terça-feira, 3 de junho de 2014

A Doutrina Reformada da Predestinação - Livro 4 [03/05]


A Predestinação No Mundo Físico

1. A Uniformidade Da Lei Natural. 2. Comentários de Cientistas e Teólogos. 3. Só O Sistema Teológico Calvinista Harmoniza-se Com A Ciência Moderna E Com A Filosofia.

1. A UNIFORMIDADE DA LEI NATURAL

Tanto quanto refere-se ao universo material fora da ação do homem, não temos nenhum problema em acreditar na absoluta Predestinação. O curso dos eventos que se seguiria foi, num sentido muito estrito, imutavelmente predeterminado quando Deus criou o mundo e implantou as leis naturais da gravidade, luz, magnetismo, afinidade química, fenômenos elétricos, etc. Deixando de lado a interferência de milagres ou do homem, o curso da natureza é uniforme e previsível. Os objetos materiais que manuseamos são governados por leis fixas. Se tivermos um conhecimento acurado de todos os fatores envolvidos, podemos determinar exatamente qual será o efeito de uma pedra que caia, de uma explosão, ou de um terremoto. O telescópio revela-nos milhões de distantes sóis em chamas, cada qual seguindo um curso predeterminado, exato; e as suas posições podem ser preditas milhares de anos à frente.

Dentro do sistema solar, os planetas e satélites fazem evoluções perfeitas em suas órbitas, e eclipses podem ser previstos com exatidão. Antes do eclipse do sol em 1924, os astrônomos anunciaram o curso que a sombra da lua percorreria na terra e calcularam o horário exato, até os segundos, em que certas cidades ficariam no escuro. Quando ocorreu o eclipse, viram que havia uma diferença nos cálculos de somente quatro segundos!

Os astrônomos nos dizem que os mesmos princípios que regem o nosso sistema solar são também encontrados nos milhões de estrelas que encontram-se a trilhões de quilômetros de distância. Físicos analisam a luz que vem do sol e das estrelas e dizem-nos que não somente os mesmos elementos, tais como ferro, carbono, oxigênio e etc., que são encontrados na terra também existem nos astros, mas que estes elementos são lá encontrados praticamente na mesma proporção que aqui.

Da lei da gravidade nós aprendemos que cada objeto material no universo atrai cada outro objeto material com uma força a qual é diretamente proporcional à suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre os seus centros. Daí, que cada grão de areia no deserto ou na beira do mar está ligado com cada sol no universo. A terra inerte cresce em montes para encontrar-se com os flocos de neve que caem. O microscópio revela surpresas tão maravilhosas como aquelas reveladas pelo telescópio. A providência de Deus estende-se aos átomos tanto quanto às estrelas, e cada um exerce a sua influência particular, pequena mas exata. Há perfeita ordem em todos os lugares e Deus opera em todos os lugares.

2. COMENTÁRIOS DE CIENTISTAS E TEÓLOGOS

Huxley (NT: Aldous Huxley, cientista e escritor, autor entre outros, de "Admirável Mundo Novo) uma vez disse que se o homem possuísse conhecimento exato das leis naturais antes que plantas e animais surgissem na terra, ele poderia ter predito não somente o contorno geográfico e as condições climáticas de uma determinada região, mas também a flora e a fauna exatas as quais seriam ali encontradas, -- surgindo, como ele supunha, através da geração expontânea de vida a partir da matéria inanimada, -- e enquanto nós não aceitamos tal testemunho extremo sobre a origem da vida, ele, não obstante, nos dá uma idéia da uniformidade que um grande cientista espera encontrar nas leis da natureza.

Este escritor participou certa vez de um grupo de discussão conduzido pelo Dr. H. N. Russel, chefe do Departamento de Astronomia na Universidade de Princeton e um dos mais notáveis astrônomos do nosso tempo. Neste grupo o Dr. Russel declarou que, sem contar a influência da mente no mundo, ele cria numa predestinação absoluta, feita efetiva através das leis fixas da natureza.

"A uniformidade das leis da natureza", diz o Dr Charles Hodge, "é uma revelação constante da imutabilidade de Deus. Elas são hoje o que elas eram no início dos tempos, e elas são as mesmas em toda parte do universo. Não menos estáveis são as leis que regulam as operações da razão e da consciência." E novamente ele diz: "Como em todos estes departamentos menores da Sua obra, Deus age de acordo com um plano pré concebido. Não é para se supor que nas esferas mais altas das Suas operações, as quais dizem respeito ao destino dos homens, tudo seria deixado ao acaso e que fosse permitido tomar rumo indeterminado em direção a um fim indeterminado. Em concordância, vemos que as Escrituras Sagradas declaram distintivamente em referência às dispensações de graça, não somente que Deus vê o fim desde o início, mas que Ele opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade, ou, de acordo com o Seu propósito eterno." 1

