segunda-feira, 23 de junho de 2014

Uma Paixão pelo Poder que Exalta a Cristo


Martyn Lloyd-Jones sobre a Necessidade por Reavivamento e Batismo com o Espírito Santo

Conferência para Pastores Bethlehem
John Piper 
30 de janeiro de 1991

Martyn Lloyd-Jones. O Pregador.


Em Julho de 1959, Martyn Lloyd-Jones e sua esposa Bethan, estavam de férias no País de Gales. Compareceram a uma pequena capela na reunião de oração no domingo pela manhã e Lloyd-Jones perguntou: “Vocês gostariam de me dar a palavra nesta manhã?” O povo hesitava por causa de suas férias, e eles não queriam cansá-lo. Mas sua esposa disse: “Deixe-o, pregar é sua vida” (veja nota 1). Isto é uma verdade. No prefácio do seu livro Pregações e Pregadores ele diz: “Pregar tem sido o trabalho de minha vida... Para mim, a tarefa de pregar é a maior, a mais elevada e a mais gloriosa vocação para a qual alguém possa ser chamado” (veja nota 2).

Muitos o chamavam de o último dos pregadores Metodistas Calvinistas, porque ele combinava o amor de Calvino pela verdade e a doutrina da Reforma com fogo e paixão de um reavivalista Metodista do século 18 (veja nota 3). Por 30 anos ele pregou do púlpito da Capela de Westminster em Londres. Normalmente pregava 3 diferentes sermões cada semana: Sexta-feira à noite e Domingo pela manhã e à noite. No fim de sua carreira ele afirmou: “Eu posso dizer com toda a honestidade que não atravessaria a rua para me ouvir pregar” (veja nota 4).

Mas não era essa a opinião dos outros. Quando J.I. Packer era um estudante de 22 anos, ele ouviu Lloyd-Jones pregar cada Domingo à noite durante o ano letivo de 1948-1949. Ele disse que “nunca ouvira pregações como aquelas”. Elas vieram a mim “com a força de um choque elétrico, revelando, para pelo menos um de seus ouvintes, mais acerca de Deus do que qualquer outro homem” (veja nota 5).

Muitos de nós sentimos o mesmo impacto, mesmo através dos sermões escritos por Lloyd-Jones. Recordo-me claramente ouvir George Verwer dizer em Urbana'67 que os dois volumes do Sermão do Monte de Lloyd-Jones eram a obra mais grandiosa que já tivera oportunidade de ler. Eu comprei os livros e os li no verão de 1968, entre o colégio e o seminário. O impacto foi inesquecível. Desde a época que, quando criança, sentado, ouvia as pregações de meu pai, nada me impactou tanto como o que J.I.Packer chamava “A grandiosidade e o peso dos temas espirituais” (veja nota 6). Este foi o efeito que ele experimentou, e que milhares continuam a experimentar. Para alguns, ele é chamado simplesmente de “o maior pregador deste século” (veja nota 7).

Um esboço de sua vida.


Sua trajetória por Westminster foi única. Nasceu em Cardiff, País de Gales, em 20 de Dezembro de 1899. Mudou-se para Londres com sua família aos 14 anos de idade, e entrou para a Escola de Medicina do Hospital São Bartolomeu, onde se graduou em 1921, tornando-se chefe clínico assistente de Sir Thomas Horder. O famoso Horder descreveu Lloyd-Jones como “o mais habilidoso pensador que ele conheceu” (veja nota 8).

Entre 1921 e 1923 ele passou por uma profunda conversão. Sua mudança de vida foi tão profunda, que fez nascer nele uma paixão pela pregação do evangelho que completamente superou sua vocação para medicina. Ele sentiu um profundo desejo de retornar ao seu país para pregar. Seu primeiro sermão foi em Abril de 1925, e o assunto foi o tema de toda a sua vida: O País de Gales não necessitava mais de conversas acerca de ação social; ele necessitava de “um grande despertamento espiritual”. Este tema de reavivamento e poder e vitalidade real, foram sua paixão por toda sua vida (veja nota 9).

Ele tornou-se pastor da Bethlelem Forward Movement Mission Church em Sandfields, Aberavon, em 1926, e no ano seguinte casou-se com sua ex-colega de faculdade, Bethan Philips, no dia 8 de Janeiro. Tiveram 2 filhas: Elizabeth e Ann.

Sua pregação tornou-se conhecida pela Grã-Bretanha e América. Ela era popular, cristalinamente clara, de doutrinariamente sadia, lógica e em chamas. Em 1937, ele pregou na Filadélfia, e G. Campbell Morgan estava lá. Ele ficou tão impressionado que se sentiu impelido a convidar Lloyd-Jones para ser seu auxiliar na Capela de Westminster em Londres.

Nesta época, Lloyd-Jones estava sendo cogitado para presidente do Colégio Metodista Calvinista em Bala, North Wales. Assim, ele temporariamente recusou o convite de Westminster para se tornar membro permanente da equipe daquele colégio. Mas suas expectativas naquela escola lhe frustraram e ele terminou por aceitar o convite de Westminster, onde permaneceu por 29 anos até se aposentar em 1968.

Não posso deixar de dar graças por todos os desapontamentos, reveses e contratempos nas nossas vidas, que Deus usa para nos conduzir na direção da sua vontade. Como teria sido diferente a mensagem do evangelho que a Inglaterra teria recebido, se Martyn Lloyd-Jones não tivesse pregado em Londres durante 30 anos. Como minha própria vida teria sido diferente se eu não tivesse lido seus sermões no verão de 1968! Louvado seja Deus por todos os trens perdidos e por todos os outros assim chamados acidentes!

Lloyd-Jones e G. Campbell Morgan trabalharam juntos como ministros até a aposentadoria de Morgan em 1943. Então Lloyd-Jones assumiu o púlpito por quase 30 anos. Em 1947, a freqüência aos cultos matutinos era de 1500 pessoas, e à noite 2000, trazidos pela clareza, poder e profundidade doutrinária de suas mensagens. Ele usava uma sombria batina preta de Genebra, e não costumava fazer brincadeiras. Como Jonathan Edwards, 200 anos atrás, ele atraia a atenção de sua audiência, pelo peso e intensidade de sua visão da verdade.

Ele adoeceu em 1968, e tomou este fato como um sinal para se afastar e dedicar-se a escrever. Ele continuou nesta tarefa por 12 anos e morreu tranqüilo, durante o sono, no dia primeiro de Março de 1981.

Reavivamento é um Batismo do Espírito Santo


Do início ao fim, a vida de Martyn Lloyd-Jones clamava por profundidade em duas áreas - profundidade em doutrina bíblica e por uma experiência espiritual vigorosa. Luz e calor. Lógica e fogo. Palavra e Espírito. Repetidamente ele se encontrava lutando nestas duas frentes: de um lado contra o intelectualismo institucional, formal e morto e de outro lado contra o emocionalismo superficial, volúvel, centrado no homem com o objetivo de satisfazê-lo. Ele via o mundo numa condição desesperada, sem Cristo e sem esperança; e uma igreja sem poder para mudar isto. Um lado da igreja estava se engasgando com o mosquito intelectual e por outro estava engolindo os camelos do ensinamento carismático sem cuidado ou compromisso evangélico (veja nota 10). Para Lloyd-Jones a única esperança estava num reavivamento histórico e centrado em Deus.

