quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Princípio do Santuário (Parte 2)


Mediação e sacrifício
Em resposta a isso tudo, é preciso destacar, em primeiro lugar, que o ensino bíblico sobre o templo indica a necessidade que o homem tem de um mediador para ter acesso a Deus. No templo, o “lugar santíssimo” ficava separado do “lugar santo” por um véu que só o sumo sacerdote transpunha uma vez por ano, a fim de oferecer sacrifícios por seus próprios pecados e pelos do povo (Hb 9.2-4,6-8).
Isso significava que o acesso a Deus permanecia fechado (Hb 9.8), aguardando um mediador perfeito, por meio de quem o pecador pudesse se achegar ao Pai. Como se sabe, o mencionado mediador é o Senhor Jesus Cristo (1Tm 2.5,6; Hb 9.11,12,15; 12.24). Foi por esse motivo que, quando ele morreu, o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27.51). Isso mostrou que o caminho do homem para Deus acabara de ser aberto.
A implicação prática desse fato é que o cristão pode agora se aproximar de Deus com confiança (Hb 10.19-22) e junto dele desfrutar de boa comunhão, misericórdia, graça e auxílio (Hb 4.16), sem precisar, por exemplo, da ajuda de um sacerdote a quem deva se confessar.
O fato de o véu ter se rasgado também mostra que a necessidade do templo como veículo de acesso a Deus desapareceu. Isso significa que construir um templo hoje (como fez a IURD) equivale a afirmar que a obra de Cristo não foi suficiente para abrir o caminho do trono da graça para o pecador, necessitando ele ainda de lugares sagrados e rituais especiais para achegar-se ao Senhor e obter o seu favor (Hb 9.8).
Em segundo lugar, o estudo das verdades que subjazem a figura do templo mostra que a ira de Deus suscitada pelo pecado humano só pode ser aplacada por meio de sangue (Hb 9.22). A justa indignação do Senhor contra toda iniquidade exige propiciação — e esta só pode ser feita com a morte. A existência do altar no templo bem como todos os rituais de sacrifício pelo pecado ali realizados apontam para essa realidade (Lv 16).
Isso tudo explica a necessidade da morte de Cristo, destacando sua importância singular, uma vez que o Novo Testamento ensina que, por sua morte, Cristo fez propiciação pelos pecados (Rm 3.25; 1Jo 2.2; 4.10), desviando do crente a ira de Deus (Rm 5.1,9; 8.1) ao lhe oferecer um sacrifício perfeito e definitivo, suprindo assim uma necessidade que os sacrifícios realizados no templo judaico não podiam suprir (Hb 9.11,12; 10.11-14).
Nesse aspecto em particular, a morte de Cristo mostra ainda quão desnecessário o templo se tornou, pois, sendo ali o local em que os holocaustos eram realizados, sua importância desapareceu tão logo o Senhor ofereceu a si mesmo como sacrifício final e completo pelos pecados, feito uma vez por todas (Hb 7.26,27).
O caráter marcantemente sangrento dos rituais realizados no templo também revela o quanto Deus é santo e não pode suportar a iniquidade (Hc 1.13).
Assimilando essas verdades ensinadas simbolicamente pelo sistema sacrificial do Antigo Testamento, o cristão entenderá melhor o sentido da cruz e também verá com maior nitidez o quanto Deus odeia o pecado (Hb 10.26-31), já que este só pode ser punido com a morte (Ez 18.4; Rm 6.23) e, considerando essas coisas, tentará viver uma vida grata e reta (Hb 12.28,29).
Do estudo do templo, também é possível auferir o princípio de que o culto a Deus deve ser regido por determinações que emanam da sua vontade soberana (Hb 8.5). Quando alguém observa as inúmeras regras divinas que regiam os atos cultuais dentro do templo no Antigo Testamento, conclui facilmente que é falsa a ideia de que a adoração ao Senhor pode ser feita da maneira que o adorador bem entende.
A liberdade concedida por Deus, ao contrário do que muitos pensam, não é liberdade sem fronteiras (Gl 5.13; 1Pe 2.16). Os interessados nesse tipo de liberdade devem renunciar à condição de seres humanos e viver como animais a dar vazão a todos os impulsos de seus instintos naturais. Mas façam isso nos campos e florestas, não durante a adoração ao verdadeiro Deus. Pois o culto cristão não deve ter espaço para baderneiros, mas sim se desenvolver dentro dos limites da decência, da ordem, da reverência, do temor e de tudo que é aceitável (1Co 14.40; Hb 12.28).
_____________________
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...