sábado, 31 de maio de 2014

Você quer o Espírito? Vá até Jesus!

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Três maneiras surpreendentes de ofender o Espírito Santo


O Espírito Santo é frequentemente descrito como luz. Ele brilha nos lugares sombrios do coração e nos convence do nosso pecado (Jo 16.7-11). Ele é a lâmpada que ilumina a palavra de Deus, ensinando o que é verdadeiro e apresentando a verdade como sendo preciosa (1Co 2.6-16). E o Espírito lança um holofote em Cristo para que possamos ver a sua glória e sermos mudados (Jo 16.14). É por isso que 2 Coríntios 3.18 fala de se tornar mais como Cristo ao contemplar a glória de Cristo. Assim como Moisés teve a sua face transfigurada quando viu a glória do Senhor no Monte Sinai (Êx 34.29; 2Co 3.7), assim também nós seremos transformados quando, pelo Espírito, contemplarmos a glória de Deus na face de Cristo.
O Espírito, portanto, é uma luz para nós de três maneiras: ao expor a nossa culpa, ao iluminar a palavra de Deus e ao nos mostrar Cristo. Ou, para colocar de outra maneira, como Luz Divina, o Espírito Santo trabalha para revelar o pecado, revelar a verdade e revelar a glória. Quando fechamos os nossos olhos para essa luz ou depreciamos o que deveríamos ver através do seu brilho, somos culpados de resistir ao Espírito (At 7.51), ou apaga (1Ts 5.19) ou entristece o Espírito (Ef 4.30). Pode haver pequenas nuances entre os três termos, mas todos eles falam da mesma realidade básica: recusar-se a ver e saborear o que o Espírito quer nos mostrar.
Há, portanto, três maneiras de entristecer o Espírito Santo — três maneiras que podem ser surpreendentes, pois correspondem com as três maneiras pelas quais o Espírito age como luz para expor a nossa culpa, iluminar a palavra e nos mostrar Cristo.
Primeiramente, nós entristecemos o Espírito Santo quando o usamos como desculpa para a nossa pecaminosidade. O Espírito é a fonte do convencimento nos corações humanos. Quão triste é, portanto, quando os cristãos tentam usar o Espírito como licença para comportamentos impiedosos. Nós vemos quando pessoas — quer sejam genuinamente enganadas ou charlatães intencionais — declaram a direção do Espírito como a razão para seu divórcio anti-bíblico, ou por seu mau procedimento financeiro, ou por sua nova querida liberação sexual. O Espírito Santo sempre é o Espírito da santidade. Sua intenção é nos mostrar o nosso pecado  Se o Espírito Santo se entristece quando nos desviamos da justiça para o pecado, quão duplamente triste ele deve ficar quando declaramos a autoridade do Espírito para tal rebelião deliberada.
Em segundo lugar, nós entristecemos o Espírito Santo quando o fazemos competir contra as Escrituras. O Espírito trabalha para revelar a verdade da palavra de Deus, não para nos guiar para longe dela. Não há lugar na vida cristã para supor ou sugerir que a atenção cuidadosa à Bíblia seja de alguma forma antitética à sincera devoção ao Espírito Santo. Qualquer um que deseje honrar o Espírito fará bem em honrar a Escritura que ele inspirou como meio de iluminação.
Às vezes, cristãos citam a promessa em João 16.13 de que o Espírito “vos guiará a toda a verdade” como razão para esperar que a terceira pessoa da Trindade nos dará novas compreensões que não são encontradas na Escritura. Mas a “verdade” a que se refere João 16 é toda a verdade a respeito de tudo o que está ligado a Jesus Cristo, o caminho, a verdade e a vida. O Espírito revelará as coisas que virão, na medida que revela aos apóstolos (v. 12) o significado da morte, da ressurreição e da exaltação de Jesus. O Espírito, falando pelo Pai e pelo Filho, ajudaria os apóstolos a lembrar do que Jesus disse e entender o verdadeiro significado de quem Jesus é e o que ele conquistou (Jo 14.26).
Isso significa que o Espírito é responsável pelas verdades que os apóstolos pregaram e que, por sua vez, foram escritas naquilo que hoje chamamos de Novo Testamento. Nós confiamos na Bíblia — e não precisamos ir além da Bíblia — porque os apóstolos, e aqueles sob o guarda-chuva de sua autoridade, escreveram a Bíblia por meio da revelação do Espírito. A Bíblia é o livro do Espírito. Insistir em precisão exegética, rigor teológico e atenção cuidadosa à palavra de Deus nunca deveria ser rebaixado a encher as nossas cabeças de conhecimento, muito menos como de alguma maneira oposto à real obra do Espírito.
Terceiro, nós entristecemos o Espírito Santo quando sugerimos que ele tem ciúmes do nosso foco em Cristo. O trabalho do Espírito Santo é servir. Ele fala apenas aquilo que ouve (Jo 16.13). Ele declara o que lhe é dado; sua missão é glorificar a outro (Jo 16.14). Todas as três pessoas da Trindade são plenamente Deus, e ainda assim, na economia divina, o Filho torna conhecido o Pai e o Espírito glorifica o Filho. Sim, é algo terrível ser ignorante quanto ao Espírito e não é sábio negligenciar o papel indispensável que ele executa em nossas vidas. Mas não devemos pensar que podemos focar demais em Cristo, ou que quando exaltamos a Cristo à glória do Deus Pai, de alguma maneira o Espírito esteja aborrecido em um canto. O Espírito tem o objetivo de lançar luz em Cristo; ele não tem inveja que o faça lançar luz em si mesmo.
Exaltar a Cristo, focar em Cristo, falar muito e cantar com frequência sobre Cristo não são evidências de rejeição do Espírito, mas da obra do Espírito. Se o símbolo da igreja é a cruz e não a pomba, isso se dá porque o Espírito deseja que seja assim. Como J.I. Packer diz: “A mensagem do Espírito para nós nunca é: ‘Olhem para mim; me ouçam; venham a mim; me conheçam’, mas sempre: ‘Olhem para ele, vejam a sua glória; ouçam a ele e escutem a sua palavra; ide a ele e tenham vida; conheçam-no e provem do seu dom e da sua paz’”.
Novamente, saber nada a respeito do Espírito Santo é um erro sério (cf. At 19.2). Mas quando cristãos lamentam uma atenção exagerada em Cristo ou se queixam de ênfase demais à cruz, tais protestos entristecem o próprio Espírito. O Espírito Santo não está só à espera de ser notado e enaltecido. A obra dele não é brilhar vividamente diante de nós, mas lançar uma luz sobre a glória de Cristo. Contemplar a glória do Deus Pai na face do Filho Jesus Cristo não é marginalizar o Espírito Santo; é celebrar a sua graciosa obra entre nós.
Quer estejamos falando sobre santidade, sobre a Bíblia ou sobre Jesus Cristo, que nunca coloquemos o Espírito contra a própria coisa que ele deseja conquistar. Nós não honramos o Espírito ao tentar diminuir o que ele procura exaltar. E nós não seguimos os seus passos lançando outros (ou nós mesmos) na direção da própria coisa que o entristece mais.
Por: Kevin DeYoung; Original: Three Surprising Ways To Grieve The Holy Spirit; Site: thegospelcoalition.org Copyright © 2014 The Gospel Coalition.
Tradução: Alan Cristie; Original: Três maneiras surpreendentes de ofender o Espírito Santo.
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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Nosso Encontro com o Deus do Pacto

