sexta-feira, 23 de maio de 2014

A Doutrina Reformada da Predestinação - Livro 4 [01/05]


Objeções Comumente Levantadas Contra a Doutrina Reformada da Predestinação

Salvação Pela Graça

1. Méritos Malignos do Homem. 2. Deus Pode Dar ou Restringir a Graça, Como Lhe Aprouver. 3. Salvação Não Para Ser Ganhada Pelo Homem. 4. Provas Nas Escrituras. 5. Observações Adicionais.

A Bíblia declara que a salvação do pecador é assunto da graça. Na passagem Bíblica em Efésios 1;7-10 ["(7) em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, (8) que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, (9) fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs (10) para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra"] aprendemos que o propósito primário de Deus na obra da redenção foi demonstrar a gloria deste atributo divino, de modo que através das eras subsequentes o universo inteligente pudesse admirar-se como é feita conhecida através do Seu amor imerecido e bondade sem fronteira para com as criaturas indefesas, criaturas culpadas, criaturas vis. Bem de acordo, todos os homens são representados como afogados num estado de pecado e de miséria, do qual eles não podem intimamente, salvarem-se a si mesmos. Quando eles mereciam somente a ira e a maldição de Deus, Ele determinou que proveria graciosamente a redenção para eles, ao enviar o Seu Filho Eterno para assumir a sua natureza e culpa e para sofrer e obedecer no seu lugar; e o Seu Espírito Santo para aplicar a redenção comprada pelo Filho. No mesmo princípio representativo pelo qual o pecado de Adão é imputado a nós, isto é, debitado em nossa conta de tal maneira que somos inteiramente responsabilizados por ele e sofremos as conseqüências dele, nosso pecado por sua vez é imputado a Cristo e a Sua retidão é imputada a nós. Isto também é rapidamente, ainda que claramente, expressado no Pequeno Catecismo, o qual diz: "Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante de si, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé."[Resposta à pergunta 33 "O Que É Justificação?". Referências na Bíblia: Ef 1.7; II Co 5.19,21; Rm 4.5; Rm 3.22-25; Rm 5.17-19; Rm 4.6-8; Rm 5.1; At 10.43; Gl 2.16; Fp 3.9]

Deveríamos manter sempre muito claramente na mente a distinção entre os dois pactos: o pacto de obras, sob o qual Adão foi colocado e o qual resultou na queda da raça no pecado; e o pacto da graça, sob o qual Cristo foi enviado com Redentor. Como apresentado noutra conexão, o Sistema teológico Arminiano não faz nenhuma distinção em princípio entre o pacto de obras e o pacto da graça, a menos que agora Deus ofereça a salvação em termos mais baixos e ao invés de demandar uma obediência perfeita Ele aceite somente tanta fé e obediência evangélica quanto o pecador aleijado seja capaz de render. Naquele sistema o fardo da obediência é ainda jogado sobre o próprio homem; e a sua salvação depende em primeiro lugar das suas próprias obras.

A palavra "graça" no seu sentido apropriado significa o amor gratuito e imerecido de Deus, exercido para com aqueles que não o merecem, os pecadores. É algo que é dado a despeito de qualquer valor no homem; e introduzir obras ou mérito em qualquer parte deste sistema vicia a sua natureza e frustra seu desígnio. Apenas porque é graça, não é dada em bases de méritos anteriores. Como o próprio nome importa, é necessariamente gratuita; e desde que o homem está escravizado pelo pecado até que seja dada, todos os méritos anteriores ele possa ter - anteriores a ela - são méritos ruins e merecem somente punição, não dádivas, ou favores. O que quer que seja que os homens tenham de bom, Deus é quem deu; e o que eles não têm, porque, é claro, Deus não deu. E desde que a graça é dada sem qualquer relação com méritos precedentes, é portanto soberana e é concedida somente àqueles a quem Deus selecionou para recebê-la. É esta soberania da graça, e não a sua previsão ou a preparação para tal, o que coloca os homens nas mãos de Deus e pendura a salvação absolutamente na Sua misericórdia ilimitada. Nisto encontramos a base para a Sua eleição ou rejeição, de determinadas pessoas.

