sábado, 23 de agosto de 2014

A universidade não muda seu coração, o revela


Todo verão a mesma coisa acontece a minha caixa de entrada. Eu abro-a para achar uma estável corrente de e-mails de pais preocupados, jovens pastores e antigos irmãos, pedindo-me para aparecer e coisas do tipo quando eles estiverem na Universidade no semestre de início. Todos querem a mesma coisa: ver seus amados jovens de 18 anos envolvidos com o nosso ministério no campus e crescendo na fé. O problema é que frequentemente não é isso o que os amados jovens querem para si.

O que eles querem? Essa é uma questão que eu me perguntei pelos últimos oito anos fazendo o ministério no campus. A questão em si envolve tudo que que amo e odeio com relação ao ministério no campus. Estudantes universitários, tipicamente de 18 a 22 anos, estão trabalhando para si mesmos, não porque seus pais o querem, mas porque eles querem. É emocionante. É enlouquecedor. É desencorajador. É exaustivo. Alguns tentam mais do que outros para descobrir isso. Alguns chegam a pensar que eles já descobriram. Leva tempo. Poucos deles percebem quão precioso o tempo realmente é. Também acontecem erros. Vários e vários deles tipicamente.

O Drama da Fase Adulta Emergente

Poucos descrevem melhor o que universidade se parece do que o sociólogo de Notre Dame, professor Christian Smith. Ele escreve:

“Em um âmbito equiparado a nenhum outro ao longo da vida, adultos emergentes aproveitam e suportam múltiplas, grandes, com várias camadas e geralmente não antecipadas transições da vida. Eles se movem para frente, retrocedem, eles planejam se mover para frente novamente. Eles vão para a universidade, eles desistem, eles transferem, ele tiram um tempo por um semestre para poupar dinheiro, alguns graduam-se, alguns não. Eles querem estudar arquitetura, eles odeiam arquitetura, ele mudam para justiça criminal, um caminho de carreira diferente. Seus pais se separam, fazem as pazes, se divorciam, casam novamente. Eles arrumam um emprego, eles desistem, acham outro, são promovidos, eles se movem . Eles conhecem novos amigos, seus antigos amigos mudam, seus amigos não se dão bem, eles conhecem mais novas pessoas. Eles arranjam novos companheiros de dormitório, seus companheiros não cooperam, eles acham um novo apartamento. Eles compram seguro de vida, eles batem o carro, eles cancelam o seguro, eles alugam um carro. Eles acham sua alma gêmea, eles se envolvem, a alma gêmea termina com eles, eles ficam arrasados. Eles acreditam guardar o sexo para relações significativas, eles fazem sexo, eles ficam irados consigo mesmos, ele procuram por um relacionamento significativo. Eles fumam, eles querem para de fumar, param por alguns dias, e começam a fumar novamente. Nessas e de outras formas, para adultos emergentes nada na vida é estável ou duradouro.” (Souls in Transition, 34)

Se você ler através das linhas, estudantes universitários estão tentando responder duas questões: “Eu sou amado?” e “Posso fazer do meu jeito?” (Segundo Dan Allender essas são as duas questões que toda criança nasce fazendo). Seus pais já tentaram responder essas questões para eles (alguns melhor que outros), mas agora é tempo deles começarem a responder essas duas questões por si. Em outras palavras, todo estudante universitário tem uma historia e essa história é um drama com a linha central sendo dupla: onde eles encontrarão amor e como aprenderão a viver por algo maior que si mesmos?

Estudante Nenhum Está a Salvo

Woddy Allen certa vez disse: “O coração quer o que o coração quer”, Thomas Chalmers concordaria. O problema não é que nós desejamos, é o que desejamos, e porquê. Nossos corações são coisas inconstantes, e mais do que nunca, isso é o que a universidade revela. Como Paul Tripp poderia colocar, não é que a universidade muda nosso coração conforme o revela. Não é a secularização, ou a imoralidade que deve ser temida. De acordo com Jesus, é a propensão dos nossos corações de querer ou coisas erradas ou tentar ancorar-se em lugares errados. Durante todo tempo, Jesus é simultaneamente aquele que nos afastamos e procuramos.

