domingo, 31 de agosto de 2014

Revista Monergista, 01 ano.

 
Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.
Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.
Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

João 15:1-5
Um ano do blog Revista Monergista.


No início era para ser um espaço onde acumularia textos de minha leitura, e uma ocupação que substituísse outras que me tiravam a oportunidade de aprender mais da Fé Cristã. 


Mas, um ano se passou, e o blog continua, sendo um espaço cristão reformado, local de aprendizado pessoal, e com o tempo percebi, que para outros tantos também.

Agradeço aos irmãos que nos inspiraram e estimularam em prosseguir neste simples trabalho; àqueles que deram um voto de confiança, aos que estão perto e aos distantes. 

Sou grato a Deus, pois é Ele quem opera em nós o querer e o efetuar, é Ele quem graciosamente nos move em direções, outrora, inimagináveis, nos capacitando a fazê-lo... 

Particularmente, meu desejo, é que este espaço, continue e amadureça cada vez mais nesse caminho: em promover o Evangelho puro e simples de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a sã doutrina dos apóstolos e profetas, conforme nos apresenta as Santas Escrituras. E é na base das verdades bíblicas gloriosas pelas quais muitos deram as suas vidas, que, também temos desejo de buscar comunhão com aqueles que amam estas mesmas verdades, de modo a incentivar e fortalecer um ao outro na mais santíssima fé.

"Até aqui nos ajudou o Senhor." 1 Samuel 7:12

Madson Flôres Queiroz
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sábado, 30 de agosto de 2014

Como a graça controla o chamado


O fato de Deus graciosamente escolher um povo para Si, dentre toda a raça humana pecadora, não é inicialmente conhecido pelos que são escolhidos. Eles nada sabem a respeito do assunto antes de se converterem. O Espírito Santo, portanto, precisa realmente chamá-los um por um, ou eles jamais saberão que são filhos de Deus! Esta experiência é conhecida nas Escrituras como "chamados por Deus" (I Cor. 1:9); "chamados pela graça" (Gal. 1:15); "chamados pelo evangelho" (II Tess. 2:14). O Espírito Santo serve-Se do evangelho para efetuar esse chamamento.

Os pecadores estão espiritualmente mortos. Eles aceitam a verdade do evangelho só quando o Espírito Santo os vivifica. "Os mortos ouvirão. . . e os que ouvirem viverão" (Jo. 5:25). O pecador recém-despertado talvez se sinta longe de Deus, porém, o evangelho diz: "... o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (Jo. 6:37). Assim, o pecador espiritualmente vivificado vem a Jesus, confiando na verdade do evangelho. Esta é, em suma, a experiência de quem é chamado pela graça. O fato de qualquer pecador ser chamado deve-se inteiramente à graça divina. "Deus chamou-me por Sua graça", disse Paulo. E nenhum santo jamais alegará outra causa.

Os pecadores, em geral, consideram suas ofensas contra Deus mais como falhas do que como crimes. Eles dormem em seus pecados, sonhando com uma misericórdia geral que, (esperam), lhes seja outorgada. Eles jazem inconscientes de seu perigo, até que o Espírito de Deus os toca e os convence de sua pecaminosidade. Mas quando eles são levantados da morte espiritual pelo Espírito de Deus, aprendem repentinamente que cada um de seus pecados os coloca sob a maldição de Deus. Os deveres negligenciados, as boas dádivas de Deus ingratamente usadas, os atos de rebelião cometidos contra Deus assediam a mente do pecador recém-despertado e perturbam sua alma. A consciência aguça o seu ferrão e a culpa se torna um peso. Ele vê que a santa lei de Deus é justa. A ruína passa a ser vista como inevitável para os pecadores não perdoados.

Daí, pelo Espírito e pela palavra da verdade, os pecadores despertados aprendem que são incapazes de escapar da lei de Deus por qualquer esforço próprio. Esta convicção os torna alarmados por não terem percebido antes sua ignorância e indiferença. Agora eles sabem que as Escrituras são verdadeiras quando atri¬buem ao homem natural a condição de um "cão que retorna ao seu vômito", a uma "porca lavada que retorna ao espojadouro de lama" (II Ped. 2:22) e a "um sepulcro aberto" (Sal. 5:9). Ao invés de viverem cada momento no ininterrupto e vibrante amor de Deus, como a lei divina exige, eles viveram — oh vergonha! — inteiramente voltados para o amor de si mesmos e para o pecado. Certamente a lei de Deus é justa! "Maldito é todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gal. 3:10). Uma vez que não permaneceram, eles são de fato malditos.

Ora, deve ser claro que tais  pessoas admitirão prontamente que qualquer esperança para elas só será possível se Deus for misericordioso. A graça, como meio de salvação, está inteiramente à disposição de qualquer um que reconhece seu demérito aos olhos de Deus.