Por causa da sua perfeição moral absoluta, Deus requer pureza impecável e obediência perfeita nas suas criaturas inteligentes. Esta perfeição é providenciada pela retidão impecável de Cristo sendo imputada a elas; e quando Deus olha para os redimidos, Ele os vê vestidos com as vestes da retidão impecável de Cristo e com nenhuma outra vestimenta que seja delas mesmas. Nos é distintamente dito que Cristo sofreu como um substituto, "o justo pelo injusto"; e quando o homem é encorajado a pensar que ele deve a sua salvação a algum tipo de poder ou de arte de si mesmo, quando na realidade tudo é somente da graça e pela graça, Deus é roubado de parte da Sua glória. Por nenhuma ginástica de imaginação as boas obras do homem nesta vida podem ser justamente consideradas como equivalentes para as bênçãos da vida eterna. Benjamin Franklin, embora de forma alguma fosse Calvinista, bem expressou esta idéia quando escreveu: "Aquele que, por haver dado um pouco de água a alguém com sede, esperasse ser pago com uma boa plantação, seria modesto em sua demanda, comparado com aqueles que pensam que merecem o céu, pelo pouco que fazem na terra." Somos, na verdade, nada mais que recebedores; nós nunca trazemos nenhuma recompensa adequada a Deus, estamos sempre recebendo dEle, e assim será até toda a eternidade.

2. DEUS PODE DAR OU RESTRINGIR A GRAÇA, COMO LHE APROUVER

Uma vez que Deus proveu esta redenção ou expiação às Suas próprias custas, ela é propriedade Sua e Ele é absolutamente soberano ao escolher quem devesse ser salvo através dela. Não há nada mais sistematicamente enfatizado na doutrina Escritural da redenção do que o caráter absolutamente gracioso da redenção. Assim, pela separação da massa original, não através de alguma obra própria mas somente através da graça livre de Deus, os vasos de misericórdia vêm quão grande dádiva foi a eles concedida. Ver-se-á que muitos que herdam o céu foram pecadores muito piores neste mundo, do que o foram muitos outros, que se perdem.

A doutrina da Predestinação reduz toda a imaginação 'auto justificada', a qual subestimaria a glória de Deus. A doutrina convence aquele que é salvo de que ele pode ser eternamente grato por Deus have-lo salvo. Daí que, no sistema teológico Calvinista, toda bravata é excluída e a honra e a glória, que pertencem a Deus, totalmente preservadas. "O maior dos santos", diz Zanchius, "não pode triunfar sobre o mais abandonado dos pecadores, mas é levado a creditar a sua salvação, tanto do pecado como do inferno, à simples boa vontade e propósito soberano de Deus, quem graciosamente o fez diferente do mundo, que jaz na perversidade e iniquidade." 1

3. SALVAÇÃO NÃO PARA GANHADA PELO HOMEM.

Todos os homens naturalmente sentem que deveriam ganhar a sua salvação; e um sistema teológico que faz alguma provisão naquele sentido apela a eles, rapidamente. Mas Paulo desce o machado em tal raciocínio quando diz, "...porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei."[Gálatas 3:21]; e Jesus disse aos Seus discípulos, "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer."[Lucas 17:10]

A nossa própria justiça, diz o profeta, é nada mais que roupa suja -- ou, como escrito na Bíblia Versão King James, trapos imundos -- à vista de Deus (veja em Isaías 64:6 = "Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia..."). E quando o próprio Isaías escreveu, "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite."[Isaías 55:1], ele convidou os completamente sem dinheiro, os famintos, os sedentos, para virem e tomarem posse, e fartarem-se, livre de quaisquer custos, como se tudo já estivesse sido pago. E comprar sem ter dinheiro deve significar que o produto já foi produzido e disponibilizado, às custas de outrem. Quanto mais avançamos na vida Cristã, o menos que somos inclinados a atribuir qualquer mérito a nos mesmos, e o mais que agradecemos a Deus por tudo. O crente não somente anseia pela vida eterna, mas também olha para trás para a eternidade antes do mundo e encontra, no propósito do divino amor, o começo e a âncora da sua salvação.

Se a salvação é da graça, como as Escrituras tão claramente o ensinam, ela não pode ser das obras, sejam reais ou previstas. Não há mérito algum no crer, já que a fé em si mesma é dom de Deus. Deus dá ao Seu povo um operar íntimo do Espírito de forma que eles possam crer; e a fé é somente o ato de receber a dádiva proferida. Ela é, então, somente a causa instrumental e não a causa meritória da salvação. O que Deus ama em nós não é o nosso mérito próprio, mas sim a Sua própria dádiva, o Seu próprio dom; pois a sua imerecida graça precede às nossas obras meritórias. A graça não é meramente concedida quando oramos por isso, mas a graça em si mesma faz com que oremos pelo seu aumento e por sua continuidade.

No Livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos que mesmo a própria incepção da fé é assinalada à graça (veja em 18:27 = "...aos que pela graça haviam crido."); que somente aqueles que foram ordenados à vida eterna é que creram (veja em 13:48 = "...e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna."); e que é prerrogativa de Deus abrir o coração de forma que apegue-se ao Evangelho (veja em 16:14 = "...e o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia."). A fé é então referida aos conselhos de eternidade, os eventos no tempo sendo somente as obras de acabamento. Paulo atribui à graça de Deus que sejamos "feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."[Efésios 2:10]. As boas obras, então, não são em nenhum sentido a base meritória, mas sim os frutos e a prova da salvação.