C.S. Lewis escreveu sobre seu próprio coração, “Pela primeira vez que eu examinei a mim mesmo com um prático e sério propósito. E então eu encontrei o que me assustava: um zoológico de luxúrias, uma confusão de ambições, uma enfermaria de medos, um harém de ódios afagados. Meu nome era legião.” Longe de ser um mal, mórbido, e excessivamente introspectivo ser, assim foi como ele se tornou cristão, como ele viu sua necessidade de um salvador que prometeu que veio não para o sadio, mas para o doente. Pessoas com o coração doente são aqueles para os quais que Jesus veio. 

Isso significa que os únicos calouros que estarão completamente “salvos” na universidade são os que tem corações completamente puros. E da última vez que eu conferi na Bíblia, nenhum de nós somos. Mesmo a mais condecorada durante o ensino médio que foi o heroina da turma e “tão madura para sua idade” não está salva. Tenho certeza que ela é ótima – na verdade de acordo com Jesus, não tenho tanta certeza. Porque frequentemente essa condecorada do ensino médio ama aprovação e afirmação que recebe do líder do grupo da juventude, seus professores, seus parentes, qualquer adulto em geral. Mais do que Jesus, ela ama os tapinhas religiosos nas costas que simultaneamente a fazem se sentir justa e melhor que todos da sua turma.

O Que Fazer Com Um Coração Quebrado

Eu conheço isso muito bem porque eu já fui assim. O heroico (pelo menos na minha mente) e condecorado estudante de ensino médio que amava aprovação transformado de repente no solitário calouro universitário que pensava que era melhor que qualquer um, e ainda, ao mesmo tempo, com medo de ficar só. Uma borboleta antissocial que amava agitar suas asas hipócritas confundiu seu voar como seu próprio fazer no lugar da boa dádiva de Deus.

O que fazer com um coração quebrado? Não um quebrado romanticamente, mas um que todos nós carregamos por onde andamos, aquele quebrado pela queda. Aquele que causou Davi seduzir a garota mais sexy do campus. Aquele que fez com que Pedro não jantasse com “os perdedores” (Gl 2:11-12). Aquele que nos fez escolher qualquer coisa, exceto Jesus.

Você o traz para Jesus. Ele é o único que pode curar um coração quebrado. O único que pode fazê-lo novo. O único que pode responder de modo satisfatório as duas questões que estão sofrendo para serem respondidas. Sim, você é amado – tão amado que ele conhece cada ponto bagunçado e negro do seu coração, e ainda se recusa a te deixar ir. E, não, você não pode ter seu próprio caminho. Nossos corações são rápidos para querer as coisas erradas, ou se entregam a bons desejos da forma errada, nas horas erradas. Ele nos ama o bastante para nos desapontar, disciplinar, ensinar e nos mudar.

O que nossos estudantes precisam é aquela coisa que Jesus disse para Maria que era necessária: um coração que encontrou seu descanso nEle. Corações inquietos deixam um rastro de destroços auto-indulgentes ou auto-justificados para trás. Somente corações que estão descansando em Jesus são capazes de abraçar tudo da vida, com suas emoções e decepções, altos e baixos, com a tranquilidade e coragem daqueles que a vida está segura porque está escondida em Jesus.

O coração não quer o que ele quer. Quer ele já saiba isso, ou ainda está lutando para acreditar, o coração quer Jesus.
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1. Sammy Rhodes é ministro universitário no campus da Reformed University Fellowship at the University na Carolina do Sul
2. . Esse artigo foi publicado originalmente no site do ministério Desiring God e você pode acessá-lo no link: College Doesn’t Change Your Heart, It Reveals It
3. Tradução por Matheus Fernandes

Fonte: Evangelho Urbano
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