segunda-feira, 30 de junho de 2014

Como o Espírito Santo age, favoravelmente, na mente dos não regenerados?


"...A graça comum difere da especial na medida em que a influência da graça comum está na assistência à natureza, sem conferir graça nem conceder algo além da natureza. A luz obtida é completamente natural, ou não superior à que a simples natureza se atém, apesar de que mais desse tipo de luz pode ser obtido se os homens forem deixados completamente por conta própria; em outras palavras, a graça comum apenas assiste as faculdades da alma no fazer mais completamente o que elas fazem naturalmente, como a consciência ou razão naturalmente fazem um homem sensível à culpa, acusando-o e condenando-o quando errar. A consciência é um princípio natural ao homem e o trabalho que faz naturalmente ou por conta própria é dar uma noção de certo e de errado a de sugerir à mente a relação que há entre o certo e o errado e a retribuição. 

O Espírito de Deus, nessas convicções que os homens não regenerados às vezes tem, assiste a consciência no realizar desse trabalho um pouco mais profundamente do que a consciência o faria se esses homens fossem deixados por si mesmos. Ele ajuda a consciência contra aquelas coisas que podem deixá-la estupefata e, assim, impedir seu trabalho. Mas na obra renovadora e santificadora do Espírito Santo, tais coisas são forjadas na alma e são além da natureza e não se encontra nada parecido com elas na alma que tenha sido criado pela natureza. Sua existência na alma passa a ser habitual e seu exercício contínuo passa a ser chamado um dos princípios da natureza. Os princípios remanescentes não apenas são auxiliados a fazer seu trabalho de maneira mais livre e completa, mas esses princípios que haviam sido completamente destruídos pela queda são restaurados; e a mente, a partir de então, habitualmente executa esses atos antes totalmente destituídos da mente pelo domínio do pecado, assim como um corpo morto é destituído de seus atos vitais.

O Espírito de Deus age de uma maneira muito diferente do um caso para outro. Ele realmente pode agir sobre a mente do homem natural, mas, ele age dentro da mente do crente como um princípio vital de morada interior. Ele age sobre a mente da pessoa não regenerada como um agente externo ocasional; pois ao agir sobre eles, não se une a eles e apesar de toda a influência divina que eles possam ter, ainda são sensuais, não tendo o Espírito (Jd 19). Mas o Espírito de Deus se une com a mente do crente, torna-o seu templo, atuando nele e influenciando-o como um novo princípio sobrenatural de vida e de ação. Essa é a diferença, que o Espírito do Deus, ao agir na alma de um homem de Deus, exerce e comunica de si mesmo na própria natureza do homem.

Santidade é a própria natureza do Espírito de Deus. (...) O Espírito Santo opera nas mentes dos santos ao unir-se com eles e viver neles, exercendo sua própria natureza na pratica de suas faculdades. 0 Espírito de Deus pode agir sobre criaturas inanimadas, como em o 'Espírito de Deus pairava por sobre as águas' (Gn 1:2), no início da criação; assim o Espírito de Deus pode agir sobre as mentes dos homens de muitas formas e comunicar a si mesmo não mais do que quando ele age sobre uma criatura inanimada. Por exemplo, ele pode estimular pensamentos neles, pode ajudar sua razão e entendimento natural, ou pode ajudar outros princípios naturais, e isso sem qualquer união com a alma, agindo como se fosse sobre um objeto externo. Mas, quando ele age nas suas santas influências e operações espirituais, é uma maneira peculiar de comunicação de si mesmo, tanto que o sujeito passa a ser então denominado espiritual.."...
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4 - Somente a Fé (Parte 1)


Por R. C. Sproul. © 2013 Editora Fiel. Website: www.editorafiel.com.br e www.ministeriofiel.com.br. Original: Série Mês da Reforma -- Somente a Fé (Parte 1) -- R. C. Sproul (4/12) de R. C. Sproul
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sábado, 28 de junho de 2014

O Puritano Richard Sibbes

richardsibbes
“Não há introdução melhor aos puritanos do que os escritos de Richard Sibbes, que é, em muitas maneiras, um puritano típico. “Sibbes nunca desperdiça o tempo do estudante”, escreveu C. H. Spurgeon, “ele espalha pérolas e diamantes com ambas as mãos”. Os fatos a respeito da vida de Sibbes podem ser brevemente narrados (há um relato completo no Volume 1 daedição de suas Obras pela “Banner of Truth Trust”). Nasceu em Tostock, Suffolk, em 1577, e ingressou na escola em Bury St. Edmunds. Seu pai queria que Richard tivesse seu próprio ofício como carpinteiro de carros e rodas, porém, com a ajuda de amigos, ele foi para a Faculdade de S. João, de Cambridge, em 1595. Ali ele foi convertido sob a poderosa pregação de Paul Bayne, o sucessor de William Perkins no púlpito da Grande Igreja de S. André. Após ganhar seu B. D.¹ em 1610, ele foi designado conferencista na Igreja da Trindade Santa, em Cambridge. Ele foi removido desse posto cinco anos depois, contudo, devido a suas tendências puritanas. Através da influência de amigos poderosos, ele foi escolhido para ser o pregador em Gray”s Inn†, em Londres, em 1617, e permaneceu ali até 1626. Naquele ano, retornou a Cambridge como Mestre do Santa Catarina Hall, e mais tarde retornou à Trindade Santa, dessa vez como o seu vigário. Recebeu um Doutorado em Teologia em 1627, e a partir daí freqüentemente se alude a ele como “o celestial Doutor Sibbes”, devido tanto à matéria quanto ao modo de sua pregação. Ele continuou a exercer seu ministério, em Gray”s Inn, em Londres, tanto quanto em Trindade Santa, em Cambridge, permanecendo, ao mesmo tempo, como Mestre do Santa Catarina, até sua morte em 6 de julho de 1635, ao 58 anos de idade. Dele Izaak Walton posteriormente escreveu: “Desse homem bendito, que lhe seja dado apenas esse elogio: o céu estava nele, antes que ele estivesse no céu”. 