Diante disso, poderíamos pensar que um pecador despertado para sua necessidade correria para receber uma salvação tão graciosa. Verdade maravilhosa! Espantoso favor! Que mais se poderia esperar? No entanto, a observação mostra que os pecadores despertados são, às vezes, muito lentos para receber este conforto. Isso acontece não porque a graça de Deus é deficiente, nem porque a salvação é de algum modo incompleta, e sim porque freqüentemente o pecador acha que ainda não teve bastante consciência do seu pecado, ou porque sente que ainda não deseja Cristo suficientemente. Isso evidencia que ele ainda compreende mal a glória da salvação pela graça.

Nossa convicção de pecado ou o desejo de termos Cristo como nosso Salvador não persuade a Deus a ser gracioso para" conosco. São experiências necessárias para nos tornar desejosos de receber a graça, mas não são necessárias para levar Deus a ser gracioso conosco. É a graça que controla o ato de Deus quando Ele nos chama, e não o nosso montante de tristeza por causa dos pecados, nem o quanto desejamos ser salvos. Precisamos cuidar que não desejemos as misérias da incredulidade, a fim de obtermos permissão para crer.

O chamado do evangelho é para pecadores infelizes que, de si mesmos, nada têm em que possam confiar. Aquele que verdadeiramente crê em Cristo precisa confiar nEle como Justificador do ímpio (Rom. 4:5). O pecador que se sente, de algum modo, melhor do que o ímpio, não é encorajado a buscar a Cristo, e sim o pecador que sabe que é tão culpado quanto todos os outros! "Não vim chamar os justos", disse Jesus, "mas os pecadores ao arrependimento" (Mat. 9:13).

A base da esperança do crente e a fonte de sua alegria espiritual não decorrem do pensamento que ele fez alguma coisa para merecer sua própria salvação (chame isso de "crença" ou o que você quiser), mas das verdades de que a salvação é de graça e de que o Salvador "veio salvar o que se tinha perdido" (Mat. 18:11). Um crente depende da graça que não exige mérito, e de um Salvador que supre toda a justiça necessária.

Consciente, então, de que está na mesma situação de culpa de todos os outros ímpios do mundo, o pecador despertado está convencido de que seu chamado se deve exclusivamente ao fato de Deus lhe ter sido gracioso. Ele não conhece outra razão para isso. Ele está plenamente persuadido de que Deus deu o primeiro passo. Quando ele pensa na experiência de ter sido despertado para reconhecer sua necessidade espiritual, ele diz: "Eu fui achado por Aquele a Quem nem amei nem procurei".

Ser chamado por Deus é puramente um ato de Sua graça. Ter consciência de que a graça discriminativa de Deus te particularizou e te chamou, embora você não fosse diferente de todos os outros pecadores, deve encher o teu coração de gratidão cristã. Este fato encherá o teu coração de grande incentivo para piedosa obediência e serviço cristão fervoroso.

Que direi a você que ainda não foi chamado? Se você deixar este mundo no estado em que está, estará perdido para sempre. Só os que são chamados aqui, são glorificados lá. Não suponha que o conhecimento dos fatos do evangelho poderá te salvar, se o teu coração está frio e sem qualquer sentimento de amor a Deus. Que vantagem haverá para você se deixar entre teus amigos a lembrança de um respeitável caráter, e você mesmo for perdido? Queira Deus que este não seja o caso com os meus leitores!
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Por Abraham Booth - 1734-1806
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Aniquilação ou Punição Eterna?