Êxodo 29: 38-46

Para nós, cristãos, o adorarmos a Deus segundo a sua Palavra é de grande importância para a glória do Senhor e para as nossas almas. Porque quando adoramos segundo Sua Palavra, estamos nos submetendo à sua vontade. Fazer isso é trazer glória a Ele, mas é também um bem para nossas próprias almas, pois existem muitos benefícios que podemos tirar da adoração pública. Nós, como seus “pequeninos”, nos achegamos a Ele para receber sua graça. Nos achegamos para sermos recebido por Deus e receber a obra do Santo Espírito em nós. Nesta passagem podemos ver a glória de Deus na adoração.

Podemos ver no capítulo 28 de Êxodo as ordenanças de Deus com respeito às vestimentas dos sacerdotes, e quando entramos no capítulo 29 vemos uma cerimônia longa e elaborada de ordenação ou consagração. Nos vv. 38 a 42 deste capítulo vemos as ordenanças de Deus para as ofertas contínuas dos sacerdotes, para todos os dias. Entre outras coisas vemos aqui que Deus está preocupado com sua adoração. Não queremos discorrer sobre o Princípio Regulador do Culto propriamente dito, mas ele está presente por detrás do que iremos falar.

Propósito e Benefícios da adoração

Quero destacar que nos versículos 43-46 podemos ver o propósito e os benefícios da adoração a Deus. Vemos como a glória de Deus e Sua preocupação com nossas almas se unem. No v. 43 lemos que, “Ali, virei aos filhos de Israel”. Ou seja, à porta da tenda da Congregação Deus encontra-se com seu povo e lhes mostra sua glória.

Vejamos três benefícios que nós podemos tirar desta glória:

I) Em primeiro lugar, na adoração existe um encontro com Deus.

II) Em segundo lugar, existe uma santificação que nos vem de Deus.

III) Em terceiro lugar, recebemos conhecimento de Deus.

Deus, pelo seu Espírito, nos ensina estas coisas.

I) O primeiro benefício é que Deus se encontra com seu povo.