“O Senhor o tomou”, escreveu um contemporâneo, “para que seus olhos não pudessem ver os grandes males que estavam para irromper sobre a terra”. Tais males chegaram a um ponto crítico na Guerra Civil da década de 1640. Por trás daquele evento estava um movimento para fora das doutrinas e práticas da Reforma por parte de uma poderosa facção da Igreja Anglicana, encabeçada por William Laud, Arcebispo de Canterbury, e apoiado pela proteção real. Foram os puritanos que se ajuntaram para arrostar tais investidas hostis. Para eles, a moderação em sustentar a verdade da Palavra de Deus era senão tibieza pecaminosa. “Uma maldição jaz sobre aqueles”, dizia Sibbes, “que, quando a verdade sofre, não têm uma palavra para defendê-la”. Por sua ousadia, Sibbes foi censurado em 1627 e, em 1632, junto com onze outros ministros puritanos, foi sentenciado ao banimento. A sentença nunca foi levadaa efeito, porém, Sibbes viveu para ver muitos de seus queridos amigos, como Samuel Ward, Thomas Goodwin, John Cotton, Thomas Hooker e outros, aprisionados ou forçados ao exílio na Holanda ou na Nova Inglaterra. Com respeito à questão final desse conflito, Sibbes não tinha dúvidaalguma. Gardner, em sua História da Revolução Puritana, escreve: “Sibbes distinguia-se por sua triunfante confiança… [enquanto] mesmo Laude Wentworth reconheceram que as chances lhes eram contrárias. Eliot em sua prisão, e Sibbes em seu púlpito, estão jubilosos e exultantes”. O próprio Sibbes diz:
“Um cristão é uma pessoa inexpugnável. Ele é alguém que nunca pode ser conquistado. Emanuel tornou-se homem para fazer a igreja e todo cristão serem um consigo. A natureza de Cristo está a salvo de tudo que seja prejudicial. O sol não brilhará, o vento não soprará para fazerem dano à igreja. Pois o Cabeça da igreja rege sobre todas as coisas e tem-nas todas sob sujeição. Portanto, que todos os inimigos consultem-se juntamente, este rei e esse poder, há um conselho no céu que perturbará e frustrará todos os seus conselhos. Emanuel, no céu, ri deles com desdém. E, como disse Lutero, “choraremos e berraremos quando Deus ri?”
Desde sua primeira publicação em 1630, “O Caniço Ferido” tem sido notavelmente frutífera como fonte de ajuda e conforto espiritual. Richard Baxter relata: “Um pobre vendedor ambulante veio à porta… e meu pai comprou dele “O Caniço Ferido” deSibbes… Ele se adequava ao meu estado… e me deu uma apreensão mais viva do mistério da redenção e de quanto eu era contemplado por Jesus Cristo… Sem outro meio qualquer que não os livros, Deus se agradou deme explicar a mim mesmo”. Tais testemunhos poderiam ser multiplicados. Falando da necessidade do pregador de adequar sua leitura às condições variáveis que acha dentro de si, Dr. Martyn Lloyd-Jones diz em seu livro “Pregação e Pregadores”:
“Você achará, penso, que, em geral, os puritanos são, quase sempre, invariavelmente úteis… Nunca cessarei de ser grato a um deles, chamado Richard Sibbes, que foi bálsamo para a minha alma num período da vida quando eu estava sobrecarregado no trabalho e gravemente mui cansado e, por conseguinte, sujeito, de um modo incomum, às investidas do diabo. Naquele estado e naquela condição… o que você precisa é de algum tratamento gentil e terno para a sua alma. Descobri naquela época que Richard Sibbes, que era conhecido em Londres no início do século dezessete como “o celestial Doutor Sibbes”, era um remédio infalível. Seus livros “O Caniço Ferido” e “O Conflito da Alma”²serenaram, acalmaram, confortaram, encorajaram e curaram a mim.”
As obras completas de Sibbes foram publicadas em sete volumes na “Nichol Series” entre 1862 e 1864, e novamente pela “Banner of Truth Trust”, entre 1973 e 1982. O presente livro é tirado do primeiro volume daquela série e é o primeiro dos escritos de Sibbes a ser publicado separadamente na presente série. Algo da linguagem e da pontuação da edição primitiva foi modernizado e os cabeçalhos foram introduzidos com a intenção de tornar a obra mais acessível aos leitores dos dias correntes. Sibbes disse uma vez a Thomas Goodwin: “Jovem, se você quiser fazer uma boa coisa, deve pregar o evangelho e a livre graça de Deus em Cristo Jesus”. “O Caniço Ferido” nos mostra como Sibbes mesmo fez isso. Possa ele, por sua obra, ainda que morto, falar (Hb 11.4), tanto aos leitores que já estão familiarizados com seus escritos como àqueles que ainda têm que descobri-lo.”
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¹Sigla inglesa de Bachelor Degree(bacharelado) (N. do T.) 
†Inn, no presente contexto, refere-se a um prédio para reuniões estudantis, principalmente de alunos de direito, em Londres, termo que, no inglês moderno, caiu em desuso (N. do T.)
²Esse último, ainda sem tradução conhecida em português (no original, The Soul’s Conflict) (N. do T.)
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Caniço Ferido, Richard Sibbes, Prefacio à edição inglesa
Traduzido do original em inglês: The Bruised Reed 
Tradução: Vanderson Moura da Silva
Edição e Projeto Gráfico: Felipe Sabino de Araújo Neto (Monergismo.com)
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Os avisos maravilhosos de Mateus para não sermos falsos discípulos


Mateus parece incomumente sobrecarregado em alertar-nos sobre o perigo de pensar que somos salvos quando não somos. Considere estes avisos.
5:20 "Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus."
7:21-23 "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade."
13:20-21 "E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza."
13:47-50 "Igualmente, o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes." (Nota: os peixes lançados na fornalha não são aqueles perdidos na rede do reino. Estes são aqueles pegos na rede do reino e ainda assim inaptos para a vida eterna. Compare com as pessoas de Mateus 7:22 e Hebreus 6:5 que provaram "dos poderes do mundo vindouro".)
18:32-35 "Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão."(Discípulos de Jesus que não perdoam não são discípulos verdadeiros: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós." 6:14)
22:10-14 "Indo aqueles servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala nupcial ficou cheia de convivas. Mas entrando o rei para ver os convivas, notou ali um homem que não trajava veste nupcial, e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? Ele, porém, emudeceu. Então o rei disse aos servos: Atai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá o choro e o ranger de dentes. Pois muitos são chamados, mas poucos escolhidos." (Nota: esta parábola é semelhante a da rede. O homem foi atraído do mundo para a sala do banquete, assim como o peixe para a rede; mas ele não está apto para o reino e por isso foi lançado fora.)
Além destes avisos considere as 5 virgens insensatas (Mateus 25:1-13); o homem que enterrou seus talentos (Mateus 25:14-30); o servo infiel (Mateus 24:45-51); os lobos em pele de cordeiro (Mateus 7:15); os falsos profetas que fazem sinais e maravilhas (Mateus 24:24) e o discípulo (por 3 anos) chamado Judas Iscariotes, que traiu Jesus (Mateus 10:4).
Lições:
  1. "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos" (2 Coríntios 13:5).
  2. "Entrai pela porta estreita... E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mateus 7:13-14).
  3. Isto não é justificação pelas obras! É a evidência indispensável da justificação pela fé — "pelos frutos os conhecereis!"
By John Piper. ©2014 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

3 - Somente a Escritura


Por R. C. Sproul. © 2013 Editora Fiel. Website: www.editorafiel.com.br e www.ministeriofiel.com.br. Original: Série Mês da Reforma -- Somente a Escritura -- R. C. Sproul (3/12) de R. C. Sproul
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Por Que Tarda o Pleno Avivamento?


Harnack definiu o cristianismo como “algo muito simples e muito sublime: viver no tempo e na eternidade sob o olhar de Deus, e com a ajuda dele”.

Ah, se os crentes pudessem estar cônscios da eternidade! Ah, se pudéssemos viver cada momento sob o olhar de Deus, se pudéssemos viver tendo sempre em mente o juízo final, e vender tudo que vendemos tendo em mente o juízo final, e fazer todas as nossas orações, dar o dízimo de tudo que possuímos, tendo em mente o juízo final; e se nós pregadores preparássemos nossas mensagens com um olho voltado para a humanidade perdida e outro para o trono do juízo final, então experimentaríamos um avivamento operado pelo Espírito Santo que abalaria esta terra, e que em pouco tempo salvaria milhões e milhões de vidas preciosas.

A baixa moralidade prevalente hoje em dia, bem como as tentativas das diversas seitas e cultos de dominar o mundo, deveriam deixar-nos alarmados. Alguém já disse, e com muita razão, que existem apenas três tipos de pessoas no mundo hoje: os que têm medo, os que não conhecem a realidade o suficiente para chegar a ter medo, e os que conhecem a Bíblia. Sodoma — onde não havia Bíblia, nem pastores, nem folhetos, nem reuniões de oração, nem igrejas — pereceu. Como será que os Estados Unidos e a Inglaterra vão escapar da ira de Deus? Aqui temos milhões de bíblias, centenas de milhares de igrejas, um sem número de pregadores — e quanto pecado!

Os homens constroem nossos templos, mas não entram neles; imprimem bíblias, mas não as lêem; falam de Deus, mas não crêem nele; conversam a respeito de Cristo, mas não confiam nele para sua salvação; cantam nossos hinos, mas depois os esquecem. Onde é que vamos parar com tudo isso?

Em quase todos os seminários de estudos bíblicos hoje a igreja atual é descrita nos termos da carta aos efésios. Afirma-se que, apesar de toda a nossa carnalidade e pecado, estamos sentados com Cristo nos lugares celestiais. Que mentira! Somos efésios, sim, mas da Igreja de Éfeso do Apocalipse, aquela que abandonou o seu “primeiro amor”. Fazemos concessões ao pecado em vez de fazermos oposição a ele. E nossa sociedade licenciosa, libertina, leviana nunca se curvará diante dessa igreja fria, carnal, crítica. Paremos de ficar procurando desculpas para nosso fracasso. A culpa pelo declínio da moralidade não é do cinema e da televisão. A culpa pela atual corrupção e depravação internacional é toda da igreja. Ela não é mais um espinho nas ilhargas do mundo. E não foi nos momentos de popularidade que a verdadeira igreja triunfou, mas, sim, nas horas de adversidade. Como podemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que a igreja está apresentando aos homens o padrão estabelecido por Jesus no Novo Testamento, com esse baixo padrão de espiritualidade que ela ostenta.

Por que tarda o avivamento? A resposta é muito simples. Tarda porque os pregadores e evangelistas estão mais preocupados com dinheiro, fama e aceitação pessoal, do que em levar os perdidos ao arrependimento.

Tarda porque nossos cultos evangelísticos parecem mais shows teatrais do que pregação do evangelho.

O avivamento tarda porque os evangelistas de hoje têm receio de falar contra as falsas religiões.

Elias zombou dos profetas de Baal, e debochou da sua incapacidade de fazer chover. Seria melhor que saíssemos à noite (como fez Gideão), e derrubássemos os postes-ídolos dos falsos deuses, do que deixar de realizar a vontade de Deus. As seitas anticristãs e as religiões ímpias desta nossa hora final constituem um insulto contra Deus. Será que ninguém fará soar o alarme?