O aniquilacionismo é a visão de que os perdidos no inferno serão exterminados após terem pago a pena por seus pecados. Seu proponentes oferecem seis argumentos principais.
O primeiro argumento se baseia no simbolismo usado pela Bíblia para descrever o inferno. Dizem que o fogo consome o que é lançado nele, e assim será com o lago de fogo (Ap 19.20; 20.10, 14, 15; 21.8) — ele queimará completamente os perversos de maneira que eles não mais existirão.
O segundo argumento se baseia em textos que falam do perdido perecendo ou sendo destruído. Exemplos incluem incrédulos perecendo (Jo 3.16) e sofrendo “penalidade de eterna destruição” (2Ts 1.9).
O terceiro argumento se baseia no significado da palavra eterno. Nas passagens do inferno, diz-se, eterno significa apenas “na era vindoura” e não “perpétuo”.
O quarto argumento se baseia em uma distinção entre tempo e eternidade. Os aniquilacionistas perguntam: como é justo que Deus puna pecadores pela eternidade quando seus crimes foram cometidos no tempo?
O quinto argumento é um argumento emocional de que o próprio Deus e seus santos jamais desfrutariam do céu se soubessem que alguns seres humanos (somente os entes queridos e amigos) estariam perpetuamente no inferno.
O sexto argumento diz que um inferno eterno mancharia a vitória de Deus sobre o mal. A Escritura declara que Deus será vitorioso no final; ele será “tudo em todos” (1Co 15.28). Dizem que essa ideia parece difícil de reconciliar com seres humanos sofrendo interminavelmente no inferno.
Eu vou responder cada um desses argumentos. Primeiro, o argumento do fogo do inferno. Muitas passagens usam essa linguagem sem interpretá-la. É possível, portanto, ler várias visões nessas passagens, incluindo o aniquilacionismo. Todavia, nós não queremos impor nossas ideias à Bíblia, mas receber nossas ideias da Bíblia. E quando o fazemos, descobrimos que algumas passagens impossibilitam um entendimento aniquilacionista do fogo do inferno. Entre elas está a descrição de Jesus do inferno na parábola do homem rico e de Lázaro como um “lugar de tormento” (Lc 16.28) envolvendo estar “atormentado nesta chama” (v. 24).
Quando o último livro da Bíblia descreve as chamas do inferno, ele não fala de ser consumido, mas diz que o perdido “será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite” (Ap 14.10-11).
Segundo, o argumento das passagens que falam de destruição ou perecer. Novamente, quando a Escritura meramente usa essas palavras sem interpretá-las, muitas visões podem ser impostas a elas. Mas, mais uma vez, nós queremos ler o seu significado a partir da Escritura. E algumas passagens são impossíveis de reconciliar com o aniquilacionismo. Paulo descreve o destino dos perdidos como sofrer “penalidade de eterna destruição” (2Ts 1.8). Notável também é o destino da Besta no Apocalipse. “Destruição” é profetizada para ele em 17.8, 11. A Besta (junto com o Falso Profeta) é lançada no “lago de fogo que arde com enxofre” (19.20). A Escritura é inequívoca quando descreve o destino do diabo, da Besta e do Falso Profeta no lago de fogo: “Serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (20.10). Então, a “destruição” da Besta é tormento infindável no lago de fogo.
Terceiro, o argumento da palavra eterno. Nas passagens do inferno, diz-se, eterno se refere apenas à “era vindoura” e não “infindável”. É verdade que no Novo Testamento, eterno significa “perene”, e o contexto determina quanto dura esse tempo. Mas a era vindoura dura tanto quanto a vida do próprio Deus eterno. Por ser ele eterno — ele “vive pelo século dos séculos” (Ap 4.9, 10; 10.6; 15.7) — assim também é com a era vindoura. Jesus estabelece isso claramente em sua mensagem sobre as ovelhas e os cabritos: “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.46; ênfase adicionada). A penalidade dos perdidos no inferno é coextensiva com o êxtase dos justos no céu — ambos são infindáveis.
Quarto, o argumento de que é injusto que Deus puna pecadores eternamente por pecados temporais. Impressiona-me a presunção de seres humanos em dizer a Deus o que é justo e injusto. Faríamos melhor em determinar o que ele considera justo e injusto a partir de sua Santa Palavra.
Jesus não deixa dúvidas. Ele dirá aos salvos: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34). Ele dirá aos perdidos: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (v. 41). Nós já vimos João definir esse fogo como punição eterna e consciente no lago de fogo para o diabo (Ap 20.10). Alguns versículos mais tarde, lemos que seres humanos não-salvos partilham do mesmo destino (vv. 14-15). Evidentemente, Deus acha justo punir seres humanos que se rebelam contra ele e contra sua santidade com um inferno infindável. Será que cabe mesmo a nós chamar isso de injusto?
Tratarei o quinto e o sexto argumentos juntos. O quinto é o argumento emocional de que Deus e seus santos nunca desfrutariam do céu se soubessem que seus entes queridos e amigos estivessem no inferno para sempre. O sexto é o argumento de que um inferno eterno mancharia a vitória de Deus sobre o mal. É digno de atenção o fato de que os universalistas usam esses dois argumentos para insistir que Deus, no fim das contas, salvará todos os seres humanos. Deus e seu povo nunca desfrutariam do êxtase do céu se sequer uma alma permanecesse no inferno, argumentam. No final, todos serão salvos. Deus sofreria derrota se quaisquer de suas criaturas criadas à sua imagem viessem a perecer para sempre.
Eu considero esses argumentos para o aniquilacionismo e o universalismo — da emoção e da vitória de Deus — como reescrever a história bíblica, algo que não temos o direito de fazer. Digo isso porque os três capítulos finais da Bíblia apresentam o estado eterno das coisas. Os santos ressurretos serão abençoados com a eterna presença de Deus na nova terra (Ap 21.1-4) e, o que é interessante para a nossa atual discussão, cada um dos três capítulos finais da Escritura apresenta o destino dos não-salvos:
O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. (20.10)
Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (vv. 14-15)
Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte. (21.8)
Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. (22.14-15)
A história da Bíblia não termina dizendo: “E os injustos foram destruídos e não existem mais”. Também não diz: “E no fim, todas as pessoas serão reunidas pelo amor de Deus e serão salvas”. Mas, quando Deus encerra sua história, seu povo desfruta de infinito êxtase com ele na nova terra. Mas o perverso sofrerá tormento sem fim no lago de fogo e será deixado de fora da Cidade Santa, a Nova Jerusalém, que é a jubilosa morada de Deus e seu povo para sempre.
Nós não temos direito de reescrever a história bíblica. Pelo contrário, devemos deixar que Deus defina o que é justo e injusto e o que é proporcionado com seu ser “tudo em todos”. Ele não nos deixa em dúvida quanto ao inferno porque ele ama pecadores e quer que eles creiam no evangelho nesta vida.
Quão amável e misericordioso da parte dele incluir esse convite no fim de sua história: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22.17). Todos os que confiam em Jesus em sua morte e ressurreição para resgatá-los do inferno, terão parte na Árvore da Vida e na Cidade Santa de Deus. Todos os que o fazem com todos os santos podem dizer agora e dirão para sempre:
Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos. (19.1-2)
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O Princípio do Santuário (Parte 3)