O que eu gostaria de fazer era meditar no significado de reavivamento na pregação de Lloyd-Jones - ou mais especificamente, eu gostaria de entender que tipo de poder ele estava buscando, como ele se manifestaria quando viesse, e como deveríamos buscá-lo (veja nota 11).

Eu creio que Lloyd-Jones fez mais que qualquer outro homem neste século, para resgatar o significado histórico da palavra “reavivamento”.
O reavivamento é um milagre... algo que pode ser explicado apenas como um intervenção direta de Deus... O homem pode realizar campanhas evangelísticas, mas ele nunca poderá produzir um reavivamento (veja nota 12).
Mas Lloyd-Jones considerava uma grande tragédia o fato de que a compreensão mais profunda de reavivamento, como um derramamento soberano do Espírito Santo, tenha sido perdida. “Durante os últimos 70 ou 80 anos”, ele disse, “toda esta noção de visitação, o batismo de Espírito Santo sobre a igreja, se foi” (veja nota 13) .

Ele tinha diversos motivos para esta conclusão (veja nota 14). Mas ele disse que a mais importante razão teológica para esta dominante indiferença com relação ao reavivamento, era a visão de que o Espírito Santo foi dado de uma vez por todas no dia de Pentecostes, de modo que Ele não podia ser derramado outras vezes, e portanto, a oração por reavivamento era errada e desnecessária (veja nota 15). Aqui é onde Lloyd Jones começa a se separar de algumas das interpretações evangélicas correntes acerca do Espírito Santo. Ele enfaticamente rejeita a idéia comum que iguala o batismo espiritual de Atos 2 e I Coríntios 12:13. É assim que ele descreve sua posição:
Sim, [Atos 2] foi o batismo do Espírito Santo.“"Mas todos já o temos agora e ele ocorre sem que tenhamos consciência, e acontece no momento que cremos e somos regenerados. É o ato de Deus que nos incorpora no corpo de Cristo. Isto é o batismo do Espírito. Portanto, nós não temos necessidade de orar por nenhum outro batismo do Espírito, ou pedir a Deus que derrame seu Espírito sobre a igreja...“Não é de surpreender, portanto, que à medida que este tipo de pregação se tornou comum, o povo parou de orar por reavivamento” (veja nota 16).
Quando um teólogo reformado como Klaas Runia se opôs ao Pentecostalismo, Lloyd-Jones concordou que a insistência em torno das “línguas” e o “clamor” por dons estava errado, mas ele estava perturbado com o conceito de Runia sobre o batismo do Espírito. Ele lhe escreveu e disse:
Eu ainda sinto que você realmente não admite o reavivamento. Você deixa isso claro quando diz: “Leia todas as passagens que falam sobre o Espírito Santo na igreja. É sempre assim: Tornem-se o que vocês são, todos vocês”. Se é simplesmente uma questão de “Tornar-se o que vocês são” e nada mais, então como alguém pode orar por reavivamento, e como alguém pode falar de reavivamentos na história da igreja (veja nota 17)?
Reavivamento acontece quando o Espírito desce, quando Ele é derramado. Lloyd-Jones é claro como um cristal acerca do que ele pensa sobre o batismo com o Espírito Santo com relação a regeneração:
Este é o primeiro princípio... Eu estou afirmando que você pode ser um crente, que você pode ter o Espírito Santo habitando em você, e ainda assim não ser batizado com o Espírito Santo... O batismo do Espírito Santo é algo que é feito pelo Senhor Jesus e não pelo Espírito Santo... Sermos batizados no corpo de Cristo é obra do Espírito [este é o ponto de I Coríntios 12:13], como também a regeneração é Sua obra, mas isto é algo completamente diferente; isto é Cristo nos batizando com o Espírito Santo. E eu estou sugerindo que isto é algo obviamente distinto e separado de tornar-se um cristão, ser regenerado, e ter o Espírito Santo habitando dentro de você (veja nota 18).
Ele lamenta que, ao se identificar o batismo do Espírito Santo com a regeneração, tudo se torna não experimental e inconsciente. Não é esta a maneira que ele é experimentado no livro de Atos (veja nota 19). Assim ele falou com palavras fortes acerca deste ponto de vista:
“Aquelas pessoas que dizem que batismo com o Espírito Santo acontece a todo mundo na regeneração, me parecem estar não somente negando o Novo Testamento, como também definitivamente extinguindo o Espírito” (veja nota 20).
O Batismo do Espírito Santo Confere Alegria e Segurança Excepcional

Ele crê que esta visão nos desencoraja a buscar o que a igreja hoje necessita desesperadamente. “A grande necessidade hoje”, ele diz, “é de cristãos seguros de sua salvação” - o que é dado de um modo especial através do batismo do Espírito Santo (veja nota 21). Ele distinguia entre a “segurança ordinária” (veja nota 22) do filho de Deus, com o que ele chamava “segurança completa” (veja nota 23) que vem com o batismo do Espírito Santo.

Quando o cristão é batizado pelo Espírito Santo, ele sente o poder e a presença de Deus como ele nunca conhecera antes - e esta é a maior forma possível de segurança (veja nota 24).


O batismo do Espírito é uma nova manifestação de Deus para a alma. Você tem um conhecimento irresistível, dado a você do amor de Deus em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo... Este é a maior e a mais essencial característica do batismo com o Espírito Santo (veja nota 25). Ela é experimental. É inegável. Ela enche com alegria indizível (veja nota 26). Ela transforma advogados de Cristo em testemunhas do que tem visto e ouvido (veja nota 27).

Ele ilustra a diferença entre a básica e costumeira experiência cristã e a experiência do batismo com o Espírito contando a história de Thomas Goodwin:
"Um homem e seu filho estavam andando por uma estrada de mãos dadas, e a criança sabia que era filho de seu pai, e que seu pai a amava, e isso a fazia feliz. Não havia nenhuma dúvida acerca disso, mas subitamente o pai, movido por algum impulso, toma a criança nos braços, beija-a e abraça-a, demonstrando seu amor por ela, e em seguida coloca-a no chão novamente e eles prosseguem caminhando. 
É isto! A criança já sabia que seu pai a amava. Mas, oh! o abraço amoroso, o derramar de amor, a manifestação incomum dele - este é o tipo de coisa que estamos falando. O Espírito testificando com nosso espírito que somos filhos de Deus” (veja nota 28).
Quando Jesus batiza uma pessoa com o Espírito Santo, Lloyd-Jones diz, a pessoa é transportada não somente da dúvida para a crença, mas para a certeza, para a consciência da presença e da glória de Deus" (veja nota 29).

