sábado, 8 de março de 2014

A Doutrina Reformada da Predestinação - Livro 1 [09B/09]


O sistema Calvinista enfatiza principalmente cinco doutrinas distintas. Estas são conhecidas tecnicamente como "Os Cinco Pontos do Calvinismo", e são os pilares principais sobre os quais está baseada a super estrutura. Neste capítulo nós examinaremos cada um destes pilares, oferecendo base Bíblica e os argumentos racionais que as sustém. Consideraremos então as objeções que são comumente apresentadas contra eles.

Como será mostrado, a Bíblia contém abundante material para o desenvolvimento de cada uma daquelas doutrinas. Adicionalmente, não trata-se de doutrinas isoladas e independentes, mas são tão inter-relacionadas que formam um sistema simples, harmonioso e consistente; e a forma como se completam como componentes de um todo bem ordenado tem conquistado a admiração de pensadores de todos os credos. Em se provando que somente uma delas é verdadeira todas as consequentemente também o serão, como partes lógicas e necessárias de um sistema. Se provar-se que uma delas é falsa, todo o sistema terá de ser abandonado. Encaixam-se perfeitamente uma na outra. São elos na grande cadeia de causas; de onde nem mesmo uma delas poderia ser tirada sem comprometer e subverter todo o plano Evangélico de salvação por intermédio de Cristo. Não se pode conceber que um arranjo desta magnitude aconteça meramente por acaso, nem mesmo que seja possível; a menos que estas doutrinas sejam verdadeiras.

Tenhamos em mente que neste livro não nos propomos a discutir em detalhes as outras doutrinas das Escrituras que são aceitas pela Cristandade evangélica, mas sim apresentar e defender aquelas que são peculiares ao sistema Calvinista. A menos que isto esteja claro, muito da força e beleza reais do Calvinismo genérico estará perdido, e o então chamado "Cinco Pontos do Calvinismo", --que historicamente e na realidade são o oposto ao assim chamado "Cinco Pontos do Arminianismo", --assumirá uma proeminência indevida no sistema. Deixemos então que o leitor guarde-se de assumir uma identificação muito próxima dos Cinco Pontos com o sistema Calvinista, porquanto os Cinco Pontos sejam elementos essenciais, o sistema na realidade inclui muito mais. Como escrito na Introdução, a Confissão de Westminster é um testemunho equilibrado da Fé Reformada ou Calvinismo, e dá a devida projeção às outras doutrinas Cristãs.

Os Cinco Pontos podem ser mais facilmente lembrados se forem associados com a palavra "T-U-L-I-P", representando cada uma das letras um dos Cinco Pontos {"T" = Total Inability (Depravação Total ou Incapacidade Total); "U" = Unconditional Election (Eleição Incondicional); "L" = Limited Atonement (Expiação Limitada); "I" = Irresistible [Efficacious] Grace (Graça Irresistível [ou Eficaz]), e "P" = Perseverance of the Saints (Perseverança dos Santos).

O material a seguir extraído de "Romanos: Uma Apresentação Interpretativa" [páginas 144-147] escrito por David N. Steel e Curtis C. Thomas, contrasta os Cinco Pontos do Arminianismo com os Cinco Pontos do Calvinismo, da maneira mais clara e concisa que já vimos em qualquer lugar. Também pode ser encontrado no livreto, "Os Cinco Pontos do Calvinismo" [páginas 16 - 19]. Ambos livros foram publicados pela "The Presbyterian and Reformed Publishing Co., Philadelphia (1963. Os senhores Steele e Thomas foram pastores por vários anos de uma Igreja Batista do sul, em Little Rock, Arkansas.



OS "CINCO PONTOS" DO ARMINIANISMO
OS "CINCO PONTOS" DO CALVINISMO
1. Livre Arbítrio ou Capacidade Humana

Embora a natureza humana tenha sido seriamente afetada pela queda, o homem não foi deixado numa condição de abandono espiritual. Deus capacita graciosamente cada pecador a arrepender-se e crer, mas Ele não interfere na liberdade humana. Cada pecador possui livre arbítrio, e seu destino eterno depende de como ele o utiliza. A liberdade do homem consiste em sua capacidade de escolher o bem ao invés do mal no que se refere a assuntos espirituais; sua vontade não é escrava de sua natureza pecadora. O pecador tem o poder de ou cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido necessita da assistência do Espírito, mas ele não tem de ser regenerado pelo Espírito antes que possa crer, pois a fé é um ato do homem e precede no novo nascimento. A Fé é presente que o pecador dá para Deus; é a contribuição do homem para a salvação.

