terça-feira, 11 de março de 2014

Mestre


Jesus Cristo proclamou o Reino e a Família de Deus
"Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como que tem autoridade e não como os escribas." Mateus 7.28,29
Jesus foi Filho de Deus encarnado, e seu ensino, dado a Ele por seu Pai (Jô 7.16-18; 12.49,50), permanecerá para sempre (Mc 13.31), e por fim julgará seus ouvintes (Jô 12.48; Mt 7.24-27). A importância de dar atenção a este ensino não pode, portanto, deixar de ser enfatizada. Jesus ensinou como os rabinos judeus geralmente faziam, aos poucos, em fragmentos, e não por meio de discursos correntes, estando muitos de seus pronunciamentos vitais em parábolas, provérbios e manifestações isoladas, respondendo a perguntas e reagindo a situações.

Todo o seu ensino público foi marcado por autoridade que causou assombro (Mt 7.28,29; Mc 1.27; Jô 7.46), mas alguns de seus ensinos foram expressos de forma enigmática, exigindo reflexão e discernimento espiritual (“ouvidos” , Mt 11.15; 13.9,43; Lc 14.35) e confundindo o ouvinte ocasional e cheio de si. A razão por que Jesus apenas emitiu noções obscuras e parcas a respeito (por exemplo) de seu papel messiânico, expiação, ressurreição e reino vindouro, é dupla: primeiro, de qualquer modo, somente os eventos poderiam tornar claras essas coisas; e segundo, a preocupação de Jesus foi chamar as pessoas ao seu discipulado por meio de seu impacto pessoal sobre elas, e a seguir ensiná-las a respeito dele mesmo no contexto desse relacionamento, em vez de oferecer instrução teológica detalhada ao não comprometido com a fé. Entretanto, as afirmações de Jesus são freqüentemente claras, e as numerosas apresentações ampliadas nas epístolas são melhor lidas como muitas notas de rodapé do qual Jesus disse.

O ensino de Jesus tinha três pontos regulares de referência. O primeiro era seu Pai divino, que o havia enviado e estava agora dirigindo-o (Mt 11.25-27; 16.13-17, 27;  21.37; 26.29,53; Lc 2.49;  22.29; Jo 3.35; 5.18-23,26,27,36,37; 8.26-29; 10.25-30, 36-38), e a quem seus discípulos devem referir-se como seu Pai celestial (Mt 5.43-6.14, 25-33; 7.11). O segundo era o povo, tanto indivíduos como multidões em sua condição de perdidos (Mt 5.43-6.14,25-33; 7.11). O segundo era o povo, tanto indivíduos como multidões em sua condição de perdidos (Mt 9.36; Mc 10.21), os que eram objeto de seus constantes e variados apelos ao arrependimento e a uma nova vida (Mt 4.17; 11.20-24; Mc 1.15; Lc 5.32; 13.3-5; 15.7; 24.47). O terceiro era Ele mesmo, o Filho do Homem, um título messiânico (Mt 16.13-16). “Um como Filho do homem” assume o reino em Daniel 7.13,14. Para confirmarmos o próprio uso feito por Jesus deste título, ver Marcos 8.38; 13.26; 14.62 (fazendo eco a Daniel); Mateus 12.40; Marcos 8.31; 9.31; 10.33,45; 14.21,4; Lucas 18.31-33 (predizendo sua morte e ressurreição); João 3.13-15; 6.27 (declarando seu ministério salvífico).

Como decorrência do testemunho de Jesus a seu Pai, às necessidades do povo, e a seu próprio papel, três temas teológicos tomam forma:

1. O reino de Deus. Esta é uma realidade relacional que veio com Jesus como cumprimento do plano de Deus para a história, da qual os profetas do Velho Testamento tinham constantemente falado (Is 2.14; 9.6,7; 11.1-12.6; 42.1-9; 49.1-7; Jr 23.5,6). O reino está presente com Jesus; seus milagres são sinais dele (Mt 11.12; 12.28; Lc 16.16; 17.10,21). O reino torna-se real e crucial na vida de uma pessoa quando ela se submete com fé ao senhorio de Cristo, um significativo compromisso que traz salvação e vida eterna (Mt 10.17-27; Jô 5.24). O reino será pregado e crescerá (Mt 24.14; 13.31-33) até que o Filho do Homem, agora reinando no céu, reapareça para julgamento e, no caso de seus fiéis servos, para alegria (Mt 13.24-43,47-50).

2.    A obra salvadora de Jesus.  Tendo descido do eu pela vontade do Pai para resgatar pecadores escolhidos para a glória, Jesus morre por eles, convida-os e atrai para si mesmo, perdoa seus pecados e conserva-os seguros até o dia de sua ressurreição, glorificação e introdução na bem-aventurança do céu (Lc 5.20,23; 7.48; Jô 6.37-40, 44, 45; 10.14-18, 27-29; 12.32; 17.1-26).

3. A ética da família de Deus. A nova vida, que vem aos pecadores como dádiva da livre graça de Deus, deve ser expressa em um novo estilo de vida. Os que vivem pela graça devem praticar a gratidão; os que têm sido intensamente amados devem mostrar em grande amor pelos outros; os que vivem por terem sido perdoados devem perdoar; os que conhecem a Deus como seu amoroso Pai celestial devem aceitar suas providências sem amargor, honrando-o em todo o tempo pela crença em seu cuidado protetor. Em uma palavra, os filhos de Deus devem ser como se Pai e seu Salvador, o que significa ser totalmente distinto do mundo (Mt 5.43-48; 6.12-15; 18.21-35; 20.26-28; 22.35-40).

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Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista.
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