Isto é o que Lloyd-Jones entende por reavivamento:
A diferença entre o batismo do Espírito Santo e o reavivamento é simplesmente no número de pessoas atingidas por ele. Eu definiria o reavivamento como um grande número de pessoas sendo batizadas pelo Espírito Santo ao mesmo tempo; ou o Espírito Santo descendo sobre um grande número de pessoas reunidas. Isto pode acontecer num bairro, como pode acontecer a um país (veja nota 30). 
Batismo Com o Espírito Santo é uma Autenticação do Evangelho

E quando ele acontece é visível. Não é apenas uma experiência subjetiva na igreja. Coisas acontecem que fazem o mundo se despertar e observar. Isto era muito importante para Lloyd-Jones. Ele sentia-se esmagado pela corrupção do mundo e pela fraqueza da igreja. E acreditava que a única esperança seria um acontecimento extraordinário.
A igreja cristã de hoje está falhando, e falhando lamentavelmente. Não é suficiente ser ortodoxo. Você precisa, é claro, ser ortodoxo, senão você não terá a mensagem... Nós precisamos de autoridade e de autenticação... Está claro que estamos vivendo em uma época em que necessitamos de uma autenticação especial - em outras palavras, nós necessitamos de reavivamento (veja nota 31).
Reavivamento, portanto, para Lloyd-Jones, era um tipo de demonstração de poder que viria confirmar o evangelho para um mundo desesperado e endurecido. Sua descrição do mundo de 25 anos atrás nos parece surpreendentemente familiar:
Nós estamos não somente confrontados pelo materialismo, mundanismo, indiferença, dureza e insensibilidade - mas também temos ouvido, cada vez mais... sobre certas manifestações de poderes do mal e a realidade de espíritos malignos. Não é somente o pecado que se constitui um problema neste país hoje. Há uma recrudescência de magia negra, de culto a demônios e de poderes das trevas, além de abuso de drogas e de coisas que levam a isso. É por isso que creio numa urgente manifestação, alguma demonstração, do poder do Espírito Santo (veja nota 32). 
Ele nos previne para que não pensemos exclusivamente em reavivamento. Ele adverte contra estar interessado apenas em algo excepcional e incomum. Não despreze o dia das coisas pequenas, ele dizia. Não despreze o trabalho regular da igreja e o serviço regular do Espírito (veja nota 33) .

Mas eu tenho a firme impressão de que Lloyd-Jones estava cada vez mais desiludido com o “regular”, com o “costumeiro” e com o “usual”, à medida que seu ministério chegava ao fim em Westminster. Não soa da mesma forma quando ele diz,
[Nós] podemos produzir um número de convertidos, graças a Deus por isto, e isto acontece regularmente nas igreja evangélicas a cada domingo. Mas hoje estamos necessitando algo mais que isso. A necessidade hoje é de confirmação de Deus, do sobrenatural, do espiritual, do eterno, e isto só pode acontecer com resposta de Deus, graciosamente ouvindo nosso clamor e derramando Seu Espírito sobre nós, e nos enchendo como Ele encheu a igreja primitiva (veja nota 34).

O que necessitamos é de uma poderosa demonstração do poder de Deus, uma atuação do Todo Poderoso, que leve seu povo a prestar atenção, a olhar e a ver. E a história de todos os reavivamentos do passado, indica claramente que isto acontece como resultado deles, sem exceção. Esta é a razão porque estou chamando atenção para o reavivamento. Esta é a razão porque estou procurando lhe persuadir a orar por isto. Quando Deus age, ele pode fazer mais em um minuto que o homem com toda sua organização pode fazer em cinqüenta anos (veja nota 35).
O que mais pesava no coração de Lloyd-Jones era o desejo de ver o nome de Deus ser vindicado e Sua glória manifesta ao mundo. “Nós devemos estar ansiosos”, ele dizia, “por ver algo acontecer que arraste as nações, todas as pessoas, e as faça parar e pensar novamente” (veja nota 36) . Isto é o que o batismo com o Espírito Santo é acima de tudo.
O propósito, a principal função, do batismo com o Espírito Santo é ... capacitar o povo de Deus a testemunhar de uma maneira tal, que isto se torne um fenômeno que atraia e prenda as pessoas (veja nota 37).
Aqui é onde vem os dons espirituais - como curas e milagres, profecias e línguas, e toda a área de sinais e maravilhas. Lloyd-Jones estava discursando sobre evangelismo de poder muito antes de John Wimber.

Ele dizia que os dons espirituais são parte da confirmação do reavivamento e do batismo do Espírito Santo. Dons espirituais extraordinários, ele dizia, resultam do batismo do Espírito Santo. Ele afirmava que esta questão é muito importante nos dias atuais por esta razão: “nós necessitamos de uma autenticação sobrenatural da nossa mensagem” (veja nota 38) .
Joel, e outros profetas que também falaram sobre isto, apontavam para uma época que haveria de vir, e que veio com o Senhor Jesus Cristo e o batismo com o Espírito no dia de Pentecoste, onde haveria uma confirmação incomum da mensagem (veja nota 39).
Neste ponto, os reformados ficam nervosos, porque sentem que o poder da Palavra de Deus está sendo comprometido. O evangelho não é o poder de Deus para a salvação? A palavra pregada, com a autoridade do Espírito Santo, não é suficiente? “Os Judeus pedem sinais, os gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado ... o poder de Deus...” (I Coríntios 1:22-23).

As coisas não são tão simples assim. E o assunto aqui não é algo apenas relacionado aos nossos dias. As Escrituras mostram os sinais e maravilhas acontecendo no Novo Testamento paralelamente às maiores mensagens jamais pregadas. E evidentemente Pedro, Paulo, Estevão e Filipe não supunham que os sinais e maravilhas realizados comprometiam a integridade do poder da palavra de Deus (Marcos 16:20; Atos 14:3, Hebreus 2:4).

Lloyd-Jones está profundamente impressionado com estes fatos quanto diz, “Se os apóstolos não eram capazes de ser genuínas testemunhas sem um poder especial, quem somos nós para pretender testemunhar sem este poder?” (veja nota 40) . E quando ele diz isto, ele não está se referindo a todo o poder do mundo. Ele se refere ao poder manifestado nos dons espirituais. Aqui está a evidência:
Antes do Pentecoste, os apóstolos não estavam ainda prontos para testemunhar... Eles estiveram com o Senhor durante os três anos de seu ministério. Eles ouviram seus sermões, viram seus milagres, e o viram crucificado na cruz, o viram morto e enterrado, e então eles o viram depois que ele saiu da tumba. Estes eram os homens que estiveram com ele naquele quarto em Jerusalém após a ressurreição, e a quem ele expôs as Escrituras, e. todavia, foi estes homens que ele mandou que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem cheios de poder. O propósito especial, o propósito específico do batismo com o Espírito Santo, é nos capacitar para testemunhar, e uma das maneiras pelas quais isto acontece é através do recebimento de dons espirituais (veja nota 41).
Minha própria resposta à pergunta sobre como o poder da palavra e a confirmação através de sinais e prodígios podem se harmonizar, é esta: A Bíblia ensina que o evangelho pregado é o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16, I Corintios 1:23). Ela também ensina que o desejo por sinais na presença da Palavra de Deus é marca de uma geração má e corrupta (Mateus 16:4; I Corintios 1:22). Mas a Bíblia também diz que Paulo e Barnabé “demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios”. (Atos 14:3; veja Hebreus 2:4; Marcos 16:20). Deste modo os sinais e maravilhas eram o atestado de Deus confirmando a pregação do evangelho.

