terça-feira, 22 de abril de 2014

A Doutrina Reformada da Predestinação - Livro 3 [04/08]



Que Desencoraja Todos Motivos Para Colocação Na Prática

1. Os Meios, Tanto Quanto os Fins, São Pré Ordenados. 2. Resultados Práticos

1. OS MEIOS, TANTO QUANTO OS FINS, SÃO PRÉ ORDENADOS.

A objeção quanto à doutrina da Predestinação, de que ela desencoraja todos motivos para que seja colocada em prática, está baseada na falácia de que os fins são pré determinados, sem referência aos meios. Não se trata meramente de uns poucos eventos aqui e ali que tenham sido pré ordenados, mas a cadeia inteira de eventos, com todas as suas inter-relações e conexões. Todas as partes formam uma unidade, no plano Divino. Se os meios falhassem, também falhariam os fins. Se a intenção de Deus fosse a de que o homem devesse ceifar, também seria Sua intenção que ele semeasse. Se Deus ordenou o homem para ser salvo, Ele também ordenou que ele ouça o Evangelho; e que ele creia e que arrependa-se. Como bem pode o fazendeiro recusar-se a arar o solo de acordo com as leis estabelecidas pela natureza e pela experiência, até que ele tenha primeiro conhecido qual era o propósito secreto de Deus, a ser executado na Sua providência com relação à frutificação da próxima estação; assim também qualquer um pode recusar-se a trabalhar nas esferas moral e espiritual por não saber que tipo de frutos Deus poderá fazer nascer a partir do seu trabalho. Sabemos, no entanto, que abundância de frutos é comumente concedida onde o trabalho preliminar tenha sido fielmente levado a efeito. Se nos engajamos no serviço do Senhor e diligentemente utilizamos os meios que Ele prescreveu, teremos o grande encorajamento de saber que é exatamente através destes meios que Ele determinou a conclusão da Sua grande obra.

Mesmo aqueles que aceitam a Declaração Bíblica de que Deus "operou todas as coisas conforme após o conselho da Sua vontade"; e declarações similares, ao efeito de que a providência e o controle de Deus estendem-se a todos os eventos das suas vidas, sabem que este fato não interfere ao mínimo, com a sua liberdade. Será que aqueles que fazem tal objeção permitem a sua crença na soberania Divina determinar a sua conduta em assuntos seculares? Rejeitam alimento quando estão famintos, ou medicamentos quando doentes, porque Deus apontou o momento e a maneira da sua morte? Negligenciam as maneiras pelas quais adquirir saúde e distinção porque Deus dá honra e riqueza a quem Lhe apraz? Quando em assuntos fora da religião, alguém até pode reconhecer a soberania de Deus, trabalhando todavia no exercício de liberdade consciente; não é pecaminosidade e tolice oferecer como uma desculpa para negligenciar seus assuntos espirituais e eternos a alegação de que ele não é livre nem responsável? A sua consciência não testifica que a única razão porque ele não é um seguidor de Jesus Cristo é que ele nunca sentiu vontade de segui-Lo? Suponha que quando o homem paralítico foi trazido até Jesus e ouviu as palavras: "Levanta-te e anda", ele tivesse simplesmente respondido: "Eu não posso; eu sou paralítico!". Tivesse ele agido assim, ele morreria paralítico. Mas, reconhecendo a sua própria condição de indefeso e confiando nAquele que deu a ordem, ele simplesmente obedeceu e foi feito são. Este é O mesmo Salvador que chama os pecadores mortos em pecado para virem até Ele; e podemos estar seguros de que aquele que vem não verá que os seus esforços foram em vão. O fato é, que a menos que consideremos Deus como o Dispensador Soberano de todos os eventos, Quem no meio da certeza ordenou a liberdade humana, temos muito pouco encorajamento para trabalhar. Se crermos que o nosso sucesso e o nosso destino era primariamente dependente do prazer e da boa vontade de criaturas fracas e pecadoras, teríamos quase nenhum incentivo para a aplicação da doutrina.