O culto puro
Outra verdade que deriva da análise do templo do Antigo Testamento advém do seu papel na centralização da religião israelita. O estudo do templo mostra que Deus se preocupou muito em criar um núcleo central para o culto verdadeiro. Com efeito, o Senhor proibiu que diversos templos fossem construídos em Canaã. Sua ordem era que somente um fosse edificado no lugar que ele próprio escolhesse (Dt 12.4-14). Na verdade, construir um santuário em outro local (como o que foi construído recentemente no Brás, em São Paulo) equivaleria a criar uma nova religião, sujeita a outro deus (1Rs 12.26-33).
Evidentemente, a centralização do culto determinada pelo Senhor tinha por propósito preservar a unidade nacional e evitar que as doze tribos de Israel espalhadas pela Palestina, em contato com as diferentes formas cananitas de culto pagão, dessem origem a alguma espécie de sincretismo religioso, comprometendo com isso a qualidade moral e espiritual de toda a nação que, então, sofreria fatalmente as terríveis consequências da quebra da aliança (Dt 28.15-68).
Para evitar, ou pelo menos retardar tudo isso, a lei de Deus determinava que o templo fosse um só, sendo instalado no local que Deus escolhesse (Dt 14.23; 15.20; 16.2; 17.8), ao que Josué obedeceu e instalou o tabernáculo em Siló (Js 18.1), onde permaneceu por cerca de trezentos anos, até os dias de Samuel (1Sm 1.3).
Posteriormente, nos dias de Davi, um novo local para o templo foi escolhido pelo Senhor na cidade de Jerusalém (1Cr 21.18–22.1; 2Cr 6.6). Nesse lugar, Salomão construiu um magnífico santuário (2Cr 3.1). Depois disso, nenhum outro local foi escolhido por Deus para a edificação de sua casa. Os templos edificados pelos judeus depois do exílio babilônico foram todos construídos no mesmo lugar que o Senhor indicara a Davi.
De todo esse cuidado de Deus em exigir a manutenção de um núcleo central e singular para a adoração, se depreende que ele quer que o culto ao seu nome seja sempre livre de contaminações. O sincretismo religioso e o tão pregado ecumenismo são abomináveis aos olhos dele, pois implicam a mistura de atos legítimos de culto com práticas e crenças supersticiosas, próprias de religiões demoníacas.
Fuja, portanto, a igreja cristã de qualquer tipo de associação com o romanismo, o islamismo, o hinduísmo e com as seitas que parecem cristãs e não são. Que esse zelo ocupe mais a mente dos pastores de Cristo do que o vão cuidado de consagrar paredes de tijolo e móveis de madeira.
É também estudando o ensino bíblico sobre o templo judaico que o crente descobre princípios eternos acerca da contribuição financeira para a obra de Deus. Sabe-se, por exemplo, que no Antigo Testamento o dízimo devia ser levado ao templo (Ml 3.10). Ora, essa determinação tinha por objetivo proteger o princípio de que os bens materiais devem ser usados para honrar a Deus, sendo aplicados em seu serviço (Pv 3.9).
Portanto, ainda que, pelo fato de não haver mais o templo, seja impossível hoje cumprir à risca o preceito deMalaquias 3.10, permanece intocável o princípio acima exposto. Assim, todo cristão que quer agir de maneira responsável deve cooperar financeiramente para que a obra de Deus seja mantida e levada adiante neste mundo (At 4.34-37; 11.29,30).
Eis, assim, alguns exemplos do aspecto interno do ensino bíblico sobre o templo. O problema de muitas igrejas, conforme visto, é o apego às normas acerca do santuário em sua face externa, ignorando que a época do santuário de pedras ficou para trás.
Isso tem gerado preocupações e enormes gastos com a construção de suntuosos edifícios, tem levado pessoas a gastar tempo precioso com o planejamento de cultos solenes de consagração de santuários e seus utensílios e tem feito pastores se desgastarem com a criação e manutenção de regras acerca do que pode ou não ser feito na “nave” dos seus templos.
Todas essas enormes parcelas de tempo, trabalho e dinheiro poderiam ser mais bem direcionadas se uma compreensão maior das Escrituras reinasse no meio evangélico. Com efeito, quantos esforços deixariam de ser empregados em vão se todos os crentes atentassem para o ensino de Jesus à samaritana, quando disse que o período de adoração a Deus em templos ou lugares sagrados havia chegado ao fim (Jo 4.19-24)! E que dizer dos ensinos de Paulo, de Pedro e do autor de Hebreus que, unânimes, insistem em afirmar que o templo cristão são os próprios crentes (1Co 3.16; 6.19; Hb 3.6; 1Pe 2.5)?
Quem quiser, pois, consagrar um templo a Deus, consagre-se a si mesmo; e quem quiser ter reverência dentro de um templo, tenha reverência em si mesmo. Da mesma forma, se alguém quiser glorificar a Deus num santuário, glorifique-o em seu próprio corpo, com cada membro que o compõe; e se algum cristão quiser adorar o Pai num lugar sagrado, adore-o dentro de si mesmo, no templo de sua alma, e de todo o coração, pois é esse o tipo de adorador que o Pai procura (Jo 4.23,24).
Ora, o que é numeroso e patente não exige busca cuidadosa. Só o que é raro e difícil de ver requer a diligência da procura. Que todo crente seja, pois, parte da classe quase extinta de homens e mulheres que se preocupam em adorar a Deus no verdadeiro santuário do coração.
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Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