Por que não protestamos? Se tivéssemos metade da importância que julgamos ter e um décimo do poder que pensamos possuir, estaríamos recebendo um batismo de sangue, tanto quanto recebemos de água e fogo.

As portas das igrejas da Inglaterra se fecharam para João Wesley. E um de seus críticos disse que “ele e seus tolos pregadores leigos — esses grupos de funileiros, garis, carroceiros e limpadores de chaminés — estão saindo por aí a envenenar a mente das pessoas”. Que linguagem abusiva! Mas Wesley não tinha medo nem de homens nem de demônios. E se Whitefield era ridicularizado nas peças de teatro da Inglaterra da maneira mais vergonhosa possível, e se os cristãos do Novo Testamento foram apedrejados e sofreram todo tipo de ignomínia, por que será que nós, hoje em dia, não provocamos mais a ira do inferno, já que o pecado e os pecadores continuam sempre os mesmos? Por que será que somos tão gelados e enfadonhos? É bem verdade que pode haver muito tumulto sem avivamento. Mas, à luz do ensino bíblico e da história da igreja, não podemos ter avivamento sem tumulto.

O avivamento tarda porque não temos mais intensidade e fervor na oração. Há algum tempo, um famoso pregador, ao iniciar uma série de conferências, fez a seguinte declaração: “Vim para esta série de conferências com grande desejo de orar. Agora peço àqueles que gostariam de carregar junto comigo esse peso que ergam uma das mãos, e que ninguém seja hipócrita”.

Um bom número de pessoas levantou a mão. Mas, lá pelo meio da semana, quando alguns resolveram promover uma vigília, o grande pregador foi dormir. Que hipocrisia! Já não existe mais integridade. Tudo é superficial. O fator que mais retarda a vinda de um avivamento do Espírito Santo é essa ausência de angústia de alma. Em vez de buscarmos a propagação do reino de Deus, estamos fazendo mais propaganda. Que loucura! Quando Tiago (5.17) diz que Elias “orou”, estava acrescentando um valioso adendo à biografia dele registrada no Velho Testamento. Sem essa observação, ao lermos ali: “Elias profetizou”, concluiríamos que a oração não fez parte da vida dele.

Em nossas orações ainda não resistimos até o sangue; não mesmo. Como diz Lutero, “nem ao menos fizemos suar nossa alma”. Oramos com uma atitude tipo “o que vier está bom”. Deixamos tudo ao acaso. Nossas orações não nos custam nada. Nem mesmo demonstramos forte desejo de orar. Fica tudo na dependência de nossa disposição, e por isso oramos de forma intermitente e espasmódica.

A única força diante da qual Deus se rende é a oração. Escrevemos muito sobre o poder da oração, mas ao orar não temos aquele espírito de luta. Nós fazemos tudo: exibimos nossos dons espirituais ou naturais; expomos nossas opiniões, políticas ou religiosas; pregamos sermões ou escrevemos livros para corrigir desvios doutrinários. Mas quem quer orar e atacar as fortalezas do inferno? Quem irá resistir ao diabo? Quem quer privar-se de alimento, descanso e lazer, para que os infernos o vejam lutando, envergonhando os demônios, libertando os cativos, esvaziando o inferno, e sofrendo as dores de parto para deixar atrás de si uma fileira de pessoas lavadas pelo sangue de Cristo?

Em último lugar, o avivamento tarda porque roubamos a glória que pertence a Deus. Reflitamos um pouco sobre essas palavras de Jesus: “Eu não aceito glória que vem dos homens”. “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e contudo não procurais a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.41,44.) Chega de toda essa autopromoção nos púlpitos. Chega de tanto exaltar “meu programa de rádio”, “minha igreja”, “meus livros”. Ah, que repulsiva demonstração carnal vemos nos púlpitos: “Hoje, temos o grande privilégio…” E os pregadores aceitam isso; não, eles já o esperam. (E se esquecem de que só estão ali pela graça de Deus.) E a vaidade é que, quando ouvimos tais homens pregar, notamos que nunca ficaríamos sabendo que eram tão importantes, se não tivessem sido apresentados como tal.

Coitado de Deus! Ele não está recebendo muita glória! Então, por que ele ainda não cumpriu sua terrível mas bendita ameaça de que iria vomitar-nos de sua boca? Nós fracassamos; estamos impuros. Apreciamos os louvores dos homens. Buscamos nossos próprios interesses. Ó Deus, liberta-nos dessa existência egoística, egocêntrica! Dá-nos a bênção do quebrantamento! O juízo deve começar por nós, pelos pregadores!
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Por Leonard Ravenhill
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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Destrua uma igreja em 4 passos

Pouco tempo atrás, soube de um prédio de uma igreja em nossa vizinhança que estava à venda. Por anos a Grace Fellowship Church esteve procurando um prédio para ser nosso, então pensamos em dar uma olhada. Aquela havia sido uma congregação próspera. Cristãos fiéis contribuíram sacrificialmente para construir aquele prédio. Eles o consagraram ao Senhor e adoraram ali por muitos anos. Ainda assim, agora aquela construção estava abandonada, decadente e à venda.
O que aconteceu? Como aquela igreja passou de próspera para enferma? Como passou de saudável para doente até a morte? Acho que sei como. Creio que Paulo nos conta em sua segunda carta à Timóteo, a carta que ele escreveu apenas dias ou semanas antes de sua morte. Nela, no capítulo 4, ele olha para o futuro, vê uma igreja sendo destruída e nos avisa como aquilo aconteceu. É tão direto quanto 4 simples passos.
Antes de partirmos para os quatro passos, precisamos nos atentar para um detalhe crítico: essa igreja destrói a si mesma. A igreja não é fechada por causa da perseguição do governo; não é afligida pela pressão cultural e não sucumbe aos ataques de outra religião. Essa igreja é erodida por dentro, do meio da congregação. Essa igreja é destruída por pessoas que dizem agir no nome de Jesus.
Aqui estão os quatro passos simples que levam à auto-destruição de uma igreja.

PASSO 1: REJEITE A VERDADE

Paulo avisa Timóteo que eles “se recusarão a dar ouvidos à verdade”. O primeiro passo para se destruir uma igreja é distanciar-se do que é verdade, perdendo o interesse na verdade como Deus a revela, cansando-se do que Deus diz que é verdadeiro e amável. O que uma vez foi amor pela verdade se torna agora um desagrado e desgosto em relação à verdade; o que antes era ódio ao erro se torna agora um interesse e fascínio pelo erro. Corações começam a endurecer.

PASSO 2: REJEITE QUEM FALA A VERDADE

Ao se distanciarem da verdade, eles necessariamente tornam-se contra quem diz a verdade. Então, Paulo avisa Timóteo que esse dia chegaria: “não suportarão a sã doutrina”. Não é que as pessoas não saberão o que é verdade, mas que elas não vão mais suportar o que é verdadeiro. Porque elas passaram a odiar a verdade, elas agora odiarão aqueles que proclamam a verdade. Os mesmos mestres que uma vez os atraíram, agora os repelirão.

PASSO 3: ABRACE FALSOS MESTRES

A igreja rejeitou a verdade e aqueles que ensinam a verdade. E depois? É obvio e inevitável: eles abraçarão falsos mestres. “Cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”. Conforme essas pessoas vão sendo endurecidas pelo pecado, conforme elas crescem em sua rebelião, desejarão ser guiadas por pessoas que as dizem aquilo que elas querem ouvir. Paulo usa uma ótima imagem para descrever isso: ouvidos coçando. Esses ouvidos anseiam a novidade, algo que de alguma forma será aceito pela sociedade e palatável ao mundo sem Deus. Eles prontamente encontrarão esse tipo de mestre que justificará seu afastamento da verdade e que validará a sua rebelião.