"De joelhos, o Arminiano se esquece dos quebra-cabeças que destorceram a sua compreensão da Predestinação e, pronta e gratamente reconhece que a sua conversão deveu-se à precedente graça de Deus, sem a qual nenhuma simples vontade ou obras suas jamais teriam feito dele uma nova criatura. Ele ora pelo derramar do Espírito de Deus para restringir, para convencer, para renovar e para santificar os homens; pelo direcionamento divino dos eventos humanos, e o destruir dos conselhos e o frustrar dos planos dos homens perversos; ele rende glórias e honras ao Senhor pelo que realmente é feito neste sentido, o que implica em que Deus reina, que Ele é O soberano dispensador de todos os eventos, e que todo o bem e que toda a aniquilação do mal Lhe são devidos, enquanto que o mal é em si próprio devido à criatura. Ele reconhece a totalidade da presciência divina como parte inseparável da sabedoria dos Seus propósitos eternos. Suas preces pela certeza da esperança, ou o seu presente desfrutar dela, pressupõem a fé de que Deus pode proteger e que Ele protegerá os seus pés de tropeçarem, assim como o céu de rebelião; e que o Seu propósito forma uma ligação tão infalível entre a graça presente e a glória eterna, que nada poderá separá-lo do amor de Deus, o qual é em Cristo Jesus nosso Senhor." 1

Uma vez que os eventos futuros são ocultos e desconhecidos a nos, devemos então ser tão laboriosos em nossas obras e tão sinceros no desenvolver das nossas obrigações, como se nada houvesse ainda sido decretado quanto ao futuro. Muitas vezes tem sido dito que deveríamos orar como se tudo dependesse de Deus; e trabalhar como se tudo dependesse de nós mesmos. A observação feita por Lutero nesse aspecto foi: "Somos comandados a trabalhar mais por esta mesma razão, porque todas as coisas futuras nos são incertas; como dito em Eclesiastes, 'Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retenhas a tua mão; pois tu não sabes qual das duas prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão, igualmente boas.'[Eclesiastes 11:6]. Todas as coisas futuras, eu digo que nos são incertas ao conhecimento, mas necessárias à ocorrência. A necessidade golpeia em nós o temor a Deus, que não presumimos ou tornamo-nos seguros, enquanto que a incerteza opera em nós a confiança de que não afundaremos no desespero. 2

O fazendeiro que, depois de ouvir um sermão sobre os decretos de Deus, ao voltar para casa foi pela estrada acidentada ao invés de seguir pelo caminho seguro e em conseqüência sofreu um acidente, concluiu antes do final da jornada que ele de forma alguma tinha sido predestinado para ser um tolo; e que tinha feito certas a sua chamada e a sua eleição." 3

Numa ocasião, depois que o Dr. Charles Hodge houvera terminado uma palestra teológica, aproximou-se dele uma senhora que lhe disse, "Então o senhor crê, Dr. Hodge, que o que tiver de ser será?" "Sim senhora, madame, eu creio," ele replicou. "Por que a senhora quer que eu acredite que o que tiver de ser não será?"

E somos ainda lembrados, neste ponto, de alguém na Escócia, acusado e condenado por assassinato, que disse ao juiz: "Eu estava predestinado desde toda a eternidade para fazer o que fiz." Ao que o juiz replicou: "Pois que seja, então eu estava desde a eternidade predestinado a sentenciá-lo para ser enforcado pelo pescoço, o que faço agora."