XXII Simpósio Reformado Os Puritanos 2013

A Piedade prática do homem de Deus


Joseph Pipa
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XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014

A Igreja Virtuosa (Provérbios 31)


Paulo Brasil
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Evangelismo sem apelo


Cinco anos atrás, eu preguei meu primeiro sermão como pastor da Mount Vernon Baptist Church. O ministro de música me abordou antes do culto com uma pergunta. Ele queria saber como eu faria o apelo.
Eu estava confuso. Antes daquela manhã de domingo, eu havia estado nessa igreja três vezes e nunca vi ninguém fazer apelo. Eu assumi que a igreja havia decidido há muito tempo abandonar a prática. Eu estava errado.
Na verdade, minha igreja tinha um costume histórico de fechar o culto com um apelo a vir ao altar para se unir à igreja, a entregar a vida novamente ao Senhor ou a fazer uma profissão de fé pública. Os três domingos que eu estive presente foram exceções à regra! De fato, muitos dos membros chegavam a entender que o apelo era o meio primário que a igreja usava para alcançar os perdidos. Eles viam o apelo como sinônimo de evangelismo.
Por que não fazer apelo?
Tenho certeza de que muitos que fazem apelo têm as melhores intenções. No início dos anos noventa, eu frequentei uma igreja cujo pastor terminava o culto convidando cada um na congregação a fechar os olhos e curvar as cabeças. Em seguida, ele convidava qualquer um que quisesse receber a Cristo a levantar a mão e olhar para o púlpito. Por cerca de trinta segundos o pastor observava o salão, notava as mãos levantadas e, com uma voz calma e tranquilizante, dizia: “Sim, irmão, eu vejo você. Muito bom, irmã. Amém”, etc. Creio que esse pastor queria o melhor para aqueles desejosos.
No entanto, estou convencido de que o apelo faz mais mal do que bem. A prática de conceder às pessoas imediata garantia de salvação — sem ter o trabalho de testar a credibilidade da profissão delas — parece, na melhor das hipóteses, insensata, e na pior, escandalosa. É insensata porque o pastor não é capaz de conhecer suficientemente a pessoa que ele está prestes a afirmar como cristã. É escandalosa porque substitui a porta estreita e apertada designada pelo nosso Salvador (Mc 8.34; Mt 7.14) por uma porta larga e espaçosa designada por nós. Com a melhor das intenções, aqueles que praticam o apelo deram a pessoas não salvas a falsa confiança de que elas realmente conhecem Jesus. [1]
Mas isso não é tudo. O apelo tem a tendência de colocar o foco da congregação no lugar errado. Após a Palavra ser pregada, tanto membros quanto visitantes devem examinar seus próprios corações. Todos devem dar séria atenção a como a mensagem o chama a responder. Contudo, o apelo, ironicamente, tende a produzir a resposta oposta. Em vez de autoexame, ele leva ao exame dos outros. As pessoas olham para os lados imaginando quem irá à frente. E se ninguém se move? Imagina-se que o pastor falhou? Ou pior, que Deus tirou o dia de folga?
Essas são apenas algumas razões pelas quais penso que é insensatez usar o apelo como evangelismo.
 Como evangelizar sem apelo
Como um pastor que rejeita o apelo deve pensar sobre evangelismo em um culto público? Em outras palavras, como um culto marcado pelo zelo evangelístico deve se parecer? Aqui vão sete respostas pelas quais me empenho ao máximo nos cultos que dirijo:
1. Seja diligente
Seja diligente. Embora não haja nada mais importante para um pregador do que a fidelidade à verdade do evangelho, a diligência deve vir logo após. Deus usa homens cujos corações são convencidos pela tragédia do pecado e a realidade da salvação. Até que a doutrina da maravilhosa graça de Deus tenha se estabelecido no sangue do pregador, ela nunca flamejará em seus lábios.