 Vemos isso no v. 42 e 43: “... onde vos encontrarei... Ali, virei aos filhos de Israel...”. Que benefício maravilhoso é que Deus se encontra com seu povo! Isto é muito instrutivo, pois enquanto outras tradições cristãs colocam o foco da adoração no líder do culto, podendo ser um sacerdote ou um evangelista ou um líder de louvor, na adoração bíblica o foco é o nosso encontro com Deus e que nós nos achegamos diante da “face de Deus”. Nós entramos na presença de Deus! É verdade que nos encontramos uns com os outros e com eles mantemos comunhão, mas em primeiro lugar e o mais importante, é que nos achegamos para ter comunhão com Deus. Veja a profundidade que existe nisso: “Ali, me encontrarei com vocês”.

Vejamos isso no contexto da queda dos nossos primeiros pais. Depois do pecado de Adão e Eva, Deus os afastou de sua presença expulsando-os do Jardim do Éden. A partir deste momento a vida do homem fica “à leste do Éden”. Até então a humanidade vive num deserto. Então Deus se achega ao seu povo e diz: “Eu vou me encontrar com vocês novamente”. E, assim como no jardim Deus andava com Adão, Ele diz novamente que virá andar com seu povo. O Tabernáculo era para ser uma expressão vívida do Jardim do Éden. Todo o colorido do Tabernáculo, suas cortinas e o que nelas havia sido bordado, como árvores... um anjo bordado no próprio véu como sendo um símbolo do anjo que guardava o Jardim do Éden, tudo isso era Deus falando: “Meu povo, eu vou me encontrar com vocês!”. Aqui Deus nos dá, a nós pecadores, uma prévia do que será nossa vida com Ele no céu. A adoração na terra é como se fosse uma prévia da vida no céu. Este é um grande benefício para a Igreja, porque o próprio Deus se encontra com seu povo. O grande Criador se encontra com sua criação. O Deus infinito se abaixa para o que é finito. Ao fazer isso, Deus nos mostra sua própria natureza.

O Catecismo de Hidelberg nos diz o seguinte com respeito ao AMÉM, na oração do Senhor:
“Pois é mais certo e verdadeiro que Deus ouviu a minha oração, do que o sentimento que tenho em meu coração de desejar isso dEle”.
Ou seja, Deus está mais pronto a nos ouvir do que nós estamos de falar com Ele. Deus está mais disposto a se encontrar com pecadores do que os pecadores estão de se encontrar com Ele. Assim vemos sua maravilhosa graça, sua infinita misericórdia, seu coração voltado para o seu povo, porque Deus em sua graça irresistível atraiu para si uma Congregação. Na verdade isto é uma figura para nós da nossa própria adoração. Porque, no culto nós adentramos ao tabernáculo celestial. Os israelitas adentraram a um tabernáculo terreno, mas o Novo Testamento diz em Hebreus 12 que nós não chegamos mais a um monte terreno que pode ser tocado, mas que nós chegamos à nova Jerusalém celestial, nos achegamos a Deus, o juiz de todos, a Jesus Cristo e já fazemos isso pela fé.

Então, nós não nos achegamos à adoração para sermos passivos, nem para sermos meros expectadores ou para sermos entretidos, mas nos achegamos para ter um encontro face a face com o Deus vivo. Observe como isto é expresso aqui, observe onde Deus diz que irá se encontrar conosco. Dos vv. 38 a 42 o escritor diz que é no local onde acontece o sacrifício ― é lá que Deus se encontra com seu povo. É lá, onde os pecados são perdoados e que Deus abençoa com graça. Agora Deus está conosco em Cristo, porque Jesus, pelo seu sacrifício, abriu novo caminho para nos encontramos com Ele pela fé. É em nossa adoração que chegamos a uma comunhão mais plena, mais próxima com Deus. Assim como Moisés adentrava à tenda da Congregação e orava a Deus (e ouvimos que ele se encontrava com Deus face a face como a um amigo), agora quando o véu foi rasgado em duas partes, todo crente em Cristo se encontra com Deus como se fosse seu amigo.

Embora isso seja tão importante para nós crentes — o orarmos particularmente como indivíduos, como casais, como famílias ― existe algo distinto no culto público. Existe algo a mais quando nos reunimos como um povo para adorá-lo. Isso levou certo puritano, David Clarkson (1621-1686), a dizer: “A adoração pública deveria estar em primeiro lugar em relação à adoração privada”. Não que a adoração particular seja sem sentido, não que tudo seja culto público, mas temos que adorar a Deus tanto em particular como em público. No entanto, é na adoração pública que Deus faz uma promessa explícita de nos encontrar e onde Ele diz que se aproxima de nós. Este encontro não é simplesmente um vislumbre, um momento fortuito, que passa rapidamente, mas nos ajuntamos para nos tornar um lugar da habitação de Deus. Paulo nos diz que somos criados para nos tornar o lugar da habitação de Deus. Por isso ele diz que devemos nos preocupar com o que fazemos no culto.