Alguns podem estar inclinados a dizer que, se nada além do poder criativo de Deus pode habilitar-nos a arrepender e crer, então tudo o que podemos fazer é esperar passivamente até que tal poder seja exercido. Ou pode ser perguntado, se não podemos efetivar a nossa salvação, por que então trabalhar por ela? Em frente da lida humana, no entanto, encontramos que o resultado depende da cooperação de causas sobre as quais não temos nenhum controle. Temos simplesmente que utilizar os meios apropriados e confiar na cooperação das outras causas. Nós temos a promessa expressa de Deus, que aqueles que procuram encontrarão, que aqueles que pedem receberão, e que aqueles que batem abrir-se-lhes-á. Isto é muito mais do que é dado aos homens do mundo, para estimulá-los em sua busca de riqueza, conhecimento ou posição; e mais do que isto não pode ser racionalmente demandado. Aquele que lê e que medita na Palavra de Deus, é cabalmente regenerado pelo Espírito Santo, talvez no próprio ato da leitura da Palavra. "Enquanto Pedro ainda dizia estas coisas, desceu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra."[Atos 10:44]. O dramaturgo William Sheakespeare fez um dos seus personagens dizer: "A falha, caro Brutus, não está nas nossas estrelas, mas em nós mesmos, que somos subordinados," (Julius Caesar, 1:2).

A incapacidade o pecador de salvar-se a si mesmo, portanto, não deveria fazer dele menos diligente na busca da sua salvação, da maneira que Deus indicou. Algum leproso, quando Cristo estava na terra, pode ter ponderado que, uma vez que ele não podia curar-se, ele devia simplesmente esperar que Cristo viesse e o curasse. O efeito natural, no entanto, da convicção de ser íntima e completamente indefeso é o que impele um indivíduo a buscar diligentemente a fonte, a origem, de onde - somente - a ajuda pode vir. O homem é uma criatura caída, arruinada e indefesa; e até que ele se conscientize disso, ele estará vivendo no mundo, sem esperança e sem Deus.

2. RESULTADOS PRÁTICOS.

A tendência genuína dessas verdades não é fazer com que os homens tornem-se indolentes e descuidados, mas energizá-los e estimulá-los a redobrar seus esforços. Heróis e conquistadores, tais como César e Napoleão, muitas vezes foram possuídos por um senso de destino o qual eles iriam cumprir. Esta sensação torna os nervos em aço, redobra a coragem, e fixa um propósito indomável de seguir adiante com a tarefa até uma conclusão com sucesso. Objetivos grandes e difíceis podem somente ser alcançados por homens que tenham confiança em si mesmos, e que não permitam que obstáculos os desencorajem. "Esta idéia de destino uma vez abraçada", diz Mozley, "como é o efeito natural do senso de poder, em contrapartida acrescenta grandemente ao mesmo. O indivíduo, assim que refere-se a si próprio como predestinado a alcançar algum grande objetivo, age com constância e com força tão maior para a sua obtenção; ele não é dividido por dúvidas, ou enfraquecido por medos ou escrúpulos; ele totalmente crê que conseguirá, e tal crença é a maior assistência para o sucesso. A idéia de um destino completa-se num grau considerável . . . . . Deve observar-se que isto é verdadeiro no moral e espiritual, tanto quanto no homem natural, e aplica-se aos objetivos e propósitos religiosos, tanto quanto àqueles relacionados com a glória humana." 4

E. W. Smith, no seu valioso livro, "O Credo dos Presbiterianos", escreve o seguinte: "A mais confortante e enobrecedora é também a mais energizante das fés. Que a sua caricatura sombria, o fatalismo, tenha desenvolvido nos corações humanos uma energia ao mesmo tempo sublime e alarmante, é um dos lugares-comuns da história. A onda avassaladora de ataque do Maometanismo, que varreu o Oriente e quase que destruiu o Ocidente, foi devido à convicção dos seus devotos que nas suas conquistas eles estavam somente executando os decretos de Alá. Átila o Huno foi guiado no seu curso terrível e destrutivo pela crença de que ele era o "Flagelo de Deus". A energia e a audácia que fizeram Napoleão tentar e conseguir resultados aparentemente impossíveis, nasceu da convicção secreta de que ele era o 'homem do destino'. O Fatalismo gerou uma raça de Titãs. A Sua energia é sobre-humana, porque eles criam serem instrumentos de poder sobre humano.