2. Seja claro a respeito do evangelho
Seja claro a respeito do evangelho. Toda passagem da escritura é um texto do evangelho. Em todo livro de Ester, o nome de Deus nunca é mencionado, e ainda assim sua obra está em cada página. Um pastor que quer ver pecadores salvos ensinará fielmente a Bíblia, mostrando à sua congregação como a pessoa e a obra de Cristo é o assunto de cada texto.
3. Chame as pessoas ao arrependimento e à fé
Chame as pessoas ao arrependimento e a crer. Existe um lugar em cada sermão em que o pastor deve convidar os pecadores a encontrar esperança em Cristo. Tão frequentemente ouço sermões que terminam com um chamado à mordomia, um chamado ao risco, um chamado à fidelidade — mas nem sequer uma vez um chamado a Cristo. O pregador deve cuidadosa e apaixonadamente instar seus ouvintes a arrepender-se e crer nas boas novas, a submeter suas vidas ao Cristo Rei.
4. Crie espaço para conversas de acompanhamento
Crie espaço para conversas de acompanhamento. Quando eu prego o evangelho durante meus sermões, quero que os incrédulos saibam que estou ansioso para falar mais da fé que acabo de compartilhar. Assim, me disponibilizo após o culto para conversar a respeito do evangelho e suas implicações.
Outros pastores com os quais tenho conversado convidam os desejosos a uma sala especial após o culto para orar ou conversar. Spurgeon disponibilizava duas tardes de terça-feira por mês para aconselhar desejosos e recém-convertidos. [2] Como quer que você decida fazer, dê oportunidades para as pessoas conversarem mais pessoalmente a respeito do que você acaba de pregar.
5. Ofereça estudos evangelísticos
Ofereça estudos evangelísticos. Eu frequentemente aviso aos desejosos que eles estão convidados a comparecer a um estudo curto e franco que explica as bases da fé cristã. O estudo que eu uso é o Christianity Explained, um estudo de seis semanas pelo Evangelho de Marcos publicado pela Good Book Company. Cheguei à conclusão de que essa é uma introdução inestimável ao evangelho. De fato, o treinamento em como liderar esse estudo se tornou uma classe de extrema importância em minha igreja.
6. Dê muita importância aos batismos
Dê muita importância aos batismos. É claro, batismos já são muito importantes. Nós devemos reconhecer que cada batismo é uma oportunidade de mostrar à congregação que Deus está operando ao edificar sua igreja.
Em nossa igreja, nós pedimos que cada candidato ao batismo compartilhe seu testemunho com a congregação. Eu nunca exigi isso, mas ninguém nunca disse não. Esses novos cristãos são ardentes para testificar da graça de Deus, e os desejosos são levados a questionar sua própria resposta ao evangelho.
7. Ore
Finalmente, ore. Na oração pastoral e até na oração final, eu regularmente oro para que os desejosos se arrependam e creiam no evangelho. Eu oro para que eles submetam suas vidas a Cristo, vencendo quaisquer obstáculos que veem no caminho. Eu oro para que Deus se faça conhecido por atrair para si pecadores hoje mesmo.
Como você pode observar, eu não faço apelo na igreja em que sirvo, mas eu apelo todo domingo que pecadores venham a Cristo. Que desejemos ver santos em nossas congregações encorajados pelo evangelho e desejosos convencidos de sua necessidade de se arrepender e crer nas boas novas de Deus.
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Por Aaron Menikoff
Notas:
1. Para um tratado detalhado dos perigos do apelo, leia Erroll Hulse, The Great Invitation: Examining the Use of the Altar Call in Evangelism (Audoban Press, 2006) e D. Martyn Lloyd-Jones, Pregação e Pregadores (Editora Fiel, 1976), capítulo 14.
2. Arnold Dallimore, A New Biography (Banner of Truth, 1985), 80.
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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Em que sentido a Depravação é Total?


