sábado, 28 de junho de 2014

O Puritano Richard Sibbes

richardsibbes
“Não há introdução melhor aos puritanos do que os escritos de Richard Sibbes, que é, em muitas maneiras, um puritano típico. “Sibbes nunca desperdiça o tempo do estudante”, escreveu C. H. Spurgeon, “ele espalha pérolas e diamantes com ambas as mãos”. Os fatos a respeito da vida de Sibbes podem ser brevemente narrados (há um relato completo no Volume 1 daedição de suas Obras pela “Banner of Truth Trust”). Nasceu em Tostock, Suffolk, em 1577, e ingressou na escola em Bury St. Edmunds. Seu pai queria que Richard tivesse seu próprio ofício como carpinteiro de carros e rodas, porém, com a ajuda de amigos, ele foi para a Faculdade de S. João, de Cambridge, em 1595. Ali ele foi convertido sob a poderosa pregação de Paul Bayne, o sucessor de William Perkins no púlpito da Grande Igreja de S. André. Após ganhar seu B. D.¹ em 1610, ele foi designado conferencista na Igreja da Trindade Santa, em Cambridge. Ele foi removido desse posto cinco anos depois, contudo, devido a suas tendências puritanas. Através da influência de amigos poderosos, ele foi escolhido para ser o pregador em Gray”s Inn†, em Londres, em 1617, e permaneceu ali até 1626. Naquele ano, retornou a Cambridge como Mestre do Santa Catarina Hall, e mais tarde retornou à Trindade Santa, dessa vez como o seu vigário. Recebeu um Doutorado em Teologia em 1627, e a partir daí freqüentemente se alude a ele como “o celestial Doutor Sibbes”, devido tanto à matéria quanto ao modo de sua pregação. Ele continuou a exercer seu ministério, em Gray”s Inn, em Londres, tanto quanto em Trindade Santa, em Cambridge, permanecendo, ao mesmo tempo, como Mestre do Santa Catarina, até sua morte em 6 de julho de 1635, ao 58 anos de idade. Dele Izaak Walton posteriormente escreveu: “Desse homem bendito, que lhe seja dado apenas esse elogio: o céu estava nele, antes que ele estivesse no céu”. 

“O Senhor o tomou”, escreveu um contemporâneo, “para que seus olhos não pudessem ver os grandes males que estavam para irromper sobre a terra”. Tais males chegaram a um ponto crítico na Guerra Civil da década de 1640. Por trás daquele evento estava um movimento para fora das doutrinas e práticas da Reforma por parte de uma poderosa facção da Igreja Anglicana, encabeçada por William Laud, Arcebispo de Canterbury, e apoiado pela proteção real. Foram os puritanos que se ajuntaram para arrostar tais investidas hostis. Para eles, a moderação em sustentar a verdade da Palavra de Deus era senão tibieza pecaminosa. “Uma maldição jaz sobre aqueles”, dizia Sibbes, “que, quando a verdade sofre, não têm uma palavra para defendê-la”. Por sua ousadia, Sibbes foi censurado em 1627 e, em 1632, junto com onze outros ministros puritanos, foi sentenciado ao banimento. A sentença nunca foi levadaa efeito, porém, Sibbes viveu para ver muitos de seus queridos amigos, como Samuel Ward, Thomas Goodwin, John Cotton, Thomas Hooker e outros, aprisionados ou forçados ao exílio na Holanda ou na Nova Inglaterra. Com respeito à questão final desse conflito, Sibbes não tinha dúvidaalguma. Gardner, em sua História da Revolução Puritana, escreve: “Sibbes distinguia-se por sua triunfante confiança… [enquanto] mesmo Laude Wentworth reconheceram que as chances lhes eram contrárias. Eliot em sua prisão, e Sibbes em seu púlpito, estão jubilosos e exultantes”. O próprio Sibbes diz:
“Um cristão é uma pessoa inexpugnável. Ele é alguém que nunca pode ser conquistado. Emanuel tornou-se homem para fazer a igreja e todo cristão serem um consigo. A natureza de Cristo está a salvo de tudo que seja prejudicial. O sol não brilhará, o vento não soprará para fazerem dano à igreja. Pois o Cabeça da igreja rege sobre todas as coisas e tem-nas todas sob sujeição. Portanto, que todos os inimigos consultem-se juntamente, este rei e esse poder, há um conselho no céu que perturbará e frustrará todos os seus conselhos. Emanuel, no céu, ri deles com desdém. E, como disse Lutero, “choraremos e berraremos quando Deus ri?”
Desde sua primeira publicação em 1630, “O Caniço Ferido” tem sido notavelmente frutífera como fonte de ajuda e conforto espiritual. Richard Baxter relata: “Um pobre vendedor ambulante veio à porta… e meu pai comprou dele “O Caniço Ferido” deSibbes… Ele se adequava ao meu estado… e me deu uma apreensão mais viva do mistério da redenção e de quanto eu era contemplado por Jesus Cristo… Sem outro meio qualquer que não os livros, Deus se agradou deme explicar a mim mesmo”. Tais testemunhos poderiam ser multiplicados. Falando da necessidade do pregador de adequar sua leitura às condições variáveis que acha dentro de si, Dr. Martyn Lloyd-Jones diz em seu livro “Pregação e Pregadores”:
“Você achará, penso, que, em geral, os puritanos são, quase sempre, invariavelmente úteis… Nunca cessarei de ser grato a um deles, chamado Richard Sibbes, que foi bálsamo para a minha alma num período da vida quando eu estava sobrecarregado no trabalho e gravemente mui cansado e, por conseguinte, sujeito, de um modo incomum, às investidas do diabo. Naquele estado e naquela condição… o que você precisa é de algum tratamento gentil e terno para a sua alma. Descobri naquela época que Richard Sibbes, que era conhecido em Londres no início do século dezessete como “o celestial Doutor Sibbes”, era um remédio infalível. Seus livros “O Caniço Ferido” e “O Conflito da Alma”²serenaram, acalmaram, confortaram, encorajaram e curaram a mim.”
As obras completas de Sibbes foram publicadas em sete volumes na “Nichol Series” entre 1862 e 1864, e novamente pela “Banner of Truth Trust”, entre 1973 e 1982. O presente livro é tirado do primeiro volume daquela série e é o primeiro dos escritos de Sibbes a ser publicado separadamente na presente série. Algo da linguagem e da pontuação da edição primitiva foi modernizado e os cabeçalhos foram introduzidos com a intenção de tornar a obra mais acessível aos leitores dos dias correntes. Sibbes disse uma vez a Thomas Goodwin: “Jovem, se você quiser fazer uma boa coisa, deve pregar o evangelho e a livre graça de Deus em Cristo Jesus”. “O Caniço Ferido” nos mostra como Sibbes mesmo fez isso. Possa ele, por sua obra, ainda que morto, falar (Hb 11.4), tanto aos leitores que já estão familiarizados com seus escritos como àqueles que ainda têm que descobri-lo.”
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¹Sigla inglesa de Bachelor Degree(bacharelado) (N. do T.) 
†Inn, no presente contexto, refere-se a um prédio para reuniões estudantis, principalmente de alunos de direito, em Londres, termo que, no inglês moderno, caiu em desuso (N. do T.)
²Esse último, ainda sem tradução conhecida em português (no original, The Soul’s Conflict) (N. do T.)
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Caniço Ferido, Richard Sibbes, Prefacio à edição inglesa
Traduzido do original em inglês: The Bruised Reed 
Tradução: Vanderson Moura da Silva
Edição e Projeto Gráfico: Felipe Sabino de Araújo Neto (Monergismo.com)
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