"Se a caricatura desta doutrina possibilitou tal energia, a doutrina em si deve inspirar energia ainda mais elevada, pois tudo o que nela é energizante permanece com força adicional quando, por um destino cego ou uma deidade fatalista, substituímos um Deus, sábio e governador. Que eu sinta que em cada comando de ação, em cada necessidade de reforma, eu esteja somente desenvolvendo um propósito eterno de Jeová; que em cada batalha pelo direito, eu ouça às minhas costas o som da marcha das Reservas Infinitas; e que eu seja elevado acima do medo do homem ou da possibilidade de falha final." (pp. 180, 181).

Na edição de 18 de Abril de 1929 do tablóide Inglês, "The Daily Express", lemos a seguinte matéria, relativa a Earl Haig, que foi o Comandante-em-Chefe dos exércitos Britânicos na Primeira Guerra Mundial; e que era Escocês e Presbiteriano Calvinista: "O mais notável com relação à própria personalidade de Haig é a revelação de que este homem formal, frio e reservado tinha uma profunda fé, e nas maiores crises da guerra ele acreditou implicitamente que a ajuda viria do alto; e tinha a si próprio como o escolhido do Senhor, o protetor que poderia sozinho destruir o inimigo. Ele estava genuinamente convencido que a posição à qual ele agora havia sido chamado para ocupar no exército Britânico poderia ser ocupada por ele e somente por ele. Não era modéstia. Não havia nenhum homem que fosse menos inclinado para super estimar o seu próprio valor ou capacidade; era a opinião baseada no discernimento de todos os fatores. Ele passou a referir-se a si mesmo com fé quase Calvinista, como o instrumento predestinado da Providência para a obtenção da vitória das forças Britânicas. Sua auto confiança abundante foi reforçada por esta concepção de si mesmo como o filho do destino."

A tendência genuína dessas verdades, então, como já apresentado, não é fazer com que homens tornem-se indolentes e descuidados, nem de fazê-los adormecer no colo da presunção e da segurança carnal, mas energizá-los e inspirar-lhes confiança. Tanto a razão como a experiência nos ensinam que quanto maior a esperança de sucesso de uma pessoa, mais forte torna-se o motivo para exercê-lo. A pessoa que está segura do sucesso na utilização de meios apropriados tem o mais forte dos incentivos para trabalhar, enquanto que por outro lado, onde há pouca esperança haverá pouca disposição para exercitar-se; e onde não houver esperança, não haverá a prática. O Cristão, então, que tem à sua frente os mandamentos definitivos de Deus, e a promessa de que será abençoada a obra daqueles que obedientemente e reverentemente beneficiam-se dos meios apontados, tem os motivos mais altos possíveis para a prática. Ademais, ele é elevado e inspirado pela firme convicção de estar marcado para uma coroa celeste.

Quem jamais apresentou a doutrina da eleição mais plenamente e em linguagem mais forte do que fez o Apóstolo Paulo? E todavia quem foi mais zeloso e mais incansável na sua labuta que Paulo? Sua teoria fez dele um missionário e o impeliu a apresentar o Cristianismo como final e triunfante. Quão festivo deve ter sido para ele em Corinto, ouvir as palavras, "...Não temas, mas fala e não te cales; porque eu estou contigo e ninguém te acometerá para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade."[Atos 18:9-10]. Que maior incentivo para a ação poderia ter sido dado a ele do que este, que a sua pregação era o meio divinamente indicado para a conversão de muitos daquele povo escolhido? Note, Deus não lhe disse quantas pessoas Ele tinha naquela cidade, nem quem eram os indivíduos. O ministro do Evangelho pode ir adiante confiante no sucesso, sabendo que através deste meio indicado Deus determinou salvar um vasto número da família humana em cada idade. Na verdade, um dos mais fortes apelos para missões e que o evangelismo é a vontade de Deus para o mundo inteiro; e somente aquele que reconhece a soberania de Deus em cada esfera, em cada aspecto da vida é quem pode ter a paixão mais profunda pela glória Divina.