Não podemos então dizer que sinais e maravilhas agem em relação a Palavra de Deus, como meios marcantes para autenticação da glória de Cristo no evangelho? Sinais e maravilhas não salvam. Eles não transformam o coração. Somente a glória de Cristo manifestada pela pregação do evangelho tem poder para isso (2 Corintios 3:18-4:6). Mas evidentemente, Deus escolhe, às vezes, usar de sinais e prodígios juntamente com a palavra regeneradora para alcançar os ouvintes e para romper a carapaça de desinteresse, cinismo e da falsa religião, e fazer o coração caído olhar com atenção para o evangelho anunciado (veja nota 42).

Martyn Lloyd-Jones Não era um “Warfieldiano Cessacionista”

Claramente, pelo que pudemos ver, Lloyd-Jones não era o que costumamos chamar de um “cessacionista”. De fato, ele se manifestou fortemente contra o pensamento de Warfield a este respeito. Em 1969, ele escreveu “Um Memorando sobre Cura pela Fé”, rejeitado pelo Christian Medical Fellowship, na Inglaterra, que se basearam explicitamente nos argumentos de Warfield, de que os dons espirituais (como o de curar), eram “sinais do apostolado” e não tinham mais lugar hoje, uma vez que os apóstolos só existiram no passado.
Eu penso que é inteiramente desprovido de base nas Escrituras dizer que tais dons cessaram com a Era Apostólica. Eu creio que milagres inquestionáveis têm ocorrido desde então (veja nota 43).
Quando ele fala da necessidade de um reavivamento de poder e do batismo do Espírito e de uma poderosa confirmação da palavra de Deus hoje, é claro que ele tinha em mente os mesmos acontecimentos que marcaram a vida dos apóstolos.
É perfeitamente claro que nos tempos do Novo Testamento, o evangelho era confirmado por sinais, prodígios e milagres de várias naturezas e descrições... Teria sido isso verdadeiro apenas na igreja primitiva?... As Escritura nunca, em nenhum lugar, afirma que estes acontecimentos seriam temporários - nunca! Não existe esta afirmação em nenhum lugar (veja nota 44).
Ele analisou os argumentos “cessacionistas” e concluiu que eram baseados em conjecturas para justificar uma deficiência particular (veja nota 45). “Para sustentar este ponto de vista”, ele disse, “basta apagar o Espírito” (veja nota 46).

Além disso ele disse que existem muitas evidências históricas, que muitos destes dons persistiram por muitos séculos, e que eles se manifestavam de tempos em tempos desde a Reforma. Por exemplo, conforme relato de John Welsh, genro de John Knox, este realizou coisas extraordinárias, chegando a ressuscitar um morto. E há evidência da ocorrência de genuínos dons de profecia entre Protestantes Reformados. Por exemplo, ele diz que Alexander Peden, um dos Scottish Covenanters, profetizou de forma acurada e literal acerca de fatos que depois vieram a se cumprir (veja nota 47).

Experiências Pessoais de Martyn Lloyd-Jones com um Poder Especial

Lloyd-Jones teve experiências extraordinárias o suficiente, para fazê-lo entender que era melhor ele estar aberto para o que o poder soberano de Deus pode fazer. Por exemplo, Stacy Woods descreve o efeito físico de um dos sermões de Lloyd-Jones.
De uma forma extraordinária, a presença de Deus estava na Igreja. Eu pessoalmente senti como se uma mão estivesse me pressionando contra o banco. No final do sermão, por alguma razão, o órgão não tocou, e o Doutor entrou no gabinete e todos permaneceram sentados sem conseguir se mover. Devem ter se passado cerca de 10 minutos antes que as pessoas pudessem encontrar forças para levantar, e sem falar umas com as outras, deixaram calmamente o templo. Eu nunca havia testemunhado ou experimentado uma pregação que provocasse uma reação tão fantástica em uma congregação (veja nota 48).
Outra ilustração vem dos primeiros dias em Sandfields. Uma mulher que tinha sido uma conhecida médium do espiritismo compareceu à igreja numa certa noite. Ela mais tarde testemunhou sua conversão:
No momento em que entrei na capela e me sentei num lugar entre as pessoas, eu pude perceber um poder sobrenatural. Eu tinha consciência de que se tratava do mesmo tipo de poder sobrenatural que eu estava acostumada a experimentar nas reuniões espíritas, mas com uma grande diferença: eu podia sentir que o poder que havia na capela era um poder limpo (veja nota 49).
Diversas vezes na sua vida ele teve um tipo de premunição profética que ia além do ordinário. Em 10 de Janeiro de 1940, ele escreveu para a mulher de um amigo, Douglas Johnson, que sofria de uma oclusão coronária.
Eu tive uma definida e inconfundível consciência da completa recuperação de Douglas. Este tipo de coisa, como ele sabe, não é comum comigo. Eu estou lhe contando porque foi algo muito claro (veja nota 50).
Isto ilustra o ponto que ele defende acerca da comunicação pessoal de Deus com seus filhos. Ele cita Filipe sendo conduzido à carruagem em Atos 8, e Paulo e Barnabé sendo enviados em Atos 13, como exemplos bíblicos desta comunicação direta do Senhor e diz,
Não existe dúvida de que o povo de Deus pode buscar e esperar por “direção”, “orientação”, indicações sobre o que eles tem que fazer... Homens foram instruídos pelo Espírito Santo acerca do que deviam fazer; eles sabiam que era o Espírito Santo que estava lhes falando, e eles souberam com certeza qual era a sua direção. Parece claro para mim, que se negarmos tal possibilidade, novamente nos tornaremos culpados por estarmos apagando o Espírito (veja nota 51).
Lloyd-Jones entendeu pela Bíblia, pela história e por sua própria experiência que o extraordinário poder do Espírito dispensa um enquadramento preciso. Ele disse: “Os meios pelos quais a bênção vem, são quase ilimitados. Devemos ter cuidado em não limitá-los, em não tentar sistematizá-los, ou o que é ainda pior, para não torná-los mecânicos” (veja nota 52).

