terça-feira, 29 de julho de 2014

Confissões de Fé na História Batista


Desde o começo o cristianismo confessou sua fé de forma lógica e objetiva, através de credos e confissões, e isto se refletiu na aceitação do Credo Apostólico (390), do Credo Niceno (352) e do Credo de Atanásio (670). Esta expressão vem do latim credo , “creio”. As funções destes credos, desde o princípio, foram oferecer ao candidato ao batismo um modo claro de expor sua fé; um roteiro para instrução na doutrina cristã; compreensão correta das Escrituras e teste de ortodoxia para os pastores; uso na adoração cristã, geralmente depois da leitura das Escrituras, como uma afirmação da fé congregacional. Com a Reforma Protestante, houve uma verdadeira explosão de confissões, designações de uma declaração formal da fé cristã. O valor de uma confissão é permanente, e reside no fato de que um documento confessional estimula a clareza de crença e a franqueza no debate teológico. O próprio Novo Testamento contém trechos de confissões formais de fé (Rm 6.17; I Co 1.21; 11.2; 15.1-8; Gl 6.6; II Ts 2.13; 3.6; I Tm 3.16; Tt 1.9; II Jo 9-10), e estes precedentes bíblicos são um forte apoio para o uso contínuo das confissões. A relação destes documentos com a Escritura é resumida pela Fórmula de Concórdia (1580): “Não são juizes como o é a Sagrada Escritura, porém apenas testemunho e exposição da fé, que mostram como em cada tempo a Sagrada Escritura foi entendida e explicada na igreja de Deus”, e todos os credos, confissões e “outros escritos dos antigos ou dos novos mestres” da igreja, “não devem ser equiparados à Escritura Sagrada, porém todos lhe devem ser completamente subordinados.”

Há uma tendência entre alguns batistas a rejeitarem qualquer formulação doutrinária mais elaborada. Mas os batistas sempre afirmaram sua fé, ao longo da história da Igreja, com confissões. W.J. McGlothlin ( Baptist Confession of Faith, American Baptist Society, 1911, 368 p.) menciona as seguintes: entre os Batistas Gerais (Arminianos) ingleses foram coletadas sete confissões de fé, além do “Credo Ortodoxo” (1677), e três outras sem título; os Batistas Particulares (Calvinistas) contribuíram com quatro confissões de fé, inclusive a “Segunda Confissão de Londres” (1677) e outras quatro confissões escritas por pastores, para suas igrejas. Entre os americanos, são mencionadas duas, entre elas, a “Confissão de Filadélfia” (1742). Haviam mais três, de grupos alemães, franceses e suíços. John Smyth, o iniciador do movimento batista na Inglaterra escreveu os “20 Artigos” (1609), os “38 Artigos” (1610) e, por fim, os “100 Artigos” (1612). Outros grandes batistas que produziram individualmente confissões de fé foram John Clarke, John Bunyan, Benjamin Keach, John Gill e C.H. Spurgeon. William L. Lumpkin ( Baptist Confession of Faith , Philadelphia: The Judson Press, 1959, 420 p.) menciona 39 confissões de fé e 12 outros textos. Nos Estados Unidos, as confissões batistas mais usadas e respeitadas são a “Confissão de Filadélfia” (1742), a “Confissão de New Hampshire” (1833) e a “Fé e Mensagem Batista” (1925). No Brasil, a “Confissão de New Hampshire” foi usada pela Convenção Batista Brasileira de 1920 até 1986, quando foi substituída pela “Declaração Doutrinária”.

Elas, unanimemente, têm uma forte teologia trinitariana e cristológica, e trazem o testemunho batista distintivo da natureza da igreja visível. Apesar de algumas significativas diferenças teológicas, e trazer, evidentemente, um testemunho que em alguns casos está condicionado pelo tempo e cultura, há um espantoso núcleo comum entre a grande maioria destas confissões. Um apelo à suficiência e supremacia das Sagradas Escrituras, uma afirmação da total corrupção da natureza humana, um claro testemunho de que a morte de Cristo na cruz é o único meio de expiação para o pecado do homem, a vital doutrina da justificação pela fé, a necessidade da conversão do coração como uma nova criação operada Espírito Santo e a ligação inseparável entre verdadeira fé e santidade pessoal. Ao afirmarem estas doutrinas, os antigos batistas claramente se colocaram no centro do cristianismo ortodoxo, juntamente com os Pais da Igreja, com os Reformadores, os Puritanos ingleses e os evangelistas do Grande Avivamento ocorrido na Inglaterra e Estados Unidos, afirmando aquilo que no passado, Richard Baxter, e no presente C. S. Lewis, chamaram de “essência” do cristianismo. Se queremos um despertamento que reforme os evangélicos no Brasil, que transforme a decadente sociedade pós-moderna, marcada por relativismo, individualismo e misticismo, precisamos confessar e expor firmemente estas doutrinas em nosso tempo! Como em épocas passadas, elas ainda conservam seu poder!
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Por Franklin Ferreira
Fonte: Monergismo
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