" estas verdades; estamos somente sob a obrigação de dizer o que Deus tem revelado na Sua palavra, e vindicar estas verdades o mais longe possível de concepção errada e de objeções. Na natureza do caso, tudo o que podemos conhecer acerca de tais profundas verdades é o que ao Espírito aprouve revelar com relação a elas, estando confiantes de que o que quer que Deus tenha revelado é indubitavelmente verdadeiro e deve ser crido embora talvez possamos não ser capazes de sondar suas profundidades com a linha da nossa razão. Em nossa ignorância dos Seus propósitos inter-relacionados, não estamos aptos a ser Seus conselheiros. "...quão profundos são os teus pensamentos!", disse o salmista [Salmo 92:5]. Tanto quanto possa o homem tentar atravessar o oceano a nado, também compreender os juízos de Deus. O homem conhece muitíssimo pouco que o justifique-o tentar explicar os mistérios da lei de Deus.

A importância do tema discutido deveria guiar-nos a proceder somente com a mais profunda reverência e cautela. Enquanto é verdadeiro que mistérios devem ser lidados com cuidado, e enquanto especulações inseguras e presunçosas com relação às coisas divinas devem ser evitadas, ainda se pregássemos o Evangelho em toda a sua pureza e plenitude, devemos ser cuidadosos para não privar dos crentes o que está declarado nas Escrituras acerca da Predestinação. Que algumas dessas verdades serão pervertidas e abusadas pelos não devotos deve ser esperado. Não importa o quão corretamente seja ensinado na Bíblia, as mentes não iluminadas consideram absurdo, por exemplo, que um Deus exista em três pessoas, ou que Deus devesse saber de antemão o curso inteiro dos eventos e acontecimentos do mundo, uma vez que Seu plano devesse incluir o destino de cada pessoa. E enquanto nós possamos conhecer sobre Predestinação somente o tanto que a Deus pareça cabível revelar, é importante que o saibamos; caso contrário tanto não teria sido a nós revelado. Para onde as Escrituras nos guiarem, podemos seguir em segurança.

Por Loraine Boettner, D.D.a
Fonte: Monergismo
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