Em I Co.11:10 Paulo diz que devemos ser respeitosos na adoração quando nos relacionamos com Deus por causa dos anjos, porque eles estão no nosso meio. O nosso meio — o povo de Deus reunido em adoração com a presença de Deus e os anjos ― é céu, porque Deus está presente. Pedro diz que o Espírito de Deus paira sobre nós. Adoração é um encontro com Deus. Espero que isso mude a forma como você adora a Deus e lhe ajude a se preparar para o momento de adoração. Oro para que você veja a grande importância do culto público e que o leve a participar dele. Quando nos encontramos com Deus existe um segundo benefício.

II) O segundo benefício é que Deus nos santifica.

Vemos isso nos vv. 43 e 44. Deus santifica o lugar da habitação e os sacerdotes.
Ali, virei aos filhos de Israel, para que, por minha glória, sejam santificados, e consagrarei a tenda da congregação e o altar; também santificarei Arão e seus filhos, para que me oficiem como sacerdotes.
A raiz desta palavra santificação nos fala de algo que é separado. Então podemos ver que Deus nos tira do mundo e nos leva para diante de sua presença. Não devemos ser conformados ao mundo, mas conformados a Cristo. É como um escultor que tem uma bela escultura de madeira em sua casa e encontra outro grande pedaço de madeira e começa a lapidar e tirar os seus excessos e as pontas ásperas e deixá-la lisa e bonita. Mas todo tempo em que faz isso, ele olha para a peça original. É isso que Deus faz conosco na adoração. Ele tem o seu Filho Jesus Cristo e Ele é a exata imagem de Deus e nós estamos sendo conformados a Ele. Nós estamos cada vez mais sendo conformados a Deus. Mas isso acontece pelo poder do Espírito Santo que faz isso em nós durante todo curso de nossa vida. Porém, de uma forma mais intensa e pessoal, essa obra está acontecendo no culto público.

No v. 44 você vê que apenas os sacerdotes estão sendo santificados. E o restante da congregação? Por que é algo tão restrito aos sacerdotes? Temos de ver o lugar em que estamos no plano de Deus. Na velha aliança a adoração era bastante restrita. Havia um véu que separava as pessoas do sacerdote e outro véu que separava o sacerdote do Sumo Sacerdote. Deus estava sendo muito restrito para que causasse em todas as pessoas o anseio de que um dia eles se encontrassem com Deus e para que não apenas um dia por ano o Sumo Sacerdote entrasse no Santíssimo lugar, mas um dia chegaria em que todos os crentes se tornariam sacerdotes e assim todos adentrariam àquele lugar.

Então, o benefício é para todos nós e que todos estamos sendo santificados pelo poder do Espírito Santo. Vejamos dois textos que nos mostram isso:

Pedro nos diz em 1Pe.2:4 e 5:
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”.
Pedro nos diz que nós somos como pedras vivas e nos achegamos a Cristo que é A pedra viva. No v. 5 ele diz que somos edificados. Cada um de nós é uma pedra específica e Deus está nos colocando todos juntos para edificar uma casa. Veja como Pedro descreve a esta casa. A casa edificada é uma casa espiritual. Ele diz que dentro da casa existem sacerdotes — um sacerdócio santo. O que os sacerdotes fazem lá dentro da casa? Eles estão oferecendo sacrifícios. Mas temos de atentar para como eles fazem o sacrifício ― são sacrifícios espirituais. Será que eram sacrifícios invisíveis? Será que eram coisas que nós não poderíamos ver nem tocar? Ou será que eles significam “espirituais” no sentido de que são o nosso próprio sacrifício humano? O contexto responde à questão. Sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Isso nos soa familiar? Espírito, Deus e Cristo? Aqui temos o Deus triúno. E o próprio Espírito está nos fazendo de uma casa cheia do Espírito para que sejamos oferecidos como sacrifícios santos cheios do Espírito Santo. E estes são oferecidos a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Veja ainda o v. 9:
"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz".
Esta é uma citação do Velho Testamento que nos chama de raça aleita, sacerdócio real, nação santa, um povo de propriedade exclusiva, para quê? Para que proclamemos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Nós somos esta casa espiritual; somos aqueles sacerdotes que se encontravam com Deus à porta da congregação.

Vemos outra passagem em Hb 10:19:
“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus”.
Aqui o autor está resumindo o grande argumento de que Jesus Cristo é o nosso sacerdote. Por causa de Cristo nós temos confiança para adentrar ao Santo dos Santos e fazer isso pelo sacrifício de Cristo, porque Ele é o nosso grande sacerdote. E veja a exortação do v. 22: “...aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”. Chegamos com nossa consciência purificada e nos achegamos com nosso corpo lavado com água. O autor está falando aqui de todos os sacrifícios do Antigo Testamento; todas as ofertas, todas as purificações cerimoniais que são todas cumpridas em Jesus Cristo. Podemos ver que estamos sendo santificados porque já fomos lavados e limpos. É por isso que o autor diz no v. 23 ― “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” — que nós vamos continuar a ser santificados.

