terça-feira, 18 de março de 2014

Algumas Implicações Diretas dos Princípios Puritanos no Ministério


Em 1688, o puritano John Flavel dirigiu-se a uma assembléia de ministros nas palavras do Salvador conforme registradas em Mateus 24:45: “Quem é, pois, o servo fiel e prudente a quem o seu senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?”. Ele diz, “fiel e prudente, ambos adjetivos constituem o caráter do ministro evangélico completo — sua sabedoria ou prudência o capacita para discernir, e sua lealdade o obriga a distribuir alimento saudável ao seu rebanho. Fidelidade ou prudência fala de diligência. Um homem negligente não pode ser um servo fiel. As labutas do ministro são adequadamente comparadas à lida de homens na colheita, ao esforço de mulheres no parto, e às agonias de soldados nas frentes de batalha. Fidelidade tem a ver com constância e estabilidade. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2:10). Oh sim, nós devemos lutar em defesa da verdade que pregamos, assim como estudá-las até ficarmos pálidos e declará-las até desfalecermos”.

“Fidelidade ministerial inclui nossa imparcialidade em todas as administrações da casa de Deus. Aquele que é parcial não pode ser fiel. Quão solenemente Paulo ordena esta carga a Timóteo: “Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade” (I Timóteo 5:21). Irmãos, vocês muito cedo comparecerão perante um juiz imparcial, vejam que sejam mordomos imparciais. Lembrem-se que todas as almas são classificadas por um valor no livro de vosso Mestre. Seu Redentor pagou tanto por uma quanto por outra. Tomem o mesmo cuidado, manifestem o mesmo amor, atendam com a mesma diligência a mais fraca e pobre alma que está confiada ao seu cuidado”.

“Prudência ministerial nos levará a construir um bom alicerce de conhecimento nas almas do nosso povo, por catequizá-las e instruí-las nos princípios do Cristianismo, sem o qual labutamos em vão. Exceto se tiverem um povo com conhecimento, vocês provavelmente não terão um povo piedoso. Todos os seus excelentes sermões serão feitos em pedaços, lançados contra a rocha da ignorância do seu povo. Vocês não podem nunca lançar-se num projeto melhor para promover o sucesso do seu trabalho, que o da catequese”. Aqui eu devo interromper Flavel, para perguntar: Se esta é a pedra de tropeço para o sucesso das nossas labutas, não deveria ser então identificada e o remédio aplicado?

Flavel continua, “A prudência ministerial se descobre na escolha de tais assuntos como as almas do nosso povo mais almejam. Um ministro prudente estudará as almas do seu povo mais do que os melhores livros em sua biblioteca e escolherá, não o que lhe seja mais fácil, mas o que seja mais necessário a eles. Ministros que estão inteirados com o estado do seu rebanho como deveriam estar, raramente estarão perdidos na escolha dos assuntos. Prudência capacitará o homem de Deus a dar a cada um seu alimento apropriado, e medicação na época devida. Isto nos fará gastar mais e mais horas em nossos estudos, para que pelo nosso esforço possamos salvar a nós mesmos e àqueles que nos ouvem”.

“Prudência ministerial não somente nos direcionará na escolha dos nossos assuntos, mas também na linguagem, na qual os entregaremos ao nosso povo. Um estilo grave e apropriado torna-se os lábios dos embaixadores de Cristo. Prudência nunca nos permitirá sermos rudes ou nos engajar em expressões floreadas. Devemos nos esforçar por simplificar os mistérios mais sublimes do evangelho à capacidade dos mais iletrados dos nossos ouvintes. O maior dos créditos que podemos aspirar é nos aproximarmos ao máximo do louvor prestado ao maior pregador de todos os tempos: ‘E a grande multidão o ouvia de boa vontade’” (Marcos 12:37).

“Prudência ministerial direcionará os servos de Cristos ao rigor e seriedade em seu comportamento, a manter a estima do seu povo. Prudência não permitirá que os ministros de Cristo se misturem com vãs companhias, tomem liberdade em zombarias sem benefícios e estórias vãs; nem permitirá, por outro lado, uma austeridade carrancuda e desencorajadora, mas temperará seriedade com afabilidade”.

“A vocês que são estudantes ou recém formados eu dirigirei uma palavra de conselho: tomem cuidado para evitar aquele espírito vão e volúvel que está em toda parte nesta época desprovida de seriedade. As pessoas têm olhos para ver o que nós fazemos, tanto quanto ouvidos para ouvir o que dizemos. Deveríamos nos esforçar por sermos capazes de dizer como Paulo: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei...” (Fp 4:9).

“Prudência ministerial freqüentemente os porá de joelhos para buscar as bênçãos de Deus para os seus labores. Saibam que todo o seu sucesso no ministério depende disso, como está escrito: ‘Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento’” (I Co 3:7).

“Prudência ministerial os levará a cultivar e alimentar o amor fraternal, pois uma vez que a cobiça, o orgulho ou interesse carnal infiltram-se entre os irmãos, não há palavras que possam dizer que danos e pecados irromperão em seu meio, para afronta a Cristo e ao evangelho. Eu, portanto, em o nome de Cristo, como se de joelhos, sinceramente imploro e suplico aos meus irmãos, por todo o respeito que têm pela honra de Cristo, as almas de seu povo, seu próprio bem-estar, e o sucesso de suas lutas, que nenhuma inveja ou disputa ou menosprezo seja nem por uma vez admitida e mencionada entre eles”.

Encerro com uma citação final de Richard Baxter, onde ele confessa, “Algumas destas palavras de Paulo têm sido tão frequentemente apresentadas ante meus olhos e impressas em minha consciência que eu tenho sido em muito convencido por elas da minha responsabilidade e da minha negligência”:

(a) Nosso negócio geral: Servir ao Senhor com toda humildade, com muitas lágrimas.

(b) Nossa ocupação especial: Cuidar de nós mesmos, e de todo o rebanho.

(c) Nossa doutrina: Arrependimento para com Deus, e fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

(d) O local e forma de ensino: Eu os tenho ensinado publicamente, e de casa em casa.

(e) Sua diligência, seriedade e afeição: Não cessei de alertar a todos dia e noite e com lágrimas. Isso é o que deve ganhar almas e preservá-las.

(f) Sua lealdade: Não ocultei nada que fosse benéfico para vocês, e não deixei de declarar-lhes todos os conselhos de Deus.

(g) Seu desinteresse e auto-negação pelo bem do evangelho: Eu não cobicei nem a prata, nem o ouro e nem o adorno de homem algum; sim, estas mãos têm provido para as minhas necessidades, e àqueles que comigo estiveram, lembrando das palavras do Senhor Jesus, como Ele disse, melhor é dar do que receber.

(h) Sua paciência e perseverança: Nenhuma dessas coisas me toca, nem contam em minha vida como preciosas, de modo que eu posso terminar com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus.

(i) Sua religiosidade: Eu os comendo a Deus e à palavra da Sua graça, a qual pode levantá-los, e dar-lhes herança dentre todos aqueles que são santificados.

(j) Sua pureza de consciência: Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos”.
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Por Rev D J MacDonald
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