1. Incapacidade Total ou Total Depravação

Por causa da queda, o homem é incapaz por si mesmo de crer no evangelho para a sua salvação. O pecador está morto, surdo e cego para as coisas de Deus; seu coração é injusto e desesperadamente corrupto. Sua vontade não é livre, está unida à sua natureza má, portanto ele não será - na realidade ele não pode - escolher o bem ao invés do mal, no aspecto espiritual. Consequentemente, é necessário mais que a assistência do Espírito Santo para trazer um pecador até Cristo - é necessária regeneração, pela qual o Espírito Santo faz com que o pecador viva e dá-lhe uma nova natureza. Fé não é algo com que o homem contribui para a salvação, mas em si mesma é parte do dom de Deus para a salvação - é dádiva de Deus para o pecador, não um presente do pecador para Deus.















2. Eleição Condicional

A escolha de Deus de certos indivíduos para a salvação antes da fundação do mundo foi baseada na sua visão antecipada de que eles poderiam responder à sua chamada. Ele selecionou somente aqueles que Ele sabia que creriam livremente no Evangelho. Eleição, portanto foi determinada por ou condicionada ao que o homem faria. A fé que Deus anteviu e na qual Ele baseou a Sua escolha não foi dada ao pecador por Deus (ela não foi criada pelo poder regenerador do Espírito Santo), mas resultou somente da vontade do homem. Ela foi deixada totalmente à escolha do homem, quanto a em quem crer; e portanto quanto a quem deveria ser eleito para a salvação. Deus escolheu aqueles que Ele sabia, através da sua própria vontade, que escolheriam a Cristo. Assim, o pecador escolhendo a Cristo; e não Cristo escolhendo o pecador, é em última instância causa da salvação.
2. Eleição Incondicional

O fato de Deus escolher - antes da fundação do mundo - certos indivíduos para a salvação repousa somente sobre a Sua soberana vontade. Sua escolha, de certos pecadores em particular, não foi baseada em nenhuma resposta ou obediência da parte deles, tal como fé, arrependimento e etc. Ao contrário, Deus concede a fé e o arrependimento a cada indivíduo a quem Ele escolhe. Tais atos são o resultado, não a causa da escolha de Deus. A eleição, portanto não foi determinada ou condicionada por nenhuma qualidade virtuosa ou ato antevisto do homem. Àqueles a quem Deus soberanamente elegeu Ele traz através do poder do Espírito Santo à uma pronta aceitação de Cristo. Assim a escolha de Deus quanto ao pecador, é em última instância a causa da salvação.












3. Redenção Universal ou Expiação Geral

A obra redentora de Cristo possibilitou a cada um ser salvo, mas na realidade não assegurou a salvação de ninguém. Embora Cristo morresse por todos, somente aqueles que creem nEle estão salvos. A Sua morte possibilitou a Deus perdoar os pecadores na condição de que eles cressem, mas na realidade não colocou à parte o pecado de ninguém. A Redenção de Cristo se torna efetiva somente se o homem escolher aceitá-la.
3. Redenção Pessoal ou Expiação Limitada

A obra redentora de Cristo foi intencionada para salvar os eleitos somente; e realmente assegurou a sua salvação. Sua morte foi um pagamento substitutivo das faltas do pecado no lugar de certos pecadores em particular. Adicionalmente a colocar de lado os pecados do Seu povo, a redenção de Cristo assegurou tudo o que fosse necessário par a sua salvação, incluindo a fé, que os une a Ele. O dom da fé é infalivelmente dispensado pelo Espírito Santo a todos por quem Cristo morreu, portando assegurando a sua salvação.




