quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Deus Presente 1/14

O Deus que Criou Todas as Coisas

Transcrição

Deus simplesmente é. A Bíblia não começa com um grande conjunto de provas para provar a existência de Deus; não começa com uma abordagem de baixo para cima; nem começa com algum tipo de analogia adjacente ou semelhante. Apenas começa: “No princípio, Deus.” Agora, se os seres humanos são o teste para tudo, isso não faz o menor sentido, porque, então, nós temos o direito de sentar e julgar se é provável que Deus exista, avalie a evidência, e venha com: “Há uma certa probabilidade que talvez Deus de uma maneira ou de outra exista.” E assim nós nos tornamos os juízes de Deus. Mas o Deus da Bíblia não é assim. Apenas começa: “No princípio, Deus.” Ele é. Ele não é o objeto que nós avaliamos, ele é o Criador que nos criou. Isso muda toda a dinâmica.
Isso está ligado a alguns desenvolvimentos na filosofia ocidental que nós deveríamos analisar. Antes da Renascença, mesmo durante o início da Renascença, realmente até o momento da Reforma, a maioria das pessoas no mundo ocidental pressupunham que Deus existe e que ele sabe de todas as coisas. Seres humanos existem, e por Deus saber de todas as coisas, o que nós sabemos deve necessariamente ser um pequeno subproduto do que ele sabe. Em outras palavras, todo o nosso conhecimento, por ele saber de todas as coisas, deve ser um subproduto do que ele sabe exaustivamente e perfeitamente. Isso significa que todo o nosso conhecimento, nessa maneira de olhar a realidade, deve vir, de alguma forma, de Deus revelando o que sabe, de Deus revelando pela natureza, por seu Espírito, pela Bíblia. Isso era simplesmente pressuposto.
Mas com a ascensão no século 16 do que é agora chamado de Pensamento Cartesiano, sob a influência de René Descartes e seus seguidores, a maneira de pensar no conhecimento mudou e o axioma em que cada vez mais pessoas basearam seu conhecimento foi o que Descartes nos apresentou, embora outros tenham dito algo similar antes: “Penso, logo, existo.” Ele pensou que esse era um fundamento para o conhecimento. Você não podia negar que estava pensando, nem se você estava pensando. O próprio fato de que você estava pensando mostrava que você existia. Ele estava buscando um fundamento que cristãos, ateus, muçulmanos, secularistas, espiritualistas, pudessem todos concordar que era incontestável. E deste fundamento e outras abordagens, ele construiu todo um sistema de pensamento para tentar convencer as pessoas a se tornarem católicos romanos.
Mas olhe como esse axioma funciona: Eu penso, logo, eu existo. Vinte anos antes nenhum cristão teria dito isso muito facilmente, porque Deus pensa, Deus sabe de todas as coisas! Se nós existimos é por causa do poder de Deus. Nosso conhecimento, e mesmo nossa existência, são finalmente dependentes dele. Mas desse lado do pensamento cartesiano, nós começamos com “eu”. Eu começo comigo. E isso me coloca numa posição onde eu começo a avaliar não apenas o mundo à minha volta, mas a moral, a história, Deus, para que Deus agora se torne simplesmente, na melhor das hipóteses, a inferência de meu estudo. Isso muda tudo. A Bíblia não diz isso. Deus simplesmente é.
Por Don Carson. Copyright The Gospel Coalition, Inc. Original: The God Who Is There – Part 1. The God Who Made Everything
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. Editora Fiel © Todos os direitos reservados. Original: O Deus que Criou Todas as Coisas – D.A. Carson [O Deus Presente 1/14]

Fonte: Voltemos Ao Evangelho 

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