quinta-feira, 1 de maio de 2014

As Piores Coisas (7/8)

Um trecho do sermão “A Divine Cordial” (Um Tônico Divino)- 1663
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito. (Romanos 8:28)

4. O mal do PECADO coopera para o bem daqueles que temem a Deus.

O pecado em sua própria natureza é condenável – mas Deus em Sua infinita sabedoria faz com que coisas boas venham daquilo que parece se opor a elas. Realmente, é de se admirar, que algum mel saia desse leão! Nós podemos entender isso de duas maneiras.
(4.1). Os pecados de OUTROS são governados para o bem dos que temem a Deus.
Não é um pequeno problema para um coração gracioso viver em meio aos perversos. “Ai de mim, que peregrino em Meseque” (Salmos 120:5). Contudo, até isso o Senhor transforma em bem. Pois:
(4.1.1). Os pecados dos outros cooperam para o bem dos que temem a Deus – de maneira a gerar uma tristeza santo.
O povo de Deus chora por aquilo que não podem reformar. “Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei.” (Salmos 119:136). Davi era alguém que chorava pelos pecados das eras; seu coração se transformava em uma fonte – e seus olhos em rios! Homens perversos se alegram com o pecado. “Quando tu fazes mal, então, andas saltando de prazer.” (Jr. 11:15, ARC). Mas os tementes são pranteadores; eles se compadecem pelos juramentos e blasfêmias das eras. Os pecados dos outros, assim como lanças, perfuram suas almas!
Esse sofrimento pelos pecados de outras pessoas é bom. Ele mostra um coração como o de uma criança, que se entristece com as agressões cometidas contra nosso Pai. Ele também mostra um coração como o de Cristo. “condoendo-se da dureza do seu coração” (Marcos 3:5). O Senhor dá uma atenção especial para essas lágrimas. Ele se agrada disso – que choremos quando Sua glória sofre. Se condoer com os pecados dos outros demonstra mais graça do que condoer-se pelos próprios pecados. Nós podemos nos condoer por nossos pecados – por medo do inferno; mas condoer-se pelos pecados de outras pessoas – vem do princípio de amar a Deus. Essas lágrimas caem como água de rosas – que são doces e cheirosas, e Deus as coloca em Sua garrafa! “Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?” (Salmos 56:8)
(4.1.2). Os pecados dos outros cooperam para o bem dos que temem a Deus – de maneira a estabelecer mais orações contra o pecado.
Se não houvesse tamanho espírito de perversidade pelo mundo, talvez não haveria tamanho espírito de oração. Grandes pecados geram grandes oradores! O povo de Deus ora contra a iniquidade dos tempos – que Deus dê um ultimato ao pecado, que Ele envergonhe o pecado. Se eles não podem orar pelo fim total do pecado, eles oram contra ele; e isso Deus recebe gentilmente. Essas orações serão tanto gravadas, como recompensadas. Mesmo que não prevaleçamos em oração, não devemos deixar de orar. “minha oração voltava para o meu seio” (Salmos 35:13).
(4.1.3). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a nos tornar mais apaixonados pela graça.
Os pecados dos outros são um contraste que realça mais o brilho da graça. Um contrário expõe o outro: deformação expõe beleza. Os pecados dos perversos os desfiguram. Orgulho é um pecado desfigurador; dessa maneira, contemplar o orgulho de outras pessoas nos torna mais apaixonados pela humildade! Malícia é um pecado desfigurador, é a imagem do diabo; quanto mais dela vemos nos outros, mais nos apaixonamos pela mansidão e caridade. Alcoolismo é um pecado desfigurador, ele transforma homens em monstros, ele priva o uso da razão; quanto mais embriagados vemos os outros, mais devemos amar a sobriedade. O lado negro do pecado, expõe muito mais a beleza da santidade.
(4.1.4). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a gerar em nós maior oposição contra o pecado.
“Pois eles têm quebrantado a tua lei. Por isso amo os teus mandamentos” (Salmos 119:126-127). Davi nunca teria amado tanto a lei de Deus, se os perversos não tivessem se oposto tanto a ela. Quão mais violentos os outros são contra a verdade, mais valentes os santos são a favor dela. Peixes vivos lutam contra a corrente. Da mesma maneira, quanto mais a maré do pecado avança, mais os tementes a Deus nadam contra ela! As impiedades dos tempos provocam paixões santas nos santos! Essa ira é sem pecado – a qual é contra o pecado. Os pecados de outros são como um amolador que nos deixa mais afiados; eles afiam nosso zelo e indignação contra o pecado!
(4.1.5). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a nos fazer mais zelosos no desenvolvimento da nossa salvação.
