quinta-feira, 27 de março de 2014

Como o Espírito Santo Vem a Nós e Faz a Sua Obra

Somente Deus é quem nos dá o Espírito (Lc 11.13; Jo 3.34; 1Jo 3.24). Tal “dádiva” é um ato de autoridade e de liberdade que procede das riquezas da graça de Deus (Lc 11.13; Jo 4.10; 14.17; 1Co 4.7; Tt 3.6; 1Co 12.7). Deus o envia para nós (Sl 104.3; Jo 14.26; 15.26; 16.7). Este “enviar” significa que o Espírito Santo não estava com a pessoa antes de ser enviado a ela, e nos diz que é uma obra especial de Deus a qual ele não havia feito antes.

Deus nos ministra o Espírito (Gl 3.5; Fp 1.19). Isso implica que Deus de contínuo nos supre adicionalmente da sua graça através do seu Espírito. Está dito que Deus põe o seu Espírito em ou sobre o homem (Is 42.1; 63.11). Ele faz isso quando pretende que alguém se beneficie de algum modo do seu Espírito, e.g., Saul, Eldade e Medade (1Sm 10.10; Nm 11.27; Am 7.14;15 e Jr 1.5-7). 

Diz-se que Deus derrama o seu Espírito Santo frequentemente (Pv 1.23; Is 32.15; 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28; At 2.17; 10.45). Esta expressão é sempre utilizada com referência à era do evangelho, e implica em comparações que nos remetem a uma outra época ou ato anterior de Deus em que ele deu o seu Espírito, mas não da mesma forma como pretende dá-lo a nós agora. Concede-se, nos dias do evangelho, uma parcela muito maior do Espírito. Essa expressão designa um ato notável da riqueza divina (Jó 36.27; Sl 65.10-13; Tt 3.6; 1Tm 6.17) e o derramar dos dons e das graças do Espírito — não da sua Pessoa (pois onde ele é dado, é dado permanentemente) — e refere-se a obras especiais do Espírito, tais como a purificação e a consolação daqueles sobre quem é ele derramado (Ml 3.2,3; Is 4.4; Lc 3.16; Ez 36.25-27; Jo 7.38,39; Tt 3.4-6; Hb 6.7; Is 44.3; Sl 72.6).

Como age o Espírito Santo 

O Espírito procede do Pai e do Filho (Jo 15.26). Como está pessoalmente relacionado ao Pai e ao Filho desde a eternidade ele, portanto, procede eternamente do Pai e do Filho e, de boa vontade e livremente, atua com vistas a cumprir a obra que lhe cabe.

É-nos dito que ele “vem” (Jo 15.26; 16.7,8; 1Cr 12.18; At 19.6). Devemos orar para que ele venha a nós. Também está dito que ele “cai sobre os homens” (At 10.44; 11.15); que repousa sobre aqueles a quem é enviado (Is 11.2; Jo 1.32,33; Nm 11.25,26; 2Rs 2.15; 1Pe 4.14). Ele se deleita na obra sobre a qual repousa (Sf 3.17) e nela permanece (Jo 14.16).

Diz-se que o Espírito sai de algumas pessoas (1Sm 6.14; 2Pe 2.21; Hb 6.4-6; 10.26-30). Mas ele jamais sairá dos que estão no pacto da graça (Is 59.21; Jr 31.33; 32.39,40; Ez 11.19,20).

Argumenta-se algumas vezes que o Espírito Santo pode ser dividido. Os que assim o dizem apontam para Hebreus 2.4 onde o termo grego para “dons” do Espírito é “distribuição, separação”. Mas o sentido aqui é que o Espírito Santo deu vários dons aos primeiros pregadores do evangelho com o objetivo de que a doutrina deles pudesse ser vista e confirmada por Deus, segundo a promessa de Cristo (Jo 15.26, 27). Assim, os “sinais” eram obras maravilhosas atestando que Deus operava juntamente com eles em sinais e “maravilhas”, eram obras além dos poderes da natureza. Eram feitas para encher os homens de espanto e do senso da presença de Deus. “Poderes miraculosos” incluíam abrir os olhos aos cegos e ressuscitar os mortos. Estes são “dons do Espírito Santo”. Todas estas e outras obras de natureza semelhante eram realizadas pelo Espírito Santo (1Co 12.7-11).
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Capítulo 3 da obra "O Espírito Santo" de John Owen 
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