domingo, 20 de abril de 2014

Maridos cristãos [02/03]

Efésios 5: 26 e 27“... a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”.
Este texto nos ensina o propósito do amor de Cristo pela igreja: santificá-la, purificá-la e apresentá-la sem defeito, sem mácula. Esse é o propósito do amor do marido para com a esposa. O propósito do amor do marido é santificar a esposa.

Vamos deixar a coisa bem clara. Cremos que só Deus nos santifica. Deus, por Sua palavra, por seu Espírito nos torna santos. Então o que quer dizer que o amor de um marido santifica a esposa? É o seguinte: santificar significa colocar à parte, de lado; significa separar, separar com o fim de possuir e essa é a qualidade do amor que o marido tem para com a esposa. Mais e mais ele contempla a sua singularidade e então a separa de todas as mulheres do mundo por seu amor por ela. Esse amor é um amor protetor, que a guarda de todas as suas fraquezas; é o amor que é capaz de dizer no verdadeiro sentido bíblico: você me pertence!

É isso que nossas esposas precisam ouvir, precisam saber. Nossas esposas precisam saber através do caráter do nosso amor que ela e somente ela nos pertence. Nisso está a segurança da esposa no seu casamento, nisso está o contexto onde ela pode exercitar o seu próprio chamado. Mas esse amor não só a separa, ele também alimenta, cultiva e permite que a esposa desabroche para externar e usar as suas capacidades. É assim que Cristo ama a igreja. Ele não ama a igreja porque ela todas as manhãs está linda. Ele não ama a igreja porque todas as noites ela está maravilhosa. Ele ama a igreja para torná-la assim e esse é o tipo de amor que somos convocados a dar como maridos. O nosso amor não é medido, não é dispensado proporcionalmente ao desempenho da nossa esposa, não é baseado na capacidade da nossa esposa, na habilidade que ela tem; não é dado em troca dos serviços que ela nos supre. Esse amor que estamos descrevendo não pensa primeiramente em si mesmo, mas é um amor que pensa no outro.

Vamos usar uma metáfora do mundo bancário: esse tipo de amor jamais faz saques, ele sempre faz depósitos. Será que entendemos bem isso? É o tipo de amor que não tira, não toma, ele dar, ele doa.

Quais as implicações desse preceito que estamos tratando? Sabemos que esse tipo de amor proíbe a crítica constante, a provocação, as brigas constantes com a esposa. Identificar defeitos na esposa não é algo que pertence ao homem apenas, mas o homem pode ser réu disso tanto quanto a esposa.

Voltemos à questão do cortejar. A mulher com quem você está estabelecendo um relacionamento de cortejar é o tipo de mulher a quem você gostaria de doar a sua vida inteira por ela? Você está preparado para ficar comprometido com ela com uma devoção cada vez mais crescente? O tipo de devoção que, a separa, a isola cada vez mais no sentido de a santificar e fazendo-a cada vez mais pertencente somente a você. Gostaria de ser bem específico. Cremos que é verdadeiro dizer que é para maioria dos homens que sua identidade (como homens) é encontrada fora do lar. O homem é chamado a sair para o mundo, para trabalhar e ganhar o pão de cada dia. Se eu perguntar a alguns homens: quem são vocês? Eles responderão: “Somos advogados, somos médicos, somos professores”. Mas seu eu conversar com algumas mulheres e perguntar: quem são vocês? Elas responderão: “Somos esposas e mães”. Podemos ver a diferença?

O homem não tende a se identificar através de relacionamento, e sim, através de seu chamado profissional, do seu trabalho no mundo. Mas há um perigo aqui. Você não vai muito longe no mundo, no mercado de trabalho, no mundo do marketing, das vendas, simplesmente por se dar e por se doar. No mundo há princípios que operam de forma diferente e que temos que utilizá-los. O problema é que quando voltamos para casa somos tentados a agir com os mesmos princípios que nós trabalhamos no mundo e olhamos para nossas esposas como um cliente em potencial a quem temos de convencer com nossas idéias. Ou quem sabe, nós chegamos em casa e olhamos para nossa esposa como alguém que está competindo conosco em relação ao nosso prestígio, ao nosso conhecimento. Precisamos parar com isso. Precisamos aprender a chegar em casa e tirar o paletó que usamos o dia inteiro e colocar uma outra vestimenta, a vestimenta do amor marital. Isso requer de nós que invistamos tempo juntos, como marido e mulher. É responsabilidade dos homens propiciar tempo para usufruí-lo com sua esposa, para estarem juntos, os dois à sós! Será que entendemos isso? Significa que o marido, como cabeça, vai ter que assumir a liderança e que seu relacionamento com a esposa é mais importante que seu relacionamento com seus filhos.

Temos duas sugestões a fazer: primeiro vamos tomar emprestado aqui uma sugestão do Dr. Martin Holdt. Ele nos falou que devemos colocar um “timer” (marcador de tempo) por quinze minutos para você usar um bom livro e logo iremos gostar tanto da leitura que vamos mudar para trinta minutos. Sugiro que usemos esse mesmo “timer” para uma conversa a sós, marido e mulher, diariamente. Vamos nos sentar à mesa da cozinha e colocar o marcador de tempo em quinze minutos. À primeira vista talvez não tenhamos muita coisa a dizer um para o outro. Vamos ficar só ouvindo o barulho do relogiozinho fazendo tic-tac, mas não vamos demorar muito e esses quinze minutos vão passar muito rápido e vamos sentir que precisamos de mais quinze minutos. É a primeira sugestão. Segunda sugestão: Nós homens nos lembramos como foi interessante, como foi motivador, como foi diferente cultivarmos o relacionamento com nossas esposas? Nós telefonávamos para elas e marcávamos encontro com elas para jantarmos juntos em um restaurante surpresa para ela. Nos vestíamos bem, íamos bem perfumados, abríamos a porta do carro para ela... Então casamos e o que aconteceu? O que aconteceu com o namoro? O que aconteceu com o romance? O que aconteceu com o elemento surpresa?

Permita-me dizer o que minha esposa e eu gostamos de fazer. Mais ou menos uma vez por mês nós planejamos uma noite a sós, só nós dois. Um mês eu planejo, outro mês ela planeja. Não dizemos um para o outro o que vamos fazer. Só dizemos um por outro como devemos nos vestir porque não queremos ir a um restaurante com roupa de banho? Nem queremos ir à praia usando terno e gravata. Uma vez em cada quatro meses passamos uma noite fora. Alugamos uma cabana ou vamos a um quarto em um bom hotel. Nossos filhos nunca vão juntos conosco, é só para nós dois. Maridos, esse é o nosso chamamento, a nossa responsabilidade. Nossas esposas precisam intensamente de nossa atenção, elas precisam do nosso romance, precisam da nossa ternura, precisam perceber e entender que sob Deus elas são “número um” em nossa vida. Maridos, amemos nossas esposas assim como Cristo amou a igreja.
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Por Dr. Nelson Kloosterman
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