Críticas de Martyn Lloyd-Jones ao Pentecostalismo que Ele Conheceu

Estes são ensinamentos notáveis, vindos de um dos principais pregadores da causa reformada na Inglaterra, nesta última geração. Ele ajudou a fundar uma casa publicadora (Banner of Truth Trust), que tem apoiado a divulgação das idéias de Warfield sobre os dons espirituais terem cessado. E para que você não pense que Lloyd-Jones era um ardoroso carismático, deixe-me mencionar algumas coisas que lhe deram equilíbrio e o fizeram desencantar com os Pentecostais e carismáticos que ele conheceu.

1. Ele insistia que o reavivamento tem que se fundamentar em bases doutrinárias. E pelo que ele via, havia uma minimização de forma quase generalizada da importância da doutrina, e uma necessidade urgente de que ela fosse restaurada e reunificada (veja nota 53). O Espírito Santo é o Espírito da verdade, e o reavivamento seria superficial e passageiro se não tivesse raízes doutrinárias mais profundas do que as árvores carismáticas pareciam ter.

2. Carismáticos punham muita ênfase naquilo que podiam realizar, e não enfatizavam tanto a liberdade e soberania do Espírito, para ir e vir como quisesse. “Dons espirituais”, ele dizia, “são sempre controlados pelo Espírito Santo. Eles são dados, e ninguém sabe quando isto vai acontecer” (veja nota 54).
Você pode orar pelo batismo do Espírito, mas você não pode garantir que ele acontecerá... Isto está no controle dEle. Ele é o Senhor. Ele é o Senhor soberano, e ele faz isso no Seu próprio tempo e da maneira como Ele quer (veja nota 55).
3. Carismáticos insistem nas línguas como sinal do batismo do Espírito Santo, o que ele certamente rejeita.
Parece-me que o ensinamento da Escritura por si mesma, mais a evidencia da história da igreja, estabelecem o fato de que o batismo com o Espírito nem sempre é acompanhado por dons particulares (veja nota 56).
4. É muito comum ouvir carismáticos afirmarem que são capazes de falar em línguas sempre que desejarem. Isto, ele contesta, é claramente contra o que Paulo diz em I Coríntios 14:18. “Eu agradeço a Deus por falar em línguas mais do que todos vocês”. Se ele e os outros pudessem falar em línguas sempre que quisessem, não faria sentido dar graças a Deus pelo fato da bênção das línguas ter sido dada mais a ele do que aos outros (veja nota 57) .

5. Freqüentemente, experiências têm sido buscadas para proveito próprio e não com o objetivo de promover um testemunho poderoso e para a glorificar a Cristo (veja nota 58).
O objetivo não é ter experiências para si próprios, mas ter poder para manifestar e fazer o nome de Cristo conhecido (veja nota 59)...

Devemos testar tudo o que reivindica ser um movimento do Espirito em termos do seu poder evangelístico (veja nota 60)...

O teste supremo de qualquer ação do Espírito Santo é João 16:14 - “Ele me glorificará” (veja nota 61).
6 . Os carismáticos podem facilmente cair no engano de admitir que, se uma pessoa possui dons poderosos, então esta pessoa é boa e apta para orientar e ensinar. Isto não é verdade. Lloyd-Jones adverte que o batismo com o Espírito Santo e o recebimento de dons, não confere a uma pessoa condição moral para ministrar ou falar por Deus. A condição espiritual em Corinto, em termos de santificação, era muito precária, e mesmo assim, havia muitas evidências do poder divino.
Batismo com o Espírito Santo é primariamente e essencialmente um batismo com poder... Mas não existe uma conexão direta entre o batismo com o Espírito Santo e a santificação... Aquele pode ser algo isolado, enquanto que a santificação é um processo contínuo (veja nota 63). 
7. Os carismáticos tendem a mostrar mais interesse em impressões subjetivas e dons incomuns, do que na exposição das Escrituras. Suspeite, ele diz, de alguma afirmação de “nova revelação da verdade” (veja nota 64). (Na visão do que ele diz acima, acerca de como o Espírito Santo fala hoje para dar orientação, ele não quer dizer que toda comunicação direta de Deus deva ser rejeitada.)

8. Os carismáticos às vezes encorajam as pessoas à não se preocupar com a razão e simplesmente deixar-se ser levado. Lloyd-Jones discorda. “Nós nunca devemos deixar sermos levados” (veja nota 65). Uma mente vazia não é recomendada nas Escrituras (veja nota 66). A glória do Cristianismo é que podemos “ao mesmo tempo... ser tomados e elevados pelo Espírito Santo e ainda estar conscientes” (veja I Coríntios 14:32) (veja nota 67). Nós devemos sempre estar em posição de testar todas as coisas, uma vez que Satanás e o hipnotismo podem imitar os acontecimentos mais notáveis (veja nota 68) .

Advertência de Martyn Lloyd-Jones contra os Formalistas que apagam o Espírito.

Mas tendo dito tudo isso, sobre advertências e equilíbrio, Lloyd-Jones retorna à firme afirmação da abertura sobre a demonstração de poder sobrenatural que o mundo tanto necessita. Para aqueles que se sentam e apontam o dedo para os excessos carismáticos de boas pessoas, ele diz, “Deus tenha misericórdia deles! Deus tenha misericórdia deles! É melhor ser crédulo em excesso, do que ser carnal, presunçoso e morto” (veja nota 69).

Ele descreve como muitas pessoas extinguiram o Espírito pelo medo do incomum e do sobrenatural.
Isto sempre tem acontecido: numa reunião... você começa a ter medo do que pode acontecer e diz, “Se eu fizer isso, o que pode acontecer?” Isto é apagar o Espírito. Isto é resistir ao Seu movimento geral sobre seu espírito. Você sente Sua graciosa influência, e então hesita, e fica inseguro ou amedrontado. Isto é extinguir o Espírito (veja nota 70).

Certas pessoas são naturalmente temerosas do sobrenatural, do incomum, do que foge à ordem. Você pode ter tanto medo da desordem, preocupar-se tanto com a disciplina, com o decoro e o controle, que você se tornará culpado do que a Escritura chama de “apagar o Espírito” (veja nota 71 . 
Como Lloyd-Jones nos Aconselha a Buscar o Batismo do Espírito?

Isto tudo me parece muito marcante. A visão de Lloyd-Jones da vida batizada pelo Espírito é uma síntese bíblica, diferente da que existe nas igrejas evangélicas ou nos movimentos carismáticos. Alguém pode perguntar se ele involuntariamente não estaria articulando uma agenda para a chamada Terceira Onda do Espírito.

Assim, em minha mente há um senso real de urgência, perguntando: “Qual é o conselho dele para nós, que oscilamos entre uma posição simplória e sem embasamento bíblico de um lado, e outra que resiste e apaga o Espírito?”