Você vê a conexão entre o que Cristo já fez e o que está fazendo e como nós respondemos à Sua obra? Mais uma vez, quando nos achegamos juntos, como seu povo sacerdotal, devemos guardar firmes nossa confissão, devemos nos estimular uns aos outros para o amor e as boas obras — devemos nos ajuntar e nos reunir para nos encorajar uns aos outros, porque a segunda volta de Cristo está próxima. Percebe o que o autor está dizendo? Ele diz que quando nos achegamos juntos para nos encontrar com Deus, devemos ser mudados de tal forma que sejamos lançados de volta ao mundo para juntos confessarmos o nome de Cristo. Para guardarmos firme esta confissão mesmo com toda a descrença existente no mundo e a despeito de toda a pressão da sociedade mundana; a despeito de todas as tentações existentes ao redor do mundo; apesar da pressão da família, amigos e vizinhos que zombam de nós por causa da nossa fé. O autor diz: “Guarde firme esta confissão”. Somos lançados de volta ao mundo para que amemos ao próximo como a nós mesmos. Achegamos-nos como povo de Deus para sermos testemunhas da vinda de Cristo que breve voltará. Imagine!

Que impacto a Igreja exerceria no mundo, se realmente crêssemos que quando nos ajuntarmos como seu povo, estamos nos encontrando com Deus e se crêssemos que na adoração corporativa o próprio Deus está nos santificando. Que impacto a Igreja exerceria no mundo se, de fato, crêssemos que realmente somos o lugar da habitação de Deus e que nos encontramos face a face com Ele; se crêssemos que o que estamos fazendo é recebendo algo de Deus! Imagine o impacto que levaríamos ao mundo quando a ele fôssemos enviados com nossas mentes transformadas, dando respostas a todos que nos perguntam a respeito de nossa fé. Imagine nossos corações sendo transformados para nos sensibilizarmos com nossos vizinhos que sofrem; com nossos lábios e palavras sendo transformadas para falarmos a verdade em amor; com nossos desejos transformados para pensarmos seriamente o que fazer e o que não fazer. Imagine que impacto levaríamos ao mundo se fosse isso o que fazemos na Igreja e se fosse exatamente isso que faríamos se fôssemos enviados ao mundo para fazer.

Você crê que a adoração pode ter este poder? Você crê que a adoração faz esta transformação? Ou será que é apenas um encontro de amigos para lancharem juntos, ou apenas uma rotina a ser cumprida, ou bater um papo para saber como viver a vida de uma forma melhor? Você acha que na adoração, no culto, Deus realmente transforma? Eu peço a Deus que você creia nisso. Oro para que quando nos ajuntarmos para um encontro com Deus, face a face, nossa face brilhe assim como aconteceu com Moisés quando esteve diante de Deus (Ex 34:29). Eu oro para que quando você entrar diante da presença de Deus no Dia do Senhor saia de lá com a face brilhando e o mundo veja a glória de Deus em você. Que você seja aquilo que Paulo diz: uma carta viva, sal e luz. Deus pode fazer isso! Deus fará isso! Acheguemos-nos a Deus com esta expectativa. Ele vai mudar a nós e ao mundo até a volta do Senhor Jesus Cristo.

III) Em terceiro lugar vemos, no texto, que quando nos achegamos a Deus é também para receber conhecimento.

No v. 46 vemos que os Israelitas saberiam que Deus é o Senhor ― “... saberão que eu sou o Senhor...”. Mas como eles viriam a saber isso? Veja a conexão entre os vv. 42 e 46. No final do v. 42 lemos que Deus se encontraria com os sacerdotes enquanto eles ofereciam aqueles sacrifícios contínuos e o verso conclui dizendo: “... para falar contigo ali”. Então, vemos que os sacerdotes não se achegavam ali apenas para sacrificar, mas para receber a Palavra viva e ativa de Deus para que eles soubessem que Ele é o Senhor. Deus falaria com ele. Mas os sacerdotes não ocultavam aquelas palavras apenas para si, nos seus próprios corações, pois o ofício sacerdotal era também para ensinar. Então, quando Deus se encontrava com os israelitas no tabernáculo e, tendo falado a todos os sacerdotes, o povo iria saber “que eu sou o Senhor” (v. 46). O que o autor nos coloca aqui? Ele está dizendo que os sacerdotes são pregadores. Os sacerdotes conduziam o povo no conhecimento de Deus. Mas, conhecimento de Deus, não é apenas informação à nossa mente, mas é conhecê-lo experimentalmente. É conhecer com a certeza e a convicção de que ele é Deus. Estes sacerdotes-pregadores conduziam o povo a conhecê-Lo e este conhecimento era repassado ao restante deles. Veja aqui o que o texto diz sobre pregação. Consegue ver as implicações de tudo isso para os pastores? Nós pastores temos de nos encontrar com Deus individualmente. Quando estudamos a Palavra de Deus, nós nos encontramos com Ele para receber a sua Palavra, seu Evangelho. Isso tem que afetar nossos corações para podermos conduzir outros ao conhecimento dEle. Se sua pregação, pastor, não lhe afeta o coração ela é inútil. Se a pregação não afeta minha própria vida como pastor, então eu serei um mero hipócrita! Precisamos nos achegar à presença de Deus e estudar sua Palavra e ter nossas faces como a de Moisés, brilhantes. Precisamos entrar na presença de Deus e ser transformado por ele.