A experiência da Igreja em todas as eras tem sido a de que esta doutrina tem levado homens, não a negligenciar, nem a uma indiferença impassiva, nem a oposição rebelde contra Deus; mas a submissão e a uma confiança certa no poder Divino. A promessa feita a Jacó de que a sua posteridade seria uma grande nação não evitou nem um pouco que ele usasse todos os meios disponíveis para proteção, quando parecia que Esaú pudesse matá-lo e à sua família. Quando Daniel entendeu pelas profecias de Jeremias que o tempo para a restauração de Israel estava próximo, ele sinceramente pôs-se a orar por isto [veja em Daniel 9:2, 3 = "(2) no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as desolações de Jerusalém, era de setenta anos. (3) Eu, pois, dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza."]. Imediatamente após ter sido revelado a Davi que Deus estabeleceria a sua casa, ele orou sinceramente por aquele mesmo motivo [veja em II Samuel 7:27-29 = "(27) Pois tu, Senhor dos exércitos, Deus de Israel, fizeste uma revelação ao teu servo, dizendo: Edificar-te-ei uma casa. Por isso o teu servo se animou a fazer-te esta oração. (28) Agora, pois, Senhor Jeová, tu és Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens prometido a teu servo este bem. (29) Sê, pois, agora servido de abençoar a casa do teu servo, para que subsista para sempre diante de ti; pois tu, ó Senhor Jeová, o disseste; e com a tua bênção a casa do teu servo será, abençoada para sempre."]. Embora Cristo soubesse o que havia sido apontado para o Seu povo, Ele orou sinceramente pela preservação deles (veja em João 17). E embora a Paulo tivesse sido dito que ele devia ir para Roma e dar testemunho, isto não fez com que ele fosse descuidado com a sua vida. Ele tomou toda precaução para proteger-se contra um julgamento injusto pela turba em Jerusalém, e contra uma viagem imprudente [veja em Atos 23:11 = "Na noite seguinte, apresentou-se-lhe o Senhor e disse: Tem bom ânimo: porque, como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa que o dês também em Roma"; 25:10, 11 = "(10) Mas Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde devo ser julgado; nenhum mal fiz aos judeus, como muito bem sabes. (11) Se, pois, sou malfeitor e tenho cometido alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles; apelo para César."; 27:9, 10 = "(9) Havendo decorrido muito tempo e tendo-se tornado perigosa a navegação, porque já havia passado o jejum, Paulo os advertia, (10) dizendo-lhes: Senhores, vejo que a viagem vai ser com avaria e muita perda não só para a carga e o navio, mas também para as nossas vidas."]. O decreto de Deus era que todos aqueles a bordo da embarcação fossem salvos, mas tal decreto tomou a atividade habilidosa, corajosa e livre dos marinheiros. Sua liberdade e responsabilidade não foram nem um pouco diminuídas. O efeito prático desta doutrina, então, tem sido guiar os homens a orações freqüentes e ferventes, sabendo que os seus tempos estão nas mãos de Deus e que cada evento em suas vidas são da Sua disposição.

Ademais, pode ser dito que tanto quanto o pecador permaneça ignorante da sua condição perdida e indefesa, ele permanece negligente. Provavelmente não há no mundo um pecador descuidado que não creia em sua perfeita capacidade de tornar-se a Deus a qualquer hora que lhe convenha; e por causa desta crença ele põe de lado o arrependimento, inteiramente tencionando vir a Deus numa hora mais conveniente. Em proporção justa à sua crença no aumento da sua capacidade própria, seu descuido também aumenta, e ele levado a adormecer na beira do terrível abismo da ruína eterna. Somente quando ele é levado a sentir sua completa falta de defesa e dependência da graça soberana, é que ele procura ajuda somente onde ela pode ser alcançada.
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Por Loraine Boettner, D.D.a
Fonte: Monergismo
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