Lutero ensinou esta mesma doutrina quando ele disse de alguns que "Eles atribuem ao Livre-Arbítrio realmente muito pouco, todavia ensinam-nos que por aquele muito pouco nós podemos atingir a retidão e a graça. Eles nem respondem a questão, 'Por que Deus justifica um e deixa o outro?', de outra forma a não ser por enfatizarem a liberdade da vontade, e dizer, 'Porque um esforça-se e o outro não; e Deus respeita aquele que é esforçado, e despreza o outro por sua falta de esforço'; por temer que, se fizesse de outra forma, pareceria ser injusto." 2

Foi dito que Jeremy Taylor caminhava acompanhado por outra pessoa numa rua em Londres, quando depararam-se com um homem embriagado deitado na sarjeta. O outro homem fez um comentário depreciativo sobre o bêbado. Mas Jeremy Taylor, parando e olhando para ele disse, "Mas pela graça de Deus, ali está Jeremy Taylor!" O espírito que estava em Jeremy Taylor naquele momento é o espírito que deveria estar em cada Cristão resgatado do pecado. Foi repetidamente ensinado que Israel devia a sua separação dos outros povos do mundo não a nada de bom ou desejável em si mesmo, mas somente ao amor gracioso de Deus, que persistiu fielmente, apesar da apostasia, do pecado, e da rebelião.

Paulo diz, com relação a quem baseie a salvação nos seus próprios méritos, que, "...procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus."[ Romanos, 10:3] e estavam, portanto, não na Igreja de Cristo. Ele deixa claro que "a justiça de Deus" nos é dada através da fé, e que entramos no céu somente implorando os méritos de Cristo.

A razão para este sistema de graça é que aqueles que glorificam deveriam glorificar no Senhor; e que nenhuma pessoa deveria jamais ter motivo para vangloriar-se sobre outra. A redenção foi comprada a um custo infinito para o Próprio Deus; e portando pode ser dispensada a quem Ele queira, numa maneira puramente graciosa. Como disse o poeta:

"None of the ransomed ever knew, " Nenhum dos resgatados jamais soube
How deep were the waters crossed, Quão profundas eram as águas,
Nor how dark was the night that the Nem quão negra foi a noite que
Lord passed through, O Senhor enfrentou
E'er He found His sheep that was lost." Até que Ele encontrasse a Sua ovelha perdida."

4. ENSINO NAS ESCRITURAS.

Vejamos agora algumas daquelas passagens Bíblicas que ensinam que os nossos pecados foram imputados a Cristo; e depois vejamos algumas que ensinam que a Sua justiça é imputada a nós.

"(4) Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. (5) Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados."[Isaías 53:4,5]. "(11) Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si. (12) Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.[Isaías 53:11, 12]. "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus."[II Coríntios 5:21]. Aqui ambas verdades são claramente apresentadas, -- os nossos pecados são debitados na Sua conta; e a Sua justiça, na nossa. Não há nenhum outro sentido concebível no qual Ele pudesse ser "feito pecado", ou nós "sermos feitos justiça de Deus." Foi Cristo que, "levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados."[I Pedro 2:24]. Aqui, novamente, ambas verdades são lançadas juntas. "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito"[I Pedro 3:18]. Estes, e muitos outros versículos, provam a doutrina da Sua substituição em nosso lugar, tão claro, tão pleno como a linguagem pode colocá-lo. Se eles não provarem que a morte de Cristo foi um sacrifício verdadeiro e apropriado pelo pecado, em nosso lugar, então a linguagem humana não pode expressá-lo.

O fato de que a Sua justiça nos é imputada, é ensinado com igual clareza. "(20) porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado. (21) Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; (22) isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção. (23) Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; (24) sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, (25) ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; (26) para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus. (27) Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. (28) concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei."[Romanos 3:20-28]. "(18) Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. (19) Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos."[Romanos 5:18, 19]. O testemunho de Paulo com relação a si próprio foi: "(8) sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, (9) e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé."[Filipenses 3:8, 9]. Agora, não é estranho que qualquer um que finja ser guiado pela Bíblia, pudesse, à vista de toda esta linguagem clara e inequívoca, sustentar que a salvação, em qualquer que seja o grau, dá-se pelas obras?