Todo membro da raça de Adão nasce totalmente depravado, caído, alienado de Deus, e em escravidão ao mal. Em Romanos 6, Paulo chama isso de escravidão ao pecado. Ele diz, além disso, em Romanos 6:20, que as pessoas que são escravas do pecado são totalmente destituídas da verdadeira retidão. Todos os que estão em tal estado de pecado e incredulidade são inimigos de Deus (Romanos 5:8,10). Eles são "estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas" (Colossenses 1:21)".

Totalmente → A depravação humana é "total" da mesma forma que a morte é total. Você não pode estar parcialmente morto. Você pode estar muito, muito doente ou extremamente machucado e sendo mantido por aparelhos, mas você ou está morto, ou vivo. Não existem graus de morte.

De fato, quando a Bíblia descreve a depravação humana, normalmente utiliza a linguagem da morte espiritual.

Efésios 2, por exemplo, diz que as pessoas em seu estado decaído estão mortas em delitos e pecados — espiritualmente mortos (v. 1). Eles andam em mundanismo e desobediência (v. 2). Eles vivem segundo as inclinações da carne, enquanto "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" e são, "por natureza, filhos da ira, como também os demais" (v. 3). Eles estão "sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo" (v. 12).

Em Romanos 8:6, Paulo diz que "o pendor da carne dá para a morte". Ele está falando sobre a mentalidade carnal da incredulidade, descrevendo o que significa ser totalmente depravado. Ele segue adiante dizendo (v. 7-8): "O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus".

Em outras palavras, a morte espiritual é uma total inabilidade de amar a Deus, uma total inabilidade em obedecê-lO, e uma absoluta incapacidade de agradá-lO.

Ora, muitos não-cristãos negarão que eles são hostis a Deus. Mas eles estão se auto-iludindo. Na verdade, muitos que invocam o nome de Cristo e reivindicam amar a Deus não amam, de fato, o Deus da Bíblia. Eles amam um deus que só existe na imaginação deles — um deus tolerante, profano, passivo, frágil e fraco. Esse não é o Deus da Bíblia. O Deus da Bíblia é santo demais para o gosto dos pecadores. Ele é irado demais contra pecado. Os Seus padrões são por demais elevados. As Suas leis não estão de acordo com a preferência deles. Portanto, apesar deles professarem amar a Deus, não amam o verdadeiro Deus que se revelou nas Escrituras. Eles não são capazes de amá-lo.

Incapacidade de Amar a Deus → A incapacidade de amar a Deus como devemos é a própria essência da depravação total. Ela torna-nos impotentes para cumprir o primeiro e grande mandamento: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força" (Mc 12:30)". Portanto, tudo o que o pecador faz é permeado pelo pecado, porque ele está vivendo a vida em violação constante do mandamento mais importante de todos.

Por outro lado, "depravação total" não significa que todos os pecadores sempre são tão ruins quanto podem ser. Não significa que todo incrédulo viverá a sua depravação integralmente. Não significa que todos os não-cristãos são moralmente iguais a animais irracionais ou serial killers. Não significa que pessoas não-convertidas são incapazes de cometer atos de bondade ou benevolência para com outros seres humanos. Na verdade o próprio Jesus declarou que os incrédulos fazem bem às pessoas em troca do bem que é feito a eles próprios (Lc 6:33).

A raça humana foi criada à imagem de Deus. Embora o pecado tenha corrompido aquela imagem, até mesmo não-cristãos são capazes de subir a altos níveis de bondade humana, honestidade, decência e excelência. Depravação "total" não significa que toda mulher não salva deve ser uma terrível bruxa, ou que todo homem não-crente é um psicopata degenerado. Significa que incrédulos, aqueles que estão na carne, não podem agradar a Deus. Assim a palavra "total" em "depravação total" refere-se à extensão da nossa pecaminosidade e não ao grau em que nós a manifestamos. Significa que o mal contaminou todos os aspectos do nosso ser — nossa vontade, nosso intelecto, nossas emoções, nossa consciência, nossa personalidade, e nossos desejos.

O Coração Corrompido → Usando terminologia bíblica, o pecado corrompeu totalmente o coração humano. Jeremias 17:9 diz, "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" Se o coração é corrupto, toda a pessoa está contaminada.

Descrevendo nossa depravação como corrupção do coração, as Escrituras deixam claro que o real problema conosco encontra-se no centro do nosso ser. Nossa própria alma é infectada pelo pecado. Nada em nós permanece puro. Nossa tendência para pecar é inflexível e, no final das contas, inconquistável. O pecado, então, define quem nós somos.