Quando vemos homens perversos sofrerem tantas dores pelo inferno – isso nos torna mais diligente para o céu. Os perversos não têm nada para encorajá-los – mesmo assim eles pecam. Eles experimentam vergonha e desgraça, passam por cima de qualquer oposição. As Escrituras estão contra eles, suas consciências estão contra eles, existe uma espada flamejante no caminho – e mesmo assim eles pecam. Os corações daqueles que temem a Deus, ao verem os perversos se enlouquecerem pelo fruto proibido, e se consumirem a serviço do diabo – são ainda mais encorajados e despertados nos caminhos de Deus. Eles vão tomar os céus como se fosse pela tempestade. Os perversos são como camelos – correndo atrás dos pecados (Jr. 2:23). E nós rastejamos como lesmas na piedade? Será que os pecadores impuros devem servir mais ao diabo que nós a Cristo? Será que eles devem ser mais empolgados em ir para a prisão do inferno do que nós para o reino dos céus? Eles nunca se cansam do pecado e nós nos cansaremos da oração? Não temos nós um melhor Mestre que eles? Não são os caminhos da virtude agradáveis? Será que não existe alegria no caminho do dever, e o paraíso no final? A atividade dos filhos de Baal no pecado é um alerta para os tementes apertarem o paço, e correrem o mais rápido para o paraíso!
(4.1.6). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a servires como óculos que nos permite enxergar nossos próprios corações.
Estamos vemos um miserável e hediondo ímpio? Contemple a imagem de nossos próprios corações! Seríamos desta maneira – se Deus nos deixasse! O que existe nas práticas dos perversos está em nossa própria natureza. O pecado na vida dos ímpios é como um fogo que lança chamas e labaredas para a frente; o pecado na vida do servo é como um fogo nas brasas. Cristãos, apesar de vocês não se lançarem em uma chama de escandaloso pecado, vocês não têm motivo para se gabar, pois existe a mesma quantidade de pecado nas brasas das suas naturezas. Vocês possuem a raiz de todos os pecados dentro de vocês, e vocês daria os mesmos frutos infernais que qualquer ímpio se Deus não o tivesse curvado pelo Seu poder ou transformado por Sua graça!
(4.1.7). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a ser o meio de fazer o povo de Deus ser mais agradecido.
Quando você vê alguém infectado com uma praga, quão agradecido você é que Deus o preservou dela! É um bom uso que pode ser feito dos pecados dos outros nos tornar mais agradecidos. Porque será que Deus não nos abandonou ao mesmo excesso de perversidade? Pense com vocês mesmos, cristãos, por que Deus deveria ser mais misericordioso com você do que com outro? Por que ele deveria tomar você, como tição tirado do fogo e não ele? Como isso deve fazer vocês adorarem a graça gratuita! O que os fariseus disseram se gabando, nós podemos dizer agradecidos, “O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, etc.” (Lucas 18:11)
Se nós não somos tão perversos como outros – nós deveríamos adorar as riquezas da graça gratuita! Toda vez que vemos homens correndo para o pecado devemos agradecer a Deus que não somos nós. Se olharmos para uma pessoa louca, agradecemos a Deus que o mesmo não ocorreu conosco. Ainda mais, quando vemos outros sob o controle de Satanás – quão agradecidos deveríamos ser, que esta não é mais a nossa condição! “Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros .” (Tito 3:3)
(4.1.8). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a serem meios de tornar o povo de Deus melhor.
Cristãos, Deus pode fazer de você um ganhador através do pecado de outra pessoa. Quão mais ímpios os outros são, mais santo vocês devem ser. Quanto mais os perversos se entregam ao pecado – mais um servo se entrega a oração. “Mas eu faço oração.” (Salmos 109:4).
(4.1.9). Os pecados dos outros cooperam para o bem – de maneira a nos proporcionar uma oportunidade de fazer o bem.
Se não houvesse pecadores, nós não estaríamos em tanta capacidade para o serviço. Os piedosos geralmente são os meios para converter os perversos; seus conselhos prudentes e seu bom exemplo é um atrativo e uma isca para trazer os pecadores a acreditar no evangelho. A doença do paciente coopera para o bem do médico, através da cura do paciente, o médico se enriquece. Da mesma maneira, através da conversão dos pecadores de seu caminho errado, nossa coroa se torna maior. “Os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente” (Dn. 12:31). Não como lâmpadas ou velas – mas como as estrelas para sempre! Portanto nós vemos que os pecados dos outros são governados para o nosso bem.
Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson
 Fonte: Voltemos Ao Evangelho
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