Paulo nos diz que os ministros da nova aliança não têm um véu (Êx 34:33-35), mas eles chegam com poder, com confiança. Nós pastores sairemos da presença de Deus sabendo que nos encontramos com ELE. Nós nos achegamos com sabor de morte e sabor de vida (2 Co 2:16); nos achegamos tanto com a Lei quanto com o Evangelho; pregamos a cruz de Cristo que condena o mundo e seus pecados e os homens incrédulos, mas é a fonte de toda a vida para aqueles que creem. Nós precisamos ser estes pregadores que conduzem outros aos pés da cruz. Precisamos sair do nosso gabinete de estudo sabendo que nos encontramos com Deus. Não apenas com um amontoado de informações, não apenas para mostrar fatos interessantes da Palavra, mas sair e falar em nome de Deus. O poder deste tipo de pregação vem do próprio Espírito Santo. É aquela unção da qual Lloyd-Jones falou. Entreguemo-nos como instrumentos, mas sem preocupação em aparecer, para que diminuamos e Cristo cresça.

Deus ordenou que homens pecadores conheçam a Deus através de homens pecadores. Isso parece tão tolo, não? As palavras de um mero homem podem transformar corações? Isso de fato parece muito tolo. Mas é a sabedoria de Deus. Ela é sem poder, é fraca, mas Paulo diz que é o poder de Deus. Ele ordenou a pregação e tudo para trazer glória para si mesmo e que ninguém se orgulhe na sua própria sabedoria ou em seu próprio poder. Mas nos orgulhemos unicamente no Senhor.

Concluo onde iniciei. Você está preocupado e desejoso da adoração a Deus? Tem desejado estar em Sua presença? Quando adoramos a Deus de acordo com sua Palavra, nós temos a seguinte confiança: Nos encontramos com Deus, Ele transforma nossos corações e o próprio Senhor nos leva a conhecê-lo mais.

Este é o desejo de Deus para nós na adoração pública. John Owen disse: “O amor de Deus não descansará até que este amor nos conduza a si mesmo. Nós fomos feito para Ele e não descansamos até que nos achegarmos a Deus”.

Que privilégio é nos aproximarmos do trono de graça.

Amém
__________________
Por Daniel Hyde

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IV CONTEIRE - 02 - Poder Soberano

"O Poder Soberano de Deus e a Liberdade Humana: Uma aproximação pastoral e missionária"

Segunda Palestra ministrada pelo Rev. Dr. Hermisten Maia Pereira da Costa no IV CONTEIRE - Congresso Teológico Identidade Reformada cujo tema deste ano foi A Eleição Eterna de Deus e seus doces frutos.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Teologia Reformada: Por Que Só Há Descanso na Graça?


Leandro Lima
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Série: O problema do Mal - Parte 2

O Providente Deus da História

Como um Deus bondoso e Todo-Poderoso permite sofrimento no mundo?
Acompanhe esta série de mensagens e descubra o que o profeta Habacuque aprendeu acerca deste antigo dilema.

Texto referência:

O peso que viu o profeta Habacuque.
Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?
Por que razão me mostras a iniqüidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio.
Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.
Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada.
Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas.
Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua dignidade.
E os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais espertos do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; os seus cavaleiros virão de longe; voarão como águias que se apressam a devorar.
Eles todos virão para fazer violência; os seus rostos buscarão o vento oriental, e reunirão os cativos como areia.
E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria; eles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão.
Então muda a sua mente, e seguirá, e se fará culpado, atribuindo este seu poder ao seu deus.

Habacuque 1:1-11


Segunda parte da série "O problema do Mal", com o Pr. Heber Jr.
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A Doutrina Reformada da Predestinação - Livro 4 [02/05]