Diante de um Deus perfeitamente santo e impecavelmente íntegro nós somos profanos, pecadores, completamente degenerados — não importando quão bons aparentemente sejamos em termos humanos. Ser verdadeiramente íntegros não é meramente difícil para nós; é impossível.

Isso é tão verdade sobre alguém como Mahatma Gandhi ou Madre Teresa como é sobre Adolph Hitler ou Jeffrey Dahmer1. A relativa bondade das melhores pessoas do mundo nunca é suficiente para merecer a aprovação de Deus. Seu único padrão é a perfeição absoluta. O melhor dos pecadores não chega nem perto.

Vejamos uma ilustração: suponhamos que todos os leitores de Pyromaniacs fossem enfileirados em Point Dume (a praia mais próxima da minha casa), e todos nós tentássemos nadar até Cingapura. A maioria de nós provavelmente se afogaria antes de atingir Catalina — que fica apenas a 42 quilômetros. Uma coisa é certa: Ninguém chegaria a Cingapura. Todos nós estaríamos mortos muito antes da meta ser atingida. Se eu fosse um jogador (e eu não sou) eu apostaria tudo o que tenho que ninguém chegaria até mesmo até o Havaí, que fica a menos da metade do caminho.

Uma pergunta: Será que aqueles que morreram antes de nadar duas milhas são piores do que aqueles que morreram a trinta e sete quilômetros da praia? É claro que não. Todos estariam igualmente mortos. A meta era tão desesperadora para o nadador especializado e ultra-treinado, como para o sujeito gordo que fez seu treinamento sentado em frente a um computador escrevendo em seu blog o dia inteiro.

É assim que as coisas são com o pecado. Todos os pecadores estão condenados diante de Deus. Até mesmo os melhores da descendência de Adão são completamente pecadores no coração. Não importa quão bons eles possam parecer pela lente do julgamento humano, eles estão exatamente na mesma condição desesperadora do mais vil degenerado — talvez até em um estado pior, porque é mais difícil para eles reconhecerem o seu pecado. De forma que eles combinam o seu pecado com a auto-justificação.

A Religião Prova a Corrupção → As pessoas estão preparadas para serem chamadas de pecadoras no seu pecado, mas elas não querem ser rotuladas de pecadoras na sua religião. Mas isso é crucial: A religião humana não contradiz a depravação. Ela a confirma e prova. A religião humana coloca outros deuses no lugar legítimo do verdadeiro Deus. É a própria essência do ódio a Deus. É falsa adoração. Nada além de uma tentativa de depor o próprio Deus. É a pior expressão da depravação.

Lembrem-se: Foram os fariseus que Jesus condenou com a injúria mais severa que Ele jamais proferiu. Por quê? Afinal de contas, eles acreditavam que as Escrituras eram literalmente verdade. Eles tentavam obedecer rigidamente à lei. Eles não eram como os Saduceus, liberais religiosos que negavam o sobrenatural. Eles eram os fundamentalistas teológicos dos seus dias.

Entretanto, eles se recusaram a reconhecer a falência dos seus próprios corações. Eles confiaram em si mesmos de que eram íntegros e continuaram a tentar estabelecer a sua própria retidão, em vez de submeterem-se à retidão de Deus (Romanos 10:3). Lembram-se do que eles disseram ao cego de nascença em João 9:34? "Tu és nascido todo em pecado" — como se eles não fossem.

Em outras palavras, eles rejeitaram a doutrina da depravação total, e isso conduziu à sua absoluta condenação. Jesus disse: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores" (Mc 2:17). "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" (Lc 19:10).

Boas Obras Corruptas → Eles pensavam que todas as suas boas obras os tornavam justos. Mas religião e boas obras não cancelam a depravação. A depravação corrompe até as formas mais elevadas de religião e boas obras. George Whitefield disse que Deus poderia nos condenar pela melhor oração que nós pudéssemos fazer. John Bunyan concordou. Ele disse que achava que a melhor oração que ele já tivesse feito tinha pecado suficiente nela para condenar o mundo inteiro. Isaías escreveu: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam" (Is 64:6).

Pecadores não remidos são, portanto, incapazes de fazer qualquer coisa que agrade a Deus. Eles não podem amar o Deus que se revela nas Escrituras. Eles não podem obedecer à lei de coração, com uma motivação pura. Eles não podem sequer compreender a essência da verdade espiritual. 1Co 2:14 diz: "O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente". Incrédulos são, portanto, incapazes de ter fé. E "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb 11:6).
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A palavra chave em tudo isso é incapacidade. Pecadores são totalmente incapazes de responder a Deus, à parte da Sua graça capacitadora. Este é o ponto de partida para um entendimento saudável e bíblico da soteriologia. Sobre este tema veja mais em “A Vergonha do Pecado”: 

Por Phil Johnson
Fonte: Os Puritanos 
Extraído do blog www.bomcaminho.com
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