PASSO 4: ABRACE A FALSA DOUTRINA

Uma vez que eles rejeitaram a verdade e quem diz a verdade e uma vez que encontraram mestres que agradam os seus ouvidos, eles “entregar-se-ão às fábulas”. Agora eles abraçarão o erro, a completa heresia. Serão tão endurecidos em seus pecados que acreditarão que o erro é bom e verdadeiro. Serão tão iludidos e rebeldes que celebrarão o que Deus odeia e o farão no nome de Deus. Eles vaguearão, como ovelhas tolas indo para longe do bom pastor. O caminho estreito da salvação não deixa espaço para se vaguear, mas o caminho largo da destruição tem todo o espaço que eles precisam para vaguearem para cá e para lá.
E eles morrerão. No fim, aqueles que clamaram agir no nome de Cristo serão expostos como contrários a Cristo. Aquela igreja, aquela congregação, morrerá.
O que aconteceu com aquela igreja que um dia adorou naquele prédio que visitamos e queríamos comprar? As pessoas desenvolveram coceiras nos ouvidos. Não mais apoiaram a sã doutrina e acumularam para si mesmos mestres que se encaixavam às suas próprias paixões. Se distanciaram da verdade e vaguearam em direção a mitos e fábulas.
A evidência desses mitos estava clara. O hinário deles tinha músicas como “Mãe e Deus”, que diz “Mãe e Deus, à vocês cantamos: amplo é o seu ventre, quente é sua asa”. O website deles continha um vídeo de um pastor submetendo-se a um processo de mudança de gênero com o total suporte da igreja. A literatura deles explicitamente negava que Cristo é o único caminho para Deus dizendo que “Deus atua em nosso mundo através de um Espírito misterioso que não reconhece distinções nas portas de entrada de capelas cristãs; budistas; hinduístas; ou templos Sikh; cabana aborígene, mesquita islâmica ou sinagoga judaica”.
Nós não ficamos com aquele prédio. A construção foi vendida e, se eu entendi corretamente, logo virá a baixo. No fim das contas, os líderes denominacionais responsáveis pela venda não queriam o evangelho naquele prédio, eles queriam retirar dinheiro daquele prédio. Eles precisavam do dinheiro para ajudar duas outras congregações suas que inevitavelmente também acabarão.
Dois mil anos atrás, Paulo escreveu para o jovem Timóteo e contou a ele exatamente como essa igreja e muitas outras parecidas com ela morreriam. Ele também deu a Timóteo um dever que evitaria sua própria igreja de experimentar uma destruição similar e de hesitar com ouvidos coçando. Mas deixarei isso para um outro dia.
Por: Tim Challies; Original: Destroy a Church in 4 Simple Steps.
Tradução: Kimberly Anastacio | Reforma21 | website: reforma21.org | Original: Destrua uma igreja em 4 passos
Fonte: Voltemos Ao Evangelho
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Como lidar com atrações pelo mesmo sexo


Uma das batalhas mais difíceis enfrentadas por aqueles que estão trabalhando na superação da homossexualidade é com as atrações que ainda têm por pessoas do mesmo sexo. Muitas vezes, o inimigo aproveita a situação para induzir culpa, condenação e sentimentos de desesperança e fracasso.

Essas atrações podem ser divididas em dois tipos. As atrações "frações de segundo", que são aquelas sentidas em relação a pessoas que não conhecemos; aqueles encontros casuais enquanto caminhamos pela rua, fazemos compras, ou mesmo na igreja. O segundo tipo de atração é dirigida a alguém que conhecemos, alguém com quem trabalhamos ou somos obrigados a interagir regularmente.

Liberdade duradoura

Eu estava conversando noutro dia com um aconselhando que disse: "Eu mal posso viver com a culpa que eu sinto. Ainda hoje, eu falhei repetidamente. Eu me interessei por todos os que passaram em meu caminho. Eu me sinto como uma prostituta". Como muitas pessoas, ele tinha uma certa vitória durante os meses de inverno, mas quando o sol aparecia e as roupas eram tiradas, seu problema desabrochava. Não adianta simplesmente dizer, "Pare!" Há uma sucessão de momentos de vitória seguidos de um escorregar de volta para os velhos padrões. Só quando chegamos a compreender a nós mesmos e perceber o que está por trás das atrações é que podemos encontrar uma medida duradoura de liberdade.

Enquanto algumas atrações são definitivamente sexuais, não são muitas que são assim. Devemos classificar os nossos sentimentos e descobrir a variedade de necessidades que nos levam a tornar-nos atraídos por outros. Este problema precisa ser levado para fora do reino da homossexualidade, porque é um problema que todos os cristãos enfrentam. O homem e a mulher "normais" tomam conhecimento da forma como as pessoas estão vestidas, como se portam, e seu grau de sofisticação. Suas atrações são uma mistura de ambos os interesses: sexual e não sexual.

Ao entrevistar homens heterossexuais, eu descobri que na maioria das vezes eles escolhem os seus amigos para se complementarem de alguma forma. Um cara vai juntar-se a um amigo de boa aparência para que possa compartilhar a atenção recebida das mulheres. Outro vai fazer amizade com alguém de uma equipe esportiva, para que ele possa participar da glória de vencer e ser uma figura importante.

O que há por trás das atrações?

Duas coisas geralmente ficam atrás das atrações: a primeira é o fato de que a pele é atraída para a pele, e a outra é a existência de alguma forma de insuficiência. Em relação à primeira, talvez os homens tenham um problema maior, visto que respondem mais ao visual. No entanto, o desejo e a luxúria são comuns a todos - heterossexuais, bem como homossexuais. A Escritura nos deixa claro que vamos enfrentar a tentação com a luxúria, por isso "não ache isso estranho" (1 Pedro 4:12). Todas as pessoas devem lutar contra a sensualidade. Temos uma longa luta para evitar as armadilhas de Satanás. Deus livremente nos dá a sabedoria para nos ajudar a evitar cair em armadilhas do inimigo. Temos de aprender a ficar longe de lugares e situações que não podemos segurar. Aqueles que são sábios não entregam nenhuma ferramenta para o inimigo usar contra eles mesmos.

Inadequações

É na segunda razão para atrações que temos de nos concentrar: inadequações que provavelmente remontam à primeira infância. Nossos sentimentos de inadequação nos levaram a admirar aqueles que foram adequados, que pareciam melhores do que nós de alguma forma. Tudo começou apenas com nossa admiração por aqueles que desejávamos ser. Algumas das nossas insuficiências não estavam no plano físico - o medroso admirava o corajoso; o lento admirava o rápido, o solitário admirava o socialmente popular; o feio admirava o bonito.

Mas o físico sempre parece desempenhar um papel importante. O magro ou o com sobrepeso admira o atlético. Aqueles que não têm músculos fortes tentam construir os seus corpos. Ao fazê-lo, tornam-se cada vez mais conscientes daqueles que são superiores nesta área. Mesmo imagens de músculos fortes em uma revista começarão a atrair sua atenção. Com o desenvolvimento da inveja e da obsessão nesta área, é possível que este foco se torne sexualizado durante os anos da puberdade. Esta é a maneira como um "partialismo" começa, que é uma obsessão com uma parte particular do corpo, com implicações sexuais.

Inveja

Muitas das nossas atrações são simplesmente baseadas na inveja e devem ser apresentadas perante o Senhor e confessadas. Deus nos fez como somos, e não devemos dizer a Deus que Ele cometeu um erro na nossa formação. Certamente, se nós negligenciamos o corpo que Deus nos deu, somos obrigados a restaurá-lo, seja perdendo peso extra ou superando o abuso de substâncias. Confrontar-nos com as nossas atrações baseadas na inveja vai fazer muito para nos trazer a vitória.

Outras Atrações

E as nossas atrações em relação àqueles que nos rodeiam, especialmente os cristãos com quem temos comunhão? Como devemos responder? Vamos nos afastar ou vamos fugir? Nós somos claramente orientados a fugir das paixões da mocidade (2 Timóteo 2:22), mas isso se aplica neste caso? Muitos sentem um peso adicional de culpa quando a pessoa para quem eles são atraídos é um cristão. Eles acham que de alguma forma, eles têm desonrado um dos santos de Deus. Eles se sentem sujos e imaginam que Deus despreza o seu desejo.

Novamente, vamos separar o sexual do não sexual. Satanás gosta de massacrar o vencedor com a mensagem: "Você estragou tudo, você não mudou. Você ainda é gay, Deus não está trabalhando em sua vida..."

Muitas vezes, nós não tivemos um elemento sexual para nossa atração, mas por causa da sugestão satânica, um interesse sexual se desenvolve. Sempre vá ao Senhor para obter a verdade. Deus, o que eu realmente sinto? É sexual? É só inveja e um desejo de possuir o que o outro tem? Não vamos nos condenar sem julgamento. Deus nos dará uma resposta e uma absolvição!

Tentações sexuais

E se a gente sentir um desejo sexual, um forte impulso para a interação sexual? Mais uma vez, confesse e receba o perdão que Deus gratuitamente estende a você. É muito útil também confessar para outra pessoa e tornar-se responsável perante ele ou ela. Todos nós precisamos do apoio de parceiros de oração. A tendência pode ser de fugir, de repentinamente cortar todos os contatos com o indivíduo para quem nos sentimos atraídos. Essa é a coisa certa a fazer?