Segurança Pessoal

1. Bases Para Segurança. 2. Ensinamentos das Escrituras. 3. Conclusão


1. BASES PARA SEGURANÇA

Todos os verdadeiros Cristão podem e devem saber que eles estão entre aqueles que foram predestinados para a vida eterna. Desde que a fé em Cristo, que é uma dádiva de Deus, é o meio para a salvação, e desde que tal meio não é dado para qualquer um, mas para somente para os eleitos, a pessoa que sabe que tem esta fé pode estar segura de que está entre os eleitos. A simples presença da fé, não importa o quão fraca ela possa ser, desde que seja uma fé real, é uma prova de salvação. "...creram todos quantos (e somente eles, N.A.) haviam sido destinados para a vida eterna."[Atos 13:48]. A fé é um milagre da graça dentro daqueles que já foram salvos -- uma evidência espiritual de que a sua salvação foi "terminada" na cruz; e certificada na manhã da ressurreição. Os verdadeiramente salvos sabem que o amor de Deus foi irradiado, foi derramado nos seus corações e que os seus pecados foram perdoados. No livro "O Peregrino", lemos que quando os pecados do Cristão foram perdoados, um pesado fardo caiu dos seus ombros e que ele experimentou um grande alívio. Cada homem convertido deveria saber que encontra-se entre os eleitos, pois o Espírito Santo renova somente aqueles que são escolhidos pelo Pai e redimidos pelo Filho. "É tolice iludir-se que um amante sincero de Jesus Cristo, que confia nEle como o seu Salvador e amorosamente O ama como seu Senhor, possa possivelmente perder a eleição de Deus. É somente porque ele é um dos eleitos de Deus que ele pode crer em Cristo para a salvação da sua alma, e seguir após Cristo na conduta da sua vida.... É impossível, que um crente em Cristo não ser eleito de Deus, porque é somente pela eleição de Deus que ele se torna crente em Cristo.... Não precisamos, não devemos, buscar em nenhum outro lugar pela prova da nossa eleição. Se cremos em Cristo e O obedecemos, nós somos os seus filhos eleitos." 1

Cada um que ama a Deus e tem um desejo sincero de salvação em Cristo está entre os eleitos, pois os não eleitos nunca têm este amor ou este desejo. Ao contrário, eles amam o mal e odeiam a justiça, de conformidade com as suas naturezas pecadoras. "Um homem cumpre a sua tarefa para com Deus e para com o seu vizinho? Ele é honesto, caridoso, puro? Se ele o é, e se ele tem consciência do poder para continuar a sê-lo, tanto quanto ele possa depender dessa consciência, tanto quanto ele pode razoavelmente crer ser ele próprio predestinado para a felicidade futura." 2

"Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte."[I João 3:14]. "Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus."[I João 3:9]. Ou seja, é contra os seus princípios íntimos cometer pecado. Quando ele pensa profunda e sobriamente a respeito disso, o pecado lhe é repulsivo e ele o odeia. Tanto quanto um bom cidadão Brasileiro não faz nada que seja em detrimento do seu país, também o verdadeiro crente nada faz que seja para injúria do reino de Deus. Como prática, ninguém neste mundo vive uma vida perfeita sem pecado; todavia tal é o standard ideal o qual ele procura alcançar.

Diz o Dr. Warfield, "Pedro nos exorta, em II Pedro 1:10 ("Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis"), a fazer o nosso chamado e a nossa eleição firmes, precisamente pela diligência nas boas obras. Ele não quer dizer que através das boas obras nós podemos assegurar de Deus um decreto de eleição no nosso nome. Ele quer dizer que em expandindo o germe da vida espiritual que recebemos de Deus, até o seu total florescer, por 'trabalhar' a nossa salvação, claro que não sem Cristo mas em Cristo, nós possamos fazer-nos seguros de que realmente recebemos a eleição que reclamamos... As obras de Deus tornam-se assim a marca e o teste da eleição; e quando tomado no sentido compreensivo no qual Pedro aqui está pensando deles, eles são as únicas marcas e os únicos testes de eleição. Nós nunca podemos saber que somos eleitos de Deus para a vida eterna, exceto pelo manifestar dos frutos da eleição nas nossas vidas -- fé e virtude, conhecimento e temperança, paciência e bondade, amor de irmãos..... É inútil, sem propósito, buscar a segurança da eleição fora da santidade da vida. Precisamente para o que Deus escolheu o Seu povo antes da fundação do mundo, foi que eles fossem santos. Santidade, porque é o produto necessário, é portanto o sinal seguro da eleição." 3

Como diz Toplady, "Alguém que pelo menos seja familiar com a vida espiritual sabe certamente se realmente tem prazer na luz da face de Deus, ou se caminha em trevas, como o viajante sabe se viaja sob a luz do sol ou na chuva."

Como posso saber se encontro-me entre os eleitos? Alguém bem pode perguntar 'Como é que eu sei que sou um cidadão Brasileiro leal, ou como eu consigo distinguir entre preto e branco, ou entre doce e amargo?' Cada um sabe instintivamente o que a sua atitude é para com o seu país; e as Escrituras e a consciência nos dão evidência tão clara quanto a se estamos ou não entre o povo escolhido de Deus, quanto nos dão o preto e o branco com relação à sua cor, ou o doce e o amargo com relação ao seu sabor. Cada pessoa que já é um filho de Deus deveria estar plenamente consciente do fato. Paulo exortou aos Coríntios, "Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados."[II Coríntios 13:5].