Seu conselho básico é: “Você não pode fazer nada para ser batizado pelo Espírito, senão suplicar por isso. Você nada pode fazer para produzi-lo” (veja nota 72). No entanto, você deve diligentemente orar para obtê-lo (veja nota 73) . Devemos ser pacientes (veja nota 74) e não definir tempo ou estabelecer limites para Deus. Ele cita Dwight L. Moody, R.A. Torrey, A.J. Gordon, A.T. Pierson como exemplo de pessoas que buscaram esse batismo do Espírito, suplicando por um longo tempo (veja nota 75). De fato, Lloyd-Jones tinha especial admiração pela insistente oração de Moody: “Oh Deus, prepara meu coração e batiza-me com o poder do Espírito Santo” (veja nota 76) .

Mas parece que há algo mais que podemos fazer, além de orar. Se um coração preparado é importante, então existem meios, os meios de Graça, que ao lado da oração, purificam o coração conformando-o mais e mais com Cristo. Podemos meditar nas Escrituras e exortarmo-nos mutuamente, e mortificarmo-nos para o pecado, de acordo com o texto do capítulo 6 de Romanos.

Não somente isto, Lloyd-Jones ensinava que o Espírito pode ser apagado por certas formas de institucionalização estéril. Com referência à frieza de igrejas formais ele dizia,
Não é que Deus tenha se retirado, é que a igreja na sua “sabedoria” e “inteligência” tornou-se institucionalizada, reprimindo o Espírito, e ... tornando as manifestações do poder do Espírito quase impossíveis (veja nota 77).
Esta é uma forte declaração de alguém que crê na soberania do Espírito - que certas formas de institucionalização podem tornar as manifestações do poder do Espírito “quase impossíveis”. Se o Espírito na sua soberania sofre por ser impedido ou extinto, como Lloyd-Jones (e o apóstolo Paulo) dizem, então não é inteiramente correto afirmar que não há nada que possamos fazer para desobstruir o caminho para que Ele venha. Nós não podemos constrangê-lo a vir. Ou, colocando de outro modo, enquanto parece que nada podemos fazer para que o Espírito venha em poder, nós podemos fazer coisas que usualmente O impedem de vir.

Ele praticava o que pregava?

Isto leva a uma questão final e crucial que aponta diretamente para o coração do problema: Lloyd-Jones realmente praticava o que ele pregava? Ou, perguntando de outra maneira, Ele teria aberto o caminho para o Espírito, ou ele teria possivelmente ou parcialmente apagado o Espírito em sua própria igreja (veja nota 78)?

Examinando o que ele disse sobre certas formas de institucionalização, que podem tornar as manifestações do poder do Espírito “quase impossíveis”, nós podemos perguntar se não havia certas formas de institucionalização na Capela de Westminster, que embaraçavam as manifestações do Espírito. E se certas formas de “institucionalização” podem apagar o Espírito, alguém pode desejar saber se certos usos da música e certas formas de culto e certas atitudes e a personalidade não são também obstáculos para Ele.

Existem pelo menos cinco aspectos da vida na Capela de Westminster que me fazem perguntar se Lloyd-Jones, na prática, seguia seus próprios princípios sobre o reavivamento.

1. Seu biógrafo, Iain Murray diz que as “reuniões de experiência” do século 18 desapareceram nas igrejas da Inglaterra e que havia necessidade de mudança (veja nota 79). Mas teria Lloyd-Jones feito mudanças significativas que proporcionassem um ambiente adequado para o exercício dos dons espirituais? Iain Murray conta que a audiência na Capela de Westminster era um grupo anônimo de ouvintes. “Aqueles foram dias onde pessoas que não se conheciam não se cumprimentavam uns aos outros na igreja” (veja nota 80).

Alguém pode perguntar se Lloyd-Jones tomou medidas significativas para reverter esta situação. Teria ele trabalhado, por exemplo, para criar uma rede de pequenos grupos, onde as pessoas pudessem ministrar umas às outras em um contexto menos institucionalmente restritivo à ação do Espírito? (veja nota 81).

2. Ele disse: “Eu nunca orientei a um novo convertido sobre como se aproximar dos outros, mas eles faziam isso...” (veja nota 82). Isto é típico de sua distância da interação prática e ativa com o seu povo, num nível onde a participação deles poderia ser encorajada?

Teria Lloyd-Jones realmente buscado algum envolvimento com seu rebanho, de modo que as manifestações, como as que ocorriam com os apóstolos, pudessem fluir? Os apóstolos tinham um ministério significativamente prático. Sem o envolvimento do pastor, e sem que este assuma certos riscos, dificilmente se poderá esperar que o povo assuma atitudes que evitem que o Espírito seja apagado, especialmente quando ele ouve com freqüência advertências enérgicas e austeras sobre os excessos dos carismáticos. Pessoas comuns interpretam longas e complexas advertências como um sinal vermelho contra novas experiências.

3. Seu neto, Christopher Catherwood, disse: “Ele tinha uma especial aversão a certos tipos de música emotiva” (veja nota 83). E ele mesmo disse:
[O Espírito] não necessita...da nossa ajuda com todas as nossas canções, e todas as nossas preliminares e meios para provocar emoções... Se o Espírito é Senhor - e Ele é - Ele não necessita de nossa ajuda, e qualquer coisa que tente ajudar o Espírito a produzir um resultado é uma contradição ao ensino do Novo Testamento (veja nota 84).
Essa antipatia por músicas emotivas e com as chamadas “preliminares” da liturgia, parecem evidenciar uma atitude austera e desconfiada contra as emoções e contra as músicas que podem evocá-la em pessoas comuns. Isto pode ser facilmente tomado como um meio de inibir a liberdade da congregação em expressar sua alegria no Espírito Santo.

A música não poderia se equiparar à leitura de um bom livro, que Lloyd-Jones disse ser um auxílio legítimo para estimular as emoções para um maior desejo do Espírito (veja nota 85)?. A música poderia ser até mais válida para este fim, uma vez que ela não somente promove desejos santos, mas também libera autênticas expressões de afeto e de amor. E não somente isto, a música parece ter mais autoridade bíblica como um meio para buscar a plenitude de Deus no culto sagrado (veja Efésios 5:19) (veja nota 86).

4. Ele não parecia manifestar uma atuação mais enérgica para cultivar movimentos de oração. Não estou certo a este respeito, mas Murray lembra uma observação realmente surpreendente: “Alguns poucos em 1959 estavam tão absorvidos com o reavivamento, que organizaram vigílias de oração e procuraram o apoio de Lloyd-Jones. Eles não obtiveram o apoio pretendido” (veja nota 87) . Ainda que ele fosse conhecido como homem de oração (veja nota 88), teria ele realmente vivido na prática seu próprio princípio, que algo que você pode fazer com zelo e empenho para buscar o reavivamento é orar por ele?