Você pode encontrar respostas diferentes, mas vou partilhar as minhas opiniões. Se nós somos atraídos a um cristão, eu não acredito que nós podemos simplesmente expulsar essa pessoa da nossa vida. Eu acho que nós temos essa dívida com eles e com o Corpo de Cristo para trabalhar através desse relacionamento.

Se não houve nenhuma sedução por parte da outra pessoa e toda a tentação sexual é em sua própria mente, então não é certo se afastar e rejeitar outra pessoa por aparentemente nenhum motivo.

Também não é útil dizer a esta pessoa o que você está sentindo, uma vez que poderia significar a perda de alguém para ajudá-lo nesta área. Acho que só devemos fugir quando há uma intenção sexual por parte da outra pessoa.

Evitar Fuga

Eu usei a expressão "trabalhar através", e você pode querer saber o que quero dizer. Esta expressão às vezes se refere a uma situação de sofrimento, onde tem havido uma perda: a perda de uma pessoa, um emprego, ou alguma forma de segurança. "Trabalhar através de" implica em evitar fuga e se confrontar com a situação de forma realista.

Se não enfrentamos nossas atrações de frente, teremos de lidar com elas indefinidamente. Uma coisa a nosso favor é que nossas atrações raramente são de longo prazo, mas desaparecem e muitas vezes são substituídas por novas atrações.

Conquanto nós não devamos ter que trazer cada amizade sob o microscópio, devemos fazer um pouco de introspecção, entrar na nossa alma. O que realmente estamos fazendo? Cultivar atrações pode ser uma forma de idolatria, adorando a criatura mais do que o nosso Criador. Se nós sabemos que isso é verdade, se alguém é mais importante para nós do que o próprio Deus, então é o caso de confessarmos nossa idolatria e pedir a Deus para limpar esta situação.

Quebrando a paixão

Você está agora preso em uma paixão que consome e não sabe o que fazer? Como medida temporária, se possível, reduza o número de vezes que você está vendo a pessoa. Usar o telefone ao invés de visitar a pessoa ajuda a quebrar a atração física.

Mesmo que você não queira, você deve encorajar outros relacionamentos, tanto para si e para seu amigo. Na busca de novas amizades, devemos jogar fora todos os padrões do velho estilo de vida e desistir deles. Descobriremos que o pouco atraente fisicamente pode tornar-se atraente para nós em outras formas não sexuais. Podemos ter comunhão com outras pessoas que não possuem os seus dons externamente. Devemos tomar cuidado com a retirada e o isolamento. Abrir as nossas vidas com os outros traz recompensas saudáveis; estreitar as nossas amizades leva a relações distorcidas.

Nossas Necessidades

Parece que a maioria das pessoas, seja homossexual ou não, está em uma constante busca de aprovação. Nós todos temos inseguranças profundas e precisamos da entrada de outras pessoas em nossas vidas. Nossa aprovação, no entanto, deve vir primeiramente de Deus ou nunca estaremos satisfeitos e sempre estaremos numa busca interminável.

Além disso, todos precisam de carinho e aceitação. Deus criou a Igreja, o Corpo de Cristo, para afirmar-nos, para suprir nossas necessidades dessa maneira. Quando as profundas necessidades são preenchidas, quando nos sentimos seguros e temos um sentimento de pertencer, não queremos mais o que os outros têm, e as atrações perdem o seu poder.

Portanto, não basta vencer a si mesmo na cabeça toda vez que você se sentir atraído por alguém. Concentre-se em preencher os vazios e os déficits em sua vida de forma saudável e santificada. Repreenda o inimigo e não caia nas suas mentiras e acusações. Separe a verdade das mentiras e confesse a Deus o que for verdadeiro. Então caminhe no perdão que Ele quer que você tenha.
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Por Frank Worthen
Fonte: http://www.freeministry.org/h/articles/worthen.htm
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Uma refutação eficaz da exegese hipercalvinista


Mateus 23:37:
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! (Cf. Lucas 13:34)
Neste verso, Jerusalém evidentemente se refere ao povo daquela cidade. Pode ser que os líderes (denunciados nos versos anteriores) estejam em mente, mas eles não foram os únicos responsáveis pela morte dos profetas, ou mesmo do próprio Cristo; nem o julgamento caiu sobre eles somente, desde que muitas pessoas comuns pereceram na queda de Jerusalém.

A reunião pode somente ser a recepção de pecadores por Cristo, como Redentor Deus-homem, a recepção dos prometidos em Mateus 11:28, `Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei’. John Murray nos afirma:

O que precisa ser apreciado é que a aceitação da qual Jesus fala aqui é aquela que ele exerce naquele único ofício e prerrogativa que lhe pertence como Deus-homem Messias e Salvador. À vista da função divina transcendente que ele afirma que deseja realizar, seria ilegítimo para nós afirmar aqui que temos simplesmente um exemplo de seu desejo ou vontade humana. [44]

A reunião visualizada é de Cristo como uma pessoa em duas naturezas distintas; é esta reunião que prepara em direção à paz com Deus e repouso até as almas dos homens.

Em seguida, o termo ‘vossos filhos’ precisa de interpretação cuidadosa. Oponentes da livre oferta têm se esforçado para tornar os filhos referirem-se aos eleitos de Deus que na realidade foram reunidos por Cristo mediante graça eficaz. Por exemplo,Angus Stewart escreve:

Porém, “quantas vezes” simplesmente nos diz que os líderes religiosos (`Jerusalém’) se opuseram a Jesus reunindo Seus eleitos (`filhos de Jerusalém’) muitas vezes… E mesmo assim Cristo o rei reuniu todos os filhos de Jerusalém mediante sua irresistível graça. [45]

Esta visão é indefensável por diversas razões:

I. Ela é arbitrária, imposta ao texto e não pode ser traçada dele.

II. É contrária ao uso normal. Os `filhos de Edom’ (Sl 137:7) são o povo daquele lugar. As muitas referências aos `filhos de Israel’ se referem simplesmente ao povo de Israel.

Semelhantemente, os filhos de Moabe, Amon, etc. Quando usados metaforicamente, tais expressões indicam, semelhança ao corpo parental – por exemplo, `filhos dos poderosos’ (Sl 29:1 AV.mg), `filhos de Belial’ (Dt 13:13 etc.), `filhos da luz’ (Ef 5:8) – e não um contraste, como Stewart nos faria crer, fazendo portanto os filhos de Jerusalém contrastarem com a própria Jerusalém.

III. Conflita com os temos singulares e plurais do texto. As antigas pronúncias da Versão Autorizada (refletindo as distinções entre singular e plural do grego) serão de ajuda aqui. A palavra thy (tua, singular) claramente se relaciona a Jerusalém(singular). Os filhos (plural), representados pelos pintinhos, estão em vista na fraseye (vós, plural) não fosse onde o inglês reflete o plural do verbo grego. Stewart deseja o verbo plural, ‘vós’ não se referiria ao singular Jerusalém, que é demasiado forçado. São os filhos que não seriam reunidos. Jerusalém é simplesmente uma descrição coletiva da cidade e seu povo, como um corpo. Os filhos de Jerusalém não são nada mais complicados que as mesmas pessoas consideradas como uma coleção de indivíduos.

IV. É inconsistente com o uso do termo em outros lugares. O termo ‘vossos filhos’ é usado com referência a Jerusalém e em um contexto semelhante, imediatamente após a anotação do lamento de Cristo sobre a cidade, em Lucas 19:44, `e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação’. É claro que os filhos são aqueles que morreram na destruição de Jerusalém. Estes não podem ser os eleitos. Os crentes deram ouvidos ao alerta de Jesus concernente à queda de Jerusalém em Mt 24:15-20 e fugiram. Foram os descrente e auto justificados judeus, crendo que Jerusalém jamais seria destruída, que permaneceram e pereceram dentro dela.