4. A Resistência ao Espírito Santo é Possível

O Espírito Santo chama "internamente" a todos aqueles que são chamados "externamente" pelo convite do Evangelho; Ele faz tudo o quanto Ele pode para trazer cada pecador à salvação. Mas tanto quanto o homem é livre, ele pode resistir com sucesso à chamada do Espírito Santo. O Espírito Santo não pode regenerar o pecador até que este creia; a fé (que é a contribuição do homem) precede e faz possível o novo nascimento. Assim, o livre arbítrio do homem limita o Espírito Santo na aplicação, na efetivação da obra salvadora de Cristo. O Espírito Santo somente pode trazer até Cristo aqueles que permitam que Ele possa vir até eles. Até que o pecador responda, o Espírito não pode dar a vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível. Ela pode, e muitas encontram resistência por parte do homem; e é relegada por ele.
4. A Graça Eficaz; ou a Graça Irresistível

Adicionalmente à expansiva e geral chamada à salvação, que é feita a todos que ouvem a palavra do Evangelho, o Espírito Santo estende aos eleitos um convite especial que inevitavelmente os traz à salvação. O convite eterno (que é feito a todos sem distinção) pode ser, e invariavelmente o é, rejeitado; enquanto sempre resulte em conversão. Por intermédio deste convite especial, o Espírito Santo irresistivelmente traz os pecadores até Cristo. Ele não é limitado na Sua obra de aplicar a salvação à vontade do homem, nem é ele dependente da cooperação do homem para o Seu sucesso. O Espírito graciosamente faz com que o pecador eleito coopere, arrependa-se e venha pronta e livremente a Cristo. Graça de Deus. Portanto, é invencível, nunca falha na salvação daqueles que foram eleitos.










5. Caindo da Graça

Aqueles que creem e estão verdadeiramente salvos não podem perder a sua salvação por haverem falhado em manter a sua fé, etc. Todos Arminianos não têm concordado neste ponto, alguns têm sustentado que os crentes estão eternamente seguros em Cristo - que uma vez que um pecador é regenerado, ele não pode nunca perder-se.
5. Perseverança dos Santos

Todos aqueles que são escolhidos por Deus, redimidos por Cristo, e a quem a fé foi dada pelo Espírito Santo estão salvos eternamente. Eles são mantidos na fé pelo poder de Deus Onipotente e assim perseverarão até o fim.






De Acordo com o Arminianismo:

A Salvação é conseguida através dos esforços conjuntos de Deus (que toma a iniciativa) e do homem (que deve corresponder) - a resposta do homem sendo o fator determinante. Deus providenciou a salvação para todos, mas as suas provisões vêm a ser efetivas somente para aqueles que, através de seu livre arbítrio, "escolher" e "decidir" a cooperar com Ele e aceitar a Sua Graça. Neste ponto crucial, a vontade do homem tem uma parte decisiva; assim o homem, não Deus, determina quem será o recipiente do dom da salvação.
De Acordo com o Calvinismo:

A Salvação acontece através do poder supremo do Deus Triúno. O Pai escolhe um povo, o Filho morreu por eles, o Espírito Santo faz com que a morte de Cristo seja efetiva em trazer os eleitos à fé e ao arrependimento, destarte fazendo com que eles prontamente obedeçam ao Evangelho. Todo o processo (eleição, redenção e regeneração) é a obra de Deus e ocorre somente através da sua graça. Assim Deus, não o homem, determina quem será o recipiente do dom da salvação.







REJEITADA
pelo Sínodo de Dort


Este foi o sistema constante da "Remonstrância" (embora os "cinco pontos" não estivessem originalmente assim ordenados). Foi submetido pelos Arminianos à Igreja da Holanda para adoção em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619, nas bases de que não era Bíblico.
REAFIRMADO
pelo Sínodo de Dort

Este sistema teológico foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como a doutrina da salvação contida nas Sagradas Escrituras. O sistema foi à época formulado em "cinco pontos" (em resposta aos "cinco pontos" submetidos pelos Arminianos) e desde então tem sido conhecido como "os cinco pontos do Calvinismo".






Por 
Loraine Boettner, D.D.a
Fonte: Monergismo
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