5. Teria ele agido de acordo com I Coríntios 14:1? “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis”. Como isto se enquadra com a seguinte declaração?
É sempre correto buscar o enchimento do Espírito - nós somos exortados a fazê-lo. Mas os dons do Espírito, devem ser deixados nas Suas próprias mãos (veja nota 89).
I Coríntios 14:1 especificamente ordena que busquemos não somente o enchimento do Espírito de uma maneira geral, mas também os dons espirituais em particular. Assim, a declaração de Lloyd-Jones parece dizer o oposto. Seria esta atitude com relação aos dons, uma forma de apagar as manifestações de poder? Novamente ele diz,
Nos não devemos buscar fenômenos ou experiências estranhas. O que devemos buscar é a manifestação da glória de Deus e do Seu poder e força... Devemos deixar com Deus, com Sua soberana sabedoria, decidir outorgar estes acontecimentos ou não (veja nota 90).
Certamente ele está certo que nós não devemos nos preocupar com manifestações exteriores, como cura física em lugar de vida espiritual. Mas teriam os apóstolos realmente orado, sem fazer menção dos sinais e prodígios, que demonstraram ser importantes em confirmar a palavra da graça. (Atos 14:3; Hebreus 2:4; Marcos 16:20)? Eles não teriam de fato orado em Atos 4:30 para que Deus realizasse sinais e prodígios, e especialmente que Ele estendesse Sua mão para curar? E Lloyd-Jones, ele mesmo disse que os fenômenos são extremamente valiosos e necessários.
Não parece claro e óbvio que, desta forma, Deus está chamando a atenção para si e para o seu trabalho através de fenômenos incomuns? Não há coisa que atraía mais a atenção do que este tipo de coisas, e isto é usado por Deus na extensão do Seu reino para atrair, para chamar a atenção do povo (veja nota 91).
Certamente na visão de I Coríntios 14:1 e Atos 4:30 e da própria posição de Lloyd-Jones sobre os dons e fenômenos do Espírito, a resposta é: não deixar de orar por sinais e maravilhas, mas fazê-lo com a motivação correta e em harmonia com todas as outras coisas importantes mencionadas nas Escrituras.

Este equilíbrio e motivação são expressos de forma bem clara, em uma de suas belas conclusões, que uso para fechar esta mensagem:
Vamos juntos suplicar a Ele, implorar para que Ele o faça novamente. Não que necessariamente tenhamos experiências ou excitações, mas que Sua poderosa mão seja conhecida e Seu grande nome seja glorificado e magnificado entre o povo (veja nota 93).


NOTAS:

1. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1990), 373.
2. Martyn Lloyd-Jones, Preaching and Preachers, (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1971), p. 9.
3. Christopher Catherwood, Five Evangelical Leaders, (Wheaton: Harold Shaw Publishers, 1985), p. 55.
4. Preaching and Preachers, p. 4.
5. Five Evangelical Leaders, p. 170.
6. J. I. Packer, Introduction: Why Preach?, in: The Preacher and Preaching, ed. by Samuel T. Logan Jr., (Phillipsburg, N.J.: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1986), p. 7. This is Packer's assessment of the impact Lloyd-Jones had.
7. Five Evangelical Leaders, p. 71.
8. Five Evangelical Leaders, p. 56.
9. Five Evangelical Leaders, p. 66; The Sovereign Spirit, p. 11.
10. The Sovereign Spirit, pp. 55-57.
11. Minhas fontes primárias tem sido os dois novos volumes biográficos de Iain Murray sobre Llloyd-Jones, seus sermões sobre Revival pregados em 1959 e publicados pela Crossway em 1987, e os dois livros mais controversos, Joy Unspeakable e The Sovereign Spirit, contendo vinte e quatro sermões pregados entre 15 de Novembro de 1964 e 6 de Junho de 1965, e publicados neste país por Harold Shaw em 1984 e 1985. Um pequeno sumário da vida de Lloyd-Jones, escrito por seu neto Christopher Catherwood, pode ser encontrado no Five Evangelical Leaders (Harold Shaw, 1985).
12. Martyn Lloyd-Jones, Revival, (Westchester, IL: Crossway Books, 1987), pp. 111-112.
13. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 385.
14. He mentions 1) a resting in orthodoxy and negligence of true spiritual life; 2) an over concern with apologetics in answering Modernism; 3) a dislike for emotion and an excessive reaction against Pentecostalism; 4) a misunderstanding of the Puritan emphasis on the individual soul; and the confusion of revivals (which is a sovereign work of God) with evangelistic crusades (which are organized by men, as Charles Finney worked out so fully). Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 385.
15. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 386.
16. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 386.
17. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 691.
18. Joy Unspeakable, p. 21, 23. He also tells the stories of numerous people who recount a distinct event in their lives after conversion that corresponds to a baptism for power and unusual assurance. For example: John Flavel, Jonathan Edwards, Mood (pp. 79-80), John Wesley (pp. 62-63), John Howe, William Guthrie (pp. 103-105), Pascal (pp. 105-106), Aquinas (pp. 113).
19. "The baptism with the Holy Spirit is always something clear and unmistakable, something which can be recognized by the person to whom it happens and by others who look on at this person ... No man can tell you the moment when he was regenerated. Everybody is agreed about that -- that regeneration is non-experimental." Joy Unspeakable, p. 52.
20. Joy Unspeakable, p. 141
21. Joy Unspeakable, p. 39.
22. Joy Unspeakable, p. 38.
23. Joy Unspeakable, p. 41.
24. Joy Unspeakable, p. 97.
25. Joy Unspeakable, p. 89-90.
26. "I am certain that the world outside is not going to pay much attention to all the organized efforts of the Christian church. The one thing she will pay attention to is a body of people filled with the spirit of rejoicing. That is how Christianity conquered the ancient world." Joy Unspeakable, p. 102.
27. Joy Unspeakable, p. 90.
28. Joy Unspeakable, p. 95-96.
29. Joy Unspeakable, p. 87.
30. Martyn Lloyd-Jones, Joy Unspeakable, (Wheaton: harold Shaw Publishers, 1984), p. 51.
31. The Sovereign Spirit, p. 25.
32. The Sovereign Spirit, p. 25.
33. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 384.
34. Joy Unspeakable, p. 278.
35. Revival, pp. 121-122.
36. Revival, pp. 120.
37. Joy Unspeakable, p. 84. See The Sovereign Spirit, p. 17, 35, 120.
38. The Sovereign Spirit, p. 24.
39. The Sovereign Spirit, p. 26. He cites John 14:12 on this page as Jesus' own prophecy that what Joel had predicted would happen. The miracles of Jesus "were not only done as acts of kindness. The main reason for them was that they should be 'signs,' authentications of who he was." The point is that when believers do these signs, they will have the same function.
40. The Sovereign Spirit, p. 46.
41. The Sovereign Spirit, p. 120 (italics mine). Gifts are only "one of the ways" the baptism of the Spirit empowers for witness. "It is possible for one to be baptized with the Holy Spirit without having some of these special gifts." (p. 121)
42. But see below on Lloyd-Jones reluctance to encourage anyone to seek phenomena.
43. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 786. See also Joy Unspeakable, p. 246.
44. The Sovereign Spirit, pp. 31-32.
45. The Sovereign Spirit, p. 39.
46. The Sovereign Spirit, p. 46.
47. The Sovereign Spirit, pp. 44-45. Veja Alexander Smellie, Men of the Covenant, (London: Andrew Melrose, 1905), pp. 334-335, 384. Lloyd-Jones também se refere a Robert Baxter e John Welsh como pessoas com dons de previsão (p. 88).
48. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 377.
49. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1982) p. 221.
50. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 45. He tells of another instance of prophetic certainty about the future: on the weekend of sunday, May 11, 1941 Lloyd-Jones was to preach at Westminster Chapel in the evening but not the morning. He had gone to preach that morning at the chapel of Mansfield College in Oxford. Early Sunday morning he was told that all of Westminster had been flattened by a German bombing raid and he may as well stay the night in Oxford. He said with amazing certainty that he would be preaching there that night. As they arrived there it stood with only two windows blown out in the midst of great rubble. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 16-17.
51. The Sovereign Spirit, pp. 89-90.
52. Joy Unspeakable, p. 243. Edward Payson received the blessing on his deathbed after seeking it all his life. Another strange instance is the case of David Morgan. "And so it was a hundred years ago in Northern Ireland and in Wales. I have mentioned a man called David Morgan, a very ordinary minister, just carrying on, as it were. Nobody had heart of him. He did nothing at all that was worthy of note. Suddenly this power came upon him and for two years, as I have said, he preached like a lion. Then the power was withdrawn and he reverted to David Morgan again" (Revival, p. 114).
53. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 687.
54. The Sovereign Spirit, p. 153.
55. Joy Unspeakable, pp. 77-78. He illustrates with Peter and John healing the man at the temple in Acts 3 (whom they had no doubt passed many times before), and with Paul in Philipi: "If the apostle permanently had the power of exorcism, why did he not deal with her the first day?" (The Sovereign Spirit, p. 155). This applies to all the gifts including tongues: "It is not something, therefore, that a man can do whenever he likes" (The Sovereign Spirit, p. 156)..
56. The Sovereign Spirit, p. 53. Lloyd-Jones says that it is a mistake to "confuse the baptism of the Spirit with the occasional gifts of the Spirit" (p. 117).
57. The Sovereign Spirit, p. 152.
58. He is aware that in 1 Corinthians the gifts are largely meant to edify the body of Christ. But he says, "Watch the order. It must start in the church, which is then empowered to witness and testify boldly of the Lord. The Holy Spirit is not given that we may have wonderful experiences or marvelous sensations within us, or even to solve psychological and other problems for us. That is certainly a part of the work of the Spirit, but it is not the primary object. The primary object is that the Lord may be known" (The Sovereign Spirit, p. 130).
59. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 693.
60. The Sovereign Spirit, p. 129-130.
61. The Sovereign Spirit, p. 106. See pp. 111 and 113 for the "Jesus is Lord" test.
62. Joy Unspeakable, p. 137. Yet he does say that there is an indirect connection between baptism with the Holy Spirit and sanctification. In baptism with the Holy Spirit we see the Lord more clearly and become more immediately sure of his reality and his glorious power. This sight of his glory usually functions as a kind of booster to the sanctification process. "His sanctification, everything about him, is stimulated in a most amazing and astonishing manner" (p. 144).
63. Joy Unspeakable, p. 140.
64. The Sovereign Spirit, pp. 77-79.
65. The Sovereign Spirit, p. 71. See p. 78..
66. The Sovereign Spirit, p. 72.
67. The Sovereign Spirit, p. 74. See pp. 151-158, "This is the glory of the way of the Holy Spirit -- above understanding, and yet the understanding can still be used" (p. 158)..
68. The Sovereign Spirit, p. 66. In exercising our reason to test the spirits we must realize that it is not enough to say that a person loves Christ more because of the experience. One must go on testing their behavior and their doctrine by Scripture (p. 116).
69. The Sovereign Spirit, p. 83.
70. Joy Unspeakable, p. 206.
71. Joy Unspeakable, p. 18. Sometimes these fearful people will try to hinder the work of God's Spirit by accusing others of being divisive and proud, But Lloyd-Jones says that this is the way formalistic people have responded to the movement of God's Spirit often. It should not hinder the true work of God (The Sovereign Spirit, pp. 46-47).
72. Joy Unspeakable, p. 139.
73. Joy Unspeakable, p. 247. That also includes doing things that increase your desire for it. He specifically mentions reading (p. 228). But he does not see laying on of hands as appropriate for praying over someone that they receive the gifts, in spite of the Samaritans and Ananias etc. (pp. 188-189).
74. Joy Unspeakable, p. 231. "If you are in this position of seeking, do not despair, or be discouraged, it is he who has created the desire within you, and he is a loving God who does not mock you. If you have the desire, let him lead you on. Be patient. Be urgent and patient at the same time. Once he leads you along this line he will lead you to the blessing itself and all the glory that is attached to it."
75. Joy Unspeakable, p. 210.
76. Joy Unspeakable, p. 220. He adds, "It is dangerous to have power unless the heart is right; and we have no right to expect that the Spirit will give us the power unless he can trust us with it." Notice he does not say the Spirit won't give this power to immature and even unsanctified people. He already implied that the Spirit did ust that in Corinth when he was discussing sanctification above. One wonders if the same principle might apply to the degree of true doctrinal depth and breadth in a congregation. Could we say that wrong thinking and shallow doctrine give no warrant for expecting the blessing of Spirit baptism since he is the Spirit of truth. But perhaps, since he is free, this does not necessarily rule out the blessing either. It could be that the blessing might be given to stir up a congregation to go deeper in Scripture, and then withdrawn if they become more fascinated with phenomena than with the glory of God in the gospel. See above on point six in the discussion of his warnings about the charismatic movement.
77. The Sovereign Spirit, p. 50.
78. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, pp. 694-695.
79. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 693.
80. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 253.
81. The Chapel did not seem to experience significant growth. The membership was 828 in 1967. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 543.
82. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 707.
83. Five Evangelical Leaders, p. 72
84. The Sovereign Spirit, p. 137.
85. Joy Unspeakable, p. 228.
86. Preaching and Preachers, p. 183. He says, referring to the life of the preacher, "Music does not help everyone, but it greatly helps some people; and I am fortunately one of them ... Anything that does you good, puts you into a good mood or condition, anything that pleases you or releases tensions and relaxes you is of inestimable value. Music does this to some in a wonderful way."
87. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 384.
88. Iain H. Murray, David Martyn Lloyd-Jones: The Fight of Faith 1939-1981, p. 372.
89. The Sovereign Spirit, p48.
90. Revival, p. 147.
91. Revival, p. 145.
92. Why do we desire these gifts? ... Our motive should always be to know him so that we may minister to his glory and to his praise. The Sovereign Spirit, p132.
93. Revival, p. 117.

Fonte: Monergismo
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