Está agora claro que o lamento de Cristo está dirigido para aqueles que foram fadados. É verdade que João Calvino interpreta este verso como uma expressão de indignação em vez de compaixão, mas ele vê a causa de tal indignação como compaixão abusada! Ele afirma:

Isto é expressivo de indignação em vez de compaixão. A própria cidade, de fato, sobre a quem ele depois lamentaria (Lc 19:41) é ainda objeto de compaixão; mas em direção aos escribas, que foram os autores de sua destruição, ele usa dureza e severidade, como eles merecem. E ainda assim ele não poupou o resto, que eram todos culpados de aprovar e coparticipar do mesmo crime … Se em Jerusalém a graça de Deus fora meramente rejeitada, ali teria sido uma ingratidão inexcusável; mas desde que Deus tentou trazer os judeus para si por compassivos e gentis métodos, e não recebeu nada por tal gentileza, a criminalidade de tal altivo desdém foi muito mais agravada. Foi semelhantemente acrescentada obstinação insuperável; porque não apenas uma vez e novamente Deus desejou juntá-los, mas por constantes ininterruptos avanços, ele lhes enviou profetas, um após outro, quase todos os quais foram rejeitados pelo grande corpo da população… Percebemos agora a razão por que Cristo, falando na pessoa de Deus, se compara a uma galinha. Isto é para infligir mais profunda desgraça a esta ímpia nação, que tratou com desdém convites tão gentis, e procedimentos da mais maternal compaixão. É uma impressionante e ímpar instância de amor, que ele não desdenha a se inclinar a tais lisonjas, pelas quais ele poderia domar rebeldes em sujeição… Por isto ele quer dizer que, se a palavra de Deus é exibida em nós, ele abre seu coração para nós com maternal atenção, e, não satisfeito com isto, condescende à humilde afeição da galinha cuidando de seus pintinhos. Portanto segue, que nossa obstinação é verdadeiramente monstruosa, se não o permitirmos que nos reúna. E de fato, se considerarmos, por um lado, a terrível majestade de Deus, e, por outro lado, nossa média e baixa condição, não podemos nada além de estar envergonhados e assombrados por tal impressionante bondade. Pois que objeto pode Deus ter em vista ao humilhar a si mesmo em nossa conta? Quando ele se compara a uma mulher, ele descende muito bem abaixo de sua glória; quanto tão mais quando ele toma a forma de uma galinha, e se digna a nos tratar como seus pintinhos? [46]

Algumas das expressões de Calvino podem assustar até mesmo aqueles que adotam a oferta sincera, mas elas demonstram sua determinação, não obstante seu comprometimento com a verdade da absoluta predestinação por Deus daqueles que serão salvos, para defender a graça de Deus manifesta na oferta indiscriminada de misericórdia a pecadores. É certo que qualquer um esposando a teologia de Hoeksema não meramente tergiversaria sobre certas formas da expressão no acima, mas não poderia chegar remotamente próximo de endossar a doutrina da graciosa oferta sincera tão claramente exibida aqui. A alegação de que as Igrejas Protestantes Reformadas da América seguirem os passos de Calvino, em sua oposição à livre oferta do Evangelho, simplesmente não acorda com o fato. Como temos visto, porém, a visão de Calvino da livre oferta, em vez da rejeição dela por Hoeksema, acorda com a Palavra de Deus.
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David Silversides, The Free Offer: Biblical and Reformed ([Scotland?]: Marpet Press, 2005), 50-54. [Algumas pronúncias modernizadas; itálicos do original; valores e conteúdo original: sublinhado meu.]
[44] The Free Offer of the Gospel’ in Collected Writings of John Murray, vol. 4, (The Banner of Truth Trust Edinburgh, 1982), p. 120.
[45] Covenant Reformed News, Sept. 2004, vol. X, Issue 5, (Covenant Protestant Reformed Fellowship, Bellymena, Northern Ireland), p. 4.
[46] op. cit. vol. 17 (iii), p. 106f.
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2 - Católicos, Evangélicos e Reformados


Por R. C. Sproul. © 2013 Editora Fiel. Website: www.editorafiel.com.br e www.ministeriofiel.com.br. Original: Série Mês da Reforma -- Católicos, Evangélicos e Reformados -- R. C. Sproul (2/12) de R. C. Sproul
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terça-feira, 24 de junho de 2014

10 coisas que os jovens em um relacionamento sério devem saber


1. O seu desejo de fazer sexo com a pessoa amada não é ruim. Seria um problema diferente para nos preocuparmos caso você não desejasse. A chave é que o desejo de glorificar a Cristo deve ser maior do que o desejo de fazer sexo com quem você ama.
2. A chave para que o desejo de glorificar a Cristo seja maior do que o desejo de fazer sexo é que essa decisão deve ser tomada repetidamente.
3. As pessoas que estão em um relacionamento sério demonstram seu melhor comportamento. Portanto, seja qual for esse comportamento agora, pode-se esperar que, com o tempo, vai "piorar". Conforme a intimidade aumenta, as pessoas tendem a baixar a guarda. O casamento não resolve um mau comportamento, mas sim, dá a ele mais liberdade para aparecer. Garotas, se o seu namorado é controlador, desconfiado, manipulador ou te menospreza, ele ficará pior e não melhor, à medida que durar o seu relacionamento. Quaisquer que sejam as desculpas que você inventar ou as coisas que você relevar agora, ficará cada vez mais evidente e difícil de ignorar à medida que durar o seu relacionamento. Você não conseguirá consertá-lo, e o casamento não vai endireitá-lo.
4. Quase todos os cristãos que conheço os quais se casaram com um não cristão declaram seu amor pelo seu cônjuge e não se arrependem de terem se casado; no entanto, eles têm vivenciado uma dor profunda e um descontentamento com seu casamento por causa desse jugo desigual e, hoje, não aconselhariam um cristão a se casar com alguém que não seja cristão.
5. Considerar que você é especial e diferente, e que as experiências dos outros não refletem a sua, é uma visão pequena, insensata e arrogante. As pessoas que te amam e te avisam/aconselham sobre seu relacionamento talvez sejam ignorantes. De fato, existem pessoas assim. Mas há uma probabilidade bem maior de que seus pais, seus pastores, seus amigos casados há mais tempo sejam mais sábios do que você pensa.
6. Morar juntos antes do casamento é um fator que pode matar seu casamento.
7. O sexo antes do casamento não incentiva o rapaz a crescer, ter responsabilidade e a liderar sua casa e família.
8. O sexo antes do casamento fere o coração de uma garota, talvez imperceptivelmente no início, mas sem dúvidas com o passar do tempo, conforme ela troca os benefícios de uma aliança, mas sem a segurança da mesma. Não foi assim que Deus planejou que o sexo nos trouxesse satisfação. Nunca entregue o seu corpo para um homem que não tenha prometido a Deus total fidelidade a você dentro da aliança de casamento, isso implica em prestar contas a uma igreja local. Resumindo, não entregue seu coração a um homem que não presta contas a alguém que dê a ele uma disciplina piedosa.
9. Todos os seus relacionamentos, inclusive seu relacionamento de namoro, têm o propósito maior de trazer glória a Jesus do que proporcionar a você uma satisfação pessoal. Quando a prioridade máxima em nossos relacionamentos é a satisfação pessoal, ironicamente, acabamos nos sentindo totalmente insatisfeitos.
10. Você é amado por Deus com uma graça abundante através da obra redentora de Cristo. E esse amor que nos envolve pela fé em Jesus nos dá poder e satisfação do Espírito Santo para buscar relacionamentos que honrem a Deus e, através deles, aumentem a nossa alegria.
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Por Jared C. Wilson
Tradução: Isabela Siqueira
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O ato de profetizar e determinar: uma análise histórica, teológica e apologética - 3/3


3. Análise apologética

Profetizar, conforme vimos na análise teológica, não significa fazer predições. Não é adivinhar fatos que estão ocorrendo no presente e nem pressupor o que ocorrerá no futuro na vida das pessoas. Não é somente transmitir inspiradamente de modo verbal ou pela escrita a revelação direta de Deus como fizeram os profetas no Antigo Testamento e os apóstolos no Novo Testamento. Apesar da profecia no Antigo e no Novo Testamento envolver predições, haja vista que o cânon sagrado estava sendo composto, todavia, profetizar é, sobretudo, interpretar e expor com fidelidade a Palavra de Deus. Assim, o profeta é tanto aquele que recebeu a revelação divina, como os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos quanto o que comunica a revelação divina, como os profetas do tempo presente. Heber Carlos de Campos ratifica que os profetas das igrejas locais já possuíam a Palavra de Deus autorizada que lhes vinha por meio dos escritos do Antigo Testamento e da mensagem apostólica que ainda estava sendo oralmente transmitida, e, pouco a pouco, sendo registrada. A função dos profetas das igrejas locais do Novo Testamento era a de interpretar corretamente o que Deus já havia anteriormente revelado.16

Não obstante, determinar, que está relacionado com profetizar, significa “ordenar” alguma coisa; “decretar” que algo aconteça. O bispo e líder da IURD, Edir Macedo, afirmou durante seu sermão baseado em Ezequiel 37, no evento “Dia da Profecia da Bênção”, no mês de maio, que a profecia não é uma mera previsão do futuro, mas sim, um ato de ordenar com palavras que fatos aconteçam. Macedo disse: “A profecia nada tem a ver com adivinhação do futuro. Nada disso! Esquece isso de que profecia é uma adivinhação do que vai acontecer amanhã. Profecia significa falar, pronunciar, promulgar, determinar”.  
                    