O Dr. Abraham Kuyper, quem era admitidamente um dos um dos mais notáveis teólogos do último século, nos diz: "É um fato, que o mais completo desenvolvimento da ciência na nossa era quase que unanimemente decidiu em favor do Calvinismo, com relação à antítese entre a unidade e a estabilidade do decreto de Deus, o qual o Calvinismo professa, e a superficialidade e a informalidade, as quais os Arminianos preferiram. Os sistema dos grandes filósofos são, quase que como um só, em favor da unidade e da estabilidade." Ele segue adiante, dizendo que estes sistemas "claramente demonstram que o desenvolvimento da ciência na nossa era pressupõe um cosmo que não se torna presa dos caprichos do acaso, mas existe e se desenvolve a partir de um princípio, de acordo com uma ordem firme, em direção a um plano fixado. Esta é uma alegação que é, como claramente parece, diametricalmente oposta ao Arminianismo; e em completa harmonia com a crença Calvinista, de que há uma vontade suprema em Deus, a causa de todas as coisas que existem, sujeitando-as a ordens e direcionando-as em direção a um plano pré estabelecido." E novamente, ele pergunta, O que a doutrina da pré ordenação significa, exceto que "todo o cosmo, ao invés de ser um brinquedo do capricho e do acaso, obedece lei e ordem; e que lá existe uma vontade firme que desempenha seus desígnios em ambas, na natureza e na história?" 2

3. SÓ O SISTEMA TEOLÓGICO CALVINISTA HARMONIZA-SE COM A CIÊNCIA MODERNA E COM A FILOSOFIA.

O ponto de vista Calvinista mundo e vida, o qual enfatiza tanto a certeza e a fixação do curto dos eventos, está assim em notável harmonia com a Ciência moderna e com a Filosofia. Quão absurda é a alegação a qual algumas vezes é feita, de que não importa quão claramente a doutrina da Predestinação seja ensinada nas Escrituras, ela é anulada por verdades estabelecidas a partir de outras fontes! Tal alegação é feita por muitos que desejam estabelecer um sistema teológico diferente. Mas qualquer um que seja um mínimo familiar com Ciência moderna e com Filosofia (com psicologia fisiológica, por exemplo), com suas ênfases nas leis naturais universalmente fixas, sabe que verdadeiro é justamente o contrário. Testemunha a ênfase de hoje em dia no behaviorismo, no determinismo, e na hereditariedade. E o que é a lei de Mendel, senão a Predestinação no campo da Genética? A tendência é fortemente contra o livre e o contingente. O Universo é concebido como se de um inteiro sistemático, interrelacionado em todas as suas partes, e seguindo um curso definitivo, pré arranjado. Com uma nomenclatura diferente e uma idéia diferente quanto ao sobrenatural, os cientistas e filósofos mais modernos defendem o ponto de vista Calvinista com relação ao mundo como uma unidade. Eles podem negar a liberdade de Deus, ou mesmo a Sua personalidade, e as suas metafísicas 'necessitarianas' podem variar radicalmente da doutrina da Sua graça e providência; eles podem tentar explicar o processo de pensamento do cérebro, e mesmo a própria vida, através de leis químicas e físicas; todavia a sua impressão quanto aos fatos coordenados da vida e da natureza são inteiramente Calvinistas.

Sem fé na unidade, na estabilidade e na ordem de coisas tais como aquelas às quais a Predestinação nos leva, é impossível para a Ciência ir além do que meras conjecturas. A ciência é baseada em fé nas inter conexões orgânicas ou unidade do universo, uma convicção firme de que as nossas vidas devem estar todas sob a influência de leis ou princípios estabelecidos por algum Poder ou Criador extra mundano. Quanto mais aprendemos sobre Ciência, mais claramente vemos a unidade que sublinha tudo.

E quando estudamos História, vemos que é uma "cadeia de eventos". Tanto quanto cada grão de areia está relacionado com cada sol no universo, também cada evento tem o seu lugar exato e necessário no desenrolar da História. Todos nós nos lembramos de coisas comparativamente insignificantes, as quais mudaram o curso das nossas vidas; e tivesse um desses elos sido omitido, o resultado teria sido então radicalmente diferente. Muitas vezes uma coisa pequena desencadeia um curso de eventos que põe o mundo em convulsão, como foi o caso em 1914, quando um conspirador Sérvio disparou contra o Arquiduque da Áustria, e seguiu-se a I Guerra Mundial. Bem naturalmente muitas pessoas têm se retraído de atribuir todos esses atos livres de homens e anjos, e especialmente os seus atos pecaminosos, à pré ordenação de Deus. Não obstante, se Deus governa o mundo, o Seu plano e o Seu controle providencial deve estender-se a todos eventos, não somente no mundo natural, mas também na esfera dos assuntos humanos; e as Escrituras Sagradas ensinam claramente que os atos livres de homens e de anjos são tão certamente pré ordenados de Deus, quanto o são os eventos no mundo material.

Este argumento de quatro faces, de Ciência, de Filosofia, de História e de Escrituras Sagradas, não é para ser 'levemente' encarado. Na Ciência, na Filosofia, e na História, a doutrina é reduzida à fria severidade de força impessoal. Mas quando a luz radiante do Evangelho glorioso é jogada sobre ela, mostrando que as escolhas raciais, as eleições pessoais, as chamadas divinas, são feitas através de graça soberana e não simplesmente através de vontade soberana, vemos que os propósitos eternos de Deus estão a favor do homem e não contra ele; e o coração encontra descanso e conforto no fato de que o amor a misericórdia de Deus são tão suaves quanto fortes são os Seus propósitos.
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Por Loraine Boettner, D.D.a
Fonte: Monergismo
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