2. ENSINAMENTOS DAS ESCRITURAS.

Nós temos a segurança de que "O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus."[Romanos 8:16]. "Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá". [I João 5:10]. "(11) E o testemunho é este: Que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. (12) Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. (13) Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna."[I João 5:11-13]. O Cristão nascido de novo dão as boas vindas para o Evangelho no seu coração, mas o não regenerado O expulsa: "Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. assim é que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro." [I João 4:6]. "Quem guarda os seus mandamentos, em Deus permanece e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos tem dado." [I João 3:24]. "E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai." [Gálatas 4:6]. A pessoa regenerada instintivamente reconhece a Deus como o seu Pai. "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte."[I João 3:14]. "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus..." [I João 5:1], -- quer dizer, todos os que O confessam como seu Senhor -- que abençoada segurança ! ! "...sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.[I João 2:29]. Aqueles que ouvem e que recebem o Evangelho são ativados por este salvador princípio íntimo.

"Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus."[João 3:36]. "Portanto vos quero fazer compreender que ninguém, falando pelo Espírito de Deus, diz: Jesus é anátema! e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! senão pelo Espírito Santo."[I Coríntios 12:3]. Através disto somos ensinados que uma pessoa verdadeiramente salva não pode descartar a Jesus nem vituperá-Lo; e que qualquer um que olhe para Jesus como o Senhor e seu Senhor, foi regenerado e está entre os eleitos. Isto, então, é uma prova da sua salvação. Cada pessoa sabe o que a sua atitude para com Jesus é; e sabendo isto, ela é capaz de julgar se está ou não salva. Que cada um faça a si mesmo esta pergunta, 'O que é a minha atitude para com Cristo? Ficaria contente se Ele aparecesse e viesse ao meu encontro neste momento? Receberia-O como meu Amigo, ou me retrairia de encontrar-me com Ele?' Aqueles que anseiam com alegria pela vinda de Cristo podem estar certos de que estão salvos.

Uma vez que certas marcas de salvação são estabelecidas nas Escrituras, um indivíduo, ao examinar-se honestamente, pode saber se encontra-se ou não entre o povo de Deus. E pela mesma regra ele pode, com cautela, observar os outros; pois se neles virmos os frutos exteriores da eleição e estivermos convencidos da sua sinceridade, podemos racionalmente concluir que eles também são eleitos. Paulo estava seguro com relação aos Crentes em Tessalônica, pois ele escreveu: "(4) conhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição; (5) porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós."[I Tessalonicenses 1:4,5]. Ele também sabia que Deus havia escolhido os Efésios em Cristo, pois ele lhes escreveu: "(4) como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; (5) e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,"[Efésios 1:4,5].

3. CONCLUSÃO.

Mas, por outro lado, não deveríamos dizer que nenhum indivíduo vivo não é eleito, não importa o quão pecador ele seja hoje; pois até mesmo o mais vilão dentre os vilões, tanto quanto sabemos, pode ser trazido à fé e ao arrependimento pelo Espírito Santo. A conversão de muitos dos eleitos ainda é futura. Assim é que ninguém tem o direito de declarar positivamente que ele ou qualquer outra pessoa esteja entre os não eleitos, pois ele não sabe o que Deus tem reservado para ele ou para eles. Podemos, no entanto, dizer que aqueles que morrem impenitentes estão certamente mortos, pois as Escrituras Sagradas são explícitas neste ponto.

Não podemos dizer que cada Cristão verdadeiro tem esta segurança, pois ela só nasce, apropriadamente, do conhecimento dos próprios recursos morais e da força de alguém; e aquele que subestima a si mesmo pode estar inocentemente sem tal conhecimento. O Cristão pode às vezes tornar-se desencorajado por causa de fé fraca, mas isto não prova que ele esteja entre os não eleitos. Quando a fé é fortalecida e pontos de vista errôneos quanto à salvação são clareados, o privilégio e a tarefa de cada Cristão é conhecer-se a si próprio com salvo, e fugir daquele temor de apostasia, o qual deve assombrar constantemente cada Arminiano consistente, tanto quanto ele continue nesta vida. Assim é que, enquanto a segurança é desejável e facilmente obtenível para qualquer um que tenha progredido no caminho Cristão, ela não pode ser sempre feita de teste para um verdadeiro Cristão.

Através das Escrituras, Deus repetidamente nos dá as promessas de que aqueles que vêm até Ele em Cristo não serão de forma alguma jogados fora, que quem quer que queira pode beber da água da vida sem dinheiro e sem preço, e que aquele que pede receberá. As bases para a nossa segurança, então, estão tanto dentro como fora de nós. Se, portanto, algum crente verdadeiro perde a segurança de que ele está salvo para sempre entre o povo de Deus, a falta encontra-se nele próprio, e não no plano de salvação, nem nas Escrituras.
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Por Loraine Boettner, D.D.a
Fonte: Monergismo
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