Dias antes da realização do evento, Macedo destacou em um programa de rádio: “Profetizar é diferente de orar”. “Uma coisa é orar, falar com Deus, rogar, pedir, suplicar. Mas nesse dia [no Dia da Profecia da Benção] nós estaremos especificamente profetizando. Quer dizer, determinando aquilo que Deus quer que seja realizado”.17 Desse modo, como adepto da confissão positiva ou movimento da palavra de fé, Macedo ensina que a palavra dos crentes tem poder para movimentar o mundo espiritual, e que isso resulta em uma cadeia de eventos no mundo físico, ou seja, em bênçãos e outras conquistas.

O ato de profetizar e determinar são simplesmente a manifestação verbal da confissão positiva, a qual distorce perfidamente o real sentido de profetizar e da petição que as Escrituras demonstram, o que veremos mais adiante. Por ser uma criação de Deus, o homem não possui autoridade para determinar ou decretar que coisas aconteçam no mundo espiritual e físico. É somente Deus, o criador e soberano que têm esta prerrogativa para determinar ou decretar eventos sobre o mundo espiritual e físico. A realização dos decretos de Deus na história é chamada na teologia de providência.

Kenneth Hagin, o maior divulgador da teologia da prosperidade e da confissão positiva ensinava que o crente, através da sua posição em Cristo Jesus possui autoridade sobre a esfera física e espiritual. Pela fé o crente pode determinar verbalmente o milagre, a cura, a “porta aberta”, anular a atuação dos demônios em sua vida e na vida dos outros (2Cor 4.13). Para ele, não há “impossível” para Deus (Mc 11.22-24; Lc 1.37). Deus “tem promessa para responder a oração da fé e o exercício da fé,”18 que implica não no pedido da benção em oração como Jesus e os demais autores do Novo Testamento ensinaram, mas no ato de determiná-la e a crença de “tomar posse” dela antes mesmo de recebê-la na esfera física.

Contudo, não existe em todo o Novo Testamento – nos Evangelhos e no livro de Atos um relato sequer de alguém profetizando ou determinando bênçãos para si mesmo ou para outras pessoas. Nos Evangelhos, os doentes não profetizaram ou determinaram a sua própria cura. Antes, Jesus, em sua primeira vinda, como Deus que é, curou-os por decisão soberana sem a necessidade da fé (veja Mt 12.9; 15; 14.14; 15.29-31; 22.51; Mc 1.34; Lc 7.21), e, em outros casos, exigiu a fé dos doentes para serem curados (veja Mt 9.19-22; Mc 6.5; Mc 10.46-52; Lc 8.43-48; Lc 17.11-19)onde os mesmos o pediram ou rogaram que ele os curasse (Mt 8.1-3; Mt 17.14-20; Mc 5.21-24, 35-42; Lc 7.1-10; 9.37-43). Estemesmo princípio de cura pela soberania de Deus sem a necessidade da fé do doente é visto também no livro de Atos, no período apostólico (veja At 3.1-8; 9.32-42; 20.7-10).

Todavia, Jesus, além de ser completamente homem e completamente Deus não ousou profetizar ou determinar bênçãos para si mesmo e para outras pessoas. Jesus veio não para fazer a sua própria vontade, mas para fazer a vontade de Deus Pai (Jo 6.38; Jo 4.34). Ele também não profetizou ou determinou como fazem os muitos adeptos da confissão positiva ou movimento da palavra de fé que não aceitaria passar pelo sofrimento, no caso de Jesus, o sofrimento de ser punido por Deus Pai e receber a manifestação de sua justiça pelos pecados dos pecadores eleitos, uma vez que foi o substituto deles. Jesus sofreu a ira de Deus em nosso lugar! Ele entendia que tudo o que haveria de passar fazia parte da execução do plano de Deus Pai, que seria a redenção dos pecadores eleitos (Mc 14.36).      

Via de regra, Paulo também não profetizou ou determinou a sua cura, isto é, que o espinho em sua carne, que, em minha opinião, acredito ter sido algum tipo de doença fosse removido. Pelo contrário, ele orou e entendeu que não era a vontade de Deus curar-lhe, pois aquela doença tinha como propósito torná-lo humilde, o que glorificaria a Deus (para mais detalhes, veja 2Co 12.2-10). Paulo também não profetizou e determinou que Timóteo fosse curado da doença que possuía no estômago, mas o aconselhou a manter o hábito de tomar um pouco de vinho (1Tm 5.23).

No mundo antigo, a água com frequência estava contaminada e transmitia muitas doenças. Por essa razão, Paulo recomendou a Timóteo que não se arriscasse a contrair alguma doença, nem mesmo por causa de um compromisso assumido de se abster do vinho. Ao que parece, Timóteo evitava o vinho para não comprometer o seu testemunho. Paulo queria que Timóteo usasse o vinho que, por causa da fermentação, agia como um desinfetante para proteger a saúde dos efeitos prejudiciais da água impura.19 O vinho era considerado por muitos médicos como um excelente remédio, indicado especialmente para pessoas com problemas de indigestão. Desse modo, os adeptos do ato de profetizar e determinar parecem não entender que o sofrimento, por muitas vezes, é pedagógico. Deus constantemente utiliza-o para disciplinar, ensinar e aperfeiçoar o crente (Hb 12.4-11).  

Augustus Nicodemus Lopes corrobora:

Não há qualquer exemplo no Novo Testamento de um crente dizendo: “Eu determino que isso aconteça desta maneira em nome de Jesus”. Até onde sei, não há nenhum exemplo ou ordem para que os crentes enfrentem as dificuldades e oposições desta vida determinando vitória, sucesso, libertação, meramente pronunciando palavras de maneira fervorosa. O conceito de que Deus deu aos crentes autoridade para determinar acontecimentos em termos espirituais, cósmicos e mesmo terrenos é estranho ao ensino das Escrituras.20
    
No Novo Testamento – nos Evangelhos e nas demais cartas, Jesus e os autores sacros não ensinam sobre o ato de profetizar e determinar bênçãos ou eventos como namoro, casamento, emprego ou salário melhor, casa própria, um carro, a libertação do filho viciado em drogas, a conversão do marido ou da esposa para si e para os outros. Porém, vemos ensinamentos a despeito do ato de pedir em oração as bênçãos desejadas e que os eventos supramencionados aconteçam, uma vez, é claro, que seja da vontade de Deus (veja Mt 7.7-8; 26.53; Cl 1.9-14; Tg 4.13-15; 5.13-18; 1Jo 5.14-15). Portanto, é deveras importante apresentarmos alguns (dentre tantos) textos da Escritura que os defensores da confissão positiva ou movimento da palavra de fé utilizam para apoiar tal prática e, em seguida, interpretarmos de modo fiel cada um deles. Senão vejamos:                  

Provérbios 18.21 – A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto. (ARA)

Segundo os adeptos do ato de profetizar e determinar, este texto faz alusão ao poder que existe na palavra, ou seja, na declaração verbal. Se alguém profere palavras negativas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos negativos na vida. Da mesma forma, se alguém profere palavras positivas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos positivos na vida. Contudo, esta não é a interpretação adequada. Este segundo provérbio do bloco maior (18.12-21) que, além de fazer par com o primeiro (18.20), o complementa. Os dois provérbios ressaltam a cautela no falar e os efeitos saudáveis e prejudiciais de cada palavra proferida. “O discurso benéfico produz resultados que favorecem quem fala; o discurso nocivo produz resultados que prejudicam quem fala”.21

Nessa mesma linha de pensamento, Antônio Pereira da Costa Junior escreve:

Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este versículo não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores.22
                                       
Marcus 11.23-24 – Em verdade vos digo que se alguém disser a este monte: Erga-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim lhe será feito. Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que já o recebestes, e o tereis. (Almeida Século 21)

Por ter interpretado de maneira equivocada este ensinamento de Jesus, Kenneth Hagin acabou influenciando os muitos adeptos da confissão positiva ou movimento da palavra de fé a incorrerem na mesma interpretação. A expressãose alguém disser a este monte: Erga-te e lança-te no mar é uma metáfora bem comum na época de Jesus, e significa “aquele que levanta montanhas”. Esta descrição “era usada na literatura judaica a respeito dos grandes rabinos e líderes espirituais que podiam resolver problemas difíceis e aparentemente fazer o impossível”.23 O monte que Jesus se refere aqui é o Monte das Oliveiras, e o mar é o Mar Morto.