Paulo escreveu aos Romanos: "Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça." [Romanos 6:14]. Isto é, Deus tirou-os de sob um sistema de lei e colocou-os sob um sistema de graça; e como o seu Soberano, não era Seu propósito deixá-los cair novamente sob o domínio do pecado. Na verdade, se eles caíssem, não seria porque Deus os tivesse tirado de sob a graça e colocado-os novamente sob a lei, de modo que as suas próprias obras determinassem o seu destino. Na própria naturesa do caso, tanto quanto a pessoa está sob a graça, ela é totalmente livre de qualquer caso, de qualquer acusação que a lei tenha contra ela, através do pecado. Pois alguém ser salvo através da graça significa que Deus não está mais tratando-o como ele merece, mas que Ele soberanamente pôs a lei de lado e que Ele o salva, apesar do seu demérito, limpando-o do seu pecado; é claro, antes que ele seja digno de adentrar à Divina presença.

Paulo sofre grandes dores para deixar claro que a graça de Deus não é 'ganhada por nós', não é assegurada por nós de nenhuma forma; mas é simplesmente dada a nós. Se ela for 'ganhada por nós', através dos nossos merecimentos, acaba o fato de ela ser graça (veja em Romanos 11:6 = "Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça").

6. OBSERVAÇÕES ADICIONAIS.

Na presente situação da raça, todos os homens estão perante Deus, não como cidadãos de um estado, todos devendo ser tratados igualmente e dados a mesma "chance" para salvação; mas antes como criminosos culpados e condenados perante um juiz justo e reto. Nenhum deles tem qualquer direito à salvação. A surpresa é, não que Deus não salva a todos, mas que quando todos são culpados, Ele perdoa a tantos; e a resposta à questão 'Por que Ele não salva a todos?' é encontrada não na negação dos Arminianos da onipotência da Sua graça, mas no fato de que, como diz o Dr. Warfield, "Deus, no Seu amor, da raça culpada do homem salva a tantos quantos Ele consegue da Sua inteira natureza, o consentimento para salvar." 3 Por razões por Ele próprio conhecidas, Ele vê que não é o melhor perdoar a todos, mas que a alguns deveria ser permitido terem o seu próprio caminho e serem deixados para o castigo eterno, de modo que seja mostrado que coisa horrível é o pecado e a rebelião contra Deus.

Vez após vez as Escrituras repetem a afirmação de que a salvação e de graça, como se antecipando a dificuldade que os homens teriam em chegar à conclusão de que eles não podem ganhar a salvação através das suas próprias obras. Assim elas também é destruída por elas (as Escrituras) a noção tão disseminada de que Deus deve a salvação para quem quer que seja. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie."[Efésios 2:8, 9]. "Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça"[Romanos 11:6]. "porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado"[Romanos 3:20]. "Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida"[Romanos 4:4]. "Pois, quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido?..." [I Coríntios 4:7]. "Mas pela graça de Deus sou o que sou..."[I Coríntios 15:10]. "Ou quem Lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado?"[Romanos 11:35]. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor."[Romanos 6:23].

Graça e obras são mutualmente exclusivas; e como bem podemos tentar colocar os dois pólos juntos, para o efeito de uma coalisão da graça e das obras na salvação, também podemos falar de uma "dádiva comprada", como falar de "graça condicional"; pois quando a graça deixa de ser absoluta, ela deixa de ser graça. Portanto, quando as Escrituras dizem-nos que a salvação é de graça, devemos entender que ela é inteiramente, através de todo o seu processo, a obra de Deus; e que qualquer obra, quaisquer feitos verdadeiramente meritórios feito pelo homem, são o resultado da mudança que já tem sido operada.

O Arminianismo destrói este caráter puramente gracioso da salvação e substitui por um sistema de graça mais obras. Não importa quão pequena parte estas obras possam desempenhar, elas são necessárias e são a base da distinção entre os salvos e os perdidos; e ofereceriam então ocasião para os salvos se vangloriarem sobre os perdidos, uma vez que cada um teve igual oportunidade. Mas Paulo diz que toda a vanglória, toda a jactância são excluídas, e que aquele que se gloria, deveria gloriar-se no Senhor (veja em Romanos 3:27 = "Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé." E veja também em I Coríntios 1:31 = "para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor"). Mas se salvo pela graça, o redimido lembra-se do lamaçal de onde foi içado; e sua atitude contra os perdidos é de simpatia e de piedade. Ele sabe que não fora pela graça de Deus ele também teria estado na mesma condição daqueles que perecem, e o seu canto é: "Não a nós, Senhor, não a nós, Senhor, mas ao Teu nome dá glória; por amor da Tua misericórdia, e da Tua fidelidade."
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Por Loraine Boettner, D.D.a
Fonte: Monergismo
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