Jesus, em seu ministério terreno, e nem os apóstolos ergueram e lançaram literalmente um monte no mar. A lição que ele queria ensinar aqui é de cunho espiritual e não literal – o que é evidente. Jesus alega que nada é impossível para Deus; assim, o que o crente pedir em oração, não profetizar ou determinar, e crer que aquilo que foi pedido estiver em consonância com a vontade de Deus certamente receberá (veja Mc 14.36b; Mt 6.10b; Mt 26.39). Hendriksen diz que a figura dramática, diante do seu contexto, que fala de fé e oração, deve significar, portanto, que nada que esteja em harmonia com a vontade de Deus é impossível de ser realizado por aqueles que creem e não duvidam (Mt 17.20; 21.21; Lc 17.6).24         

2 Coríntios 4.13 – Todavia, uma vez que temos o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: Cri, por isso falei; também nós cremos, por isso também falamos. (Almeida Século 21)

Segundo a interpretação dos defensores da confissão positiva ou movimento da palavra de fé, Paulo, aqui, ensina como o crente deve fazer para “tomar posse da benção”. O primeiro passo é crer que “já” recebeu a benção e, em seguida, manifestar a fé determinando verbalmente a mesma. Porém, o apóstolo não tinha a intenção de ensinar esta suposta “doutrina da fé triunfalista e antropocêntrica”, a qual coloca o homem no “trono”, na posição de “soberano”, e Deus na condição de servo do homem obrigado a proporcionar pela fé do mesmo todas as bênçãos. Simon Kistemaker explica:  

Paulo declara que nós temos um bem duradouro: a fé. Mas qual é a mensagem que ele transmite com a expressão o mesmo espírito de fé? Paulo não dissera nada sobre fé nos capítulos anteriores. Ele não está olhando para trás, mas para frente, e tem em mente um texto de um dos salmos (Sl 116.10, LXX: Sl 115.1), em que o salmista observa que, por causa da fé, ele falou. O santo do Antigo Testamento tem mais a dizer do que aquilo que Paulo cita aqui. O texto da Septuaginta, que Paulo segue, diz: “Eu cri, por isso falei ‘estou extremamente afligido’”. O salmista reconheceu sua dependência completa de Deus para livrá-lo da morte. Canta louvores de gratidão por ter sido livrado e estar andando na terra dos viventes. Enfrentando a morte, ele deu voz a uma oração por livramento e Deus, em resposta à fé do salmista, respondeu de modo favorável.

Por que Paulo toma essa passagem da Escritura e a aplica a seu discurso? Os rabis judeus nunca destacavam esse texto. A razão para a citação é que Paulo se identifica completamente com o salmista. Ele medita nas ideias sobre a vida e a morte expressas nesse salmo. Tanto ele como o salmista tem o mesmo espírito de fé em Deus. Muito embora Paulo seja repetidamente entregue à morte, sua fé em Deus é forte e lhe permite comunicar o evangelho de Cristo (1Ts 2.2). Ele pode dizer com o salmista: “Cri, por isso falei”, porque as aflições de Paulo são semelhantes. A prédica de Paulo abrangia a vida, a morte e a ressurreição de Jesus, como o contexto geral indica.

Assim, Paulo escreve, “nós também cremos e, portanto, falamos”. Em outro lugar ele vai fundo com a observação de que cremos com nosso coração e confessamos com nossa boca que “Jesus é o Senhor” que Deus ressuscitou dos mortos (Rm 10.9, 10). Nossa fé interior se expressa mediante nosso testemunho exterior. Quando confessamos o evangelho de Cristo obedientemente (9.13), damos evidência de nossa fé e testificamos que pertencemos à família de Deus.  

No Novo Testamento grego, os versículos 13 e 14 formam um só texto. Isso significa que o ato de crer e falar se baseia no conhecimento tanto da ressurreição de Jesus como de nossa ressurreição futura.25           

Tiago 3.10 – Da mesma boca procedem benção e maldição... (Almeida Século 21)

O apóstolo não está dizendo que as palavras que saem da nossa boca têm um poder mágico imantado de abençoar e amaldiçoar as pessoas as quais nos dirigimos. A preocupação de Tiago com seus leitores era a despeito do controle da língua. Com ela bendizemos a Deus e maldizemos as pessoas. Quando um crente fala mal do seu próximo, que foi feito a imagem e semelhança de Deus, isso equivale a falar mal do próprio Deus (3.9). “Havia, de fato, nas igrejas de seus leitores pessoas que causavam problemas com suas palavras – e eram provavelmente os mestres os quais Tiago se dirigiu no início desse capítulo e na parte final (3.13-18). O apóstolo Paulo exorta os crentes a serem coerentes no uso da língua: devem parar de falar palavras torpes, e dizer apenas o que edifica (Ef 4.29; cf Rm 12.14; 1Pe 3.9)”.26 Isso, portanto, não deve ocorrer entre os crentes, exorta também Tiago. Douglas Moo observa que os cristãos que foram transformados pelo Espírito de Deus devem manifestar integridade e pureza de coração através de palavras puras e coerentes.27   

Por outro lado, a palavra amaldiçoar também aparece no Antigo Testamento, em Genesis 9.25, Números 22.4-6, 1 Samuel 17.43, 2 Reis 2.23-24, Juízes 9.27, 2 Samuel 16.5 e Eclesiastes 7.22. Amaldiçoar, no contexto de cada passagem supramencionada, indica apenas um desejo proferido que poderes sobrenaturais causem algum tipo de mal a alguém, mas não que este desejo tenha algum poder de ser transmitido ou que “pegue”, conforme declaram os evangélicos místicos.

Conclusão

A confissão positiva ou movimento da palavra de fé, conforme foi apresentado na análise histórica, é um dos pilares da teologia da prosperidade. Todavia, é necessário observar que a confissão positiva não nega diretamente nenhuma das doutrinas fundamentais da fé cristã. Antes, a questão subjacente é a ênfase da confissão positiva; ou seja, não é o que ela ensina, mas sim o que ela não ensina. Senão vejamos:

1) A confissão positiva não ensina que o ato de profetizar e determinar não têm poder algum para fazer com que Deus abençoe.

2) A confissão positiva não ensina que as bênçãos provêm da graça de Deus, e que não é um direito que o crente pode reivindicar.

3) A confissão positiva não ensina que o crente, ao pedir por uma benção, pode não recebê-la por não ser da vontade de Deus abençoar. Isto não significa falta de fé ou infidelidade da parte do crente, uma vez que Deus não é obrigado a responder todas as orações.

4) A confissão positiva não ensina que o critério final para que Deus abençoe não reside na fé do crente, mas em sua vontade soberana.

5) A confissão positiva não ensina que mesmo que o crente contribua financeiramente, Deus não é obrigado a recompensá-lo com bênçãos materiais.

6) A confissão positiva não ensina que Deus nem sempre irá abençoar o crente e suprir suas necessidades de modo sobrenatural, porém, na maioria das vezes irá abençoá-lo materialmente através do próprio trabalho.

7) A confissão positiva não ensina que a corrupção e a injustiça que impera no mundo não são espíritos demoníacos que podem ser repreendidos, mas que são combatidos pela a honestidade e com ações benéficas no âmbito social, político econômico.  

8) A confissão positiva não ensina que Deus, por muitas vezes, permite que os crentes, mesmo sendo fieis sofram duramente neste mundo. 

9) A confissão positiva não ensina que, quando Deus não abençoa o crente, isto não significa que ele está irado.

10) A confissão positiva não ensina que, pelo fato de muitos crentes serem pobres, isso não denota infidelidade da parte deles e nem que a riqueza é sinal da benção de Deus.

Diante das informações que foram esboçadas neste ensaio, concluímos então que, o ato de profetizar e determinar são um ensino forâneo às Escrituras e, sobretudo, herético!             
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Notas:
16. Ibid, pág 90.
17. Edir Macedo. A profecia não é adivinhação/O dia para profetizar. Vídeos acessados no you tube, em 12/06/2014. 
18. Kenneth Hagin. I Believe in Visions. What Faith Is, Bible FaithA Study Guide.
19. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1662-1663.    
20. Augustus Nicodemus Lopes. O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual, pág 97-98.
21. Bíblia de Estudo Genebra. Notas de Rodapé, pág 836.
22. Antônio Pereira da Costa Junior. Artigo: Há realmente poder em nossas palavras?
23. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1298.  
24. William Hendriksen. Marcus, pág 581.
25. Simon Kistemaker. 2 Coríntios, pág 216-218.
26. Augustus Nicodemus Lopes. Tiago, pág 107.
27. Douglas J. Moo. Tiago, pág 128.
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Por Leonardo Dâmaso
Fonte: Bereianos
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